Domingo, 08 de março de 2026

Postado às 09h30 | 26 Jun 2025 | redação Primeiro projeto de energia eólica offshore no mar de Areia Branca

Crédito da foto: Reprodução O projeto entra em nova fase com a emissão da licença prévia para a planta-piloto

Da Redação do Jornal de Fato

O litoral de Areia Branca, na Costa Branca potiguar, distante pouco mais de 40 quilômetros de Mossoró, receberá o primeiro projeto de energia eólica offshore (no mar) do Brasil. O empreendimento vai operar como “Sítio de Testes” para a realização de estudos e o desenvolvimento de tecnologias que ajudem a subsidiar investimentos do setor.

O projeto entra em nova fase com a emissão da licença prévia para a planta-piloto pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), em Brasília.

A licença prévia é concedida na fase preliminar do planejamento do empreendimento, aprovando sua localização e concepção, atestando a viabilidade ambiental e estabelecendo os requisitos básicos e condicionantes a serem atendidos nas próximas fases de sua implementação”.

O documento tem validade inicial de cinco anos e antecede a licença de instalação — cuja emissão é esperada pelo Serviço Nacional da Indústria (SENAI) no prazo de 12 a 18 meses. O Instituto Senai de Inovação em Energias Renováveis (ISI-ER), braço da instituição à frente do projeto, prevê a instalação de dois aerogeradores, com potência somada de 24,5 Megawatts (MW), a uma distância de 15 a 20 quilômetros da costa. A expectativa é que a operação seja iniciada em até 36 meses.

“Estamos tratando de uma indústria que ainda não existe no país, mas que, do ponto de vista estratégico, provavelmente será a indústria que mais crescerá nos próximos anos, pensando num horizonte de 30, 50 anos”, afirma o diretor do Senai-RN e do ISI-ER, Rodrigo Mello. O projeto, na avaliação dele, gera um caminho a ser trilhado pela atividade para que possa se instalar de forma mais segura e com o menor impacto possível. “É a quebra de gelo, o primeiro passo para que a indústria inicie de forma comercial no Brasil”, sintetizou.

Um ‘edital multicliente’ para atração de investidores, segundo ele, será lançado até agosto. “O valor do investimento será divulgado no lançamento desse edital, um JIP (Joint Industry Project) para que os parceiros interessados possam participar dessa investida conosco”.

Para o presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte (FIERN) e do Conselho Regional do Senai-RN, Roberto Serquiz, a concessão da licença “é um avanço que beneficia não apenas o setor produtivo, mas toda a sociedade, ao acelerar o protagonismo do Rio Grande do Norte na transição para uma matriz energética mais limpa, sustentável e preparada para o futuro”.

“Esse é um marco histórico para o país e, especialmente, para o Rio Grande do Norte. Esta conquista, liderada pelo Sistema FIERN por meio do SENAI-RN e do Instituto SENAI de Inovação em Energias Renováveis, posiciona nosso estado na vanguarda da transição energética, com protagonismo nacional e internacional”, disse Serquiz. Ele também ressaltou que o projeto terá papel decisivo na adaptação das tecnologias offshore às condições do Brasil, mas não só isso.

 

Energia gerada vai abastecer o Porto-Ilha de Areia Branca

As duas máquinas previstas para a planta-piloto deverão ser implantadas a uma profundidade de 7 a 8 metros no mar, a 4,5 km de distância do Porto-Ilha de Areia Branca, principal ponto de escoamento do sal produzido no Brasil.

A região é considerada rasa e, segundo estudos desenvolvidos pelo ISI-ER, está distante de recifes de coral e das tradicionais zonas de pesca. A energia gerada vai abastecer o Porto, substituindo o uso de combustíveis fósseis na operação do terminal, com a consequente redução das emissões de gases do efeito estufa.

O projeto é voltado ao desenvolvimento de conteúdo local e da cadeia nacional de fornecedores para a indústria, ainda nascente no Brasil. A intenção, é especialmente desenvolver tecnologia, tropicalizar, para o caso do Brasil, tecnologias que já existem em outros locais e, principalmente, responder a perguntas que atualmente estão sem respostas dos pontos de vista ambiental, socioeconômico e tecnológico.

“Nós vamos, com essa planta, começar a ter respostas e não só perguntas sobre como vai acontecer e se comportar a geração de energia no ambiente offshore brasileiro, buscando o melhor rendimento industrial dos equipamentos nas nossas espetaculares condições de vento, e, especialmente, enxergando que essa competitividade deverá ser refletida também em qualidade de vida para todas as pessoas envolvidas, sejam elas pessoas jurídicas, sejam as comunidades costeiras”, frisou o diretor do Senai-RN e do ISI-ER, Rodrigo Mello.

Do ponto de vista do desenvolvimento tecnológico, o Sítio de Testes terá o objetivo de analisar o desempenho dos equipamentos de geração de energia eólica offshore em condições do mar equatorial brasileiro. Segurança e função, desempenho de potência, cargas mecânicas, ruídos, suporte e afundamento de tensão, além de qualidade da energia poderão ser avaliados na área.

Além disso, o objetivo do Instituto Senai de Inovação em Energias Renováveis é estudar, entre os aspectos fundamentais, se a instalação de usinas eólicas offshore provocará alterações no comportamento dos animais marinhos e das aves, mudanças na flora marinha, no fundo do mar, nas atividades existentes na área, na geração de empregos, no potencial crescimento da economia, além da necessidade de cursos profissionalizantes.

 

Tags:

Areia Branca
Porto-Ilha
offshore
mar
energia
eólica

voltar