Postado em  10/01/2017 - 13:37

Mossoroense defende rap angolano em congresso internacional

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Jornalista e pesquisador Carlos Guerra Júnior já fez parte da redação do JORNAL DE FATO

O pesquisador e jornalista mossoroense Carlos Guerra Júnior irá participar do congresso internacional “Activisms in Africa” nesta quinta-feira (12) na cidade de Lisboa, em Portugal. Trata-se de um evento com participações de pesquisadores de três continentes (África, América e Europa), com o intuito de debater academicamente as formas de ativismos políticos acontecidos na África.

Neste congresso, o pesquisador irá apresentar um trabalho desenvolvido sobre o rap em Angola, no qual é denominado “Mudança de tom: uma análise da nova tendência pessimista no rap angolano”. Carlos Guerra Júnior faz doutorado em ciências da comunicação na Universidade de Coimbra, também em Portugal, na qual realiza uma pesquisa sobre o rap como forma de ativismo político no espaço lusófono.

Carlos relata que o trabalho do seu doutorado envolve a análise de conteúdo do estilo musical rap no Brasil, Portugal, Angola e Moçambique. Neste congresso, ele vai apresentar um recorte da pesquisa, tratando uma nova fase do rap em Angola, onde envolveu a prisão de 17 ativistas e a crise do petróleo, em um país que possui o mesmo presidente desde 1979.

“A prisão de 17 ativistas, que estavam lendo apenas um livro fez com que os rappers se sentissem desmotivados a continuarem lutando, pois um dos presos era um rapper, chamado Luaty Beirão. Então analiso duas músicas gravadas entre junho de 2015 e julho de 2016, que foi o período das prisões. No entanto, eles foram soltos em junho de 2016, após muita pressão internacional e as entrevistas posteriores mostram alguma perspectiva de mudança”, declarou Carlos Guerra Júnior, que já participou de ações com Luaty Beirão em Portugal.

O pesquisador mossoroense afirma que estudar em Portugal despertou o interesse por pesquisar sobre outros países que tem a língua portuguesa como idioma oficial. De acordo com o jornalista, os países estão muitos ligadas no aspecto cultural e isso gera influências mútuas.

“Esses países estão ligados porque tiveram o mesmo império de colonização. Dessa forma, há muitas características culturais que são semelhantes. E a mesma língua faz com que haja trocas de informações. O Brasil é o maior exportador cultural desse eixo, porque tem grandes investimentos na comunicação. Dessa forma, a música, a novela e os filmes brasileiros chegam nesses países. Porém, quando acontece há uma análise contrária, também é possível perceber como a África pode ensinar a Europa e a América do Sul. Acreditar que a África é só sinônimo de miséria e atraso é uma análise muito superficial, porque se trata de um continente muito rico culturalmente e com ações muito inovadoras. É a mãe genitora dos outros continentes”, ressaltou Carlos Guerra.

O jornalista ainda projeta realizar ações futuras desse seu estudo no Nordeste. Além de buscar acompanhar o rap do Nordeste, ele tem observado a relação disso com outros produtos culturais da região, como o repente e a literatura de cordel. “Há muito o que se aplicar disso no Nordeste, observando como a música pode ser uma forma de comunicação autêntica, comunicar-se com outros meios e inclusive inovar a Universidade. Conversei sobre uma proposta com o rapper cearense RAPadura e em breve podemos fazer algumas ações no Nordeste e inclusive no Rio Grande do Norte”, comentou.

Quem é o pesquisador?

Carlos Guerra Júnior é formado em comunicação nas habilitações jornalismo e radicalismo, pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte. A sua maior experiência como jornalista foi na área esportiva, onde trabalhou como assessor de imprensa, além de rádio, televisão e jornal.

Ele trabalhou na redação do  JORNAL DE FATO (Mossoró-RN))  e Jornal Metropolitano (Parnamirim-RN) e na Band Natal. Também foi vencedor do concurso Craque do Futuro, do Jornal LANCE!. Além disso, possui pós-graduação em administração e marketing esportivo pela Faculdades Nordeste.

Todavia, o contato com novas culturas possibilitou com que o jornalista descobrisse outras áreas de estudo e, desde então, tem se dedicado a pesquisa sobre ativismo político e música, com ênfase em rap.

O jornalista e pesquisador possui mestrado em comunicação e jornalismo pela Universidade de Coimbra, bem como é doutorando em Ciências de Comunicação pela mesma universidade. Em Portugal, o jornalista tem realizado vários eventos em Lisboa e Coimbra, além de participar da realização de ações acadêmicas, políticas e socioculturais. Carlos Guerra Júnior ainda é rapper, na qual ele usa o nome artístico Mossoró, para se apresentar.

(*) Por Ramon Nobre - assessoria de comunicação


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