Sábado, 07 de março de 2026

Postado às 08h00 | 04 Ago 2025 | redação AEDES 3.0: Nova versão de drone evolui com IA e foco na segurança

Crédito da foto: Divulgação / UFRN Com modelo de asa fixa, nova versão do AEDES emite luzes e sons para inibir possíveis delitos na cid

Por Felipe Araújo / Especial – UFRN

Um drone inteligente, com alta capacidade de conexão e multifuncional, capaz de realizar patrulhamento, inibir crimes e até ajudar no socorro em situações de emergência.

Essa é a proposta da nova Aeronave de Defesa Social (AEDES), veículo aéreo não tripulado desenvolvido no âmbito do Instituto Metrópole Digital (IMD/UFRN), que chega à sua terceira geração com avanços em estrutura, segurança e inteligência artificial. Embora pensado para a segurança pública e vigilância de espaços urbanos, o equipamento já nasce com potencial para também ser aplicado em outras áreas no futuro.

O projeto do AEDES, coordenado pelo professor Dino Lincoln Figueirôa, do Departamento de Design (DDGN/UFRN), nasceu em uma disciplina do curso de Design da UFRN, em 2017, com o objetivo de prover maior segurança ao campus da UFRN. Seu desenvolvimento atualmente recebe apoio tecnológico do Leading Advanced Technology Center of Excellence (LANCE/IMD) e do Laboratório de Prototipagem (Protolab/IMD).

A atual versão da aeronave tem 1,7 m de envergadura e 1,1 m de comprimento, funcionando como uma “viatura alada”, capaz de fazer rondas de modo semiautomático (voos independentes monitorados à distância) e inibir delitos, como assaltos e furtos. Isso acontece especialmente por meio de sua câmera de rastreamento de alvos (target tracking) e de seus aparatos que emitem luzes e sons, tal qual uma viatura policial.

O AEDES também conta com equipamento projetado para percorrer grandes áreas em pouco tempo, com capacidade de decolagem vertical e voo horizontal, o que permite sua operação mesmo em ambientes urbanos com obstáculos, como postes, prédios e árvores grandes. Com essas características, a nova versão do drone surge com amplas possibilidades de aplicação, que podem ir além do âmbito universitário. Exemplo disso é a capacidade de reforçar, em diferentes locais da cidade, o policiamento ostensivo comum, quando a simples presença visual e sonora do drone inibe ações criminosas em áreas sensíveis.

 

Novas funcionalidades do novo drone

Professores Dino Lincoln e Augusto Neto apresentam o novo drone no centro de pesquisa LANCE

Outra possibilidade de uso é a ajuda no socorro de pessoas em casos de desastres naturais. Isso porque o AEDES pode tanto chegar a áreas de difícil acesso, captando informações do que ocorre em tais locais, como também transportar pequenas cargas, como kits de sobrevivência, caso necessário. Essa capacidade de transporte faz parte das novas funcionalidades criadas para o AEDES, que é capaz de carregar materiais de até 1,5 kg.

O equipamento também foi pensado para ser levado em viaturas. Com estrutura desmontável, ele cabe no porta-malas de um carro comum. A longo prazo, a expectativa é que o AEDES possa ser incorporado às rotinas operacionais de forças de segurança, como Polícia e Corpo de Bombeiros.

Atualmente, o novo modelo é 100% elétrico, com autonomia de até 35 minutos. Já há versões em estudo com motor a pistão movido a etanol, o que pode elevar a autonomia para até 8h. A velocidade de cruzeiro é de 85 km/h, podendo alcançar até 150 km/h, com raio de operação de 10 km e altitude máxima regulamentar de 145 metros.

Outro avanço importante do projeto é a nova abordagem no controle do drone. Antes acionado por aplicativo, semelhante a um sistema de transporte, o AEDES agora deverá operar com rotinas predefinidas e acionamento pelas equipes de segurança da UFRN, com apoio de inteligência artificial que identificará áreas críticas e traçará rotas mais eficientes.

A terceira versão do drone também inclui um sistema de emergência batizado de SABRI (Sistema Automático Balístico de Redução de Impacto), atualmente em processo de patente, capaz de diminuir impactos ou prejuízos em caso de queda.

 

Primeiros voos terão início em ambiente controlado

Atualmente, o AEDES está em fase de testes, segundo conta o professor Dino Lincoln Figueirôa. Ele afirma que os primeiros voos terão início nos próximos meses, em ambiente controlado, por meio de uma parceria com o centro de treinamento Ironside Academy, em Macaíba.

Uma segunda fase de testes, voltada especificamente para voos autônomos, deve começar a partir de 2026. A previsão é que o drone esteja pronto para operação completa, voando de forma autônoma sob supervisão, a partir de 2027.

“Nosso objetivo é desenvolver um drone com custo e complexidade de operação reduzidos, mas com desempenho comparável ao de equipamentos militares”, explica Figueirôa. Enquanto drones militares podem ultrapassar o valor de R$ 1 milhão, o AEDES, em versões de entrada, deverá custar entre R$ 20 mil e R$ 25 mil.

 

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