Postado em  16/02/2014 - 12:16

Biometria em Mossoró está abaixo da expectativa do TRE-RN

Por Jotta Paiva - Da redação

 

O chefe do cartório eleitoral da 34ª Zona Eleitoral, Márcio Oliveira, reconhece que o número de atendimentos está abaixo do esperado. Problemas como queda no sistema têm atrapalhado bastante, mas a grande preocupação é com os retardatários que deixam para o último dia e com as pessoas que não agendaram pela internet. Até o momento, apenas 19% dos 167 mil eleitores foram atendidos e o prazo final é 4 de abril. Nesta entrevista, falamos sobre a estrutura do Tribunal para este serviço, o tempo de espera que chega a 3 horas, a falta de conforto e ainda a possibilidade de realização de uma eleição suplementar antes da eleição regular de outubro próximo.

 

JORNAL DE FATO – A revisão biométrica em Mossoró começou em 28 de janeiro e até agora só foi realizado o recadastramento de 19% dos 167 mil eleitores. Esse número é satisfatório?

Márcio Oliveira – Pela nossa avaliação ainda é um número baixo. Nós deveríamos estar com um número acima disso aí, para atingir nossa meta pretendida que é de pelo menos 80% dos eleitores. Em alguns dias, nós chegamos a ficar ociosos aguardando o eleitor. Nosso agendamento funcionou muito bem, embora tenhamos tido alguns problemas nos dois últimos dias (quinta-feira, 13 e sexta-feira, 14), mas há sempre uma expectativa de atender a um grande volume de pessoa nos últimos dias, como é de praxe, em todo atendimento, principalmente no eleitoral. Então, eu considero abaixo de nossa expectativa, mas esta demanda vai aumentar a cada dia, até, de um modo geral, chegar a ter um certo estrangulamento dos serviços nas duas últimas semanas de trabalho.

 

NO DIA 7 de fevereiro, o sistema saiu do ar e a informação que era passada é que não tinha horário para voltar a atender. Nas últimas quinta-feira, 13, e sexta-feira, 14, um problema com a linha de transmissão da operadora Oi paralisou o atendimento. Com que frequência os problemas técnicos têm dificultado o trabalho da revisão biométrica e o que acontece com os eleitores agendados?

OLHA, o dia 7 tinha sido um problema isolado que nem demorou tanto. Mas dias 13 e 14 foi uma queda mais demorada e até persistente. Esses dois dias foi plenamente identificado problema com a comunicação da OI. Isso causou um transtorno muito grande porque nós deixamos de atender cerca de 3 mil eleitores. São pessoas que tinham agendado, que compareceram ao local naquela hora marcada, esperavam ser atendidas e não foram, infelizmente por causa de um problema alheio à gente. O que a gente pode fazer neste momento? Primeiro apresentar nossas desculpas porque a nossa intenção é atender, efetivamente, à população. Temos trabalhado diuturnamente para fazer este trabalho da forma adequada e, por motivos alheios à nossa vontade houve essa interrupção. Nós estamos orientando as pessoas que deixaram de ser atendidas nestes dias que compareçam ao Cartório Eleitoral munidos do comprovante de agendamento em qualquer dia até o fim da revisão biométrica que nós vamos dar prioridade ao atendimento delas. Quanto mais cedo elas forem, melhor para nós, já que temos a perspectiva de, nos últimos dias, ter um atendimento muito alto. Nossa orientação é que, quando essas pessoas chegarem, sejam atendidas, inclusive, com prioridade sobre os que estão agendados naquele dia. Isso não vai tirar o transtorno que elas tiveram de ir no dia agendado e não serem atendidas, mas pelo menos vamos minimizar, ao darmos uma atenção diferenciada a elas.

 

ACOMPANHANDO o trabalho do TER, observamos que há sempre uma aglomeração de pessoas e alguma demora no atendimento. Qual é o tempo de espera atual e qual seria o adequado?

OLHA, não havendo problema de conexão como nesses dias, as pessoas agendadas conseguem ser atendidas naquele horário marcado. Então o agendado é atendido na hora, a regra é essa. Há alguns atrasos até de 20 minutos; quem vai para a fila (os que não agendam pela internet), esses não, chegam a esperar até 3 horas em momentos de pico. Em outros momentos demoram entre 20 e 30 minutos. Os “preferenciais” têm sido atendidos adequadamente num curto espaço de tempo, agendados ou não. Nós temos uma meta de atender, individualmente, cada eleitor em oito minutos. Nós temos 60 mesas fazendo o atendimento nesses oito minutos. A cada oito minutos, atendemos 60 pessoas, dá uma média de cerca de 480 pessoas por hora. Em alguns momentos chegamos a ficar ociosos dentro da nossa carga de trabalho. Às vezes, por volta do meio-dia, cai muito o atendimento por lá.

 

TRÊS horas de espera não são desestimulantes para um eleitor que muitas vezes não dispõe desse tempo, ou vem de um bairro ou comunidade distante?

