Rio Grande do Norte produz 98% do sal marinho do Brasil, respondendo por 4 mil empregos diretos
Da Redação do Jornal de Fato
“Nós não temos mais condições de mandar o nosso sal para os Estados Unidos.” A afirmação é do presidente do Sindicato da Indústria de Extração de Sal do Rio Grande do Norte, um dos setores da economia potiguar mais afetados pelo tarifaço do presidente norte-americano Donald Trump. A ameaça às exportações de sal marinho é fato concreto desde esta quarta-feira, 6, quando a tarifa de 50% entrou em vigor.
Airton Torres chama a atenção para a fatia importante dos Estados Unidos nas exportações do sal marinho. O país responde por 47% de todos os negócios que a indústria salineira da região de Mossoró tem com o exterior, destino que vai deixar de ser viável com a sobretaxa de Donald Trump.
“Isso significa dizer que nós não temos mais condições de mandar o nosso sal para os Estados Unidos. Estamos falando da ordem de 550 mil toneladas de sal por ano", afirmou Airton Torres em entrevista ao jornal O Globo.
O Rio Grande do Norte produz 98% do sal marinho do Brasil, respondendo por 4 mil empregos diretos e, consequentemente, desempenhando um papel importante na economia, principalmente, na região da Costa Branca, influenciada por Mossoró, onde está concentrada a indústria salineira potiguar.
O sal marinho está em risco se novas rotas de exportação não forem firmadas. “O mercado do sal está limitado a essa região aqui do Oceano Atlântico. O sal é um produto de baixo valor e que não consegue ser competitivo quando as distâncias forem muito maiores", explica Torres.
Setor da pesca pode perder até 1,5 mil empregos
O setor pesqueiro tem motivo para grande preocupação, isso porque 80% do atum pescado por embarcações potiguares têm os Estados Unidos como destino. Na busca por novos mercados, há um entrave: desde 2018 o Brasil não exporta o pescado para a Europa, quando uma fiscalização apontou que a cadeia produtiva não atendia a critérios do mercado europeu.
O estado exporta hoje em torno de 3 mil toneladas de atum por ano, de acordo com o sindicato da indústria de pesca, que devido ao tarifaço, considera o risco de embarcações sequer saírem para pescar.
“Só no setor da pesca de atum industrial, mais de 1.500 empregos serão perdidos. Fora todo um contexto desenvolvido por empresas que têm 30, 40 e 50 anos", ressalta Arimar França Filho, presidente do Sindipesca-RN.
“A preocupação ela é real porque há uma perda estimada de US$ 70 milhões, US$ 100 milhões por ano. E essa realidade precisa ser revista", conclui Roberto Serquiz, presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (FIERN).
Governo adotou medidas para atenuar impactos do “tarifaço”
O secretário estadual da Fazenda, Carlos Eduardo Xavier, o Cadu, afirmou que a sobretaxa de 50% aos produtos brasileiros exportados para o Estados Unidos afetará 70% da produção do Rio Grande do Norte destinada ao mercado externo. Isso pode ter um impacto “devastador” em setores importantes da economia potiguar, como o de frutas, granito, pescado e, principalmente, o de sal marinho.
No Rio Grande do Norte, a sobretaxa de 50% passa a incidir sobre 45 itens dos 47 produtos da pauta de exportações para o mercado norte-americano. Isso significa que 96% da produção potiguar destinada aos Estados Unidos sofrerá com a sobretaxa, excetuando os derivados de petróleo e, possivelmente, as castanhas de caju.
O Governo do Estado anunciou que empresas que exportam para os Estados Unidos vão ter um incentivo fiscal extra, proporcional ao quanto venderam para o mercado americano. O decreto nº 34.771/2025 aumenta a desoneração do ICMS às empresas beneficiadas pelo Programa de Estímulo ao Desenvolvimento Industrial do Rio Grande do Norte (Proedi).
A governadora Fátima Bezerra afirma que “o RN não vai se curvar diante de medidas que colocam em risco a nossa economia e os empregos do nosso povo. Estamos agindo com rapidez e responsabilidade, em articulação com o governo federal e os demais estados do Nordeste, para proteger os setores produtivos e garantir que o nosso estado continue crescendo com desenvolvimento e inclusão”, afirmou.
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