Uma nova forma de ler o mundo
Nara Andrade
Da Redação
naraandrade@gmail.com
Nunca faltei. Todos os dias a gente aprende uma coisa diferente, a gente conversa, ri, se distrai, tudo fica melhor, ver as coisas de forma diferente”. É com essa animação que a dona de casa Maria Marleide da Costa, de 65 anos, fala das aulas do programa de alfabetização que está participando. Dona Marleide, como gosta de ser chamada, faz parte da turma de 31 alunos inseridos no Mova Brasil, que funciona no alpendre da sede da Associação de Moradores do Alto do Sumaré (AMBAS).
Mesmo com todas as dificuldades enfrentadas devido à falta de uma estrutura adequada para as aulas, já que os alunos ficam expostos à poeira e ao barulho da rua, a turma está conseguindo progredir, segundo informação do monitor Thiago Medeiros de Souza.
“Quando a turma começou, tinha aluno que não sabia nada, não conhecia as letras, hoje já estão reconhecendo as sílabas, escrevendo algumas palavras e lendo. Como as aulas são baseadas no método de Paulo Freire, a alfabetização é mais fácil, porque utiliza a história, o universo do próprio educando para ensinar”, comenta.
Dona Marleide é uma das mais animadas do grupo e cobra quando os colegas faltam, incentiva. Ela conta que já sabia ler um pouco, mas só agora, com as aulas, está aprendendo a escrever.
“Eu lia um pouco, engolindo as letras, mas hoje está diferente, a gente se sente bem. Só é ruim uma coisa, porque não tem muro, aí os carros ficam passando e os meninos fazendo zoada no meio da rua. Minha vida é brigar com os meninos para não atrapalhar a aula”, comenta.
O monitor da turma, Thiago Medeiros, diz que devido à rotina cansativa do dia a dia, alguns alunos não conseguem assistir todas as aulas, por isso, apesar de ter 31 alunos matriculados, a frequência diária é de cerca de 20 pessoas.
Thiago Medeiros afirma que, além das aulas de Português, os alunos estão ganhando noções básicas de Matemática e medidas de comprimento.
O programa também está buscando parcerias com o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia no Rio Grande do Norte (IFRN) e com a Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA), com o objetivo de promover cursos profissionalizantes para capacitar integrantes da turma, como forma de dar melhores oportunidades de trabalho.
“A gente sabe que as pessoas que não sabem ler não têm tantas oportunidades de emprego, por isso a importância do curso de capacitação”, conta.
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