Postado em  23/01/2016 - 15:36

Dificuldades para engravidar?

NARA ANDRADE
Da Re­da­ção
naraandrade@gmail.com

M uitos casais planejam a maternidade por algum tempo e quando, de fato, começam a tentar engravidar percebem uma certa dificuldade. Nesse momento, surgem diversas dúvidas em relação à fertilidade. SUA VIDA MULHER conversou com a ginecologista Cristianny Souza, da Unimed Federação do Rio Grande do Norte, que tirou algumas das principais dúvidas sobre o tema.
Segundo a especialista, entre casais sem patologias previamente conhecidas que dificultariam uma gestação, o tempo de espera por uma gestação espontânea sem uso de qualquer método anticonceptivo é de um ano.
Uma das principais dúvidas dos casais que pretendem engravidar diz respeito ao uso da pílula anticoncepcional, e se mesmo após a interrupção do tratamento, o medicamento ainda continua fazendo efeito por algum tempo.
“O retorno à fertilidade após o uso da pílula, qualquer tipo e/ou dosagem, assim como o tempo de uso, é de dois meses”, afirma a ginecologista.
De acordo com Cristianny Souza, estima-se que 15 a 20 por cento das queixas mais comuns do consultório de ginecologia sejam de pacientes com dificuldade para engravidar.
E quando existe essa dificuldade, a especialista orienta sobre o caminho que os pacientes devem seguir para investigar as causas. “A investigação inicia-se desde a primeira consulta, envolvendo aspectos médicos, doenças preexistentes do casal infértil, uso de medicamentos, aspectos da vida sexual do casal, exames laboratoriais e exames de imagem. Importante nessa fase é pontuar a presença do cônjuge como fundamental, já que trataremos o casal”, frisa.
A ginecologista ressalta que entre as causas para a dificuldade de engravidar, aproximadamente 35% são associadas a fatores femininos, 30% a fatores masculinos, 15% são de causa desconhecida e que 20% dos casais inférteis apresentam associação de fatores para infertilidade.
“Estudos recentes têm demonstrado efeitos da idade do homem na qualidade do sêmen e fertilidade, especialmente quando a mulher também apresenta idade reprodutiva avançada. Fumo, álcool e obesidade também estão entre os fatores de causalidade”, ressalta.
Para muitas pessoas, o fator psicológico tem alguma influência sobre essa questão. Para Cristianny Souza, esse assunto é complexo, porque a resposta ao estresse é variável. “Há associação entre estresse relacionado ao trabalho e menor probabilidade de concepção em mulheres. O estresse psicológico pode afetar o relacionamento do casal, diminuindo também a libido e, assim, interferindo novamente na concepção”, comenta.
A especialista também fala de um problema comum que pode interferir na fertilidade, que é a ocorrência de ovários policísticos. Para a ginecologista, cerca de 20% das pacientes inférteis apresentam disfunção ovulatória. “Dessas, a maioria se traduz pela síndrome dos ovários policísticos, cujo principal fator é a anovulação crônica, causada pelo distúrbio hormonal da síndrome.”
Sobre os tratamentos mais comuns para casos de infertilidade, a médica fala que, após a investigação do casal, segue o tratamento das possíveis alterações encontradas e relacionadas à dificuldade encontrada pelo casal. “Atualmente, existem tratamentos cirúrgicos, como a histeroscopia e a videolaparoscopia, e outros mais especializados, como a fertilização in vitro, a inseminação intrauterina ou artificial e a relação sexual programada, também conhecida como coito ou namoro programado”.
Cristianny Souza lembra que tanto na inseminação intrauterina como na relação sexual programada, a indução da ovulação é a primeira etapa do tratamento. Mas, por ser o tratamento mais simples e que prescinde do uso de laboratório de reprodução humana, o coito programado é comumente confundido com a indução da ovulação.
 


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