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MOSSORÓ (RN), SEXTA-FEIRA, 12/03/2010 (ATUALIZADO: 00:40hs)
 
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Iberê será sempre coadjuvante de Wilma?
Como pré-candidato à chefia do executivo potiguar, o vice-governador Iberê Ferreira prioriza duas questões que terá de vencer em abril e maio, quando já será titular do Palácio Potengi. Uma é o drama hamletiano de ser ou não ser. Terceiro colocado nas pesquisas sobre intenções de votos promovidas e divulgadas com base na lei, ele não pretende ficar taxiando muito tempo e pode desistir da candidatura pessoal se até o fim de maio perceber que lhe tiverem escapado as chances de passar para o segundo turno da sucessão estadual.
O outro questionamento que ele e seus estrategistas se fazem, partindo do princípio de que em dois meses de boa gestão o então governador se credenciará a disputar sua sucessão com a senadora Rosalba Ciarlini (DEM), diz respeito ao discurso e ao local que ocupará no palanque das forças situacionistas. Ele precisará se transferir do lugar em que se tem mantido até agora, de coadjuvante da governadora Wilma de Faria, para assumir a liderança do palanque, e, para isto, necessitará, também, de um discurso que subitamente o coloque no comando da situação de seu bloco.
Iberê andou estudando performances de candidatos a governador que, por forças das circunstâncias, tiveram que ficar em posição secundária face à existência em palanque de uma liderança maior. Só houve um momento em que o candidato a governador aceitou ficar no segundo plano. Foi a eleição do saudoso monsenhor Walfredo Gurgel, em 1965, quando a ninguém era dado tentar comparar-se enquanto força eleitoral a seu patrocinador, o então governador Aluízio Alves. Para que o candidato não sumisse enquanto o concorrente crescia graças ao radicalismo, o próprio Aluízio teve que investir mais na imagem de monsenhor, caracterizando-o com o "slogan" "É o Padre".
Iberê conhece a personalidade e os projetos eleitorais de Wilma, que pretende e espera ser a grande personagem do palco de ambos. Tendo que enfrentar o verdadeiro totem eleitoral em que se vem transformando Rosalba, Iberê precisará crescer até se transformar no número 1 de sua campanha; para isto, forçoso lhe será conduzir Wilma ao papel de coadjuvante. Esta, por sua vez, receia que a ação secundária a fragilize diante das candidaturas dos senadores Garibaldi Alves Filho (PMDB) e José Agripino Maia (Dem) ao Senado. Eis o drama que se impõe a Iberê.

RN deve homenagem a Rômulo Argentière
Está fazendo quinze anos que morreu à míngua, no Rio Grande do Norte, um dos maiores cientistas que o mundo conheceu no século XX, e um dos brasileiros que tiveram a ventura de mais se tornar admirado e respeitado lá fora. Autor de mais de trinta títulos e com três milhões de exemplares vendidos, ainda hoje Rômulo Argentière é recordista de vendas na área de divulgação científica. Paulista de Amparo, começou sua trajetória internacional quando a legendária polonesa Madame Curie, vencedora de Prêmio Nobel, lhe proporcionou a bolsa que o transformaria em engenheiro de minas e o levaria a tornar-se amigo de futuras celebridades como o engenheiro Werner Von Braun, pioneiro nas pesquisas com foguetes que criaria o V2 para a Alemanha e apressaria o fim da segunda guerra mundial liderando as equipes norte-americanas que criaram a bomba atômica. Autor do anteprojeto que criaria a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), Argentière se apaixonou pelo Nordeste quando o então presidente Getúlio Vargas o enviou à região para representar o país junto a cientistas norte-americanos que aqui faziam trabalhos ligados à manipulação de minérios radioativos. Desde então, passou a viver parte do ano no Nordeste, como consultor e pesquisador de empresas de mineração. Um dia, fixou residência em Carnaúba dos Dantas, onde veio a falecer em 1995, debilitado por um derrame cerebral e três acidentes automobilísticos. É grande filho adotivo ao qual o Rio Grande do Norte ainda deve uma homenagem à altura. (Veiculei este e os outros dois artigos inseridos na coluna de hoje no “Novo Jornal”).

