Quarta-Feira, 21 de outubro de 2026

Postado às 08h45 | 21 out 2026 | redação Vasco sente o peso do jogo e frustra torcida de forma cruel no Maracanã

Crédito da foto: Reprodução Time do Vasco eliminado dentro do Maracanã

Por Bruno Murito — ge

O Vasco fez o mais difícil. Venceu na Bombonera por 1 a 0 com um a menos o Boca Juniors e foi derrotado por 3 a 1 no Maracanã para mais de 60 mil vascaínos. E a derrota teve um motivo claro desde o primeiro minuto: os jogadores do elenco do Vasco sentiram totalmente a responsabilidade da vantagem e do peso do confronto.

O Vasco entrou completamente fora de si e jogou fora a vantagem com um primeiro tempo pífio. Em 45 minutos, o Boca Juniors construiu um 2 a 0 através da falta de confiança dos 11 titulares. O Vasco até reagiu no segundo tempo e diminuiu com as mudanças de Pedro Emanuel. Mas o gol de Paredes, num frango de Léo Jardim, foi um desfecho cruel para sacramentar mais uma noite melancólica para o torcedor vascaíno, que merecia mais pela linda festa que fez no Maracanã.

É difícil entender como o Vasco foi capaz de errar tanto no primeiro tempo. O primeiro gol do Boca surge de um escanteio em que Sosa foi derrotado com facilidade por Di Lollo. Logo o volante argentino, que vinha sendo um dos melhores jogadores do time. Ele que erra, outra vez, na origem do segundo gol do Boca. Mas o pior erro é o de Saldivia, que entrega a bola para o ataque argentino e leva o lançamento nas costas.

Logo após o primeiro gol sofrido pelo Vasco, um lance que é difícil de ver no futebol profissional. Adson e Bruno Duarte se marcaram e tiraram o gol de empate um do outro dentro da área. O Vasco, como já se sabia antes, teria dificuldades sem Andrés Gómez e Colidio, referências ofensivas do time. Mas as atuações de David e Adson, que eram titulares e já questionados em 2024, fizeram o ataque vascaíno ser inofensivo ao gol do Boca. Pedro Emanuel errou na escalação inicial e reconheceu o erro.

Tanto que escalou Marino e Brenner na volta do intervalo. A dupla ofereceu algo mais próximo do que Gómez e Colidio produzem, com um ponta mais imprevisível e de drible e outro que se associa e é quase um segundo atacante. Mas o Vasco ainda errava demais, com Paulo Henrique, que não acertou praticamente nada ofensivamente, Thiago Mendes, sumido do jogo, e Lescano, que pouco acrescentou nas bolas paradas. Além de Sosa, que fez seu pior jogo pelo Vasco.

O Vasco diminuiu com um golaço de Puma Rodríguez, que não se escondeu do jogo e entrou bem na partida. Ele e Marino entraram com a gana que o time precisava, além da qualidade técnica para gerar algum incômodo à defesa do Boca. O time se transformou, incendiou ainda mais o Maracanã e estava mais próximo do empate do que de sofrer um gol, enquanto as penalidades se aproximavam.

Mas o lance do gol de Paredes é inadmissível desde a sua origem. O Vasco entrega a bola para o Boca, como fez nos outros dois gols sofridos. A bola sobra para Paredes, que domina com toda a liberdade, tabela e recebe mais livre ainda. Com tanta liberdade que olha ao seu redor, finaliza, e Léo Jardim, aceita o gol de forma ainda mais inacreditável. Durante toda a semana, a presença de Paredes foi debatida nesta partida. Só os jogadores do Vasco não perceberam que ele havia entrado.

O elenco do Vasco já frustrou a torcida no Brasileirão com as campanhas medíocres de 2023, 2024, 2025 e 2026. Frustrou a torcida com o vice da Copa do Brasil do ano passado no Maracanã. E frustrou mais uma vez a torcida nesta terça-feira. Não pela derrota em si, mas pela forma que perdeu e jogou fora a chance mais viável de encerrar a seca de títulos, tão incômoda ao torcedor. O clube está em reconstrução e precisa seguir chegando, mas não pode desperdiçar noites assim.

Agora, o Vasco tem uma final de campeonato pela frente no Brasileirão. O jogo contra o Corinthians é decisivo para trazer um pouco de paz ao torcedor depois de uma frustração tão grande com a Sul-Americana. O afastamento do Z-4 é o mínimo que o vascaíno espera para juntar os cacos e retomar a esperança para encarar mais uma semifinal de Copa do Brasil pela frente. Para isso, os jogadores têm de estar à altura da responsabilidade que o clube carrega de milhões de torcedores, o que não aconteceu nesta terça.

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