Postado em  02/11/2013 - 21:29

AVC

Para chamar a atenção da população sobre os riscos do acidente vascular cerebral (AVC), anualmente é lembrado no dia 29 de outubro o Dia Mundial do AVC. A data é marcada pela realização da Semana de Combate ao AVC, em Natal, desde 2010, um evento de domínio nacional. Neste ano, Mossoró também foi contemplada com ações da campanha.
Nesta edição, a Campanha Mundial “1 em 6” traz como slogan “Eu me importo”, e além de focar na educação sobre fatores de risco, sinais de alerta e a urgência do tratamento do AVC, a campanha enfatiza a importância do cuidado pós-AVC, da família, dos cuidadores e das associações de suporte aos pacientes.
A fisioterapeuta Rafaela Faustino explica que o objetivo da campanha foi divulgar conhecimentos sobre o AVC para a sociedade, em todas as faixas etárias, através de ações educativas e de divulgação científica. Para tanto, durante a Semana do Combate ao AVC, foram oferecidas palestras e ações itinerantes para divulgar conhecimentos científicos relacionados ao AVC, fatores de risco, identificação dos sintomas, tratamento e prevenção.
“As ações de promoção de saúde e prevenção do AVC foram realizadas em praias, shoppings e praças de Natal (durante toda a semana), Santa Cruz, Macaíba e Mossoró (no Dia Mundial do AVC – 29 de outubro), com orientação ao público sobre sinais e sintomas do AVC, fatores de risco e forma de prevenção e socorro imediato. Atividades como aferição de pressão e cálculo do IMC também foram realizadas”, afirma.
Segundo a fisioterapeuta, que integra a comissão organizadora da campanha promovida pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), o AVC é a segunda maior causa de morte no mundo e primeira maior causa de incapacidade entre adultos. “No Brasil, trata-se da primeira causa de morte. Em 2010, quase 100 mil pessoas morreram por conta da doença, segundo a Datasus.”
Rafaela Faustino conta que, entre 1998 e 2007, houve crescimento de 64% nas internações por AVC entre homens e de 41% entre mulheres na faixa de 15 a 34 anos, o que mostra o aumento da ocorrência de AVC entre os jovens. Outro dado importante é que uma, em cada seis pessoas no mundo com mais de 55 anos, terá pelo menos um AVC.

ENTENDA O AVC
Em entrevista a DOMINGO, a médica Raquel Oliveira, da Hapclínica, explica o que é o AVC, suas principais causas, sintomas e a forma correta de agir para ajudar uma pessoa que está passando pelo problema.
Primeiro, ela explica que existem dois tipos de acidente vascular cerebral: o isquêmico e o hemorrágico.
O acidente vascular cerebral isquêmico é o principal representante da doença cerebrovascular, sendo responsável por até 85% dos casos de acidente vascular encefálico no mundo (os 15% restantes são AVC hemorrágico). Esse tipo de AVC ocorre por falta de circulação numa área do cérebro provocada por oclusão de uma ou mais artérias por ateromas, trombose ou embolia. E os principais fatores de risco para AVC isquêmico são: hipertensão arterial sistêmica (sendo o principal), diabetes mellitus, dislipidemia, tabagismo, idade maior que 50 anos, sexo masculino, história familiar positiva, fibrilação atrial, prótese valvar, infarto agudo do miocárdio e drogas – anfetaminas, cocaína.
“O AVC isquêmico pode manifestar-se com instalação aguda de um déficit neurológico focal persistente, ocorrendo combinações variadas de sinais/sintomas, como: perda repentina da força muscular e/ou da visão, dificuldade de comunicação oral, paralisia facial central, tonturas, formigamento em um dos lados do corpo e alterações da memória”, comenta a médica.
Já no acidente vascular cerebral hemorrágico ocorre sangramento cerebral provocado pelo rompimento de uma artéria ou vaso sanguíneo, em consequência de hipertensão arterial, problemas na coagulação do sangue, ruptura espontânea de um aneurisma, malformação vascular.
“Os principais fatores de risco são: idade entre 30 e 65 anos, tabagismo, alcoolismo, hipertensão arterial, história familiar positiva, síndromes genéticas. E os principais sintomas do AVC hemorrágico são: cefaleia (dor de cabeça) súbita de forte intensidade, vômitos, síncope, rigidez de nuca. Frequentemente, o episódio é precipitado por esforço físico ou ato sexual. Pode evoluir com rebaixamento do nível de consciência e coma, devido à hipertensão intracraniana”, ressalta a médica.
Raquel Oliveira faz questão de enfatizar que AVC é uma emergência médica. Ela frisa que, diante da suspeita de um paciente com acidente vascular cerebral, este deve ser encaminhado imediatamente para atendimento hospitalar. “Trombolíticos e anticoagulantes podem diminuir a extensão dos danos. A cirurgia pode ser indicada para retirar o coágulo ou êmbolo, aliviar a pressão cerebral ou revascularizar veias ou artérias comprometidas”, comenta.
De acordo com a médica, as sequelas dependem do local em que o AVC ocorreu e da sua gravidade, podendo ser motoras, neurológicas ou emocionais. O paciente pode apresentar dificuldade em movimentar um dos braços, contraturas e deformidades musculares que levam à perda do movimento de todo um lado do corpo (hemiplegia); incontinência urinária e fecal; sensação de queimação no lado da hemiplegia; boca torta; dificuldade em falar, comer e de engolir a saliva; perda de memória; dificuldade em se expressar; estrabismo, paralisia facial, desequilíbrio; dificuldade na localização espacial em si e/ou no outro, (direita/esquerda, mapas), depressão; revolta; isolamento; impaciência; dificuldade nos relacionamentos; negligência do lado do corpo que está "paralisado". Ela ainda afirma que existem recursos terapêuticos capazes de ajudar a restaurar funções, movimentos e fala, que quanto antes começarem a ser aplicados melhores serão os resultados. Nem sempre as sequelas de AVC têm cura, mas com o devido tratamento pode-se alcançar bons resultados.
Os pacientes que sofreram um AVC, popularmente conhecido como derrame, podem beneficiar-se das sessões de fisioterapia e terapia ocupacional, que vão ajudar a reabilitar e recuperar movimentos que facilitem a vida diária, trazendo independência e melhorando assim a sua qualidade de vida.
Raquel Oliveira recomenda alguns cuidados que podem ajudar na prevenção do AVC, dentre eles: controle adequado da pressão arterial sistêmica, controle dos níveis de açúcar e colesterol no sangue, não suspender medicação por conta própria, adotar dieta equilibrada, consumir frutas e verduras, evitar alimentos com sal, gordurosos, bebida alcoólica, não fumar, praticar atividade física regularmente e seguir sempre as orientações médicas.

