Estádio Nogueirão está fechado desde fevereiro de 2024
Por Marcos Santos – Jornal de Fato
O empresário e ex-presidente do Potiguar, Jorge do Rosário, sugeriu que o prefeito Allyson Bezerra devolva o Estádio Nogueirão à Liga Desportiva Mossoroense (LDM), diante da evidente incapacidade da Prefeitura em resolver os problemas estruturais do local — situação que vem causando sérios prejuízos aos clubes e a toda a cadeia do esporte mossoroense.
Caso o prefeito aceite a ideia, Jorge propõe uma campanha de mobilização popular, para que a própria sociedade mossoroense — a mesma que ajudou a erguer o estádio nos anos 1960 — possa reconstruí-lo por meio de doações e parcerias.
“Penso que hoje, por incrível que pareça, o melhor caminho seria a Prefeitura devolver o estádio à Liga, à sociedade. O povo que construiu o estádio, da mesma forma, o recuperaria através de campanha”, sugeriu Jorge em entrevista ao repórter Jota Nobre, na RPC.
“Estou totalmente disposto a participar, darei a minha contribuição tranquilamente. Mas é preciso que a Prefeitura saia do meio, devolva o Nogueirão ao povo, que já construiu e irá reconstruir”, completou.
A preocupação do empresário reflete o sentimento de todos os desportistas locais. Desde a municipalização do Nogueirão, em março de 2021 — celebrada com festa nas redes sociais do prefeito — o que se viu foram promessas e marketing, mas nenhuma ação concreta para resolver a questão.
Pior: o estádio acabou interditado pela Justiça por descumprimento de um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) referente a obras básicas de acessibilidade. Desde fevereiro de 2024, o Nogueirão se encontra totalmente abandonado, prejudicando o futebol mossoroense e todos os profissionais que dependem dele.
O resultado é um sentimento generalizado de frustração entre os torcedores, que acreditaram na municipalização como solução, e viram resultar em abandono.
TRAVADO NA JUSTIÇA
Em setembro de 2024, a LDM ingressou com ação judicial pedindo o controle de volta do estádio, apontando diversas irregularidades no processo de reversão do terreno à Prefeitura, incluindo suspeita de falsidade ideológica. O processo tramita na 1ª Vara da Fazenda Pública.
Mesmo ciente dessa situação, Allyson Bezerra autorizou a publicação de edital para atrair empresas interessadas em assumir e explorar toda a área que compreende o estádio em regime de comodato por 35 anos, com o compromisso de construir um novo Nogueirão no mesmo local. O resultado era previsível: nenhuma proposta apresentada, deu deserto.
“Quem entende minimamente de negócio sabe que esse é o problema, não há como sequer analisar a viabilidade econômica diante de tamanha insegurança jurídica”, criticou Jorge.
“Se a Prefeitura tratasse o assunto com sinceridade e compromisso, chamaria a Liga, buscaria um acordo, resolveria a questão jurídica. Sem isso, qualquer ideia já nasce morta. Quem vai colocar dinheiro num estádio judicializado?”, questionou.
Jorge também alertou sobre o valor estratégico do terreno:
“Com todo respeito a quem pensou nesse modelo, é preciso colocar alguém que entenda de negócio. Isso é um negócio público, que exige cuidados e legalidade, mas também viabilidade. O empresário que vem de fora não quer resolver o problema do futebol de Mossoró; ele olha para o terreno, que vale muito dinheiro. Tenho cautela em citar números, mas aquele espaço vale acima de R$ 40 milhões”, finalizou.
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