

CHACINA
NA PARAÍBA
Mais
dois PMs são presos em Mossoró
Andrey Ricardo
Esdras Marchezan
Da Redação
A justiça paraibana decretou a prisão dos outros dois
policiais do 2º Batalhão de Polícia Militar (BPM),
em Mossoró, suspeitos de envolvimento na morte de três
pessoas, no último sábado, na cidade de Brejo dos
Santos, na Paraíba. Os soldados, Ewerton Fernandes da Silva,
38, o "Biu", e Antônio Carlos Pereira da Silva,
37, o "Carlão", tiveram a prisão preventiva
decretada pela juíza da 1ª Vara Criminal de Catolé
do Rocha (PB), Andréa Carla Mendes Nunes Galdino e já
estão recolhidos no quartel do 2º BPM. No mesmo lugar
está preso, desde o último sábado, o soldado
Andriê Herculano de Oliveira, 30, também suspeito de
participação direta na chacina.
O crime aconteceu na madrugada de sábado, 7, no sítio
Umburana, em Brejo dos Santos, sertão paraibano. O agricultor
Veronaldo de Freitas Alves, 38, "Veronaldo Veras", sua
mãe, Ivani Veras de Freitas, 66, e o caseiro da família,
Francisco Luzinaldo da Silva, 28, estavam em casa quando foram surpreendidos
por cinco homens, em dois carros, armados de pistola e espingarda
calibre 12. Os três foram executados sumariamente, sem chance
de defesa.
Horas depois da chacina, a polícia paraibana prendeu o ex-presidiário
Erinaldo de Oliveira Pereira, "Mongolóide", e o
soldado Andriê Herculano de Oliveira. De acordo com a polícia,
os dois teriam confessado o envolvimento na chacina e apontado como
comparsas mais dois policiais militares mossoroenses e o mototaxista
Alan Evangelista das Neves, 29.
Uma rixa antiga entre a família das vítimas (Veras)
e a de dois dos acusados (Oliveira) seria o motivo das execuções.
No apartamento do soldado Andriê Herculano, os policiais encontraram
várias munições de calibres 380 e 357 - esse
último de uso exclusivo da Polícia Federal - além
de cartuchos para escopeta calibre 12, uma pistola calibre 380 com
três carregadores, todos sem registro oficial, e uma coronha
de espingarda calibre 12.
Com a prisão dos soldados Andriê, Ewerton e Carlão
e do ex-presidiário "Mongolóide", apenas
Alan Evangelista continua foragido.
A ordem judicial determinando a prisão dos soldados Ewerton
e Carlão e do mototaxista, Alan Evangelista, foi assinada
no fim da tarde da última quarta-feira, 11. O primeiro a
ser preso foi o soldado Antônio Carlos Pereira da Silva, "Carlão".
Ele estava de serviço na Cadeia Pública Manoel Onofre
Lopes, em Mossoró, quando recebeu voz de prisão e
foi levado para o quartel. "Quando recebemos a preventiva dele,
mandei um oficial ir buscá-lo na Cadeia Pública. Ele
estava tirando serviço normal", disse o comandante do
2º BPM, Tenente Coronel Elias Cândido.
O soldado Ewerton Fernandes da Silva, o 'Biu', se apresentou no
2º BPM, na noite de ontem, na companhia de um advogado, e ficou
preso no quartel.
Os três policiais militares suspeitos de envolvimento na chacina
serão transferidos, na manhã de hoje, para o Batalhão
da PM, em Natal, onde aguardarão julgamento da justiça.
PM
já é investigado por assalto à pousada em Ponta
do Mel
Um dos policiais acusados de participação na chacina
dos "Veras", no sertão paraibano, já é
investigado pela polícia do Rio Grande do Norte. O soldado
Ewerton Fernandes da Silva, o "Biu", é suspeito
de assaltar uma pousada na praia de Ponta do Mel, em Areia Branca,
em fevereiro do ano passado. A informação - assim
como a do envolvimento dos policiais mossoroenses na chacina - foi
divulgada, com exclusividade, pelo DE FATO durante essa semana.
O inquérito ficou a cargo dos delegados da Divisão
Especializada em Combate ao Crime Organizado (DEICOR), em Natal,
Ronaldo Gomes e Lenivaldo Pimentel. De acordo com a Polícia
Civil, o soldado Ewerton, Fernandes acompanhado de outros dois militares,
teria usado uma VW Kombi, branca, com placas HUA-4777/Mossoró,
na invasão ao Hotel Costa Branca, no dia 28 de fevereiro
do ano passado.
