Quinta-Feira, 23 de April de 2026

Postado às 09h15 | 22 Apr 2026 | redação Falta de estrutura em hospitais compromete a segurança dos mais de 2,4 milhões de pacientes com autismo

Crédito da foto: Ilustrativa “O paciente precisa estar no centro do cuidado e isso inclui reconhecer e respeitar suas particulari

O Brasil tem hoje cerca de 2,4 milhões de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), segundo censo de 2022, divulgado pelo IBGE em 2025. O número ajuda a dimensionar um desafio que ainda passa despercebido dentro dos serviços de saúde: a falta de estrutura de hospitais e unidades de atendimento para acolher esse público com segurança e qualidade.

Apesar do avanço no diagnóstico e na conscientização sobre o autismo, a SOBRASP (Sociedade Brasileira para a Qualidade do Cuidado e Segurança do Paciente) aponta que a estrutura da maior parte das instituições ainda não acompanha essa realidade. “Hoje, muitos hospitais ainda não estão preparados para atender pacientes com Transtorno do Espectro Autista de forma adequada. Isso pode gerar desde falhas de comunicação até situações de estresse extremo e risco à segurança do paciente”, avalia a pediatra e coordenadora do GTT de Pediatria da SOBRASP, Priscila Amaral.

Falhas que se repetem na rotina assistencial

Entre os mais citados são: falta de preparo das equipes para lidar com o paciente com TEA; comunicação inadequada ou pouco acessível; ausência de rotinas específicas para o atendimento; ambientes que intensificam crises sensoriais e demora ou dificuldade no diagnóstico. Essas falhas impactam diretamente a experiência do paciente e podem comprometer o cuidado, especialmente em situações de urgência.

O que precisa mudar

Para a pediatra, o caminho passa por mudanças estruturais e culturais dentro das instituições de saúde. Entre as medidas recomendadas estão: elaboração de rotinas específicas para atendimento de pacientes com TEA; capacitação contínua das equipes assistenciais e adaptação de ambientes para reduzir estímulos sensoriais; identificação prévia do paciente no prontuário e envolvimento da família no plano de cuidado.

Direito garantido, mas ainda pouco atendido

A discussão ganha ainda mais relevância com a promulgação da Lei 15.378/2026, que institui o Estatuto dos Direitos do Paciente no país. A legislação estabelece princípios como o direito à informação clara, à participação nas decisões sobre o tratamento e a um cuidado seguro e digno.

Na prática, isso inclui o atendimento adequado a pacientes com necessidades específicas, como pessoas diagnosticadas com TEA — algo que ainda está longe de ser realidade em grande parte dos serviços de saúde.

Famílias mais atentas e exigentes

Diante desse cenário, cresce também o papel das famílias na busca por um atendimento mais adequado. Especialistas orientam que pais e responsáveis podem — e devem — exigir: comunicação clara e adaptada; respeito às particularidades do paciente; ambientes mais adequados; profissionais capacitados e acesso ao prontuário e possibilidade de segunda opinião. “O paciente precisa estar no centro do cuidado e isso inclui reconhecer e respeitar suas particularidades”, conclui Priscila.

Tags:

Brasil
TEA
autismo
hospitais
saúde

voltar