

ELEIÇÕES 2010
Palanques
locais vão separar aliados
Ninguém é
de ninguém. A máxima popular parece se encaixar como
uma luva na sucessão estadual 2010. As coligações
a serem oficializadas, certamente, não serão respeitadas
nos municípios. A formação dos palanques respeitará,
exclusivamente, a realidade local. É certo que adversários
serão aliados e aliados serão adversários.
Várias situações antecedem o que certamente
ocorrerá quando a campanha eleitoral chegar às ruas.
No último sábado, 6, em Assú, os senadores
democratas José Agripino Maia e Rosalba Ciarlini experimentaram
o dissabor da "separação", mesmo sendo aliados.
Tiveram de seguir caminhos diferentes por força da realidade
local. Agripino foi recepcionado pela ex-candidata a prefeito Fátima
Morais, do PSB, enquanto Rosalba teve a companhia do prefeito Ivan
Júnior, do PP.
Consequências das eleições de 2008, quando Rosalba
não seguiu a orientação do DEM, que coligou
com o PSB de Fátima Morais, para apoiar a campanha vitoriosa
de Ivan. Neste ano, vem a resposta. Fátima, que segue a liderança
da governadora Wilma de Faria (PSB), já disse que dará
o segundo voto a José Agripino. Já Ivan, que apoiará
Rosalba, não votará em Agripino. Já tem como
certo o primeiro voto para o senador Garibaldi Filho (PMDB), que
o apoiou em 2008, e provavelmente ficará com Wilma no segundo
voto.
O quadro de Assú está longe de ser uma situação
isolada. Em Caraúbas, por exemplo, a tendência do prefeito
Ademar Ferreira, do PSB, é de apoiar Rosalba Ciarlini, em
detrimento do candidato do seu partido, o vice-governadorável
Iberê Ferreira de Souza. Nas eleições de 2008,
Rosalba participou diretamente da campanha de Ferreira, enquanto
Iberê ficou ausente, para beneficiar o ex-prefeito Eugênio
Alves, do PR.
Na cidade de Pau dos Ferros, o PMDB terá dois palanques:
um apoiando Rosalba Ciarlini, José Agripino e Wilma de Faria,
tendo no comando a ex-vice-prefeita Maria Rêgo Torquato; outro,
com a chapa Iberê Ferreira, Wilma de Faria e Garibaldi Filho,
tendo à frente o ex-deputado estadual e vice-presidente estadual
da sigla Elias Fernandes.
Problemas locais não permitem a união dos grupos de
Maria e Elias, uma vez que a primeira indicou o filho Fabrício
Rêgo para vice-prefeito do prefeito Leonardo Rêgo, do
DEM, enquanto o segundo se aliou ao ex-prefeito Nilton Figueiredo,
líder da oposição local.
Os exemplos acima citados servem para ilustrar um quadro confuso
em torno das eleições 2010, mas que já era
esperado, levando em consideração a postura das lideranças
estaduais nas eleições municipais de 2008. Todos os
partidos se dividiram de acordo com os interesses localizados, deixando
os líderes em cada município à vontade para
seguir o rumo, respeitando apenas seus projetos individuais.
Esse quadro também será permitido pela necessidade
dos três candidatos ao Senado Federal. Nenhum fechará
as portas para ter a companhia do "adversário",
pois o segundo voto certamente ajudará a definir os dois
que ocuparão as vagas do Rio Grande do Norte. Agripino e
Garibaldi estão unidos, mas aparecerão como "adversários"
em vários municípios, onde um ou outro fará
"dobradinha" com Wilma de Faria.

PT
quer vaga de candidato a senador
O Partido dos Trabalhadores
do Rio Grande do Norte definiu, por meio de resolução,
que apresentará um no-me para disputar uma vaga ao Senado
(já se dispuseram a enfrentar a disputa os ex-vereadores
Hugo Manso e Fernando Lucena). A decisão se deu após
a posse do vereador Eraldo Paiva, de São Gonçalo do
Amarante, na presidência do diretório estadual petista
no último sábado, 6. Também ficou definido
que continuarão as conversas em torno da eleição
ao Governo do Estado com o vice-governador Iberê Ferreira
de Souza (PSB) e também com o ex-prefeito de Natal Carlos
Eduardo Nunes Alves (PDT).
A deputada federal Fátima Bezerra (PT) observou que a preferência
é de continuidade de aliança com o PSB, mas que se
dará prioridade à união de forças, no
âmbito local, em torno do grupo ligado à campanha da
ministra Dilma Rousseff (PT) à presidência da República.
"Houve a posse com a presença do vice-governador e do
ex-prefeito Carlos Eduardo, marcado por muito entusiasmo. Acho que
o crescimento da candidatura da ministra Dilma também está
embalando o PT. A pesquisa quando o resultado é bom dá
muito estímulo e otimismo", disse.
Em seguida, houve a primeira reunião do novo diretório,
quando ocorreu o debate sobre a conjuntura tanto no plano estadual
como no nacional. "O PT, como sempre faz, tirou uma resolução,
e a novidade foi por exemplo na candidatura ao Senado. O PT agora
formaliza que vai apresentar um nome para a disputa do Senado. Essa,
inclusive, será uma das condições que nós
estabeleceremos quando da nossa participação na aliança
majoritária. Tiramos o ex-vereador Hugo Manso e Lucena apresentando
os nomes para essa disputa."
Uma das condições vai ser que o PT dispute uma das
vagas para o Senado. Com isso, está afirmando que quer participar
de uma chapa majoritária. Uma outra discussão é
que o PT reafirmou a resolução do ano passado mantendo
a aliança preferencial com o PSB, mas considera legítima
a candidatura do ex-prefeito pelo PDT.
