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TRÊS ANOS DEPOIS
Mãe
acha em Mossoró filha levada no DF
Andrey
Ricardo
Da Redação
Exatos três anos após ter a filha de cinco anos levada
pelo ex-marido, a maranhense Valdilene Batista da Silva, 37 anos,
reencontrou a garota em Mossoró. Francisco das Chagas Nolga,
48, é natural de Currais Novos e havia voltado para o Rio
Grande do Norte há quase um ano. A ex-caixa de supermercado
passou dois anos juntando dinheiro e largou emprego no Maranhão
para viajar a procura da filha. Ela já havia passado por
várias cidades, à procura de Francisco, que só
foi achado ontem em Mossoró.
O casal se conheceu em Brasília (DF). Ela morava em Grajaú,
no Maranhão, e estava trabalhando na capital brasileira.
Os dois se casaram e tiveram uma filha. Depois de 11 anos de relacionamento,
resolveram se separar e foi aí que começou a confusão.
Eles estavam morando em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, quando
se separaram. Valdilene Batista voltou para Grajaú e Francisco
das Chagas para Brasília. Ela conta que resolveu levar a
filha para passar as férias com o ex-marido. "Eu viajei
pra lá e levei ela pra ficar com ele porque achei que ele
tinha esse direito", explicou.
Até então, o casal ainda não havia acionado
a Justiça para decidir quem ficaria com a guarda da criança.
A mãe voltou para o Maranhão e depois de um mês
retornou a Brasília para buscar a filha, foi quando teve
a primeira surpresa. Francisco havia sumido com a garota. A Justiça
foi acionada e decidiu que a mãe ficaria com a guarda da
menina. O pai tinha direito de visitá-la a cada 15 dias e
passaria ainda as férias com a menina. Numa dessas visitas,
Francisco resolveu fugir mais uma vez com a menina. Dessa vez, seriam
três anos sem destino, passando por inúmeras cidades
brasileiras.
A mãe acionou novamente a Justiça e o processo demorou
aproximadamente dois anos. Nesse período, Valdilene trabalhava
como caixa de um supermercado em Grajaú, sua cidade, à
espera de uma decisão judicial. Dois anos depois foi expedido
um mandado de busca e apreensão para a garota. Ela já
havia conseguido juntar R$ 6 mil com o pouco salário que
ganhava e resolveu sair do emprego, no fim do ano passado, para
procurar a filha. Ela lembra que começou a investigar por
conta própria, seguindo os passos do ex-marido. Esteve em
Brasília e Paraíso do Norte, no Tocantins, sem sucesso.
"A gente ia se informando com a família onde ele estava
com ela e eu ia lá para confirmar. Às vezes chegava
e ele já tinha ido embora", relembra Valdilene, citando
o que aconteceu em Currais Novos. Francisco passou quatro meses
na cidade onde nasceu e depois veio para Mossoró, onde estava
morando até ontem. Ela foi a Currais Novos e acionou a Polícia,
de posse do mandado de busca e apreensão. Os policiais de
lá descobriram que ele estava morando em uma casa no bairro
Aeroporto, em Mossoró, e pediram apoio aqui. A Segunda Delegacia
Regional de Polícia Civil auxiliou na busca.
Francisco e a filha, agora com 8 anos, foram encontrados ontem pelos
policiais e a mãe reencontrou a filha há exatos três
anos após ela ter sido levada pelo pai, de Brasília.
As duas conversaram bastante na Delegacia Regional de Mossoró
e depois foram encaminhadas ao Conselho Tutelar. A primeira providência
tomada foi apresentar a situação ao Ministério
Público Estadual para decidir o que fazer. Até ontem
à tarde a questão estava em aberto. Segundo o delegado
Claiton Pinho, a menina será entregue à mãe,
como manda a Justiça em Brasília, mas o MP e a Justiça
do RN precisavam primeiro verificar tal situação.
