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MOSSORÓ (RN), DOMINGO, 05/02/2012 (ATUALIZADO: 23:49hs)
 
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TAMBÉM NÃO É O MEU PAÍS
"Pode ser o pais de quem quiser, Só não é com certeza o meu país." Esses dois decassílabos perfeitos constituem o mote da cantiga que ouvi tocar o rádio, no outro dia. Desligado, confesso, do que se canta hoje em dia, não sei dizer quem é o cantor. Somente, pois logo me lembrei, e sem esforço de memória, que se trata de letra de autoria do escritor e poeta paraibano autor do livro "Zé Limeira, poeta do absurdo". Lembram?
Esqueço-lhe o nome, agora que escrevo, apesar de já ter-lhe recebido em tempos a honrosa visita em minha casa, em Areia Branca. (A memória está sempre me traindo, muitas vezes sem poupar-me ao vexame.) Já era ele, então, um homem aparentemente nos fins da maturidade, ali pelos cinquenta e tantos, morador de Brasília. Era (já morreu) um intelectual de lúcida formação socialista.
Mas a composição a que me refiro. Posso dizer, sem dúvida nenhuma, é a melhor crítica musical à realidade brasileira que já terei ouvido durante os meus anos. A realidade nua de um país que a política profissional, desnuda de qualquer mentalidade de ordem, ainda menos de responsabilidade, edificou sobre os fundamentos do privilégio de classes - esbulhando, em seus direitos, as maiorias.
E fiquei-me a pensar na grande mensagem social e política contida nos decassílabos do poeta paraibano, em décimas bem ao estilo dos nossos poetas cantadores. Outra coisa não quer dizer que esse Brasil de mais de quarenta milhões de analfabetos, destroçando-se por todos os lados, pode ser, e é, o pais da elite dominante, atrasada e desumana, que não o país dos que o amam - e querem noutro rumo.
Gostei muito do verso em que diz o poeta ser o Brasil um país dominado por uma elite sem Deus, mas que, em nome de um Deus fabricado à sua (horrenda) semelhança, querem convencer, e conseguem, de que a miséria é obra divina Uma forma, nada teológica, de acomodar milhões de abandonados à sorte, de modo a conter a indignação coletiva, donde procedem as inquietações sociais. A revolta.
Na verdade, não é este o país dos brasileiros que, indignados, querem uma nação em que seja menor a distância entre ricos e pobres, a ordem e a responsabilidade como fundamentos do sistema de governo e do modelo de sociedade. Estes é que, realmente, são brasileiros, em toda a extensão do termo. Não se debite, pois, nossa desorganização ao sangue racial ou ao tipo antropológico, como querem alguns, senão que à vontade cínica dessa elite sem Deus, a cruel elite dominante.

ANO
27 do janeiro que passou fez um ano da morte da minha professora Francisca Amélia do Carmo Nepomuceno, por outro nome Dona Chiquita.

LAPSO
Por um lapso de memória, deixei de dar essa informação, neste espaço. Perdão.

EDUCADORA
Foi a educadora mais lúcida e dedicada que terei conhecido, até hoje. Se mais não aprendi, a culpa é minha.

LINGUAGEM
Leitor do Jornal de Fato quer saber se não valem esses livros de receita gramatical que andam por aí. Valem, sim. Mas é preciso aplicar a inteligência no que ensinam, separando o joio e o trigo, como se diz. A razão disso é porque muitas regras, se não a grande maioria, não passam de invencionices, que, em vez, de educar, prejudicam a formação linguística. Mas o melhor, mesmo, não há como contestar, é aprender a língua culta com os mestres da palavra, isto é, com os que sabem escrever. Adquire-se, aí, um conhecimento autorizado. E fecundo.



       


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