

EM FOCO
Fora
do comum
ANA PAULA HINZ
PopTevê
Papéis difíceis e cheios de responsabilidade são
frequentes na carreira de Rafael Cardoso. Depois de o ator ficar
em evidência por interpretar um homossexual no filme "Do
Começo ao Fim", de Aluízio Abranches, de 2009,
as boas oportunidades na tevê passaram a surgir. Sem desapontar,
Rafael aproveitou cada chance e rapidamente alcançou o posto
mais importante de uma novela das seis. Mesmo escalado para fazer
outro folhetim da Globo, ele foi tão bem em um teste de elenco,
que conquistou o papel do sereno Rodrigo de "A Vida da Gente".
"Qualquer ator espera e sonha muito com essa chance",
comemora.
Seu primeiro protagonista na tevê é um mocinho com
inúmeros defeitos e incertezas. Na trama, Rodrigo fica dividido
entre a antiga paixão por Ana, de Fernanda Vasconcellos,
e o relacionamento construído com a irmã dela, Manu,
vivida por Marjorie Estiano. Confuso, ele acaba agindo por impulso
e magoando as duas em algumas situações. "Ninguém
erra querendo errar, mas acontece. Faz parte do ser humano. Mostrar
isso é o que engrandece o texto da Lícia", elogia,
citando a autora Lícia Manzo.
O dilema começa depois que Ana acorda de um coma que dura
quatro anos. Casado Manu, ele se vê novamente apaixonado pela
ex e decide assumir o romance e enfrentar as consequências.
"Nem sempre a gente consegue esconder os nossos sentimentos.
Em algum momento eles vêm à tona", analisa. Agora,
porém, as circunstâncias novamente os separaram. E,
dia após dia, Rodrigo se reaproxima de Manu. "Ele ainda
está tentando se encontrar. Eu não queria estar no
lugar do Rodrigo", brinca.
A todos os problemas amorosos do personagem soma-se também
a grande dificuldade dele em ajudar a filha Julia, encarnada pela
pequena Jesuela Moro, a entender os dramas familiares. "Ela
é uma grande preocupação do Rodrigo",
conta o ator, que nunca tinha contracenado tanto com uma criança.
"Eu sempre convivi com elas, mas ninguém nunca tinha
me chamado de pai. Mesmo sendo para a novela, isso mexe um pouco
com a gente", confessa o ator, que sonha em ter filhos um dia.
O primeiro papel de destaque de Rodrigo foi em "Beleza Pura"
como o impulsivo adolescente Klaus. Pouco depois, ele experimentou
uma grande repercussão ao interpretar Thomaz, um jovem que
desenvolve uma relação incestuosa e homossexual com
seu meio-irmão, no longa "Do Começo ao Fim".
"Não tive medo de que a polêmica estigmatizasse
a minha carreira", garante o ator, que depois do sucesso do
filme fez a novela "Ti Ti Ti" e a série "Cinquentinha".
"Sempre busco papéis que possam ser diferentes e que
agreguem valor à minha carreira. No caso de 'Cinquentinha',
eu fazia um rapaz que se envolvia com uma mulher bem mais velha",
expõe.
A vontade de fazer personagens instigantes faz com que o ator opte
por trabalhos mais difíceis. Antes de entrar para "A
Vida da Gente", ele começou a filmar o longa "Senhores
da Guerra", de Tabajara Ruas, que é dividido em duas
partes. Com o fim da novela, em março, ele volta a rodar
suas cenas na pele de Julio Rafael Bozano, um jovem que lutou pelo
Partido Republicano durante a revolução de 1923, no
Rio Grande do Sul. "Personagens que me proporcionam uma composição
mais complexa e um trabalho de pesquisa profundo sempre serão
a minha escolha", avalia.