Pai
diz que fuga era a única saída
Francisco da Chagas não foi preso. Ele vai responder processo
em liberdade por descumprimento de uma ordem judicial, que lhe dava
o direito apenas de ver a filha a cada 15 dias e passar as férias
com ela.
À reportagem, ele disse que tinha conhecimento das consequências
da sua atitude, ao decidir tirar a filha da ex-mulher.
"Eu sabia que era errado o que eu ia fazer, mas era a única
maneira de eu ficar com minha filha. Eles (a esposa e a família)
não queriam saber de juiz não (refere-se à
decisão judicial). Tudo que eu queria era ficar com a minha
filha", lembrou.
Nesses três anos, Francisco conta que viajou por várias
cidades brasileiras, trabalhando nas mais variadas profissões.
"Num falta emprego não. Sou uma pessoa de bem. Onde
chegava arrumava um emprego e ia me virando", destacou.
Ele disse estar surpreso com a persistência da ex-mulher,
que juntou dinheiro e saiu à sua procura, Brasil à
fora. "Eu sabia que um dia alguém ia achar a gente.
Mas não achava que fosse ela não. Não sabia
que ela estava procurando a gente assim", disse assustado.
Questionado pela reportagem sobre o que iria fazer agora que foi
obrigado a devolver a filha, ele disse que iria tentar a guarda
da menina pelas vias legais, pela Justiça.
Mais
de 50 PMs mobilizados em
operação de caráter preventivo
Mais de 50 policiais militares participaram
de uma operação realizada na noite de quinta-feira
passada nas zonas sul e leste de Mossoró. Apesar de todo
o aparato policial, apenas uma pessoa foi presa acusada de arrombar
uma residência. O resultado maior, segundo o tenente-coronel
Francisco Alvibá Gomes, é a médio e longo prazo,
evitando a ação de bandidos nas zonas sul e leste.
Ele diz que a operação será realizada rotineiramente
na cidade.
A operação envolveu 60 policiais militares, 20 motocicletas
e 12 carros, todos pertencentes ao Décimo Segundo Batalhão
de Polícia Militar (XII) de Mossoró, situado no bairro
Alto de São Manoel (leste). Segundo o comandante da unidade,
tenente-coronel Alvibá, o trabalho começou por volta
das 19h e encerou a meia-noite.
Os policiais foram divididos em duas equipes, que vasculharam todos
os bairros e comunidades pertencentes à área de atuação
do XII BPM. "O objetivo da operação é
promover maior tranquilidade, segurança à população
com a presença da polícia. Nossa intenção
é prevenir a ação de bandidos na nossa região",
explica Alvibá.
Nessas operações, os policiais priorizam abordagens
de transeuntes, carros, motocicletas e estabelecimentos comerciais.
"A intenção é coibir o avanço da
criminalidade, com maior presença da polícia militar
nas ruas", pontua o militar.
Durante a operação, os policiais foram informados
sobre uma ocorrência de arrombamento a residência. O
suspeito foi preso e encaminhado para a Delegacia de Plantão
da Polícia Civil, onde foi autuado em flagrante pelo crime
de furto.
Objetivamente, a operação poderia ser considerada
um fracasso, já que prendeu só uma pessoa por arrombamento,
mas Alvibá lembra que o resultado desse tipo de atividade
é percebido depois, em médio e longo prazo. "Esse
trabalho surte efeito nas ocorrências mais comuns, que têm
reduzido", explica o oficial, citando os casos de roubos na
sua área.
RESPOSTA
A operação de quinta-feira passada, batizada como
"Zona Sul Segura", é realizada no lado da cidade
que registrou todos os assassinatos ocorridos em janeiro de 2012.
Foram oito mortes, todas investigadas pela Primeira Delegacia de
Polícia Civil, situada no bairro Alto de São Manoel.
A I DP é responsável pela investigação
dos crimes ocorridos a partir da avenida Rio Branco, que faz uma
espécie de linha fictícia.
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