Sexta-Feira, 06 de março de 2026

Postado às 09h30 | 26 Fev 2026 | redação Professores de Mossoró iniciam estado de greve por atualização salarial

Crédito da foto: Assessoria / Sindiserpum : Professores da rede municipal de Mossoró durante assembleia na sede do Sindiserpum

Da Redação do Jornal de Fato

Os professores da rede municipal de Mossoró iniciaram estado de greve e podem paralisar as atividades a qualquer momento. A decisão foi aprovada nesta quarta-feira, 25, em assembleia conduzida pelo Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (SINDISERPUM), como forma de pressão para o prefeito Allyson Bezerra (União Brasil) cumprir a lei do piso salarial nacional do Magistério.

A categoria também decidiu por uma parada de advertência, que será realizada no dia 6 de março. Dois dias antes, 4, a diretoria do Sindiserpum realizará uma live pelo Instagram do Sindiserpum, às 19h, para esclarecer à sociedade sobre a situação em que se encontra a Educação do município e, principalmente, a forma como os profissionais de sala de aula está sendo tratado pela gestão municipal.

Estado de greve é o processo que antecede uma greve em definitivo. Para a diretoria do Sindiserpum, trata-se de mais uma oportunidade que a categoria dá ao prefeito Allyson Bezerra de abrir um diálogo com o sindicato e discutir a pauta de reivindicações para o ano de 2026, incluindo a defasagem salarial de 27,4%.

Em seis anos de gestão, Allyson Bezerra só cumpriu o reajuste do piso salarial em 2022, quando dividiu o percentual de 33,24% em 17 meses, e o de 2024, que foi de 3,62%.  O prefeito não cumpriu o reajuste de 2023, que foi de 14,95% e o de 2025, de 6,27%, e ainda não encaminhou à Câmara Municipal o projeto de lei do reajuste de 2026, que é de 5,4%.

Segundo a presidente do Sindiserpum, professora Celina Gondim, a pauta de reivindicação dos professores contempla ainda outros oito pontos de discussão, dentre eles, a recomposição do auxílio-deslocamento para quem trabalha na zona rural, que teve sua última atualização no ano de 2016, e a convocação dos professores concursados para suprir a vacância na rede municipal, que supera 200 vagas.

“Não se pode dizer que a categoria não está dando chance para se evitar uma greve. O prefeito se posicionou nas mídias dizendo que dará o reajuste deste ano, mas não sentou com o Sindiserpum para analisar os demais pontos da pauta, não falou das porcentagens acerca do piso, não deu prazos e nem condições para isto”, diz Celina Gondim.

“Está tudo muito aos modos do prefeito, que é o uso da mídia para enganar a sociedade. Vamos aguardar mais uma semana, realizar alguns atos e, depois, veremos que caminhos iremos seguir”, afirmou a presidente do Sindiserpum.

 

Prefeito não acena para pagar os reajustes de 2023 e 2025

A diretoria do Sindiserpum não acredita que o prefeito Allyson Bezerra tenha a iniciativa de atualizar os reajustes represados, que somam 27,4% com acréscimo de 0,78% de correção. A desconfiança é alimentada pela relação conflituosa que o gestor municipal tem com os profissionais da Educação do município.

As atitudes do prefeito, segundo os dirigentes, não são confiáveis, “porque sempre tem uma armadilha” contra a categoria. A diretoria do sindicato cita o episódio de 2022, quando Allyson anunciou que estava concedendo o maior aumento salarial da história da educação de Mossoró, quando, na verdade, ele dividiu em 17 meses o reajuste do piso salarial do Magistério naquele ano, que foi de 33,24%.

Os dirigentes também chamam a atenção para a “bondade” em ano eleitoral. O último reajuste concedido por Allyson foi em 2024, justamente no ano de sua reeleição, com percentual de 3,62%. Agora, em 2026, que é ano eleitoral e o prefeito é pré-candidato a governador, ele prometeu cumprir o reajuste do piso, que é de 5,4% estabelecido pelo Ministério da Educação.

Já os reajustes de 2023 (14,95%) e de 2025 (6,27%), que não foram anos eleitorais, o gestor municipal não cumpriu a lei. Somando esses dois anos, a defasagem salarial é de 21,22%. Nesses dois anos, Allyson repetiu que não cumpriria o reajuste porque o município já paga acima do valor do piso. “Uma falácia repetida à exaustão pela única gestão que tem negado em toda a história de Mossoró, seguidamente, este direito aos professores”, afirma a professora Celina Gondim, presidente do Sindiserpum. “O prefeito não pode agir como se fosse o dono de toda verdade e se sobrepor ao que rege uma lei nacional”, completa.  

 

“Há um cenário de adoecimento entre os professores de Mossoró”

A presidente do Sindiserpum, Celina Gondim, afirma que os professores da rede municipal vêm sendo desrespeitados de todas as formas pela gestão Allyson Bezerra, o que tem afetado, inclusive, a saúde dos profissionais da Educação:

“Há um cenário de adoecimento entre os professores de Mossoró por tudo o que vem acontecendo ao longo destes seis anos, mas o Sindiserpum não baixará a cabeça para os desmandos de Allyson, como nunca baixou para nenhum gestor ao longo destes 37 anos. Sem abertura de diálogo, o prefeito está empurrando os professores para uma greve.”

Nos dois anos em que o prefeito Allyson não concedeu o reajuste previsto na lei do piso nacional do Magistério, em 2023 e 2025, os professores deflagraram greve como instrumento de luta, mas o movimento não durou muito. A greve foi judicializada e o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte (TJRN) acatou a ação patrocinada pela gestão municipal, determinando o retorno dos professores ao trabalho.

A categoria ainda conseguiu se mobilizar e promoveu manifestações na porta do Palácio da Resistência, sede da Prefeitura, e pelas ruas do centro da cidade. Mesmo assim, não foi o suficiente para os professores terem os seus direitos respeitados.

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