"O PT vai se esforçar para que possamos unificar todos
no primeiro turno. Se não for possível a questão
de termos um palanque já unitário no primeiro turno,
evidentemente que vamos dialogar com a realidade que seria ter duas
candidaturas", disse a deputada petista.
O PT não bateu o martelo ainda. Isso deverá ocorrer
no encontro estadual em abril. A candidatura de Iberê diz
respeito ao PSB e a de Carlos ao PDT. Então, se não
for possível, a ministra Dilma poderá ter dois palanques
no RN. Essas discussões estão em andamento no plano
nacional.
"Eu diria que preferimos aguardar o desfecho dessas negociações.
O PT e o presidente Lula continuam empenhados para construir uma
candidatura unitária. Nos planos regionais, o PT e a candidatura
de Dilma, o ideal é que tenhamos o máximo de unitárias,
mas onde não for possível. Eu diria que nós
vamos aguardar esse debate porque essas discussões estão
em andamento ainda e o próprio vice-governador tem colocado
que mesmo que Ciro seja candidato ele apoiaria a candidatura da
ministra Dilma."
Eu
não estou querendo ser candidato, diz reitor
O reitor da Universidade
do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), Milton Marques de Medeiros,
voltou a negar que tenha projeto político para as eleições
deste ano. Mais uma vez, ele viu o seu nome sendo colocado no tabuleiro
da sucessão estadual, sem ter emitido qualquer sinal para
isso.
É que setores da imprensa de Natal noticiaram uma suposta
reunião do reitor com a governadora Wilma de Faria (PSB),
e que no encontro ele teria sido convidado para ser candidato a
primeiro suplente de senador. "Não houve esse encontro",
garantiu. "A governadora Wilma realmente viria a Mossoró
hoje (ontem), mas apenas como ponto de apoio para ir a dois municípios
da região; ontem teria compromisso político, mas a
agenda foi cancelada", explicou.
Marques entende que, como houve um contato para ele oferecer suporte
a Wilma em Mossoró, a imprensa natalense procurou especular.
"Mas, a verdade é que não houve qualquer contato,
muito menos reunião", disse.
O reitor também deixou claro que não alimenta nenhum
sonho político para este ano. "Eu não estou querendo
ser candidato", garantiu. "Minha posição
mais interessante é ficar onde estou (Reitoria da Uern).
Melhor em todos os aspectos", reafirmou, para comentar: "Se
tem o pensamento por parte de alguém de me convidar, não
chegou nada oficial."
VICE
Essa não é a primeira vez que a imprensa especula
em torno do nome de Milton Marques. No final do ano passado, ele
foi visto como possível candidato a deputado estadual, por
"sugestão" de Wilma de Faria. O reitor negou.
Depois, Marques foi colocado por setores da imprensa como opção
para chapa majoritária, como candidato a vice de Iberê
Ferreira de Souza. O reitor também negou. E continua com
o mesmo discurso de continuar a sua segunda gestão na Uern.
FHC
questiona liderança de Dilma
Carolina Freitas
Da Agência Estado
São Paulo, 08 (AE) - Um dia depois de ter provocado a reação
dos petistas com o artigo publicado anteontem (7) no jornal "O
Estado de S.Paulo", com críticas à estratégia
que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva está
adotando para as eleições deste ano, Fernando Henrique
Cardoso voltou hoje ao ataque, colocando em xeque a capacidade de
liderança da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff,
pré-candidata do PT à sucessão presidencial.
"Ela não é líder. É reflexo de
um líder (o presidente Lula)", disse ele, antes de participar
da inauguração da Biblioteca de São Paulo,
espaço estadual que será inaugurado na tarde de hoje
pelo governador de São Paulo, José Serra (PSDB). Indagado,
contudo, se considerava Lula um líder, FHC riu e respondeu:
"Claro que sim, eu não sou bobo."
Fernando Henrique fez também questão de comparar o
currículo de Serra, pré-candidato tucano à
sucessão presidencial deste ano, com o de Dilma Rousseff.
"A Dilma ainda não teve possibilidade de mostrar liderança.
Serra inspira confiança e tem liderança, já
demonstrada no Ministério da Saúde, na Prefeitura
de São Paulo e no governo do Estado."
Apesar da clara defesa de Serra, o ex-presidente afirmou que o governador
paulista deve manter a discrição sobre sua provável
candidatura ao Palácio do Planalto. Questionado se Serra
deveria mudar de atitude e falar sobre o pleito deste ano, FHC respondeu:
"O PSDB tem de se posicionar. Tem candidato. (Mas) O governador
tem de esperar um pouco mais." O tucano esquivou-se, também,
de definir uma data para o anúncio da eventual candidatura
Serra.
O ex-presidente tucano foi evasivo também ao falar sobre
o governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB). O mineiro
postulava a vaga de candidato do PSDB nessas eleições
presidenciais, mas desistiu da empreitada em dezembro. "Aécio
está se dedicando a Minas Gerais. Seria deselegante dizer
o que ele tem de fazer."
Fernando Henrique voltou a reiterar pontos do artigo publicado ontem
no "Estado". E disse que o governo Lula não promoveu
mudanças com relação à sua administração.
"Todos achavam que Lula mudaria tudo. Não mudou, seguiu
adiante no que eu tinha feito. Eu achei bom", ironizou. E continuou:
"Eleição é futuro. Se o (PT) quiser, a
gente compara, desde que seja dentro de um contexto, não
há o que temer."
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