Márcia Lopes - Ministra das Mulheres
Por Márcia Lopes - Ministra das Mulheres
Durante muito tempo, o debate sobre o trabalho no Brasil esteve centrado na geração de empregos. No entanto, torna-se cada vez mais evidente que não basta ter um trabalho. É fundamental olhar para as condições em que ele acontece e para o tempo de vida que sobra fora dele.
A jornada 6x1, com seis dias de trabalho para apenas um de descanso, ainda é uma realidade para milhões de brasileiras e brasileiros. Esse modelo, muitas vezes naturalizado, limita a qualidade de vida, reduz o convívio familiar e compromete o direito ao descanso.
Para as mulheres, essa realidade é ainda mais dura. A desigual distribuição do trabalho de cuidado não remunerado faz com que o tempo simplesmente não seja suficiente. Falta tempo para descansar, para estudar, para cuidar da própria saúde e até para participar da vida pública.
Na prática, isso significa jornadas que não terminam quando acaba o expediente. O trabalho continua em casa, no cuidado com filhos, idosos e nas tarefas domésticas. Essa sobrecarga afeta diretamente a autonomia das mulheres e suas possibilidades de escolha.
Quando quase todo o tempo está ocupado pelo trabalho e pelo cuidado, o que sobra para as mulheres? Sobra cansaço. Sobra a falta de tempo para estudar, descansar, cuidar da saúde e participar da vida pública. Sobra a impossibilidade de escolher como viver o próprio tempo. É assim que desigualdades se aprofundam e se naturalizam, condenando muitas mulheres à pobreza.
No Brasil, essa realidade não é exceção, é parte do cotidiano de milhões de pessoas. A forma como o trabalho está organizado e como o tempo é distribuído acaba reforçando desigualdades que se acumulam ao longo da vida.
Mas falar de tempo também é falar de oportunidades. Ter mais tempo livre significa poder usufruir do que o nosso país oferece: turismo, cultura, arte, gastronomia e espaços de convivência. Significa movimentar a economia local, fortalecer pequenos negócios e ampliar o acesso ao lazer e ao bem-estar. O tempo, portanto, também é um fator de desenvolvimento econômico e social.
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