Postado em  03/01/2017 - 10:55

Tratar política como negócio é uma ameaça aos cofres públicos

Por César Santos

A eleição de Izabel Montenegro (PMDB) à presidência da Câmara Municipal de Mossoró tem dois pontos inquestionáveis:

1 – A habilidade como a peemedebista se movimentou dentro e fora do seu grupo para consolidar a candidatura;

2 – A articulação política do rosalbismo, liderada pelo ex-deputado Carlos Augusto, para o governo sair vitorioso do processo.

O resultado final produzirá efeito imediato. O primeiro deles é que a prefeita Rosalba Ciarlini (PP), que teve apenas quatro vereadores eleitos na sua coligação “Força do Povo, iniciará o governo contando com 11 dos 21 membros da Câmara Municipal. Maioria simples, porém importante para a prefeita encaminhar – e aprovar – os projetos necessários para a reconstrução de Mossoró.

A nova composição da bancada governista parece não sofrer com os arranhões naturais de uma disputa acirrada, como foi esta pela presidência da Câmara. Nem a insatisfação exposta pela vereadora Sandra Rosado (PSB), que reclamou abertamente da forma como Izabel conduziu o processo, representa um incômodo nesse momento.

A própria vereadora reafirmou o seu apoio ao governo e, para não restar dúvidas, indicou o ex-vereador Lairinho Rosado (PSB), seu filho, para o cargo de secretário do Desenvolvimento Econômico.

Outro fator que ficou bem evidenciado foi a forma equivocada que a oposição lutou para ter o comando do Legislativo, valorizando o dinheiro em detrimento da articulação política. As ofertas de toda a ordem não foram suficientes para convencer a maioria, porém, não deixaram de ser preocupante.

Fazer política valorizando o dinheiro produz efeitos devastadores, porque quem gasta quer ter o papel bordado de volta. A história atual mostra isso, com as maiores empreiteiras do Brasil mergulhadas no esquema de roubalheira na Petrobras e outros organismos do governo federal. Todas elas, sem exceção, gastaram com candidatos e partidos, em forma de investimentos para ter o retorno do cofre público.

Isso é assustador, porém, justificado pela lógica: quem coloca dinheiro no negócio, quer tê-lo de volta com juros e correções. Só que política não é negócio, e quem se propõe a atuar na vida pública deve ter essa consciência.

Pois bem.

Virada a página da disputa na Câmara Municipal, é preciso que todos tenham a consciência do momento delicado que Mossoró enfrenta. Os problemas graves que atingem a cidade não são um desafio apenas para Rosalba. Reconstruir Mossoró é um dever de todos, de governo e de oposição, dos segmentos organizados e da população como um todo.

O quadro sugere união, o esforço de cada um. É hora da trégua na guerra política, baixar as armas, porque o que está valendo é a vida dos mossoroenses.

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