Atuação qualificada de enfermeiros pode evitar amputações e salvar vidas, aponta GT do Cofen
Da Redação do Jornal de Fato
Notícia boa. O Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) aprovou duas novas resoluções que atualizam e ampliam as diretrizes para o tratamento de lesões cutâneas no país. As normas tratam da atuação da equipe de Enfermagem na promoção, prevenção, tratamento e reabilitação de pessoas com lesões cutâneas, e regulamentam o uso terapêutico dos concentrados sanguíneos autólogos não transfusionais no âmbito da Enfermagem.
As resoluções foram apresentadas na última terça-feira, 23, durante a 579ª Reunião Ordinária de Plenário (ROP), em Salvador, e são resultado de estudos e discussões conduzidos pelo Grupo de Trabalho de Feridas do Cofen. O GT é composto pela conselheira Ludimila Magalhães e pelas enfermeiras especialistas Gabriela Souza, Priscilla Sckarlat, Sandra Marina e Érica Louise Bezerra — esta última mossoroense e professora da Faculdade de Enfermagem da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern).
De acordo com Érica Louise, a atualização das normas tem sido amplamente comemorada pela categoria, especialmente pela forma como foi construída.
“Estamos em festa na Enfermagem. A última resolução era de 2018. Essa nova, aprovada esta semana, foi construída de forma democrática, com ampla participação da categoria. É um divisor de águas nas concepções e olhares da prática profissional”, celebra.
Para a mossoroense, as resoluções também evidenciam o potencial de inovação tecnológica e a relevância da atuação da Enfermagem na adoção de práticas sustentáveis, contribuindo para a gestão e o descarte responsável de resíduos gerados no cuidado a pessoas com lesões cutâneas.
Durante a reunião, o grupo destacou a importância da formação técnica e da especialização no cuidado com feridas complexas — fatores que podem ser determinantes para evitar o agravamento de lesões e garantir a reabilitação do paciente.
A enfermeira Sandra Marina apresentou casos reais de pacientes que, graças à intervenção especializada da Enfermagem, evitaram amputações e evoluíram positivamente, mesmo em situações de infecção generalizada (sepse).
“Quando o enfermeiro não sabe o que está fazendo, pode comprometer o tratamento e, consequentemente, a vida do paciente. Por outro lado, quando há conhecimento e segurança técnica, conseguimos reverter quadros graves e devolver qualidade de vida à pessoa e à sua família”, afirmou Sandra.

Érica Louise Bezerra, enfermeira, professora da Faculdade de Enfermagem (Uern) e membro do GT no Conselho Federal de Enfermagem
Nordeste registra mais 80 mil amputações entre 2012 e 2021
Dados da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV), com base em registros do Ministério da Saúde, mostram que o Nordeste registrou 80.124 amputações de membros inferiores entre 2012 e 2021. No mesmo período, o Rio Grande do Norte contabilizou 4.603 amputações — um número significativo que reforça a urgência de capacitar enfermeiros no cuidado especializado com feridas e na prevenção de agravos evitáveis.
Até 2020, antes da pandemia de Covid-19, a média diária de amputações na região Nordeste era de 25,20 procedimentos. Em 2021, esse número subiu para 25,84. Juntos, os dois anos contabilizaram 18.631 amputações, com uma média mensal de 776 procedimentos.
Diante desse cenário, Sandra Marina defende investimentos urgentes na formação e valorização de especialistas. “São histórias de amputações evitadas e vidas salvas por decisões clínicas corretas, baseadas em conhecimento científico e uso adequado de tecnologias”, destacou.
Ludimila Magalhães, coordenadora do GT, ressaltou que as normas aprovadas conferem mais autonomia aos enfermeiros para prescrever coberturas, indicar condutas e aplicar tecnologias inovadoras. “Elas não apenas qualificam o cuidado, mas efetivamente salvam vidas”, afirmou.
A conselheira celebrou ainda os avanços alcançados durante a plenária, com a aprovação das duas resoluções que impactam diretamente a assistência prestada por enfermeiros. A primeira trata da atuação da equipe de Enfermagem na promoção, prevenção, tratamento e reabilitação de pessoas com lesões cutâneas. A segunda regulamenta o uso terapêutico dos concentrados sanguíneos autólogos não transfusionais.
“Hoje celebramos um passo histórico para a valorização da Enfermagem no cuidado a pessoas com lesões. Essa conquista é fruto de um trabalho técnico, ético e sensível, construído por um grupo de especialistas brilhantes, comprometidas com a vida e com a ciência”, declarou Ludimila.
A utilização dos concentrados autólogos como terapia regenerativa é debatida pela comunidade científica há mais de 30 anos. No Brasil, com apoio do Cofen, a regulamentação da prática por enfermeiros representa um avanço importante, especialmente no setor público, no qual pode ajudar a salvar vidas e evitar inúmeras amputações.
Para a enfermeira Priscilla Sckarlat, a nova resolução abre um campo promissor de atuação:
“Essa regulamentação representa um marco para a valorização do enfermeiro, que passa a ter acesso a novas possibilidades de atuação: empreender, trabalhar de forma autônoma ou integrar equipes interdisciplinares utilizando terapias regenerativas.”
Gabriela Souza também destacou o impacto positivo para a profissão:
“O enfermeiro pode agora abrir consultórios, clínicas ou empresas voltadas à promoção, prevenção, tratamento e reabilitação de pessoas com lesões cutâneas, evidenciando o perfil empreendedor da Enfermagem.”
O tratamento de feridas envolve muito mais do que a aplicação de curativos. Exige conhecimento em microbiologia, avaliação criteriosa, domínio de tecnologias, escolha adequada de materiais e acompanhamento contínuo e humanizado. A atuação do enfermeiro é central em todas essas etapas. Profissionais capacitados não apenas evitam danos irreversíveis, como promovem recuperação, dignidade e vida.
As novas normas entram em vigor assim que forem oficialmente publicadas no Diário Oficial da União (DOU).
Fonte: Ascom/Cofen
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