

Liberdade
enfraquece sindicatos de fachada
Artur Henrique
Neste ano, a CUT vai levar até as bases a sua luta por liberdade
e autonomia sindical. A ideia é discutir alternativas democráticas
de organização e dialogar com o trabalhador sobre
os vícios da atual estrutura sindical brasileira, que permite
a criação de sindicatos fantasmas.
Além de ir até os locais de trabalho, vamos fazer
campanhas publicitárias em rádios e TVs e um plebiscito
sobre o fim do imposto sindical. A campanha entra no ar em março,
mês em que todos os trabalhadores formais do país têm
um dia de salário descontado por conta desse tributo compulsório.
Movimento sindical forte não significa número de sindicatos.
Significa representatividade e pressão nas negociações.
Para fortalecer a negociação, é fundamental
fortalecer os sindicatos, torná-los atuantes, com trabalho
de base. Ou seja, é preciso acabar com os sindicatos de gaveta.
O fim do imposto é determinante para isso.
Nesse sentido, defendemos a substituição do imposto
por uma taxa negocial que deve ser definida nas assembleias das
categorias, após as negociações salariais e
de condições de trabalho.
Para nós, a liberdade de o trabalhador decidir se e como
quer sustentar financeiramente o seu sindicato fortalece os sindicatos
combativos, representativos e com poder de negociação.
Mais do que isso: acaba com os sindicatos de fachada -criados apenas
porque, para alguns sindicalistas, trata-se de um negócio
lucrativo que não demanda esforços.
Desde 2008, quando foi publicada a lei 11.648, que reconheceu formalmente
as centrais sindicais, o ritmo de criação de sindicatos
aumentou ainda mais.
Isso porque, pela lei, para ser reconhecida e ter direito a 10%
do total arrecadado via imposto sindical, a central tem de atingir
um índice 7% de representatividade. Para abocanhar parte
dos recursos, algumas centrais pulverizaram ainda mais a base dos
trabalhadores, criando centenas de sindicatos.
Só em 2011, o Ministério do Trabalho e Emprego recebeu
1.207 pedidos de registros de sindicatos. O total de sindicatos
com registro pulou para 14.204, sendo 9.815 de trabalhadores. Se
o imposto acabar, muitos fecharão as portas, pois não
representam ninguém.
O fato é que o Brasil está indo na contramão
do sindicalismo internacional. Na Europa e nos Estados Unidos, sindicatos
combativos, como os dos metalúrgicos, dos siderúrgicos
e dos químicos, estão discutindo a unificação
com outras categorias profissionais para fortalecer o poder de negociação
e de ação sindical.
Para a CUT, só com liberdade e autonomia sindical é
possível construir entidades realmente representativas e
preparadas para enfrentar os desafios da negociação
coletiva e do contrato coletivo nacional por ramo de atividade.
No entanto, isso só será possível com a extinção
do imposto, com liberdade e autonomia para que os trabalhadores
decidam quanto querem pagar.
É necessário também aprovar uma lei que proíba
práticas antissindicais, assim como convencer os trabalhadores
sobre a importância de se sindicalizar nos locais onde os
empresários proíbem ou dificultam a entrada de sindicalistas,
como na construção civil e na comércio etc.
É por isso que a CUT luta pela ratificação
da convenção 87 da OIT (Organização
Internacional do Trabalho), que garante a liberdade e a autonomia
sindical.
Isso significa que o trabalhador pode decidir em que sindicato quer
se organizar e quanto vai contribuir para manter o seu sindicato.
Ele também poderá escolher qual federação,
qual confederação e qual central quer que o represente
nas negociações nacionais. Essa é uma bandeira
histórica da CUT. Por ela, estamos dispostos a ir para o
enfrentamento. A luta é pela liberdade de expressão
e de associação.
Artur
Henrique, 50, é presidente nacional da CUT (Central Única
dos Trabalhadores).
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