Postado em  22/08/2015 - 17:47

Efeito do cigarro no organismo

Durante décadas, o tabagismo foi amplamente incentivado e divulgado tanto pela indústria do cinema como pelos canais de propaganda; era charmoso, glamouroso o hábito de fumar. Deve-se lembrar que, embora o Estado permita sua fabricação e comercialização, graças aos altos impostos arrecadados, sabe-se hoje que o cigarro é uma droga extremamente viciante e causadora de doenças, visto que são mais de 4.500 substâncias tóxicas existentes em um cigarro.
No Brasil, o tabagismo é responsável por mais de 120 mil mortes ao ano. Na tentativa de conscientizar a população sobre os riscos do tabagismo, anualmente é celebrado o Dia Nacional de Combate ao Fumo, que transcorre em 29 de agosto.
Para ajudar a entender um pouco como o cigarro age no organismo do fumante, o pneumologista Luiz Gomes, da Unimed Federação Rio Grande do Norte, fala sobre os efeitos desse hábito nocivo. Ele explica que, ao ser tragado, a fumaça provoca diversas alterações no organismo, dentre elas o aumento da pressão arterial, o aumento dos batimentos cardíacos e a constrição dos vasos sanguíneos. Isso faz o coração ter de bater com mais força e, com o passar do tempo, o fumante tem elevado risco de desenvolver problemas cardiovasculares, como infarto, angina e doenças coronárias.
Quanto ao aparelho respiratório, o médico afirma que o cigarro lesa as vias respiratórias devido a sua toxicidade e à temperatura elevada da fumaça, causando um processo de substituição de células.
Consequentemente, aparece tosse, muco, reações inflamatórias que provocam destruição progressiva da árvore brônquica, podendo causar bronquite crônica e enfisema pulmonar. É importante salientar que o uso do cigarro pode causar infertilidade tanto no homem como na mulher.
E mesmo com a ampla divulgação sobre os efeitos danosos do fumo, as pessoas têm começado a fumar cada vez mais jovens. Segundo o pneumologista, além dos riscos já citados, o uso de cigarro por jovens pode servir como porta de iniciação para a utilização de outras drogas mais pesadas.
“Temos a informação de que usam oito vezes mais maconha, 22 vezes mais cocaína e ainda apresentam comportamentos de risco, como sexo sem proteção e agressão física. Comportamentos de risco em saúde na adolescência predizem menor nível educacional na vida adulta, contribuindo para aumentar as desigualdades em saúde”, comenta.
Luiz Gomes cita, ainda, que a especialista em tabagismo Sabrina Presman afirma que crianças expostas diariamente à fumaça do cigarro têm riscos 50% maiores de desenvolver alguma doença crônica, como bronquite e asma.

FUMANTES: EVENTUAL x HABITUAL
Algumas pessoas acreditam não correr riscos por fumarem eventualmente, em festas ou em momentos isolados. No entanto, o especialista faz questão de enfatizar que qualquer nível de exposição pode causar danos à saúde, isto porque a fumaça do cigarro (tanto a tragada pelo fumante quanto a liberada pela ponta acesa) contém compostos conhecidamente cancerígenos para o homem, de modo que não existe nível de exposição seguro.
“Estudos científicos demonstraram que, mesmo quem fuma pouco, tem risco maior de desenvolver doenças do que quem não fuma. De acordo com dados do Departamento Americano de Saúde e Serviços, não existe qualquer evidência de que fumar uma quantidade pequena de cigarros seja segura para evitar doenças. Os riscos e a disposição para contrair doenças relacionadas ao tabagismo dependem também da sensibilidade de cada organismo”, explica Luiz Gomes.
Diferente dos que afirmam fumar em apenas algumas ocasiões, uma grande parte dos fumantes chega a consumir mais de uma carteira com 20 cigarros por dia, e o pneumologista afirma que os riscos inerentes ao fumo se repetem no consumo agressivo, contudo o aumento da quantidade de cigarros fumados por dia pode potencializar e acelerar o processo inflamatório, aumentando o aparecimento de doenças relacionadas ao tabagismo.
Não existe grande diferença entre os riscos do fumo para homens ou mulheres, entretanto alguns estudos sugerem que os homens são mais afetados pelo malefício do cigarro. Contudo, isso pode estar relacionado a um maior consumo de cigarro/dia pelo homem.
Além do uso direto do cigarro, existe o consumo passivo, que corresponde à exposição de pessoas não fumantes ao ar contaminado pela fumaça do cigarro. Luiz Gomes explica que não existe nenhum nível seguro de exposição ao tabagismo passivo. “Mesmo pequenas exposições podem trazer riscos à saúde, aumentando a ocorrência de doenças e a mortalidade. Segundo a Organização Mundial de Saúde, a fumaça do cigarro presente no ar ambiente também é considerada um agente cancerígeno. O tabagismo passivo pode causar as mesmas doenças provocadas pelo tabagismo ativo, incluindo câncer de pulmão, outras doenças respiratórias e cardiovasculares.”

PARE AGORA
O pneumologista da Unimed Federação RN elenca as principais doenças provocadas pelo fumo: câncer de pulmão, câncer de boca, câncer de laringe, câncer de estômago, leucemia, infarto do miocárdio, enfisema nos pulmões, impotência sexual, infertilidade, bronquite, trombose vascular, redução da capacidade de aprendizado e memorização (principalmente em crianças e adolescentes), catarata, aneurisma arterial, rinite alérgica, úlcera do aparelho digestivo e infecções respiratórias.
Luiz Gomes diz que sabe que deixar de fumar é muito difícil. Às vezes, são necessárias várias tentativas até que se consiga êxito. Ele lembra que hoje já existem programas determinados pelo Ministério da Saúde com equipes multidisciplinares para ajudar as pessoas a parar de fumar.  
“Vários métodos podem ser utilizados para deixar de fumar, desde a parada abrupta até o suporte de produtos à base de nicotina, as chamadas terapias de reposição. Contudo, um tratamento efetivo envolve a abordagem de três aspectos: físico, psicológico e comportamental. Além de contornar a abstinência (físico), é preciso desvincular o cigarro de emoções, como alegria ou tristeza (psicológico), e de hábitos, como tomar café ou dirigir (comportamental). Só uma avaliação médica criteriosa é capaz de indicar qual o tratamento ideal para cada paciente”, conclui.


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