Quinta-Feira, 23 de April de 2026

Postado às 08h00 | 15 Apr 2026 | redação Crédito imobiliário cresce 14,6% no Rio Grande do Norte, segundo dados do BC

Crédito da foto: Ilustrativa Minha Casa, Minha Vida tem ampliado o acesso ao crédito para famílias de menor renda

Da Redação do Jornal de Fato

O crédito imobiliário no Rio Grande do Norte fechou o primeiro trimestre de 2026 em alta, movimentando um volume de R$ 15,6 bilhões, segundo dados do Banco Central. O valor representa um aumento de 14,6% em relação ao mesmo período de 2025.

A expansão ocorre em meio ao avanço da renda, à melhora no emprego e à permanência do déficit habitacional, fatores que mantêm a procura por financiamento no estado.

O movimento acompanha a trajetória nacional. No RN, o avanço em dois dígitos reflete a combinação entre a procura por imóveis e mudanças nas fontes de financiamento. Durante anos, a poupança foi a principal base de recursos usada pelas instituições financeiras para conceder crédito habitacional, mas esse cenário começou a mudar.

O assessor de Ciclo de Crédito da Sicredi Nordeste, Artur Figueiredo, observa que historicamente a principal fonte de recursos para o crédito imobiliário foi a poupança. Nos últimos períodos, porém, o crescimento desses depósitos perdeu força. “Em resposta, outras fontes passaram a ganhar espaço, como o FGTS e instrumentos do mercado financeiro, como LCIs e CRIs, títulos de renda fixa usados para financiar o setor”, explica.

O crescimento ocorre mesmo em um contexto de maior restrição nas condições de financiamento. A taxa básica de juros elevada encarece o crédito e reduz a capacidade de pagamento das famílias. “O que a gente observa é uma demanda que não se retraiu, mesmo com um ambiente de crédito mais caro. Há uma base estrutural forte, que envolve renda, necessidade de moradia e dinâmica demográfica”, acrescenta Figueiredo.

Segundo ele, o Sicredi vem ampliando a carteira de crédito imobiliário ao permitir financiar até 90% do valor de imóveis residenciais em operações com prazos de até 35 anos, seguindo um sistema de amortização constante, em que o valor das parcelas tende a diminuir ao longo do tempo.

Outro fator relevante para o crescimento do crédito imobiliário é a política habitacional. O programa Minha Casa, Minha Vida tem ampliado o acesso ao crédito para famílias de menor renda e sustentado parte das operações no país. A iniciativa mantém o fluxo de financiamento mesmo em períodos de juros mais altos e contribui para o atendimento da demanda por moradia.

“A tendência é de continuidade desse processo”, afirma Artur Figueiredo. “Com a manutenção da demanda e das condições de negócio, o mercado deve se tornar mais diversificado, com maior presença de diferentes fontes de recursos e modelos de financiamento que levam à ampliação do acesso ao crédito”.

 

Governo prorroga prazo do Programa RN + Moradia

O Governo do Rio Grande do Norte decidiu prorrogar o Programa RN + Moradia até 31 de dezembro deste ano, o que representa um incentivo a mais ao segmento imobiliário. A medida reforça o compromisso com a redução do déficit habitacional e com o fortalecimento da construção civil do estado.

Desde sua implementação, o programa já beneficiou mais de 300 famílias, garantindo acesso à moradia digna e estimulando a cadeia produtiva do setor. A prorrogação assegura a continuidade de uma política pública estratégica, que tem apresentado resultados concretos tanto no impacto social quanto econômico.

De acordo com o decreto, permanece concedido crédito fiscal presumido de ICMS para compensação nas saídas internas de materiais de construção destinados a beneficiários do programa, desde que o pagamento seja realizado por meio do subsídio estadual.

Criado a partir de uma parceria entre o Sindicato da Indústria da Construção Civil do Rio Grande do Norte (Sinduscon Oeste), a Federação das Indústrias do Estado (FIERN) e o Observatório da Indústria Mais RN, o programa objetiva viabilizar a construção de novas unidades habitacionais para famílias que, mesmo enquadradas nos critérios do programa federal Minha Casa, Minha Vida, enfrentam dificuldades para arcar com o valor de entrada do imóvel.

Além de ampliar o acesso à moradia, o programa contribui para manter recursos do FGTS no estado, impulsionando investimentos que antes não se concretizavam. Estudos apontam que, para cada R$ 1,00 de ICMS incentivado, há um retorno médio de R$ 5,77 para o Rio Grande do Norte, considerando os efeitos diretos e indiretos da construção civil na economia.

Para Sérgio Azevedo, presidente do Sinduscon/RN, a prorrogação representa a consolidação de uma política pública essencial. A expectativa do setor é que, com a continuidade do programa, seja possível expandir o número de unidades habitacionais e fortalecer ainda mais a construção civil como vetor de crescimento econômico e inclusão social no estado.

 

O programa RN + Moradia

- É uma iniciativa do Governo do Rio Grande do Norte, que subsidia até R$ 20 mil para a entrada da casa própria. Destinado a famílias com renda de até R$ 2.850,00, o programa complementa o federal Minha Casa, Minha Vida (faixa 1), beneficiando cerca de 1.000 famílias no projeto-piloto.

- Valor do Subsídio: Incentivo fiscal de até R$ 20.000 por unidade habitacional.

- Público-alvo: Famílias com renda mensal de até R$ 2.850,00 (enquadradas na Faixa 1 do Minha Casa, Minha Vida).

- Finalidade: O valor é utilizado para o pagamento da entrada do financiamento habitacional, facilitando o acesso ao imóvel próprio.

- Objetivo: Reduzir o déficit habitacional, estimular a construção civil e gerar empregos no estado, com meta de ampliar para 10 mil unidades.

- Parcerias: Executado em parceria com a Caixa Econômica Federal e entidades sociais, com assinaturas de contratos ocorrendo entre 2025 e 2026.

 

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