Consultor afirma que somente com a estadia de um navio no Terminal Salineiro de Areia Branca, o setor salineiro tem prejuízo de US$ 20 mil dólares/dia. Porto Ilha em Areia Branca foi interditado pelo Ibama no último dia 12 de julho
Porto Ilha em Areia Branca foi interditado pelo Ibama no último dia 12 de julho
“A interdição do Porto Ilha causa um prejuízo estratosférico para o setor salineiro do Rio Grande do Norte.”
A fala do consultor da indústria salineira Renato Fernandes reflete bem o sentimento do setor salineiro do RN, que enfrenta mais uma crise com a interdição do Terminal Salineiro de Areia Branca ocorrido na última quinta-feira (12) pelo Idema.
Ontem (13), em Brasília, foi realizada uma reunião com a participação do presidente da Companhia Docas do RN (CODERN), Fernando Dinoá, para tratar do assunto.
De acordo com Renato Fernandes, o RN produz seis milhões de toneladas de sal marinho por ano, com 40% desse total sendo transportado através do Porto Ilha. Isso representa dois milhões e meio de toneladas.
Ainda segundo ele, a paralisação de um navio no porto custa US$ 20 mil/dia. “No caso das exportações, não existe nenhum modal que substitua o navio, tendo em vista que nossos principais clientes, EUA, Nigéria e Canadá, a logística tem que ser feita por navios, já o milhão e meio que é destinado à indústria química nacional, poderíamos pensar em fazer o transporte rodoviário, mas isso tornaria o transporte praticamente inviável”, disse.
Segundo Renato Fernandes, basta imaginar um milhão e meio de toneladas transportadas por carretas que transportam, em média, 40 toneladas. Quantas carretas haveria nas já sucateadas rodovias. “Isso aumentaria o tempo de transporte e o preço ficaria ainda maior. Totalmente inviável”, afirma.
Para ele, o transporte feito através de rodovias diminuiria a competitividade dos produtores potiguares com o principal concorrente da América do Sul, que é o Chile, que já vem ocupando espaço no Sul e Sudeste.
Outro fator que aumenta ainda mais a preocupação dos produtores de sal com o fechamento do Porto Ilha está relacionado aos contratos internacionais de exportações. “Além de serem contratos dolarizados, as multas são astronômicas. A estadia de um navio parado custa US$ 20.000/dia. Tudo isso são prejuízos que aumentam ainda mais as dificuldades do produtor de sal”, enfatiza.
O consultor afirma que os problemas do Porto Ilha vêm se acumulando e causando constantes prejuízos aos produtores.
Renato Fernandes relembra quem em dezembro do ano passado, o porto foi interditado pelo Ministério do Trabalho e Emprego e na época a Companhia Docas do Rio Grande do Norte (CODERN) foi alertada sobre as questões ambientais, poluição do solo, máquinas e equipamentos obsoletos, arcaicos e, desde então, nada foi feito para melhorar a situação. “O Ibama fez a visita para constar se as medidas que tinham sido solicitadas foram postas em prática, mas infelizmente como isso não ocorreu, o embargo se tornou necessário”, disse.
Setor salineiro movimenta R$ 1 bilhão por ano
A interdição do Porto Ilha fragiliza o mercado exportador potiguar, tendo em vista que quando o cliente não tem a certeza de que as empresas não vão cumprir os prazos, começa a buscar outros fornecedores.
Renato Fernandes afirma que o setor salineiro movimenta R$ 1 bilhão por anos e R$ 150 milhões de tributos pagos. Além disso, o setor oferece 15 mil empregos diretos e 65 mil indiretos. “Mesmo diante de toda essa importância, o que temos recebido são essas intempéries. Temos um excesso de produção. O nosso consumo interno fica em torno de quatro milhões de toneladas, e para que o preço não fique alto é exportar, e quando o cliente não essa certeza de que vai receber o produto, fica complicado. Acumulamos um prejuízo monstruoso”, destaca.
Ele fez questão de enfatizar que o Governo Federal vem causando esses prejuízos, tendo em vista que nos últimos quatro anos não tem investido praticamente nada. “No segundo semestre de 2014, apenas cinco mil reais. Vou repetir: cinco mil reais. Em 2015, R$ 95 mil, ou seja, investimentos mais de R$ 8 bilhões e não estamos vendo nada. O setor salineiro não tem a menor participação na escolha do gerenciamento da Codern. A nomeação é feita pelo Governo Federal com aval do Governo Estadual. O RN produz entre 92% e 98% do sal marinho brasileiro. Então, considero isso um prejuízo monstruoso para um setor consolidado. Nosso teor de pureza é 98,82%. O atual presidente, Fernando Dinoá, tem nosso apoio, mas o que queremos não é mais paliativo. Tudo bem. Queremos o desembargo para voltar a trabalhar, mas queremos uma reforma que garanta a readequação da estrutura e renovação dos equipamentos. Porque do contrário, vamos continuar com essa incerteza, embarga, desembarga, e isso não queremos mais”, finaliza.
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