A taxa de homicídios no Brasil caiu para 20,1 a cada 100 mil habitantes em 2024, segundo o Atlas da Violência 2026, divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. No RN a taxa é de 23,5
País teve 20,1 homicídios por 100 mil habitantes em 2024
Por g1
A taxa de homicídios no Brasil caiu para 20,1 a cada 100 mil habitantes em 2024, segundo o Atlas da Violência 2026, divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).
Isso significa que, em 2024, o Brasil registrou cerca de 20 homicídios para cada grupo de 100 mil habitantes.
Ao todo, o país registrou oficialmente 42.590 homicídios no ano. A taxa representa queda de 7,4% em relação a 2023 e chegou ao menor patamar em 11 anos, segundo o levantamento.
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Infográfico - Mapa mostra taxa de homicídios no Brasil em 2024 por estados. — Foto: Alberto Correa - Arte/g1
- O Amapá apresentou a maior taxa, com 45,7 homicídios por 100 mil habitantes. O índice é mais que o dobro da média nacional.
- São Paulo teve a menor taxa, com 6,6 homicídios por 100 mil habitantes. O índice equivale a cerca de um terço da taxa nacional.
- Ao todo, 18 unidades da federação tiveram taxa de homicídios acima da média do país. As maiores taxas foram registradas no Amapá, Bahia, Pernambuco, Alagoas e Ceará.
Um dos fatores apontados pela pesquisa para a queda é "acomodação" da guerra do narcotráfico.
“Esse processo de controle da rota gerou conflitos muito intensos e mortes, sobretudo envolvendo as duas maiores facções do Brasil, o PCC e o Comando Vermelho, além de aliados regionais no Norte e no Nordeste. Essa guerra foi mais intensa em 2016 e 2017. Em 2018, os homicídios começam a cair e começa também um processo de acomodação. Uma guerra que se prolonga por muito tempo, sem um resultado claro, passa a ter custos econômicos inviáveis”, explica Daniel Cerqueira, técnico de planejamento e pesquisa do Ipea e coordenador do Atlas da Violência.
“Quando se observa os estados por onde essa rota passava e onde ela desaguava nas capitais nordestinas, vemos que foram exatamente esses lugares que tiveram redução dos homicídios, sobretudo a partir de 2018”, completa. "Juntando o fator demográfico, uma mudança qualitativa na gestão da segurança pública em alguns territórios e essa acomodação na grande guerra do narcotráfico, acho que eles conspiraram a favor da redução de mortes no Brasil”.
Veja a taxa de homicídios por 100 mil habitantes em cada estado
Acre — 20,2 homicídios por 100 mil habitantes;
Alagoas — 35,9;
Amapá — 45,7;
Amazonas — 32,2;
Bahia — 40,9;
Ceará — 34,3;
Distrito Federal — 10,3;
Espírito Santo — 26;
Goiás — 18,4;
Maranhão — 31,1;
Mato Grosso — 29,1;
Mato Grosso do Sul — 18,3;
Minas Gerais — 12,8;
Pará — 27,4;
Paraíba — 25,7;
Paraná — 18,6;
Pernambuco — 37,3;
Piauí — 20,6;
Rio de Janeiro — 20,4;
Rio Grande do Norte — 23,5;
Rio Grande do Sul — 15,2;
Rondônia — 30,3;
Roraima — 27,8;
Santa Catarina — 8,1;
São Paulo — 6,6;
Sergipe — 23;
Tocantins — 19,8.
Número pode ser maior
A lista acima considera os homicídios registrados oficialmente no Sistema de Informações sobre Mortalidade, do Ministério da Saúde.
O próprio Atlas, no entanto, alerta que o número real pode ser maior. Isso porque houve aumento das mortes violentas por causa indeterminada, categoria usada quando não é possível identificar a motivação básica do óbito.
Ao estimar homicídios ocultos nesses registros, os pesquisadores calculam que o Brasil pode ter tido 49.673 homicídios em 2024, com taxa de 23,4 mortes por 100 mil habitantes. Nesse cálculo, a queda em relação a 2023 seria de apenas 0,4%, e não de 7,4%.
(*) Homicídios ocultos são as mortes violentas em que os estados não conseguiram identificar as suas causas básicas – se ocorreram por conta de um acidente, de suicídio ou se foi um homicídio, por exemplo. Estes óbitos são chamados tecnicamente de Mortes Violentas por Causa Indeterminada (MVCI).
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