Vale
Uma crise política, ligada à sucessão estadual, forçou o prefeito de Assú, executivo Ivan Lopes Júnior, a renunciar ao comando do colegiado que reúne as prefeituras do Vale do Açu. Em seu lugar assumiu o professor Luiz Cavalcanti, novamente prefeito de Carnaubais. Ivan Júnior defende a candidatura da senadora Rosalba Ciarlini (DEM) ao governo. Luizinho apoia o vice-governador Iberê Ferreira.

Mais um
Cuidando sempre dos seus, o deputado federal João maia, presidente regional do PR, mostrou nesta quinta-feira, 11, ontem, através do "Novo Jornal", que também está abandonando á própria sorte o colega Henrique Eduardo Alves, candidato à reeleição pelo PMDB. Os dois foram parceiros do deputado estadual Robinson Faria, presidente da Assembleia Legislativa e do diretório regional do PMN, na criação de "Unidade Potiguar", que fazia frente à candidatura do vice-governador Iberê Ferreira de Souza à sucessão da governadora Wilma de Faria. João foi o primeiro a fazer sua paz em separado com Iberê, largando Robinson, no que Henrique Eduardo o seguiu. Hoje, João tem cacife para indicar uma irmã para coadjuvar Iberê como candidata a vice-governador.

Adutora
Segundo fontes da Secretaria de Meio Ambiente, ela corre contra o tempo para concluir em abril a implantação da a adutora do Alto Oeste, que levará água a 26 municípios.

É preciso levar a sério as trapalhadas de Wilma
Tive este ano algumas oportunidades de mostrar como têm sido ridicularizados por técnicos da Secretaria Estadual de Planejamento e Finanças (SEPLAN) e do Instituto de Desenvolvimento e Meio Ambiente (IDEMA) familiarizados com questões orçamentárias de governo erros crassos que imputam à governadora Wilma de Faria e ao titular da pasta, economista Nélson Tavares. A peça de resistência do humorismo interno é o orçamento estadual. O ponto crítico mais ridicularizado no dia-a-dia são atrapalhações cometidas no manuseio dos números relacionados ao limite prudencial que todo governante precisa respeitar, força de lei, no tocante à presença dos gastos com a folha de pessoal nas despesas gerais quer a Constituição lhes autoriza promover.
Até agora, como jornalista, sofria um pouco porque me restringia a necessidade de não dar, nem de longe, ideia de quem fossem as fontes das minhas informações. Há poucos dias, porém, alguém tirou a rolha da garrafa ao fazer com que um informativo regular do Sindicato dos Trabalhadores na Administração Indireta (SINAI) focalizasse o tema para mostrar que, sistematicamente, a segunda gestão da professora Wilma de Faria à frente do executivo estadual literalmente "faz trapalhada com dados do limite prudencial". É bom que se diga, de saída, que a tese do Sinai está sendo apresentada como argumento em favor de servidores que há muito litigam com o governo em busca de salários dignos. Para mostrar que Wilma recorre ao argumento da Lei de Responsabilidade Fiscal como desculpa para não cumprir obrigações perante o funcionalismo estadual, o jornal diz que o governo esgrime indicadores contraditórios em sua defesa. No último dia 4 de fevereiro, por exemplo, o "Diário Oficial do Estado" divulgou números que apontavam para a chegada ao limite máximo que a legislação permitiria ao governo potiguar em termos de comprometimento de seu erário com despesas com pessoal. Teria chegado a 49%. Em 30 de janeiro, este mesmo percentual era apresentado, pela mesma administração, como limitado a 33,77%. Em qual acreditar? Erros como estes não são privilégio de Nélson. Há três anos, seu antecessor no posto, contabilista Vagner Araújo, atual chefe da Casa Civil do Governo do Estado, desqualificou o "Fórum dos Servidores" quando este mostrou evidências sobre muitas falhas orçamentárias relacionadas a verbas para o reajuste do funcionalismo. Habilmente, Vagner jogou o "Fórum" contra a equipe da Seplan, talvez na esperança de levar algum dos técnicos da casa a se trair como repassador das informações que comprometiam a imagem de seriedade da pasta. Estes erros deveriam provocar mais do que gargalhadas na Seplan. Precisam ser levados a sério porque indicam também a possibilidade de o governo estar cometendo falhas semelhantes em relação a outros indicativos, comprometimentos e estratégias.

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