Para Rafael, é por causa dessa forma com que direciona sua
carreira, que hoje ele tem nas mãos um protagonista. "Batalhei
muito para chegar onde estou", destaca orgulhoso. Enquanto
não encerra sua participação na novela, Rafael
prefere não opinar sobre o destino de seu personagem. Mas
comemora a repercussão do folhetim. "O elenco e a equipe
tem trabalhado da melhor forma possível. Acredito que o público
percebe isso", valoriza.
PERSONAGEM DA SEMANA
De
um extremo a outro
Luana Borges
PopTevê
Interpretar um personagem de novela significa, muitas vezes, estar
sujeito à reação do público. É
comum que atores sejam abordados - até com uma certa intimidade
- por pessoas que querem criticar ou elogiar as atitudes de seu
papel. Na pele de Baltazar, em "Fina Estampa", Alexandre
Nero está tendo a chance de conhecer diferentes opiniões.
Principalmente porque, na trama, o motorista de Tereza Cristina,
vivida por Christiane Torloni, passou boa parte do tempo batendo
na mulher, Celeste, de Dira Paes. Depois de ser denunciado pela
esposa e ir para a cadeia, deixou a agressividade de lado. E ainda
conquistou a simpatia dos telespectadores por causa da "dobradinha"
cômica com Crô, de Marcelo Serrado. A mudança
na trajetória do personagem reflete na maneira com que Alexandre
tem sido parado nas ruas. "Agora as pessoas gostam mais de
mim e fazem mais brincadeiras e mais leves. Antes, ficavam me olhando
como se eu pudesse ser um homem muito bravo", compara, aos
risos.
P - Na história, desde que Baltazar parou de bater na mulher,
mostrou uma faceta mais cômica nas cenas com Crô. Como
analisa essa mudança no perfil do personagem?
R - Foi algo que eu e Marcelo plantamos desde o início da
novela. O Wolf Maya gostou da brincadeira, o Aguinaldo comprou e
começou a escrever cada vez mais para nós dois. O
Aguinaldo gosta de uma "farra" dos personagens. Ele gosta
de brincar e entreter o público com diversão. Por
isso, achou melhor ir por esse caminho do que continuar na agressão
doméstica.
P - O que acha dessa especulação sobre o Crô
e o Baltazar ficarem juntos no final da novela?
R - Eu acho ótimo pelo fato de ter sido uma brincadeira que
eu e Marcelo criamos e que o público gostou muito. Então,
fomos nós os primeiros a querer que isso acontecesse. Afinal,
é um homofóbico se relacionando com um gay. Uma deliciosa
ironia, não é (risos)? Por outro lado, gosto sempre
de surpreender o público. Se a maioria acha que Baltazar
deve ser o amante do Crô, eu já preferia que não
fosse.
P - Como foi o processo para compor seu personagem?
R - No início, ainda estava um pouco cru, pois foi difícil
arrumar argumentos para a agressão deste homem. Com o tempo,
fui achando as fraquezas dele e foi aí que ele me convenceu.
Um homem violento é fraco. Acredito que a violência
seja um pedido de socorro. Acho que é um homem que nunca
foi amado, nunca foi acariciado pela mãe ou pai, se é
que conheceu um dos dois. É um homem que virou um casca dura
justamente por ser frágil. Os valentões, no fundo,
são uns "bunda moles" e inseguros. É como
diz a música "Cara Valente", do Marcelo Camelo:
"(...) Esse humor, É coisa de um rapaz, Que sem ter
proteção, Foi se esconder atrás, Da cara de
vilão (...)".
P - Você já interpretou papéis bonzinhos e também
malvados. Qual tipo dá a você mais possibilidades cênicas?
R - As possibilidades não dependem de ser vilão ou
bonzinho, dependem do personagem. Acho que todos eles podem ter
grandes possibilidades. Afinal, não somos uma coisa só,
somos uma infinidade delas. Assim devem ser os personagens.
P - Como está sua carreira musical desde o lançamento
de seu último CD, "Vendo Amor - Em Suas Mais Variadas
Formas, Tamanhos e Posições"? Tem outros projetos
de trabalho em vista?