“AVC FOI UMA GRANDE EXPERIÊNCIA”
Em 2009, o decorador de eventos João Marreiro Neto, de 37 anos, sofreu um AVC. Ele conta que estava na cidade-praia de Tibau, quando sentiu uma forte dor de cabeça, que passou depois de alguns instantes, e o AVC só foi diagnosticado uma semana depois.
“Era um sábado, eu tive uma forte dor de cabeça quando fui tomar banho, então apertei a minha cabeça com as mãos e logo passou. Tomei banho e saí com os meus amigos; não senti mais nada. Até que no sábado seguinte senti novamente a dor de cabeça que não passou mais. Fui ao posto de saúde, no qual me medicaram para a dor de cabeça passar, mas minha pressão continuava alta. Sabendo o que estava acontecendo, minha amiga Joriana Pontes foi me pegar, e me trouxe para o Hospital Tarcísio Maia, no qual recebi o diagnóstico que era um aneurisma cerebral”, lembra-se.
João Marreiro diz que foi internado e ficou mais de 20 dias. Com a confirmação, ele foi encaminhado para Natal.
“Tive um grande apoio da Prefeitura, através de Gustavo Rosado. Não teria condições de pagar pela cirurgia, que na época custava R$ 85 mil. Além do apoio da Prefeitura, uns amigos fizeram uma campanha para arrecadar dinheiro, e algumas pessoas chegaram a dizer que tudo não passava de uma armação. Sofri o AVC no dia 25 de dezembro de 2009, quando tinha 33 anos”, conta.
No caso de João Marreiro, os médicos apontaram como causa do AVC o fato de ele ser fumante. Mas, para ele, a doença era uma grande experiência, a qual ele não deseja para ninguém. Ele afirma que parou de fumar por um bom tempo, mas depois voltou. No entanto, afirma que só fuma às vezes, quando está bebendo. “Hoje, tenho minha vida normal, não sinto mais nada, além de um pouco de dor de cabeça, às vezes, mas nada sério. Depois da cirurgia, o meu olho esquerdo saiu do eixo. Fui ao oftalmologista, passei a usar óculos para fazer a correção; também às vezes sinto que me esqueço de algumas coisas, depois volto a me lembrar; tenho esse probleminha”, ressalta.
Na época do AVC, João Marreiro trabalhava com teatro em Mossoró, atuando em espetáculos, como o Auto da Liberdade, Oratório de Santa Luzia, Chuva de Balas no País de Mossoró e outros, fazendo a contrarregragem. Hoje, ele mora em Macaé (RJ), onde trabalha com decoração de eventos.
 


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