Até agora a Vigilância Sanitária não apresentou uma resposta sobre as mortes de pacientes ocorridas na terça-feira, 24. A Secretaria de Saúde do Estado decidiu realocar os pacientes do CDM para outras cidades para garantia tratamento seguro
Centro de Diálise de Mossoró está interditado
Por Edinaldo Moreno / Jornal de Fato
A Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) vai realocar os pacientes da Clínica de Diálise de Mossoró (CDM) para outras cidades do Rio Grande do Norte após a morte de duas mulheres na última terça-feira (24). A informação foi confirmada pelo titular da Sesap, Alexandre Motta.
De acordo com a pasta estadual, a CDM atende atualmente 224 pacientes, sendo 208 pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e 16 via convênios. O secretário de Saúde do estado disse que esses pacientes serão atendidos em clínicas localizadas em outras cidades potiguares durante a interdição do local.
“A interdição da Clínica de Diálise de Mossoró criou outro problema para gente que foi realocar esses pacientes atendidos na CDM. Esses pacientes serão realocados para clínicas em Mossoró, no Seridó, Pau dos Ferros, Assú e Santa Cruz. Essa foi nossa ideia inicial de forma para que a gente possa garantir o atendimento de todas as pessoas para que possam continuar as suas diálises”, disse.
Alexandre Motta acrescenta ainda que a medida de interdição da CDM é para que a Vigilância Sanitária possa chegar a uma conclusão para a causa efetiva dos óbitos, ou se é considerado um evento efetivamente adverso, para que a Secretaria de Saúde do Rio Grande do Norte possa informar ao Ministério da Saúde.
“Fui informado da problemática da Clínica de Diálise de Mossoró no voo para Brasília, onde estou participando de uma reunião do Planaes, onde duas pacientes foram a óbito em virtude de causas ainda por estabelecer. Imediatamente diligenciei para que a Vigilância Sanitária do Estado entrasse em contato com a Vigilância de Mossoró, que é a responsável pelas clínicas no município, para iniciar o processo de avaliação. Orientamos a interdição cautelar para garantir que não possamos ter nenhum problema maior durante esses dias”.
A interdição cautelar do serviço ocorreu por orientação da Vigilância Sanitária estadual, até que os fatos sejam apurados e a segurança dos pacientes garantida. A clínica mantém contrato com a Sesap para prestação de serviço, bem como atende pacientes particulares e de planos de saúde. As equipes técnicas da Sesap vão acompanhar toda a transição, de forma segura e organizada.
A Secretaria também seguirá monitorando a investigação do caso e das condições de funcionamento da clínica, iniciada pela Vigilância Sanitária de Mossoró, bem como a apuração da causa dos óbitos e eventual relação com eventos adversos graves.
ÓBITOS
As pacientes que morreram foram identificadas como Raquel Ferreira da Silva Cabral, de 54 anos, e Iraci Inácio de Lima, de 75 anos. Elas eram naturais do município de Assú. Raquel realizava hemodiálise há mais de cinco anos. O G1 informou, com informações dos familiares, que o laudo médico apontou como causa da morte de Raquel Ferreira infarto agudo do miocárdio.
Em nota, a Clínica de Diálise de Mossoró informou que, no que se refere às informações que circulam acerca de possível contaminação da água, reforçou que adota rigorosos padrões de controle de qualidade.
Contou ainda que são realizadas análises laboratoriais diárias por profissionais bioquímicos qualificados, além de monitoramento mensal por laboratório terceirizado, em conformidade com a RDC nº 8.
“Todos os laudos são devidamente encaminhados mensalmente à Vigilância Sanitária, atendendo integralmente às normas vigentes”, diz trecho da nota.
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