R - A música vai bem e o CD, vendendo melhor ainda. Tenho
o projeto de gravar o DVD depois da novela. Em relação
à tevê, cinema e teatro, estamos - eu e Globo - conversando,
já que sou um contratado da emissora, para vermos quais projetos
são os ideais para darmos andamento agora.

RETRATO FALADO
Negócios
à parte
Gabriel Sobreira
PopTevê
Amigo é para todas as horas. Em tese, essa máxima,
que flerta com o clichê, é levada à risca por
muitas pessoas. Na teledramaturgia não poderia ser diferente.
Na alegria ou na fossa, na riqueza ou no desemprego, eles estão
sempre lá para apoiar, ouvir e ajudar. No caso de Odessa,
a personagem de Karina Marthin, em "Aquele Beijo", da
Globo, não é diferente. "A minha personagem é
mesmo amiga da Marisol e está querendo ajudá-la. Bem
ou mal, ela perdeu o emprego dela ajudando a amiga", pontua
a atriz, referindo-se à personagem de Mary Sheila.
No texto de Miguel Falabella, Odessa é uma costureira e,
até que prove o contrário, grande amiga da estilista
Marisol. Entre acertos e tropeços, a dupla consegue trabalhar
na luxuosa loja Comprare, de propriedade de Maruschka, de Marília
Pêra. Mas, aos poucos, Odessa tem mostrado que é mulher
de personalidade bem forte. "Ela é boa, mas não
é boazinha. Não sei se por necessidade, ou deslumbre,
ela talvez vire as costas para a amiga", observa, entre risos.
Para a atriz, o público, pelo menos nas ruas, já dá
essa "traição" como certa. Eles acreditam
que, a qualquer momento, a costureira vai "apunhalar"
a amiga e, por conta própria resolveram tomar as dores da
personagem Marisol. "Certo dia, fui dar uma volta no Centro
do Rio de Janeiro e uma senhora falou: 'Se fizer algo com a Marisol
vai apanhar'. No começo fiquei um pouco assustada, mas estou
muito feliz com o retorno", diverte-se.
Perfil
Nome: Karina Hernandez Martinez.
Nascimento: 29 de julho de 1981, em Jaú, São
Paulo.
Na tevê: "Adoro as séries 'Two And A Half
Men' e 'Law & Order'".
Ao que não assiste na tevê: "'Reality show'
e notícias tristes".
Nas horas livres: Viajar.
No cinema: "Fiquei impressionada com a interpretação
da atriz Natalie Portman em 'Cisne Negro".
Livro: "O Evangelho Segundo o Espiritismo", de Allan
Kardec.
Música: "Sou bem eclética" (risos).
Prato predileto: Sushi.
Pior presente: Chaveiro usado.
O melhor do guarda-roupa: "Uma bolsa Chanel bem antiga
que achei em um brechó em Nova Iorque".
Perfume: "Chloé".
Homem bonito: Richard Gere.
Mulher bonita: Julia Roberts.
Ator: Al Pacino.
Atriz: Marília Pêra.
Cantor: Frank Sinatra.
Cantora: Adele.
Animal de estimação: "Estou louca para
ter um daqueles porquinhos que não crescem".
Escritor: John Sandford.
Arma de sedução: Espontaneidade.
Melhor viagem: "Qualquer lugar que tenha neve e eu possa
colocar os meus esquis".
Sinônimo de elegância: Marília Pêra.
Gula: Chocolate.
Ira: Injustiça.
Luxúria: Inteligência e bom humor.
Inveja: "De quem sabe tocar piano".
Cobiça: "Comprar minha casa com meu dinheiro".
Preguiça: "De malhar e acordar cedo".
Vaidade: Maquiagem.
Mania: "Não consigo dormir sem usar máscara".
Filosofia de vida: "Viver e não ter a vergonha
de ser feliz".

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