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MOSSORÓ (RN), SÁBADO, 14/03/2009 (ATUALIZADO: 00:42hs)
 
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» Mais dois PMs são presos em Mossoró

» Preso é enforcado por companheiros de cela em Alcaçuz
» Mãe só sabe da morte da filha em Goiânia a caminho do velório


CHACINA NA PARAÍBA
Mais dois PMs são presos em Mossoró
Andrey Ricardo
Esdras Marchezan
Da Redação

A justiça paraibana decretou a prisão dos outros dois policiais do 2º Batalhão de Polícia Militar (BPM), em Mossoró, suspeitos de envolvimento na morte de três pessoas, no último sábado, na cidade de Brejo dos Santos, na Paraíba. Os soldados, Ewerton Fernandes da Silva, 38, o "Biu", e Antônio Carlos Pereira da Silva, 37, o "Carlão", tiveram a prisão preventiva decretada pela juíza da 1ª Vara Criminal de Catolé do Rocha (PB), Andréa Carla Mendes Nunes Galdino e já estão recolhidos no quartel do 2º BPM. No mesmo lugar está preso, desde o último sábado, o soldado Andriê Herculano de Oliveira, 30, também suspeito de participação direta na chacina.
O crime aconteceu na madrugada de sábado, 7, no sítio Umburana, em Brejo dos Santos, sertão paraibano. O agricultor Veronaldo de Freitas Alves, 38, "Veronaldo Veras", sua mãe, Ivani Veras de Freitas, 66, e o caseiro da família, Francisco Luzinaldo da Silva, 28, estavam em casa quando foram surpreendidos por cinco homens, em dois carros, armados de pistola e espingarda calibre 12. Os três foram executados sumariamente, sem chance de defesa.
Horas depois da chacina, a polícia paraibana prendeu o ex-presidiário Erinaldo de Oliveira Pereira, "Mongolóide", e o soldado Andriê Herculano de Oliveira. De acordo com a polícia, os dois teriam confessado o envolvimento na chacina e apontado como comparsas mais dois policiais militares mossoroenses e o mototaxista Alan Evangelista das Neves, 29.
Uma rixa antiga entre a família das vítimas (Veras) e a de dois dos acusados (Oliveira) seria o motivo das execuções.
No apartamento do soldado Andriê Herculano, os policiais encontraram várias munições de calibres 380 e 357 - esse último de uso exclusivo da Polícia Federal - além de cartuchos para escopeta calibre 12, uma pistola calibre 380 com três carregadores, todos sem registro oficial, e uma coronha de espingarda calibre 12.
Com a prisão dos soldados Andriê, Ewerton e Carlão e do ex-presidiário "Mongolóide", apenas Alan Evangelista continua foragido.
A ordem judicial determinando a prisão dos soldados Ewerton e Carlão e do mototaxista, Alan Evangelista, foi assinada no fim da tarde da última quarta-feira, 11. O primeiro a ser preso foi o soldado Antônio Carlos Pereira da Silva, "Carlão". Ele estava de serviço na Cadeia Pública Manoel Onofre Lopes, em Mossoró, quando recebeu voz de prisão e foi levado para o quartel. "Quando recebemos a preventiva dele, mandei um oficial ir buscá-lo na Cadeia Pública. Ele estava tirando serviço normal", disse o comandante do 2º BPM, Tenente Coronel Elias Cândido.
O soldado Ewerton Fernandes da Silva, o 'Biu', se apresentou no 2º BPM, na noite de ontem, na companhia de um advogado, e ficou preso no quartel.
Os três policiais militares suspeitos de envolvimento na chacina serão transferidos, na manhã de hoje, para o Batalhão da PM, em Natal, onde aguardarão julgamento da justiça.

PM já é investigado por assalto à pousada em Ponta do Mel
Um dos policiais acusados de participação na chacina dos "Veras", no sertão paraibano, já é investigado pela polícia do Rio Grande do Norte. O soldado Ewerton Fernandes da Silva, o "Biu", é suspeito de assaltar uma pousada na praia de Ponta do Mel, em Areia Branca, em fevereiro do ano passado. A informação - assim como a do envolvimento dos policiais mossoroenses na chacina - foi divulgada, com exclusividade, pelo DE FATO durante essa semana.
O inquérito ficou a cargo dos delegados da Divisão Especializada em Combate ao Crime Organizado (DEICOR), em Natal, Ronaldo Gomes e Lenivaldo Pimentel. De acordo com a Polícia Civil, o soldado Ewerton, Fernandes acompanhado de outros dois militares, teria usado uma VW Kombi, branca, com placas HUA-4777/Mossoró, na invasão ao Hotel Costa Branca, no dia 28 de fevereiro do ano passado.
O inquérito policial que apura o caso está prestes a ser concluído pelos delegados da Deicor/RN.

