Postado em  06/07/2013 - 21:47

Jennifer do Vale e Silva

Por Nara Andrade
naraandrade@gmail.com

Bacharel e licenciado em Enfermagem pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) em 2004, o mossoroense Jennifer do Vale e Silva é especialista em Saúde da Família pela Faculdades Integradas de Patos da Paraíba (FIP), 2007, e mestre em Saúde Pública, área de Concentração Políticas, Gestão e Avaliação de Serviços de Saúde, na Universidade Federal do Ceará (UFC), 2012. Além de atuar como professor da Faculdade de Ciências da Saúde (FACS/Uern), lecionando nos cursos de graduação em Medicina e de Residência em Medicina de Família e Comunidade da Uern, Jennifer do Vale é diretor do Departamento de Apoio à Inclusão (DAIN/Uern). Em entrevista a DOMINGO, ele fala sobre as ações desenvolvidas pelo departamento, os desafios enfrentados por quem realiza trabalho de inclusão social e sobre políticas públicas para garantir a acessibilidade no ensino superior.

DOMINGO – O que é o Departamento de Apoio à Inclusão (DAIN)?
JENNIFER DO VALE  –  O Dain é um órgão de apoio à inclusão educacional no âmbito da Uern, que possui como público-alvo alunos com deficiências e necessidades educacionais especiais. Para isso, funciona de segunda a sexta, nos turnos matutino, vespertino e noturno, e conta com a equipe: administrativa composta por chefia do Dain e Secretaria; e a equipe multiprofissional/especializada composta por técnicos em deficiência visual, técnicos em deficiência auditiva e/ou surdez, técnicos em deficiência física, psicologia, psicopedagogia, pedagogia e serviço social.

DESDE quando o departamento funciona?
EM 18 de abril de 2008, o Conselho Universitário (CONSUNI), que estabelece normas relativas à organização geral da universidade, cria o DAIN através da resolução 02/2008, como órgão institucional da Uern. Contudo, sua construção remonta ações anteriores, a saber: Em 9 de dezembro de 2004, foi criado o Núcleo de Assistência à Educação Inclusiva (NAEIN) em uma plenária da Faculdade de Educação (FE). No dia 6 de junho de 2005, em outra plenária da Faculdade de Educação, foi modificado o nome para Núcleo de Estudo, Pesquisa e Extensão sobre Pessoas com Necessidades Especiais (NEPAE). Em 2006, este órgão passa a fazer parte da estrutura da Pró-Reitoria de Ensino de Graduação (PROEG), já com o nome de Dain.

QUAL a função do Departamento de Apoio à Inclusão dentro da Universidade?
I - viabilizar a promoção da educação inclusiva aos acadêmicos com deficiências e com necessidades educacionais especiais;
II - fornecer apoio técnico-especializado aos acadêmicos com deficiências e com necessidades educacionais especiais, através de equipe multidisciplinar;
III - oferecer formação continuada a profissionais nessa área, através de cursos de capacitação, oficinas, seminários, palestras, ciclos de debates, dentre outros;
IV - disponibilizar o uso de tecnologias assistivas (equipamentos especiais, ajudas técnicas, softwares etc.) aos acadêmicos e aos demais segmentos da comunidade universitária para viabilizar a acessibilidade aos conhecimentos, informações, relacionamentos e ambientes de estudo, superando as barreiras existentes.
V - contribuir para a construção de uma sociedade justa, democrática, solidária e plural.
QUAIS os serviços prestados pelo departamento?

- Empréstimos de Recursos Didáticos (Jogos, Lupas, Sorobã, bengala e outros);
- Digitalização de Textos para viabilizar acesso dos alunos com deficiência visual;
- Softwares de leitura de tela para acadêmicos com deficiência visual;
- Orientação e mobilidade para acadêmicos com deficiência visual;
- Leitura de textos para discentes cegos;
- Tradução e Interpretação em Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS);
- Cursos de Língua Brasileira de Sinais;
- Transcrição para o Braille;
- Apoio, Orientação e Intervenção Social;
- Apoio, Orientação e Intervenção Pedagógica e Psicopedagógica;
- Auxílio ao Estudante com deficiência física (adaptação de espaços e equipamentos);
- Assessoria e capacitação do corpo docente para lidar com estudantes com necessidades especiais;
- Acompanhamento de Estágio e Monografia de alunos com necessidades especiais;
- Estudos e Pesquisas sobre o tema da inclusão;
- Atuação durante o Processo Seletivo Vocacionado (PSV) da Uern garantindo as condições de acessibilidade aos vestibulandos com necessidades especiais;
- Projetos de extensão atuando na qualificação e formação continuada na área da inclusão e acessibilidade;
- Organiza eventos;
- Participação em comissões deliberativas e consultivas da Uern e da sociedade: Comissão de Extensão, Comperve, Fórum pela Paz nas Escolas de Mossoró.

QUAL a estrutura que o Dain dispõe para o desenvolvimento de suas funções?
O Dain funciona na estrutura da Pró-Reitoria de Ensino de Graduação da Uern, em espaço físico composto de sala de trabalho coletivo, sala de chefia e sala para atendimento social, pedagógico e psicopedagógico.  Grande parte das ações do Dain são realizadas em espaços diversos da Uern, mediante parcerias estabelecidas com os Departamentos Acadêmicos.

QUANTOS alunos da Uern são atendidos hoje pelo departamento?
HÁ atualmente 55 alunos com necessidades especiais matriculados e cadastrados no Dain/Uern.

QUAIS os principais desafios enfrentados por quem desenvolve o trabalho de inclusão?
PODERÍAMOS falar em desafios de diversos tipos. Apontamos aqui pelo menos dois grandes desafios que julgamos cruciais: aqueles situados no campo das relações sociais que envolvem a construção da inclusão e da diversidade como valores sociais, a superação das diversas formas de exclusão social, seja em função da cor da pele, da orientação sexual, de alguma deficiência, de sua participação no mercado de trabalho, ou por qualquer outro motivo e que têm como horizonte a construção de uma sociedade inclusiva; e aqueles referidos ao âmbito das políticas públicas que cujo enfrentamento passa pelo incremento e fortalecimento de políticas públicas destinadas às pessoas que sofrem processos de exclusão social e que gozam de oportunidades de desenvolvimento menores do que as demais pessoas.

QUAIS são essas políticas públicas criadas para garantir a acessibilidade no ensino superior?
AS POLÍTICAS públicas que garantem acessibilidade no ensino superior de competência do Ministério da Educação são direcionadas principalmente para as Universidades e Institutos Federais de Educação. As universidades públicas estaduais precisam cumprir as determinações previstas na legislação, tais como: a resolução 2, de 24 de Fevereiro de 1981 do antigo Conselho Federal de Educação, hoje Conselho Nacional de Educação, o aviso circular 277/MEC/GM de 8 de maio de 1996, a portaria 1.793  de 03/12/94 do MEC, o decreto 3.298/1999, o qual regulamenta a lei 7.853/1989 e a portaria 3284, de 7 de novembro de 2003. No entanto, esbarram na falta de recursos e estrutura necessária. Mesmo com as dificuldades, a Uern tem encarado este desafio e contribuído de modo significativo com a formação de jovens com necessidades especiais nos cursos de graduação e pós-graduação, promovendo a igualdade de oportunidades para todos.


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