Ministra Fernanda Machiaveli durante inauguração no assentamento de Mulungunzinho
Por Edinaldo Moreno / Jornal de Fato
Mossoró recebeu a primeira Lavanderia Coletiva e Agroecológica instalada em área rural no Brasil. O equipamento foi instalado na comunidade de Mulunguzinho, zona rural do município. A solenidade aconteceu na tarde desta segunda-feira (13) e contou com a participação da governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra, e da ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), Fernanda Machiaveli.

A unidade deve beneficiar diretamente 80 famílias assentadas. Segundo o MDA, o Projeto Lavanderias Coletivas e Agroecológicas foi elaborado a partir de demandas apresentadas na Marcha das Margaridas e tem como objetivo promover tecnologias e inovações socioambientais que fortaleçam a autonomia das mulheres camponesas em assentamentos e comunidades quilombolas.
A proposta integra atividades domésticas coletivas a práticas de convivência com o semiárido, com foco em segurança hídrica, uso de energia renovável, produção agroecológica familiar e comercialização solidária.
“Estamos entregando hoje aqui bem-estar, cidadania, promoção de direitos com foco voltado para a questão das mulheres. A ministra está aqui entregando esse pioneirismo, onde é a primeira lavanderia agroecológica da América Latina em condições adequadas e moderna”, disse a governadora Fátima Bezerra.
Para a implementação no Rio Grande do Norte, o MDA destinou mais de R$ 3,66 milhões, enquanto o Ministério das Mulheres investiu R$ 1,5 milhão por meio de Termo de Execução Descentralizada (TED).
“Quero contar que essa é a primeira lavanderia agroecológica da América Latina. Nós fizemos um projeto experimental. São nove lavanderias que estão sendo implementadas, sendo cinco aqui no Rio Grande do Norte onde teremos captação de água da chuva, energia solar, reuso desta água e espaço para as mulheres gerirem essa lavanderia e também cuidarem de suas crianças enquanto fazem essa atividade do cuidado”, explicou a ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), Fernanda Machiaveli.

Outros assentamentos também serão contemplados com unidades do projeto: Assentamento Arizona, em São Miguel do Gostoso; Agrovila Tabuleiro Alto (Santa Maria), em Ipanguaçu; e Assentamento Lagoa Nova, em Riachuelo. De acordo com o MDA, a implementação das 4 sedes no RN conta com investimento de R$ 3,66 milhões e mais R$ 1,5 milhão do Ministério das Mulheres por meio de Termo de Execução Descentralizada (TED).
A estimativa é a de que mais de 160 mulheres participem diretamente da gestão das lavanderias, com impacto estimado em pelo menos 400 famílias no estado. A proposta integra atividades domésticas coletivas a práticas de convivência com o semiárido, com foco em segurança hídrica, uso de energia renovável, produção agroecológica familiar e comercialização solidária.
Eliane Marinho é presidente da associação do Mulugunzinho e explicou como a lavanderia funcionará. “Ela vai ser gestionada pelo Grupo de Mulheres Decididas a Vencer do Mulugunzinho, porque é uma luta do grupo. Lutamos muito junto com movimentos sociais. Nós vamos fazer a gestão deste lugar”, disse.
A associação realizará um pré-agendamento para as mulheres da comunidade usufruir do espaço. “Teremos um grupo de WhatsApp onde as pessoas vão ligar, diremos qual o tempo que cada mulher terá e o quantitativo de máquinas que ela vai usar. Estamos debatendo se ela vai funcionar aos fins de semana, mas já sabemos que funcionará de segunda a sexta até às 17h”.
Damiana Silva é assentada há 20 anos e comemorou a chegada da lavanderia à comunidade. “É uma grande vitória a vinda dessa lavanderia agroecológica para a nossa comunidade. Muitas vezes não temos tempo de lavar roupa porque estamos trabalhando e a gente deixando aqui a nossa roupa a gente vai ter um tempo a mais para fazer outras coisas. Para as mulheres que tem criança temos aqui uma brinquedoteca para elas passarem o tempo”, contou.
Agenda teve entrega de quintais produtivos e poço tubular e anúncios de recursos
Durante o evento, foram entregues 20 Quintais Produtivos, iniciativa voltada à promoção da autonomia econômica de mulheres rurais. Desde 2023 já foram implantados 1.566 quintais no Rio Grande do Norte, com investimento superior a R$ 7,6 milhões.
Também foi entregue à Associação Xique Xique o Selo Biocombustível Social. No local são comercializadas polpas de frutas oriundas dos quintais produtivos da comunidade. Em parceria com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), foram entregues 28 títulos de terra, sendo 19 em nome de mulheres.
A programação incluiu ainda a inauguração de um poço tubular equipado com sistema de bombeamento movido à energia solar fotovoltaica, em modelo off-grid (isolado da rede elétrica). A estrutura dispensa conexão com a rede convencional e representa um avanço para a segurança hídrica no semiárido, ampliando a autonomia produtiva, a regularidade no abastecimento de água e o fortalecimento dos sistemas agroecológicos.
Também foi anunciado a destinação de R$2 milhões para a criação do Projeto Viveiro de Mudas da Juventude, voltado à produção de espécies nativas da caatinga para reflorestamento de assentamentos e recuperação de áreas degradadas, além da comercialização de mudas. O recurso será viabilizado por meio de TED com a Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA).
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