Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) e do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS) mostram que há uma diferença de 41,5 mil entre vínculos formais e beneficiários do programa de distribuição de renda.
Rio Grande do Norte registrou 539.412 vínculos formais de trabalho em abril deste ano
Redação do Jornal de Fato
O Rio Grande do Norte tem mais trabalhadores formais do que beneficiários do Bolsa Família. Em abril, o estado registrou 539.412 vínculos formais de trabalho (excluindo setor público) contra 497.853 famílias cadastradas no programa do Governo Federal de transferência de renda. Esses números comprovam que o RN é o único estado do Nordeste com mais CLTs do que beneficiários do Bolsa Família.
Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) e do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS) mostram que há uma diferença de 41,5 mil entre vínculos formais e beneficiários do programa de distribuição de renda.
Para o Governo do Estado, o Rio Grande do Norte está invertendo uma lógica histórica, justamente em razão das políticas públicas implementadas. O setor produtivo também celebra os números e apontam para um cenário positivo.
Realmente, o RN tem o que comemorar, principalmente quando comparado com outros estados nordestinos. Bahia, que é o maior estado da região, aparece nos dados do Caged com 2,18 milhões de vínculos formais, enquanto o Bolsa Família tem 2,46 milhões de beneficiados. Em Pernambuco, são 1,58 milhão de famílias no Bolsa Família e 1,52 milhão de vínculos CLT.
No vizinho Ceará, estado que se destaca com a força econômica, o número de vínculos formais é menor do que os cadastrados no Bolsa Família: 1,42 milhão de empregos contra 1,45 milhão de atendidos pelo programa social.
Os demais estados seguem também com o Bolsa Família superando o emprego:
- Maranhão (1,23 milhão / 666 mil);
- Paraíba (667 mil / 515 mil);
- Alagoas (533 mil / 454 mil);
- Piauí (590 mil / 368 mil);
- Sergipe (378 mil / 344 mil).
Há 14 meses
A Secretaria do Desenvolvimento Econômico do RN, que acompanha a evolução do emprego, atesta que os dados do Caged em relação ao mês de abril não são algo novo, ou fora da curva, se levar em consideração o processo de crescimento de vínculos formais no estado.
Em março de 2024, por exemplo, os vínculos com carteira assinada atingiram 505.018, superando as 503.206 famílias registradas no Bolsa Família. A partir daí, o RN vem mantendo performance por 14 meses consecutivos.
Para o Governo do RN, os dados refletem o êxito das políticas públicas de incentivo ao setor produtivo. “Isso é fruto do resultado do trabalho do governo junto com a Sedec, de trazer o desenvolvimento para o Rio Grande do Norte de forma sustentável em diversas áreas do comércio exterior, indústria, fruticultura, energias renováveis, comércio local, e com isso tudo elevando a questão da geração de emprego e renda”, disse o novo secretário do Desenvolvimento Econômico, Alan Silveira, em entrevista ao jornal Tribuna do Norte.
“É o reflexo do trabalho, do empenho do governo em trazer mais investimentos para o Rio Grande do Norte, aproveitando os nossos potenciais. Entendemos que a gente tem o comércio exterior crescendo. No último quadrimestre foram mais de R$ 500 milhões em movimentações econômicas”, acrescentou o secretário.
Alan Silveira ressaltou a importância da qualificação profissional e do fortalecimento das cadeias produtivas locais. “Quando você faz parceria, incentiva as entidades como a Fiern, a Fecomércio, a FCDL, o Sistema S, Sebrae, Senac, Senai, você vai gerando emprego e renda e também o principal: capacitar a população. Quando você prepara a população para o mercado de trabalho, você consegue deixar a mão de obra qualificada para quando as empresas se instalarem nos municípios”, disse.
Setores produtivos ressaltam pilares que sustentam a economia do RN
Os empresários e investidores do Rio Grande do Norte, por meio de suas entidades, apostam que a boa performance do estado no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) reflete a pujança da economia local e a participação decisiva do setor produtivo.
“O Estado é o único da região onde o número de trabalhadores com emprego formal supera o total de beneficiários do Bolsa Família. Esse resultado demonstra a força do setor produtivo local e o avanço no mercado de trabalho”, avalia o presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do RN (Fecomércio-RN), Marcelo Queiroz.
Em entrevista ao jornal Tribuna do Norte, ele ressaltou a importância da renda formal para o dinamismo da economia potiguar. “O trabalhador formal do nosso estado tem uma renda média superior a R$ 2 mil, o que representa um ganho significativo em relação ao valor do benefício social”, disse. “Isso significa mais poder de compra, maior circulação de recursos e estímulo direto a setores como indústria, comércio e serviços.”
Marcelo Queiroz lembrou que em 2024 o RN já havia sido responsável por mais de 10% dos postos de trabalho criados em todo o Nordeste, mesmo tendo um peso econômico na região em torno de 7%.
Na mesma reportagem da TN, o economista Helder Cavalcanti Vieira disse que o bom desempenho do RN se sustenta em três pilares importantes: turismo, energias renováveis e agronegócio.
“O Rio Grande do Norte tem algumas características bem favoráveis. Nós temos hoje fatores de extrema importância no olhar econômico, como o turismo. Dezembro foi um período bastante favorável para as nossas atividades turísticas. Com uma repercussão bem ampla no emprego, a cadeia do turismo alcança várias camadas sociais, trazendo emprego, geração de renda, melhor qualidade de vida para as pessoas”.
Ele ressaltou papel do RN na produção de energia e na exportação agrícola que tem. “Nós temos as energias renováveis, que é outra área de um favorecimento natural bem expressivo, que também repercutiu muito no crescimento do nível de emprego. E o agronegócio, notadamente as exportações, a fruticultura irrigada, o sal, o melão, são fatores que incrementaram a economia de uma maneira bastante substancial.”
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