SIM. Inclusive eu, como gestor da 34ª Zona Eleitoral, gostaria de atender todo mundo a contento, agora, o volume de pessoas que são atendidas todo dia, uma média de 2.500, impõe uma estrutura muito grande, inclusive muito além do que nós temos lá no Tribunal, para fornecer um atendimento da forma como nós queríamos fazer. Aquele prédio lá só comporta esta quantidade de quites (mesa de atendimento), nós não temos mais como aumentar, mas assim: estamos trabalhando hoje com mais de 200 profissionais para atender à população. A biometria em si é desconfortável, porque você imagine deslocar 160 mil pessoas (número de eleitores), 140 mil pessoas, (estimativa de atendimento) para ir fazer um título de eleitor em um período de dois meses, isso em si já causa um desconforto às pessoas que precisam se deslocar, como é o caso de muitos eleitores que vêm de 40, 50 quilômetros de distância da sede do município. Agora, o que nós temos tentado fazer é prestar o melhor serviço que está em nosso alcance.

 

DIANTE deste quadro, você diria que a estrutura do Tribunal para a revisão biométrica deveria ser revista? Centralizar este trabalho em um único prédio não é um erro técnico da Justiça, quer dizer: não está forçando o eleitor a uma situação de desconforto que poderia ser amenizada?

OLHE, a estrutura que o Tribunal poderia disponibilizar para Mossoró está naquele prédio. Foi feito todo um estudo prévio e foi analisado pelas equipes técnicas que o atendimento lá seria adequado, quando comparado, por exemplo, com a média de atendimento que foi feito em Natal, que é o município com maior eleitorado no Rio Grande do Norte. Nós consideramos que dentro dos custos que o Tribunal tem para atender ao eleitor, a estrutura é boa. Há alguns desconfortos naquele prédio para atender à população, mas, em geral, o atendimento está sendo feito de forma adequada. Temos alguns problemas relativos à temperatura porque Mossoró neste período realmente é muito quente, mas eu considero que a estrutura é adequada.

 

E POR que este atendimento não foi descentralizado?

ESTA questão da descentralização também foi estudada, mas para fazê-la em dois ou três lugares, nós teríamos que disponibilizar uma estrutura muito acima da que tempos hoje, já que teríamos que ter três pontos de comunicação, equipe de coordenação e gerenciamento de atendimento de cada um desses locais, o que tornaria tanto o processo mais complexo como muito mais custoso do que está sendo feito hoje. Eu sei que haverá momento de estrangulamento, mas hoje há momentos em que nossa equipe fica ociosa por falta de pessoas para serem atendidas.

 

SE EM 4 de abril vocês não tiverem alcançado a meta de 80% da revisão (140 mil eleitores), o que acontece?

OLHE, a meta é um parâmetro, inclusive para homologar ou não a biometria. Mas esta discussão compete ao Tribunal Eleitoral. Se não forem alcançados os 80% e o Tribunal decidir não homologar, na verdade é como se não tivesse acontecido a revisão biométrica e ninguém terá o título cancelado.

 

MOSSORÓ vive um momento atípico, eu diria até complexo. Porque, no momento em que vocês estão realizando a revisão biométrica estão se preparando para uma eleição estadual e correndo o risco de terem de realizar uma eleição suplementar no município, dado o afastamento da prefeita eleita Cláudia Regina. Como técnico, você diria que o Tribunal tem condições estruturais e financeiras para suportar três atividades deste porte?

A ELEIÇÃO estadual para a gente não entraria nesta questão, porque os trabalhos para ela só começam em julho, período em que a revisão biométrica é para estar consolidada. Agora, quanto à possibilidade de haver a eleição suplementar daqui a algum período gerará um certo transtorno. Agora, nós temos equipe com capacidade para desenvolver as duas atividades ao mesmo tempo. Isso iria dividir a equipe, mas o Tribunal já se comprometeu em reforçá-la, na hipótese de essa eleição ser marcada. Ou seja, nos dará mais servidores para trabalhar na biometria e os que já trabalham no Cartório fazendo o serviço normal de uma eleição ficarão dedicados a ela. Então não haverá prejuízo: a eleição não será mal feita por estarmos realizando estas duas atividades ao mesmo tempo.

 

HÁ ALGUM clima de apreensão sobre este tema dentro do cartório, as equipes comentam sobre esta possiblidade?

QUANDO terminou o ano passado, nós já trabalhávamos com a hipótese de, no dia 2 de fevereiro, fazermos a eleição e já estarmos no processo de revisão biométrica. Então, quando saiu a primeira resolução, boa parte do trabalho interno já foi feito. Então nós não teríamos muito este trabalho de preparação porque ele já está pronto do final do ano passado, tanto a 33ª quando a 34ª Zona Eleitoral. Nós temos a apreensão que é a de dividir a equipe. Então a única apreensão que nós tempos é saber como essa equipe será dividida, mas nós já fomos informados pelo Tribunal que receberemos o apoio necessário para manter os dois serviços.

 

SE A ELEIÇÃO suplementar fosse marcada para depois de 4 de abril, já seria biométrica?

NÃO seria por um aspecto: a eleição abrange eleitores que estão no domicílio eleitoral 150 dias antes do pleito. Então eu acredito que se a eleição suplementar ocorrer antes de outubro, não será usado ainda o cadastro biométrico.


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