Postado em  01/11/2016 - 09:55

Presidente do Tribunal de Justiça assopra e morde em entrevista

Blog do César Santos

O presidente do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte, desembargador Cláudio Santos, conseguiu atrair todos os holofotes com a entrevista que concedeu nesta segunda-feira, 31, ao jornal da InterTV Cabugi, afiliada da Globo.

Elevou a audiência em dois momentos, com reações que saíram do aplauso para a reprovação.

1 – Ao anunciar a possibilidade de o Judiciário liberar 100 milhões de reais para ajudar o Governo a realizar mil cirurgias de urgência e emergência, realizar melhorias em hospitais públicos e reabrir o Hospital da Mulher de Mossoró, além de socorrer os sofridos policiais militares, o desembargador ganhou apoio e simpatia.

2 – Ao sugerir a privatização da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), sob a argumentação que permitiria uma economia de 20 milhões de reais por mês, provocou polêmica, colocando contra si um estado inteiro que era atendido direta e indiretamente pela única instituição de ensino superior mantido pelo Governo Estadual.

No primeiro caso, Cláudio Santos disse que iria se reunir com os demais desembargadores para convencê-los a emprestar 100 milhões dos quase 500 milhões de reais que o Judiciário tem em caixa, para se somar ao Governo no enfrentamento da crise financeira que assola o Rio Grande do Norte.

A atitude aproxima o Judiciário da população, na medida em que o Poder mostra-se atento aos anseios da sociedade, sobremaneira no momento de crise. Aplausos.

No segundo caso, a fala do presidente do TJRN, sob o ponto de vista técnico-financeiro, é até compreensível e teria tido melhor entendimento se ele tivesse defendido a federalização da Uern. Transferi-la do público para o privado, nunca.

A instituição com 48 anos de existência não é apenas um patrimônio de Mossoró para o Rio Grande do Norte, consagrada por mãos laboriosas de personalidades e mossoroenses simples que lutaram a vida inteira por sua consolidação a partir da estadualização, mas principalmente uma fonte incontestável de formação de pessoas.

O seu custo, seja ele qual for, será sempre pequeno diante de sua importância. A palavra de Cláudio Santos atiçou o reitor Pedro Fernandes, que de imediato escreveu:

“Nos momentos de crise, como a que ora atravessa o Rio Grande do Norte, os esforços das melhores inteligências do Estado deveriam se unir para formular soluções duradouras e viáveis para o desenvolvimento da região, e não apontar propostas mirabolantes (privatização da Uern), que apenas mascaram os graves problemas de distribuição dos recursos públicos entre os diversos Poderes e Órgãos do Estado.”

Bom, se Cláudio Santos procurava grandes emoções na reta final de sua gestão à frente do Judiciário potiguar, conseguiu.

Boas e ruins.

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