Sábado, 07 de março de 2026

Postado às 09h30 | 02 Dez 2025 | redação RN tem mais de 13 mil pacientes realizando tratamento contra HIV/AIDS

Crédito da foto: Reprodução Teste para HIV

Por Edinaldo Moreno / Jornal de Fato

A Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) divulgou o número de pacientes que está realizando tratamento para HIV/Aids nos 16 Serviços de Atenção Especializada (SAE) localizados nos municípios de Natal, Parnamirim, Macaíba, São Gonçalo do Amarante, Extremoz, São José de Mipibu, Santa Cruz, São Paulo do Potengi, Caicó, Currais Novos, Mossoró e Pau dos Ferros. O boletim epidemiológico publicado nesta segunda-feira (1º) apontou para mais de 13 mil pessoas atualmente em tratamento contra a doença.

Dados obtidos por meio do Sistema de Controle Logístico de Medicamentos (SICLOM) mostram que o RN possui atualmente 13.672 pacientes realizando tratamento para HIV/Aids. Ainda de acordo com o documento, entre 2014 e 2024, o RN apresentou 10.234 casos de infecção pelo HIV, 1.271 gestantes infectadas pelo HIV, 1.303 crianças expostas ao HIV, 6.413 casos de aids.

Nesse período, percebeu-se um crescimento de 93,2% nos casos de infecção pelo HIV, de 40,3% no número de casos de gestantes infectadas pelo HIV, de 44,5% na identificação de crianças expostas ao HIV e de 51,6% na mortalidade por aids no estado. No entanto, houve redução de 19,2% no registro de casos de aids e de 100% na notificação de casos de aids em menores de 5 anos.

O Dezembro Vermelho, campanha nacional dedicada à prevenção do HIV/aids e das demais infecções sexualmente transmissíveis, marca um período de mobilização social, educativa e assistencial em todo o país. No Rio Grande do Norte, a Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) integra o movimento com ações voltadas ao fortalecimento do diagnóstico precoce e do cuidado contínuo.

2024

Segundo o mais recente Boletim Epidemiológico elaborado pelo Programa Estadual de IST, aids e Hepatites Virais, em 2024, foram registrados no RN 464 casos de Aids, mostrando uma redução de 4,1% em relação ao ano anterior. Já entre janeiro e setembro de 2025, foram notificados 309 casos, valor inferior ao observado no mesmo período de 2024, quando foram identificados 359 casos.

Em 2024, foram registrados 1.126 casos de infecção pelo HIV, 129 gestantes infectadas pelo vírus e 144 óbitos por Aids, o que corresponde a um aumento de 26,4% na taxa de mortalidade, quando comparado ao ano de 2023.

Quando comparados os anos de 2014 e 2024, verifica-se uma redução de 19,2% no registro de casos e de 20,0% na taxa de detecção de aids, que passou de 16,9 para 13,5 casos por 100 mil habitantes no período. Essa redução não foi observada na 2ª, 6ª e 8ª regiões de saúde. Em 2024, as maiores taxas de detecção foram identificadas na 2ª região de saúde (25,7 casos por 100 mil habitantes) e na 8ª região de saúde (19,1 casos por 100 mil habitantes). Dos 167 municípios, 86 (51,5%) registraram casos de aids.

A taxa de detecção do estado, em 2023, foi de 14,7 casos por 100 mil habitantes, inferior às taxas do Nordeste e do Brasil, que apresentaram 17,8 casos e 16,0 casos por 100 mil habitantes, respectivamente. Entre 2014 e 2024, foram registrados 4.674 (72,9%) casos em homens e 1.739 (27,1%) casos em mulheres. No período, houve redução de casos em ambos os sexos.

CRIANÇAS

O boletim epidemiológico também traz dados em relação a crianças atingidas pela doença. No período de 2014 a 2024, foram registradas 46 crianças com aids (menores de 13 anos), no RN, dessas 33 (71,7%) foram diagnosticadas antes dos cinco anos de idade (Tabela 02). A transmissão vertical é a categoria de exposição predominante (93,5%).

A maior ocorrência foi identificada na 7ª região de saúde que apresentou 47,8% do total de casos do estado. Em 2024, não houve registro de caso em crianças. No entanto, entre janeiro e setembro de 2025, já foram notificados 3 casos de aids em menores de 13 anos.

A taxa de detecção de aids em menores de 5 anos, no estado, apresentou redução de 100% durante o período, passando de 1,2 casos por 100 mil habitantes, em 2014, para 0,0 caso por 100 mil habitantes em 2024.

MORTALIDADE POR AIDS

No Rio Grande do Norte, foram registrados 1.441 óbitos por aids, entre 2014 e 2024. Desses, 71,9% ocorreram em homens e a faixa etária predominante foi a de 40 a 49 anos com 28,4% dos casos registrados. A maior concentração ocorreu na 7ª região com 54,4% do total de óbitos do estado.

Observa-se, no período, um aumento de 51,6% na mortalidade por aids no estado. Em 2024, foram registrados 144 óbitos por aids, mostrando um aumento de 26,4% em relação a 2023. Contudo, entre janeiro e setembro de 2025, foram notificados 82 óbitos por aids, valor inferior ao observado no mesmo período de 2024, quando foram registrados 112 óbitos.

Quando comparados os anos de 2014 e 2024, verifica-se que o coeficiente de mortalidade de aids passou de 2,8 para 4,2 óbitos por 100 mil habitantes, revelando um aumento de 50,0%. O coeficiente de mortalidade por aids, no RN, em 2023, foi de 3,5 óbitos por 100 mil habitantes, inferior ao do Brasil e ao da região Nordeste, que apresentaram um coeficiente de 4,8 e 4,3 óbitos por 100 mil habitantes, respectivamente.

 

Hospitais de referência promoverão programação especial em dezembro

Ao longo do mês de dezembro, os hospitais da rede estadual que são referência neste atendimento promoverão uma programação especial, reunindo atividades de sensibilização, testagem, rodas de conversa e orientações voltadas aos usuários e profissionais de saúde.

Em Mossoró, o Hospital Rafael Fernandes realizará a 13ª edição do “Seminário de Atualização em HIV/aids: conectando saberes e práticas no trabalho em rede”, na quarta-feira (3) e quinta-feira (4), das 19h às 22h, por meio da plataforma Microsoft Teams. A programação contará com duas mesas-redondas. A primeira abordará os desafios e possibilidades na atenção à saúde das doenças infectocontagiosas, e a segunda trará uma discussão sobre a transmissão vertical do HIV e saúde da mulher.

O objetivo do seminário é fortalecer a rede de cuidado, integrando os diferentes níveis de atenção, a fim de contribuir para o aprimoramento da prática profissional e melhoria da qualidade da assistência prestada às pessoas vivendo com HIV/aids.

Em Natal, o Hospital Giselda Trigueiro, por meio do projeto Nossa Vida em Cores, desenvolvido desde 2018, promove ações educativas contínuas voltadas a usuários, acompanhantes, profissionais e parceiros institucionais, sempre com foco no cuidado integral.

A iniciativa utiliza as campanhas nacionais e internacionais, representadas por diferentes cores, como estratégia para dialogar sobre saúde pública e autocuidado, transformando espaços como salas de espera, auditórios e salas de aula em ambientes de troca e acolhimento.

 

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