

Iberê
será sempre coadjuvante de Wilma?
Como pré-candidato
à chefia do executivo potiguar, o vice-governador Iberê
Ferreira prioriza duas questões que terá de vencer
em abril e maio, quando já será titular do Palácio
Potengi. Uma é o drama hamletiano de ser ou não ser.
Terceiro colocado nas pesquisas sobre intenções de
votos promovidas e divulgadas com base na lei, ele não pretende
ficar taxiando muito tempo e pode desistir da candidatura pessoal
se até o fim de maio perceber que lhe tiverem escapado as
chances de passar para o segundo turno da sucessão estadual.
O outro questionamento que ele e seus estrategistas se fazem, partindo
do princípio de que em dois meses de boa gestão o
então governador se credenciará a disputar sua sucessão
com a senadora Rosalba Ciarlini (DEM), diz respeito ao discurso
e ao local que ocupará no palanque das forças situacionistas.
Ele precisará se transferir do lugar em que se tem mantido
até agora, de coadjuvante da governadora Wilma de Faria,
para assumir a liderança do palanque, e, para isto, necessitará,
também, de um discurso que subitamente o coloque no comando
da situação de seu bloco.
Iberê andou estudando performances de candidatos a governador
que, por forças das circunstâncias, tiveram que ficar
em posição secundária face à existência
em palanque de uma liderança maior. Só houve um momento
em que o candidato a governador aceitou ficar no segundo plano.
Foi a eleição do saudoso monsenhor Walfredo Gurgel,
em 1965, quando a ninguém era dado tentar comparar-se enquanto
força eleitoral a seu patrocinador, o então governador
Aluízio Alves. Para que o candidato não sumisse enquanto
o concorrente crescia graças ao radicalismo, o próprio
Aluízio teve que investir mais na imagem de monsenhor, caracterizando-o
com o "slogan" "É o Padre".
Iberê conhece a personalidade e os projetos eleitorais de
Wilma, que pretende e espera ser a grande personagem do palco de
ambos. Tendo que enfrentar o verdadeiro totem eleitoral em que se
vem transformando Rosalba, Iberê precisará crescer
até se transformar no número 1 de sua campanha; para
isto, forçoso lhe será conduzir Wilma ao papel de
coadjuvante. Esta, por sua vez, receia que a ação
secundária a fragilize diante das candidaturas dos senadores
Garibaldi Alves Filho (PMDB) e José Agripino Maia (Dem) ao
Senado. Eis o drama que se impõe a Iberê.
RN
deve homenagem a Rômulo Argentière
Está fazendo quinze anos que morreu à míngua,
no Rio Grande do Norte, um dos maiores cientistas que o mundo conheceu
no século XX, e um dos brasileiros que tiveram a ventura
de mais se tornar admirado e respeitado lá fora. Autor de
mais de trinta títulos e com três milhões de
exemplares vendidos, ainda hoje Rômulo Argentière é
recordista de vendas na área de divulgação
científica. Paulista de Amparo, começou sua trajetória
internacional quando a legendária polonesa Madame Curie,
vencedora de Prêmio Nobel, lhe proporcionou a bolsa que o
transformaria em engenheiro de minas e o levaria a tornar-se amigo
de futuras celebridades como o engenheiro Werner Von Braun, pioneiro
nas pesquisas com foguetes que criaria o V2 para a Alemanha e apressaria
o fim da segunda guerra mundial liderando as equipes norte-americanas
que criaram a bomba atômica. Autor do anteprojeto que criaria
a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), Argentière
se apaixonou pelo Nordeste quando o então presidente Getúlio
Vargas o enviou à região para representar o país
junto a cientistas norte-americanos que aqui faziam trabalhos ligados
à manipulação de minérios radioativos.
Desde então, passou a viver parte do ano no Nordeste, como
consultor e pesquisador de empresas de mineração.
Um dia, fixou residência em Carnaúba dos Dantas, onde
veio a falecer em 1995, debilitado por um derrame cerebral e três
acidentes automobilísticos. É grande filho adotivo
ao qual o Rio Grande do Norte ainda deve uma homenagem à
altura. (Veiculei este e os outros dois artigos inseridos na coluna
de hoje no Novo Jornal).
