Sexta-Feira, 06 de março de 2026

Postado às 14h15 | 21 Fev 2026 | redação Dos 775 casos de desaparecimentos no Rio Grande do Norte, 160 são menores de idade

Rio Grande do Norte registrou o segundo menor número de desaparecimento de crianças e adolescentes no Nordeste. Dos 775 casos de desaparecimento no RN, 160 foram de menores de 18 anos. Uma queda de 6,9% em relação a 2024, que teve 172 ocorrências

Crédito da foto: Ilustrativa Três em cada dez casos de desaparecimento registrados no Brasil, em 2025, envolveram crianças e adol

Da Redação do Jornal de Fato

Três em cada dez casos de desaparecimento registrados no Brasil, durante o ano de 2025, envolveram crianças e adolescentes. Dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (SINESP) apontam que das 84.760 ocorrências gerais, 23.919, ou 28% do total, envolviam vítimas com menos de 18 anos de idade.

O levantamento também significa que, em média, as delegacias de polícia de todo o país registraram, diariamente, 66 boletins de ocorrência sobre o sumiço de crianças e adolescentes. Um aumento de 8% em comparação aos 22.092 desaparecimentos notificados às Polícias Civis em 2024. Percentual duas vezes superior aos 4% de aumento dos casos gerais, que saltaram de 81.406 para 84.760 no mesmo período.

Comparado às 27.730 ocorrências de 2019, ano em que a Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas entrou em vigor, o total de casos do último ano é quase 14% inferior, mas mantém a curva de crescimento gradual iniciada em 2023 (20.445 denúncias). 

Outro fato que chama a atenção é que, enquanto os homens representam 64% do total de pessoas desaparecidas, entre o público infantojuvenil, a maioria (62%) das ocorrências envolve meninas. 

Desde 2019, a legislação brasileira reconhece como desaparecido qualquer “ser humano cujo paradeiro é desconhecido, não importando a causa de seu desaparecimento, até que sua recuperação e identificação tenham sido confirmadas por vias físicas ou científicas”.

No Rio Grande do Norte, houve uma queda de ocorrências em 2025 em comparação ao ano anterior. O estado registrou o segundo menor número de desaparecimento de crianças e adolescentes no Nordeste. Dos 775 casos de desaparecimento no RN, 160 foram de menores de 18 anos. Uma queda de 6,9% em relação a 2024, que registrou 172 ocorrências de crianças e adolescentes desaparecidos de um total de 706 casos.

Rio Grande do Norte ficou atrás apenas do Piauí, estado nordestino com menor número de desaparecidos com menos de 18 anos, no total de 109 casos. Segundo dados do Sinespe, as maiores ocorrências no Nordeste, em 2025, foram na Bahia (959), em Pernambuco (695) e no Ceará (401).

 

Causas

Especialistas defendem que seria importante diferenciar as circunstâncias em que o sumiço ocorre, havendo aqueles que propõem haver ao menos três distintas categorias: o desaparecimento voluntário; o involuntário, no qual não há emprego de violência, e o forçado.

“Eu ainda trabalho com outra categoria, não muito usual, que é a do que chamamos de desaparecimento estratégico, para se referir à pessoa que desaparece para sobreviver. Caso de uma mulher que foge de um marido abusivo e de uma criança vítima de maus-tratos”, diz a coordenadora do Observatório de Desaparecimento de Pessoas no Brasil (ObDes), da Universidade de Brasília (UnB), Simone Rodrigues, explicando que as causas do problema são “complexas e diversas”.

Dados do Mapa dos Desaparecidos no Brasil, produzido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, apontam que a maior parte dos desaparecimentos acontecem entre sexta-feira e domingo.

O sociólogo e especialista em segurança pública Francisco Augusto Cruz, ouvido em reportagem da Tribuna do Norte, identifica o desaparecimento de pessoas, sobretudo de menores de idade, são consequência de conflitos familiares, situações de violência doméstica, negligência, abuso, alcoolismo, uso de drogas e conflitos geracionais. Na maior parte dos casos, os desaparecimentos são de curta duração, mas revelam fragilidades do ambiente de proteção social.

 

Governo do RN implementa políticas voltadas à prevenção e investigação

Especialistas apontam que a queda de desaparecimento de pessoas no Rio Grande do Norte, especialmente de menores de idade, é consequência positiva da implementação das políticas públicas voltadas à prevenção e investigação de casos. Houve transformações institucionais importantes na forma como o Estado atua.

O Governo do RN investiu na qualificação dos registros e integração do sistema, além de promover iniciativas para reforçar a segurança pública. A nova sede da Polícia Científica, inaugurada em 2025, e a modernização da Polícia Civil, são alguns dos exemplos. Para especialistas, esses investimentos deram respostas imediatas, reduzindo o tempo de resposta aos desaparecimentos e aumentando a possibilidade de localização rápida. Por consequência, o novo cenário desestimula a reincidência de situações de desaparecimento prolongado.

“Do ponto de vista sociológico, isso representa um aumento da confiança da população nas instituições, fator decisivo para que famílias procurem o Estado em situações de vulnerabilidade”, atesta sociólogo Francisco Augusto Cruz na entrevista à Tribuna do Norte.

O Rio Grande do Norte integra o programa Amber Alert, instituído pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), que é ativado em casos de rapto ou sequestro de crianças. O sistema dispara publicações nas plataformas da Meta para divulgar a descrição da criança sequestrada e de eventuais suspeitos de envolvimento no crime.

A ativação da Meta em casos de desaparecimento é de responsabilidade do CIBERLAB, da Diretoria de Operações Integradas e de Inteligência (DIOPI) e da Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP).

 

NÚMEROS DE 2025

- RN registrou 775 casos de desaparecimentos de pessoas, sendo 160 de menores de 18 anos

- A queda de ocorrência no RN foi de 6,9% em relação a 2024

- Brasil registrou 84.760 ocorrências de desaparecimentos de pessoas, 23.919 de menores de 18 anos

- Polícias Civis de todo o País registraram, diariamente, 66 boletins de ocorrência sobre o sumiço de crianças e adolescentes

- Entre o público geral, homens representam 64% do total de pessoas desaparecidas

- Entre o público infantojuvenil, 62% das ocorrências envolvem meninas

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