Sábado, 07 de março de 2026

Postado às 10h15 | 06 Nov 2025 | redação Universidade Federal do RN integra consórcio internacional sobre clima e saúde

Crédito da foto: Allef Viana – Pexels O Pacha atua com ciência cidadã e participação comunitária para enfrentar os riscos que o clima impõ

Por Paiva Rebouças / UFRN

Às vésperas do início da Conferência das Partes (COP30) no Brasil, a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) integra o consórcio internacional aprovado pela fundação britânica Wellcome Trust, que vai investigar os efeitos das mudanças climáticas sobre a saúde e o bem-estar em comunidades urbanas brasileiras. O projeto Participatory Analytics for Climate-Health Adaptation in Disadvantaged Urban Communities in Brazil (Pacha), coordenado globalmente pela Universidade de Glasgow, por meio do professor João Porto de Albuquerque, do Departamento de Tecnologia e Ciência de Dados da Fundação Getulio Vargas (FGV), envolve ainda a própria FGV, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR). O financiamento total supera R$ 14 milhões, o equivalente a 2,5 milhões de libras esterlinas.

A UFRN é responsável pela coordenação das ações em Natal, que receberá cerca de R$ 2,4 milhões do orçamento do projeto. A equipe potiguar é liderada pelo professor Járvis Campos, do Programa de Pós-Graduação em Demografia (PPGDem/UFRN), e reúne os pesquisadores Karina Meira e Marcos Gonzaga (PPGDem), Cláudio Moisés Santos e Silva, do Departamento de Ciências Atmosféricas e Climáticas (Dcac), e Mozart Fazito, do Departamento de Turismo (Detur). As atividades locais se articulam com os chamados Participatory Urban Living Labs (PULLs), metodologia criada pela Universidade de Glasgow, que propõe a coprodução de diagnósticos e soluções junto a moradores, gestores e cientistas.

Além de Natal, o Pacha será desenvolvido nas cidades de Curitiba e Niterói. Nas três localidades, as equipes vão reunir dados climáticos e de saúde para avaliar os impactos e as vulnerabilidades de populações que vivem em áreas urbanas desfavorecidas. O objetivo é transformar resultados científicos em políticas públicas capazes de reduzir os riscos à saúde provocados por eventos extremos, como ondas de calor, enchentes e surtos de doenças respiratórias, infecciosas e transmitidas por vetores. O estudo também considera os efeitos das mudanças climáticas sobre a saúde mental.

O projeto atua em três eixos principais. O primeiro busca integrar informações do Censo e de registros públicos para compreender como eventos climáticos, como ondas de calor e enchentes, afetam a saúde de moradores de favelas e comunidades urbanas. O segundo investe na escuta e participação das próprias comunidades na formulação de ações de adaptação, aproveitando o conhecimento local acumulado sobre o território. O terceiro promove cooperação entre universidades, órgãos públicos e organizações sociais para transformar pesquisas em medidas práticas de prevenção e redução das desigualdades climáticas e sanitárias.

Em Natal, o trabalho da UFRN contará com o apoio institucional da Prefeitura, por meio das Secretarias Municipais de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb) e da Saúde (SMS). A pesquisa utilizará dados meteorológicos coletados por mais de 80 estações instaladas pelo Grupo de Estudos Observacionais e de Modelagem da Interação Biosfera-Atmosfera (Geoma/UFRN), que já serviram de base para o Plano Municipal de Mitigação e Adaptação às Mudanças Climáticas. Parte significativa do orçamento será destinada a iniciativas comunitárias de adaptação climática, definidas pelos próprios moradores, em um modelo de ciência cidadã que une produção acadêmica e ação social.

Segundo o professor Járvis Campos, o projeto reforça uma rede de cooperação consolidada entre o PPGDem/UFRN, o Urban Big Data Centre da Universidade de Glasgow e a FGV. Essa parceria já resultou em estudos sobre vulnerabilidades urbanas, microfinanças, moedas sociais e métodos demográficos aplicados à análise de desigualdades socioambientais. Para Campos, o Pacha representa uma oportunidade de aprofundar a internacionalização da pesquisa em demografia na UFRN e ampliar a contribuição da Universidade para políticas públicas baseadas em evidências.

O consórcio integra o programa Climate Impacts Awards da Wellcome Trust, lançado em 2023, que apoia equipes transdisciplinares engajadas na integração entre ciência, comunicação e ação social. Com duração de três anos, o Pacha busca tornar visíveis os impactos das mudanças climáticas na saúde das populações mais vulneráveis e fortalecer a capacidade local de adaptação em diferentes contextos urbanos do Brasil.

Tags:

UFRN
consórcio
clima
COP30

voltar