Vale
Uma crise política, ligada à sucessão estadual,
forçou o prefeito de Assú, executivo Ivan Lopes Júnior,
a renunciar ao comando do colegiado que reúne as prefeituras
do Vale do Açu. Em seu lugar assumiu o professor Luiz Cavalcanti,
novamente prefeito de Carnaubais. Ivan Júnior defende a candidatura
da senadora Rosalba Ciarlini (DEM) ao governo. Luizinho apoia o
vice-governador Iberê Ferreira.
Mais um
Cuidando sempre dos seus, o deputado federal João maia, presidente
regional do PR, mostrou nesta quinta-feira, 11, ontem, através
do "Novo Jornal", que também está abandonando
á própria sorte o colega Henrique Eduardo Alves, candidato
à reeleição pelo PMDB. Os dois foram parceiros
do deputado estadual Robinson Faria, presidente da Assembleia Legislativa
e do diretório regional do PMN, na criação
de "Unidade Potiguar", que fazia frente à candidatura
do vice-governador Iberê Ferreira de Souza à sucessão
da governadora Wilma de Faria. João foi o primeiro a fazer
sua paz em separado com Iberê, largando Robinson, no que Henrique
Eduardo o seguiu. Hoje, João tem cacife para indicar uma
irmã para coadjuvar Iberê como candidata a vice-governador.
Adutora
Segundo fontes da Secretaria de Meio Ambiente, ela corre contra
o tempo para concluir em abril a implantação da a
adutora do Alto Oeste, que levará água a 26 municípios.
É
preciso levar a sério as trapalhadas de Wilma
Tive este ano algumas oportunidades de mostrar como têm sido
ridicularizados por técnicos da Secretaria Estadual de Planejamento
e Finanças (SEPLAN) e do Instituto de Desenvolvimento e Meio
Ambiente (IDEMA) familiarizados com questões orçamentárias
de governo erros crassos que imputam à governadora Wilma
de Faria e ao titular da pasta, economista Nélson Tavares.
A peça de resistência do humorismo interno é
o orçamento estadual. O ponto crítico mais ridicularizado
no dia-a-dia são atrapalhações cometidas no
manuseio dos números relacionados ao limite prudencial que
todo governante precisa respeitar, força de lei, no tocante
à presença dos gastos com a folha de pessoal nas despesas
gerais quer a Constituição lhes autoriza promover.
Até agora, como jornalista, sofria um pouco porque me restringia
a necessidade de não dar, nem de longe, ideia de quem fossem
as fontes das minhas informações. Há poucos
dias, porém, alguém tirou a rolha da garrafa ao fazer
com que um informativo regular do Sindicato dos Trabalhadores na
Administração Indireta (SINAI) focalizasse o tema
para mostrar que, sistematicamente, a segunda gestão da professora
Wilma de Faria à frente do executivo estadual literalmente
"faz trapalhada com dados do limite prudencial". É
bom que se diga, de saída, que a tese do Sinai está
sendo apresentada como argumento em favor de servidores que há
muito litigam com o governo em busca de salários dignos.
Para mostrar que Wilma recorre ao argumento da Lei de Responsabilidade
Fiscal como desculpa para não cumprir obrigações
perante o funcionalismo estadual, o jornal diz que o governo esgrime
indicadores contraditórios em sua defesa. No último
dia 4 de fevereiro, por exemplo, o "Diário Oficial do
Estado" divulgou números que apontavam para a chegada
ao limite máximo que a legislação permitiria
ao governo potiguar em termos de comprometimento de seu erário
com despesas com pessoal. Teria chegado a 49%. Em 30 de janeiro,
este mesmo percentual era apresentado, pela mesma administração,
como limitado a 33,77%. Em qual acreditar? Erros como estes não
são privilégio de Nélson. Há três
anos, seu antecessor no posto, contabilista Vagner Araújo,
atual chefe da Casa Civil do Governo do Estado, desqualificou o
"Fórum dos Servidores" quando este mostrou evidências
sobre muitas falhas orçamentárias relacionadas a verbas
para o reajuste do funcionalismo. Habilmente, Vagner jogou o "Fórum"
contra a equipe da Seplan, talvez na esperança de levar algum
dos técnicos da casa a se trair como repassador das informações
que comprometiam a imagem de seriedade da pasta. Estes erros deveriam
provocar mais do que gargalhadas na Seplan. Precisam ser levados
a sério porque indicam também a possibilidade de o
governo estar cometendo falhas semelhantes em relação
a outros indicativos, comprometimentos e estratégias.
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