Sexta-Feira, 06 de março de 2026

Postado às 09h15 | 19 Fev 2026 | redação Mossoró segue tendência nacional e registra queda na cesta básica em janeiro

Crédito da foto: Ilustrativa Carrinho de supermercado

Por Edinaldo Moreno / Jornal de Fato

O custo da cesta básica nos quatro municípios potiguares acompanhados pelo Laboratório de Engenharia Econômica da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (LECON/UFERSA) apresentou uma tendência predominante de queda em janeiro de 2026. Segundo o boletim nº 42 do Índice Cesta Básica Essencial (ICBE), a deflação em Mossoró, Angicos, Caraúbas e Pau dos Ferros registrou uma redução média de, aproximadamente, 0,7% no conjunto das cidades.

A pesquisa constatou que Caraúbas liderou a deflação com uma redução de 1,6% (R$ 528,61), seguida por Mossoró com queda de 0,8% (R$ 517,96) e Angicos com recuo de 0,4% (R$ 519,44). Pau dos Ferros foi a única cidade com leve estabilidade positiva de 0,1% (R$ 516,20), consolidando-se, no entanto, como a cidade com o valor nominal mais baixo entre as pesquisadas. Os valores para Pau dos Ferros e Angicos foram estimados pela não ocorrência do levantamento.

De acordo com o ICBE, a cesta básica na Capital do Oeste custou R$ 517,96, impulsionada principalmente pela queda expressiva no preço do tomate (-13,6%) e do óleo de soja (-8,6%). Apesar desse alívio no índice geral e da deflação acumulada de 4,8% nos últimos 12 meses, itens como a margarina (+10,4%), a farinha (+5,1%) e o feijão (+4,9%) ficaram mais caros, exigindo atenção do consumidor ao equilibrar o orçamento doméstico. Regionalmente, a Zona Norte apresentou o menor valor (R$ 480,99), enquanto a Zona Sul registrou o custo mais elevado (R$ 536,70).

Em Angicos, a cesta básica encerrou o mês com um custo total de R$ 519,44, apresentando uma redução mensal de 0,4% e uma queda acumulada de 3,4% em 12 meses. O cenário foi marcado por contrastes: enquanto a margarina (+22,9%) e o pão francês (+11,8%) registraram as maiores altas, o alívio no bolso veio de itens como a farinha (-11,2%), o leite (-7,2%) e o café em pó (-5,6%), que contribuíram para a leve deflação no índice da cidade.

Em Caraúbas, o custo da cesta básica em janeiro de 2026 foi de R$ 528,61, o que representou uma redução mensal de 1,6% e uma queda de 4,0% no acumulado de 12 meses. Este município apresentou a maior deflação mensal entre as três cidades analisadas, sendo favorecido por quedas expressivas no arroz (-18,6%), no leite (-11,3%) e na banana (-8,9%). Em contrapartida, Caraúbas registrou uma alta atípica e isolada na margarina, que saltou 93,5% (passando de R$ 3,94 para R$ 7,62), além de um aumento de 29,8% no óleo de soja, itens que impediram uma queda ainda maior no índice total da cidade.

No município de Pau dos Ferros, o custo da cesta em janeiro foi de R$ 516,20, uma leve alta mensal de 0,1%, mas mantendo uma tendência no longo prazo com queda de 2,9% no acumulado de 12 meses. Assim como nas outras cidades, o pão francês (+11,8%) e a margarina (+22,9%) foram responsáveis pela pressão inflacionária. Por outro lado, itens como a farinha (-11,2%), o leite (-7,2%) e o feijão (-4,9%), que ajudaram a manter a cidade com um dos menores custos da região.

 

Pesquisa aponta comportamentos de preços distintos no Nordeste

O mapa regional de janeiro de 2026 revela um Nordeste com comportamentos de preço distintos, onde a maioria das capitais e grandes centros registrou alta, enquanto o interior do Rio Grande do Norte e o extremo norte da região (MA e PI) apresentaram deflação. O interior potiguar é uma zona de preços mais baixos em comparação às capitais litorâneas, que mantêm patamares mais elevados e pressões inflacionárias mais nítidas no início do ano.

O cenário nacional da cesta básica entre o fim de 2025 e o início de 2026, conforme o DIEESE, foi marcado por uma deflação generalizada em itens de estoque e commodities, como o leite integral, o óleo de soja, o arroz e o açúcar, impulsionada pela alta oferta e pela valorização do real. O café também seguiu essa tendência de queda na maioria das cidades devido à resistência dos consumidores aos preços elevados, apesar de pressões climáticas e externas.

Em contrapartida, o orçamento doméstico foi pressionado pela forte alta do tomate, causada pela baixa disponibilidade de frutos de qualidade, e pelo aumento no preço do pão francês, que sofreu o impacto direto do encarecimento da energia elétrica e da farinha importada.

Tags:

Mossoró
economia
cesta básica
inflação

voltar