Time do Fluminense na Libertadores
Por Gustavo Di Sarli — ge
Durante a derrota por 2 a 1 para o Platense, na última terça-feira, em Buenos Aires, o Fluminense viveu a verdadeira noite de Copa Libertadores. O time chegou à Argentina com dois gols na frente, pela vitória de 2 a 0 na ida, e viu a vantagem se esvair em pouco mais de 45 minutos. Dos pés de Canobbio, no segundo tempo, saiu o gol salvador que colocou o time carioca novamente em uma semifinal após três anos, causando um misto de alegria e alívio na torcida.
Como se diz no linguajar boleiro: "a bola pune". E com o Fluminense a punição chegou rápido. Se após o jogo de ida ficou uma sensação no ar de que era possível ter feito (muito) mais no Maracanã, os dois gols sofridos em menos de 45 minutos na partida de volta provaram que a equipe de Marcão deveria ter feito mais.
Ao apito final da primeira etapa, com 2 a 0 contra e um estádio pulsando a favor dos mandantes, o campo intimidou. Jogadores reservas do Fluminense tentavam animar os companheiros, que deixaram o gramado sob vaias da torcida e muitas críticas. Até aquele momento a partida se encaminhava para nova decisão nos pênaltis nessa edição de Libertadores.
O placar era injusto, e não porque o Fluminense merecia melhor sorte. O Platense poderia ter feito o time tricolor precisar escalar uma montanha ainda maior na segunda etapa. Pelo acaso e pelo heroísmo de Fábio, que mais uma vez apareceu para decidir, o time segurou a distância de um gol no segundo tempo para conseguir a classificação.
O Fluminense foi nulo na primeira parte do jogo. O lado esquerdo da defesa voltou a ser muito vulnerável com Soteldo, que perdia muitas bolas e contribuía pouco na marcação. Inteligente, o técnico Palermo voltou o maior volume de jogo do Platense por lá, e, consequentemente, fez dois gols. O time tricolor, por sua vez, se limitava à bolas longas em Hulk, quase sempre isolado, e pecava na saída pelo meio, em um jogo ruim de Ganso e ainda pior, de Hércules. Guga e Canobbio destovam positivamente da equipe, mas não participavam o suficiente para mudar o rumo do jogo.
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Marcão em Platense x Fluminense, pela Libertadores — Foto: Marcelo Gonçalves / Fluminense FC
Marcão voltou para os 45 minutos finais da decisão com a mesma equipe. Por um lado, apenas um gol classificava o Fluminense. Por outro, o primeiro tempo fraco levantava dúvidas sobre a manutenção dos titulares. Pouco antes dos 15 minutos, o segundo salvador da noite. Em jogada trabalhada, com destaque para bom passe de Hulk, Canobbio entrou na área, limpou o defensor, e fez o gol do alívio para o torcedor do Flu.
Ainda assim foi preciso sofrer. Em uma oportunidade com Hulk e outra com Hércules, o Fluminense ameaçou o gol do adversário, mas o que foi decisivo para a classificação estava no gol tricolor. Durante uma sequência de escanteios em um momento de abafa, Fábio fez dois milagres seguidos, a menos de dez minutos do fim, e colocou o Flu na semifinal.
Para coroar a noite heroica na Argentina, uma briga generalizada se instaurou após o apito final. Dirigentes do Platense foram para cima de Guga e Freytes, enquanto torcedores do clube local invadiam o campo e arremessavam objetos na torcida visitante. No fim, a equipe tricolor se entregou e decidiu viver detalhadamente uma noite de Copa. Somando apenas três vitórias em toda competição, o clube está entre os quatro melhores da América e volta à semifinal em uma Libertadores que se recusa a largar o Fluminense.
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