Quinta-Feira, 23 de April de 2026

Postado às 13h30 | 11 Apr 2026 | redação Entre gols e obstáculos: a luta do futsal feminino em Mossoró

Crédito da foto: Reprodução Equipe do Impacto, que participa de campeonatos escolares e outros eventos

Por Alicya Rebeca e Matheus Victor / Especial

O futsal feminino tem tido um crescimento silencioso, porém forte, desde meados dos anos 2000, ganhando espaço por meio da visibilidade midiática e nas competições. Canais esportivos passaram a incluir informações sobre atletas em ascensão, novas equipes em formação e campeonatos, aumentando o interesse do público em conhecer o esporte.

A cidade de Mossoró teve a iniciativa de incluir nos JEMs (Jogos Escolares de Mossoró) a categoria do futsal feminino, permitindo que meninas das escolas públicas e particulares participassem dessa modalidade que tem aberto portas para fora do município, como campeonatos estaduais, a exemplo do JERNs (Jogos Escolares do Rio Grande do Norte).

Além disso, equipes independentes têm sido feitas e ocupado espaço na cidade. Times de diversos bairros participam de torneios realizados em Mossoró, como o Circuito Esportivo Mossoroense (CEM), que teve a sua terceira edição no ano de 2025, e a Copa Fênix de Futsal Feminino, com a sua primeira edição realizada em 2025, em comemoração aos 18 anos da equipe Fênix.

Apesar de tantos avanços, o futsal feminino ainda enfrenta barreiras na quadra. Yorrana Farias, de 22 anos, é jogadora de futsal do time do Impacto Futsal Feminino e precisa dividir sua atenção entre as suas obrigações com a sua paixão, que é ser jogadora. Residente em Mossoró, ela questiona os problemas que precisa enfrentar:

“Às vezes, uma das maiores dificuldades é o preconceito que ainda existe hoje em dia. E os campeonatos que são disponíveis aqui na região, as dificuldades são na questão financeira, onde a gente sempre precisa correr atrás (viabilizar) para o nosso time poder jogar fora”.

Por não ter tantos recursos financeiros, muitos clubes não conseguem disponibilizar um salário adequado para suas jogadoras e nem conseguir transportes e locais acessíveis para treinamento, que acaba colocando um nível abaixo no esporte feminino. Em 2014, a seleção brasileira feminina de futsal precisou realizar uma espécie de “vaquinha” para poder disputar um mundial, pois a CBFS (Confederação Brasileira de Futsal de Salão) enfrentava uma crise financeira e não conseguia custear as passagens das jogadoras.

Essa ação acontece constantemente no meio do futsal feminino, as jogadoras buscam fazer rifas, vaquinhas ou pedir ajuda a familiares e amigos para conseguirem jogar em uma outra cidade ou outro estado. Conseguindo ou não, o trabalho e o esforço não são apenas na quadra, ele começa diante do cotidiano.

O preconceito e a discriminação também são outro desafio para mulheres, e ele ainda está presente no meio do esporte feminino. Segundo o Ministério do Esporte, as Mulheres e as meninas têm 6 vezes a maior chance de desistirem de praticar algum esporte por não terem um suporte necessário ou por sofrerem algum tipo de discriminação, que acabam dificultando o avanço feminino nos esportes em gerais.

Apesar das dificuldades, as mulheres moldam um cenário diferenciado no futsal. O âmbito financeiro e os problemas estruturais não anulam um jogo de futsal bem qualificado formado por mulheres que querem conquistar o seu espaço no mundo dos esportes.

 

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