Beatriz Marti Emygdio, pesquisadora da Embrapa
Natal receberá quinta (13) e sexta-feira (14) pesquisadores, profissionais da saúde, representantes de instituições e especialistas para o I Simpósio dos Avanços da Cannabis no Brasil. O encontro será realizado no auditório do Centro de Tecnologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.
Um dos destaques da programação será a participação da pesquisadora da Embrapa Beatriz Marti Emygdio. No dia 14, às 15h, ela apresentará a palestra “Inovação na Produção de Insumos Canábicos”, trazendo para o Rio Grande do Norte uma discussão estratégica sobre ciência, tecnologia, produção agrícola e redução da dependência brasileira de matérias-primas importadas.
A participação da pesquisadora aproxima o público potiguar de uma das discussões científicas e econômicas mais relevantes da atualidade: como o Brasil poderá construir uma cadeia nacional de cannabis capaz de produzir sementes, materiais genéticos, insumos farmacêuticos, tecnologias de cultivo e produtos com qualidade, padronização, rastreabilidade e segurança.
Quem é Beatriz Marti Emygdio?
Beatriz Marti Emygdio é bióloga formada pela Universidade Católica de Pelotas, mestre em Agronomia, com ênfase em Melhoramento Genético de Plantas, e doutora em Ciência e Tecnologia de Sementes pela Universidade Federal de Pelotas.
Sua trajetória profissional começou na docência e na pesquisa na Universidade Católica de Pelotas. Em 2001, ingressou na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária e passou a atuar na Embrapa Clima Temperado, em Pelotas, no Rio Grande do Sul.
Ao longo de mais de duas décadas na Embrapa, participou e coordenou projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação relacionados a recursos genéticos, melhoramento vegetal, culturas anuais e sistemas de produção. Sua trajetória inclui trabalhos com desenvolvimento e avaliação de cultivares, sementes, milho, sorgo, batata e culturas destinadas à produção de energia e matérias-primas.
Atualmente, lidera o Grupo de Pesquisa Embrapa Agro Cannabis e desenvolve estudos sobre políticas públicas e marcos regulatórios aplicados à pesquisa e à cadeia produtiva da cannabis.
Desde 2024, preside o Comitê Permanente de Assessoramento Estratégico da Diretoria-Executiva da Embrapa no tema Cannabis, o CPCAN. O comitê participa da construção das diretrizes institucionais relacionadas à pesquisa científica com a planta.
Beatriz também coordena um projeto estratégico de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação em rede destinado à cadeia produtiva da cannabis, integra a coordenação do Grupo de Trabalho de Regulamentação Científica da Cannabis e representa a Embrapa no Grupo de Trabalho da Agência Nacional de Vigilância Sanitária.
A pesquisadora participou da definição das linhas científicas e da estruturação do Programa de Pesquisa com Cannabis da Embrapa. Seu trabalho reúne genética, melhoramento vegetal, sistemas produtivos, análise regulatória e planejamento de uma cadeia brasileira baseada em ciência.
A trajetória e os cargos atuais da pesquisadora podem ser consultados em seu perfil institucional na Embrapa.
Produzir conhecimento para reduzir dependências
O Brasil possui capacidade científica, diversidade ambiental e experiência agrícola para desenvolver uma cadeia nacional de cannabis. O avanço dessa produção, entretanto, depende de pesquisa, segurança jurídica, materiais genéticos adequados, protocolos de cultivo e mecanismos rigorosos de controle de qualidade.
A palestra em Natal deverá abordar os caminhos necessários para transformar conhecimento científico em insumos seguros e padronizados, capazes de atender diferentes finalidades dentro dos limites definidos pela regulamentação brasileira.
Entre os pontos que poderão ser apresentados estão a criação de bancos de germoplasma, caracterização genética, seleção de materiais adaptados às diferentes condições climáticas brasileiras, desenvolvimento de protocolos de cultivo, rastreabilidade e produção de insumos com qualidade científica e sanitária.
A pesquisadora também poderá explicar por que o desenvolvimento de uma cadeia nacional não depende apenas da autorização para cultivar. É necessário construir uma estrutura integrada envolvendo pesquisa, produção, regulação, controle de qualidade, universidades, instituições públicas e setor produtivo.
Em entrevista anterior à Forbes Agro, Beatriz chamou atenção para a dependência externa do setor farmacêutico brasileiro: “O Brasil importa 95% dos insumos farmacêuticos que usa”. A presença da pesquisadora em Natal abre espaço para discutir como ciência agrícola, biotecnologia e inovação podem contribuir para mudar esse cenário.
Por que essa discussão interessa ao Rio Grande do Norte?
A realização do simpósio dentro da UFRN aproxima o debate nacional da comunidade acadêmica, dos profissionais da saúde, dos pesquisadores, dos estudantes e dos empreendedores potiguares.
A cannabis reúne temas relacionados à saúde, agricultura, genética, produção de sementes, indústria farmacêutica, sustentabilidade, bioeconomia e inovação. Por essa razão, a pauta interessa não somente aos profissionais diretamente ligados à cannabis medicinal, mas também às universidades, centros de pesquisa, empresas de biotecnologia e instituições públicas do Rio Grande do Norte.
O encontro poderá estimular a formação de redes científicas e novas discussões sobre o papel do Nordeste na pesquisa, no desenvolvimento de tecnologias e na formação de profissionais para uma cadeia produtiva ainda em construção no Brasil.
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