Preso é enforcado por companheiros de cela na penitenciária de Alcaçuz
Um detento foi morto na penitenciária de segurança máxima de Alcaçuz na madrugada de ontem. Silvânio da Silva Alves foi enforcado por dois outros presos custodiados na mesma cela dele. Antônio Fernandes de Oliveira, "Pá e Bola", e Gardênio Getúlio Justino, "Foguinho", confessaram o crime e foram autuados na delegacia de Nísia Floresta.
O crime aconteceu por volta da 1h desta sexta-feira, mas o corpo da vítima só foi descoberto por volta das 8h, durante a troca de serviço dos agentes penitenciários. Silvânio foi morto com um lençol envolvido no pescoço. Antônio esticou o pano de um lado, enquanto Gardênio puxou do lado contrário, até que a vítima morresse por falta de ar.
Após serem levados para a delegacia, os dois contaram que mataram Silvânio porque foram atacados por ele primeiro. Os dois detentos teriam implorado aos policiais que chamassem a imprensa, pois queriam denunciar que estão ameaçados de morte, e que outros homicídios estão para acontecer na unidade prisional. Após serem autuados, os dois foram levados de volta à penitenciária.

Mãe só sabe da morte da filha
em Goiânia a caminho do velório

Leonencio Nossa
e Rubens Santos
Da Agência Estado

Goiânia, 13 (AE) - Foi enterrada ontem à tarde (13) a menina Penélope Barbosa Correia, de 5 anos, morta na queda de um avião bimotor roubado pelo pai, Kleber Barbosa da Silva, de 31, também morto no acidente. Cerca de 50 pessoas participaram do sepultamento da criança num cemitério público da periferia de Goiânia (GO). A mãe, Erica Correia, de 23, agredida pelo marido horas antes da tragédia, foi sedada pelos médicos e não acompanhou o enterro. Acompanhou apenas parte do velório. Kleber seria enterrado no início desta noite num cemitério privado da cidade.
Anteontem à tarde (12), Kleber agrediu a mulher, sequestrou a criança e roubou um avião monomotor, que acabou caindo no estacionamento do Flamboyant Shopping, em Goiânia (GO). Há suspeita de que ele tenha jogado a aeronave no local. Kleber estava desempregado e vivia da ajuda da mãe, que vive na Espanha pela manhã, Erica esteve por 20 minutos no velório da filha. A mulher estava com a cabeça e um dos braços enfaixados e o rosto com marcas do extintor de carro usado pelo marido para agredi-la ontem à tarde (12). Ela só foi informada da morte de Penélope nesta manhã, depois de sair do hospital, já no carro que a levou para o velório a filha. "Tomara que ele não faça nada contra a minha filha, a minha razão de viver", chegou a dizer Erica, segundo relato de um primo.
O delegado Manoel Borges, da 8ª DP de Goiânia, disse que aguardava o resultado de um exame toxicológico para saber se Kleber consumiu algum tipo de droga. Nesta sexta-feira, o delegado ouviu parentes e amigos da família de Erica. Ele pretende ouvi-la na próxima semana, quando deverá concluir as investigações e pedir o arquivamento do caso. "Pelo que ouvi, é o caso de um jovem sem emprego e sem objetivos", disse.
A polícia não havia encontrado até esta tarde a arma usada por Kleber nas ferragens do avião. Os destroços foram retirados do estacionamento do shopping no final da manhã. Momentos antes do sepultamento de Penélope, Elaine, tia da menina, chegou a desmaiar. Teve de ser levada para um hospital. Os parentes de Kleber não compareceram ao enterro da garota.
Dezenas de curiosos estiveram ontem no Flamboyant Shopping, para conferir o cenário da tragédia de ontem. No dia seguinte ao choque do avião, 23 carros, a maioria com idade média de três anos de uso, estava parcial ou totalmente destruída no estacionamento do local.
No shopping, um dos maiores centros de compras da região Centro-Oeste, trabalham cerca de cinco mil pessoas.

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