O inquérito policial que apura o caso está prestes
a ser concluído pelos delegados da Deicor/RN.
Preso
é enforcado por companheiros de cela na penitenciária
de Alcaçuz
Um detento foi morto na penitenciária
de segurança máxima de Alcaçuz na madrugada
de ontem. Silvânio da Silva Alves foi enforcado por dois outros
presos custodiados na mesma cela dele. Antônio Fernandes de
Oliveira, "Pá e Bola", e Gardênio Getúlio
Justino, "Foguinho", confessaram o crime e foram autuados
na delegacia de Nísia Floresta.
O crime aconteceu por volta da 1h desta sexta-feira, mas o corpo
da vítima só foi descoberto por volta das 8h, durante
a troca de serviço dos agentes penitenciários. Silvânio
foi morto com um lençol envolvido no pescoço. Antônio
esticou o pano de um lado, enquanto Gardênio puxou do lado
contrário, até que a vítima morresse por falta
de ar.
Após serem levados para a delegacia, os dois contaram que
mataram Silvânio porque foram atacados por ele primeiro. Os
dois detentos teriam implorado aos policiais que chamassem a imprensa,
pois queriam denunciar que estão ameaçados de morte,
e que outros homicídios estão para acontecer na unidade
prisional. Após serem autuados, os dois foram levados de
volta à penitenciária.
Mãe
só sabe da morte da filha
em Goiânia a caminho do velório
Leonencio Nossa
e Rubens Santos
Da Agência Estado
Goiânia, 13 (AE) - Foi enterrada ontem à tarde (13)
a menina Penélope Barbosa Correia, de 5 anos, morta na queda
de um avião bimotor roubado pelo pai, Kleber Barbosa da Silva,
de 31, também morto no acidente. Cerca de 50 pessoas participaram
do sepultamento da criança num cemitério público
da periferia de Goiânia (GO). A mãe, Erica Correia,
de 23, agredida pelo marido horas antes da tragédia, foi
sedada pelos médicos e não acompanhou o enterro. Acompanhou
apenas parte do velório. Kleber seria enterrado no início
desta noite num cemitério privado da cidade.
Anteontem à tarde (12), Kleber agrediu a mulher, sequestrou
a criança e roubou um avião monomotor, que acabou
caindo no estacionamento do Flamboyant Shopping, em Goiânia
(GO). Há suspeita de que ele tenha jogado a aeronave no local.
Kleber estava desempregado e vivia da ajuda da mãe, que vive
na Espanha pela manhã, Erica esteve por 20 minutos no velório
da filha. A mulher estava com a cabeça e um dos braços
enfaixados e o rosto com marcas do extintor de carro usado pelo
marido para agredi-la ontem à tarde (12). Ela só foi
informada da morte de Penélope nesta manhã, depois
de sair do hospital, já no carro que a levou para o velório
a filha. "Tomara que ele não faça nada contra
a minha filha, a minha razão de viver", chegou a dizer
Erica, segundo relato de um primo.
O delegado Manoel Borges, da 8ª DP de Goiânia, disse
que aguardava o resultado de um exame toxicológico para saber
se Kleber consumiu algum tipo de droga. Nesta sexta-feira, o delegado
ouviu parentes e amigos da família de Erica. Ele pretende
ouvi-la na próxima semana, quando deverá concluir
as investigações e pedir o arquivamento do caso. "Pelo
que ouvi, é o caso de um jovem sem emprego e sem objetivos",
disse.
A polícia não havia encontrado até esta tarde
a arma usada por Kleber nas ferragens do avião. Os destroços
foram retirados do estacionamento do shopping no final da manhã.
Momentos antes do sepultamento de Penélope, Elaine, tia da
menina, chegou a desmaiar. Teve de ser levada para um hospital.
Os parentes de Kleber não compareceram ao enterro da garota.
Dezenas de curiosos estiveram ontem no Flamboyant Shopping, para
conferir o cenário da tragédia de ontem. No dia seguinte
ao choque do avião, 23 carros, a maioria com idade média
de três anos de uso, estava parcial ou totalmente destruída
no estacionamento do local.
No shopping, um dos maiores centros de compras da região
Centro-Oeste, trabalham cerca de cinco mil pessoas.
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