Sábado, 07 de março de 2026

Postado às 14h30 | 29 Out 2025 | redação Novas energias: Rio Grande do Norte receberá investimentos de R$ 805 milhões

Crédito da foto: Reprodução Com mais de 245 parques instalados, o RN é o maior produtor de energia eólica do país

Da Redação do Jornal de Fato

O Rio Grande do Norte (RN) se destaca como líder nacional na produção de energia renovável. Sua matriz elétrica é quase inteiramente composta por fontes limpas, principalmente eólica e solar. No entanto, o estado enfrenta dificuldades para atrair novos investimentos devido à saturação da capacidade de instalação de distribuição. É preciso investimentos para o escoamento da geração de energia.

O Governo do Estado travou luta para viabilizar os investimentos para ampliar as linhas de transmissão. Desde 2023, quando iniciou o terceiro governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a governadora Fátima Bezerra estabeleceu um canal direto com o Ministério das Minas e Energias. Numa das audiências em Brasília, o ministro Alexandre Silveira garantiu leilão para implantação de novas linhas de transmissão de energia elétrica, com prioridade à produção do setor no Rio Grande do Norte.

Agora, o processo avançou e o estado deverá receber investimentos de R$ 805 milhões no setor. O Leilão de Transmissão 4/2025 da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) vai contemplar os municípios de João Câmara, na Grande Natal, e Assú, no Vale do Açu, distante 60 quilômetros de Mossoró.

O leilão está previsto para esta sexta-feira, 31, na sede da B3, em São Paulo, a partir das 10h. Os investimentos vão viabilizar a construção de subestações e linhas de transmissão, essenciais para a melhoria da infraestrutura energética nas duas regiões.

As empresas participantes irão competir para garantir a concessão dos lotes, com o objetivo de desenvolver os projetos dentro do prazo estabelecido pela Aneel, que varia entre 42 e 60 meses, dependendo da complexidade das obras.

Para o secretário do Desenvolvimento Econômico do RN, ex-prefeito de Apodi Alan Silveira, esse novo investimento vai solucionar os problemas de cortes de geração e, consequentemente, melhorar a segurança do sistema energético no estado.

“Significa mais segurança para os investidores. Isso pode trazer mais investimentos aos parques eólicos e solares já instalados, em termos de ampliação de capacidade instalada. Logo, trazendo mais empregos na instalação, operação e manutenção”, destacou o secretário.

Silveira estima que os novos investimentos vão gerar, aproximadamente, 2,3 mil postos de trabalho diretos e indiretos no estado, com destaque para os setores de construção civil, engenharia, transporte, e serviços locais como comércio, alimentação e hospedagem. “A expectativa é que os municípios de João Câmara e Assú se beneficiem diretamente com a movimentação econômica gerada pela construção das novas subestações e linhas de transmissão”, disse.

 

RN gera muita energia, mas rede de transmissão é limitada

O presidente da Comissão Temática de Energias Renováveis (COERE) da Federação das Indústria do Rio Grande do Norte (FIERN), Sérgio Azevedo, afirma que o leilão representa um passo importante para corrigir um desequilíbrio que existe há anos: o RN gera muita energia limpa, mas a rede que a leva para outras regiões ainda é limitada.

“A qualidade da energia produzida aqui é tão boa que, sempre que há disponibilidade, ela é rapidamente consumida. Nosso sentimento é de que o planejamento do sistema sempre chega atrasado”, disse em entrevista ao jornal Tribuna do Norte.

Ele ressaltou que a importância da geração distribuída (MMGD), que se refere à produção de energia elétrica em pequena escala, geralmente próxima ao local de consumo, como painéis solares em residências, empresas ou pequenas indústrias. O modelo vem crescendo rapidamente, mas de forma desordenada e isso tem causado desequilíbrios na cadeia elétrica, afetando a forma como a energia é transmitida e distribuída.

“Precisamos encontrar uma forma de reequilibrar o ecossistema — inclusive com a revisão de subsídios — para que o sistema volte a funcionar de forma saudável”, disse Sérgio. Com os novos investimentos, ele acredita que o estado poderá distribuir melhor sua produção de energia, atrair novos negócios, fortalecer a economia, gerar mais empregos e oferecer maior segurança para investidores.

 

Capacidade de produção atual

- Matriz majoritariamente renovável: Em setembro de 2025, as fontes renováveis representavam 98,5% da potência instalada e 99,03% da potência outorgada no estado.

- Eólica em primeiro lugar: Com mais de 245 parques instalados, o RN é o maior produtor de energia eólica do país. Até o primeiro trimestre de 2024, o estado liderava o ranking nacional com 9.779,44 MW de potência instalada, o que correspondia a cerca de 32% da energia eólica gerada no Brasil.

- Energia solar em crescimento: A energia solar fotovoltaica ocupa a segunda posição na matriz, com 55 usinas e uma capacidade de 1,4 GW em operação (dados de julho de 2025). O setor está em forte expansão, com um crescimento de 26% nas conexões apenas no primeiro semestre de 2025. Projetos outorgados indicam um potencial de 9,3 GW para o futuro.

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