Ñogueirão teve parte de sua estrutura destruída por ventania em fevereiro de 2024
Por Marcos Santos – da Redação do Jornal de Fato
O Estádio Municipal Leonardo Nogueira, o tradicional "Nogueirão", completa neste sábado, 21, 500 dias de portas fechadas. Desde que foi municipalizado, em março de 2021, o “mundão de cimento do Nova Betânia” enfrenta a pior crise dos seus 58 anos de fundação.
Antes da municipalização, o Nogueirão era gerido pela Liga Desportiva Mossoroense (LDM) e sua estrutura física já apresentava estado precário, com metade do campo interditado. Com recursos escassos, a entidade se mostrava incapaz de sustentá-lo.
Então, a gestão municipal assumiu o estádio sob grandes expectativas. O prefeito Allyson Bezerra celebrou a municipalização com festa nas redes sociais, prometendo reestruturar o Nogueirão e oferecer à cidade um equipamento esportivo digno. A promessa animou o desportista local, que viu naquele momento a chance de um novo começo.
No entanto, o que se seguiu foi um longo período de abandono e frustração. Ao invés de melhorias, a situação do estádio piorou.
Dois episódios marcantes ilustram o descaso: em junho de 2023, por consequência do jogo do Potiguar pela Série D do Campeonato Brasileiro, um torcedor sofreu um acidente ao ter a perna presa em um buraco que se abriu em plena arquibancada.
Já em fevereiro de 2024, parte da marquise desabou após uma forte chuva, causando pânico entre os moradores da região. Por sorte, não houve uma tragédia. Vale lembrar que a estrutura não recebia manutenção há mais de duas décadas.
Desde que assumiu a gestão, Allyson Bezerra fez inúmeras promessas, desde intervenções emergenciais para garantir a segurança até a construção de um novo estádio por meio de Parceria Público-Privada (PPP). Apesar disso, nenhuma das promessas saiu do papel.
Propostas de emendas parlamentares para reformas também foram rejeitadas.
Hoje, quase cinco anos após a municipalização, o Nogueirão está completamente abandonado, e Mossoró amarga mais de um ano sem abrigar jogos de categoria profissional. Uma realidade que entristece os torcedores e simboliza o desprezo ao esporte local.
SÉRIOS PREJUÍZOS
O futebol é uma cadeia produtiva que movimenta a economia e gera empregos diretos e indiretos. Com o fechamento do Nogueirão, o prejuízo se espalha por diversos setores. Os clubes locais, principais atingidos, não são os únicos a sofrer, como também o comércio formal e informal, além da imprensa específica.
Bares, restaurantes, hotéis e vendedores ambulantes que tradicionalmente lucravam nos dias de jogos foram duramente impactados. Muitos desses trabalhadores dependem desses eventos para garantir o sustento. Sem partidas em casa, a cidade perde em movimento, arrecadação e visibilidade.
Desde fevereiro de 2024, quando o Nogueirão foi interditado por decisão judicial, os clubes Potiguar e Baraúnas vêm arcando com altos custos para mandar seus jogos fora de Mossoró — uma realidade que acumula prejuízos financeiros e logísticos.
Importante destacar: a interdição do estádio se deu após o descumprimento de um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) firmado entre a Prefeitura e o Ministério Público (MP). A gestão municipal deixou de executar uma obra básica de acessibilidade, levando à ação judicial e ao fechamento do equipamento.
Neste ano, o Baraúnas acabou rebaixado à segunda divisão do Campeonato Estadual. A diretoria do clube não hesitou em apontar a omissão da Prefeitura, especialmente do prefeito Allyson Bezerra, como um dos fatores que contribuíram para a queda. Além da inação ao estádio, não houve qualquer apoio institucional aos clubes nessa temporada.
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