

É dar tempo ao tempo
Já
se disse que o grande mal do nosso país é a ignorância,
em principal a ignorância política. Nada mais acertado.
Fôssemos um povo sem essa limitação mental,
e não teria sobrevivido, e de cada vez mais forte, e não
teríamos essa elite política atrasada que se esperou,
pelo menos eu, desbancada com a ascensão de Lula à
presidência dos brasileiros. De resto foi o que deduzi do
discurso indignado do então candidato petista.
Com efeito o Brasil só seria um país digno desse nome
quando afastasse da vida pública a escumalha que empalma
o poder com vistas a seus interesses individuais, em detrimento
do povo e da nação. Mas é que, como todos devem
saber, a ignorância retira da mentalidade coletiva qualquer
ideal de governo que porventura desponte, imposto ou não,
de modo a preservar esse comodismo popular que não ouve nem
enxerga.
No meu desejo de ver o Brasil um país de verdade, às
vezes quero crer que não andamos muito distante dessa realidade,
para logo despencar num pessimismo que parece não ter jeito.
Digo pouco: em face da desmedida ignorância que esmolamba
o país, das metrópoles aos cafundós do interior
brasileiro, e em condição de quase igualdade, a minha
aspiração de um Brasil decente logo se transforma
em desiludida revolta diante da realidade concreta.
E fico sem saber se atribua tal realidade unicamente à chamada
classe política, ou se aponte para as massas do povo toda
a minha indignação. Está certo que o nosso
povo é ingênuo, desinformado à medula, mas também
se pode dizer, sem receio de estar errado, que já tem maturidade,
esse mesmo povo, pelos golpes na própria carne, até,
de recusar-se à eleição dos seus antigos malfeitores.
Mas, infelizmente, não é isto o que tem decidido.
Devo porém dizer, outros povos em estado de majoritária
ignorância um dia resolveram que mudariam sua realidade, e
não importa o tenham feito sob o comando de um líder.
Tenho, de mim para mim, que esse líder quase sempre surge
é no momento em que um povo se obstina em construir o seu
presente com vistas ao futuro. Aí, é quando a ignorância
se supera, abertos os olhos de ver e os ouvidos de ouvir. Mas é
dar tempo ao tempo.
Musical
Uma beleza, porque não sei dizer melhor, esse Brasileiras
do Rádio das cantoras Katharina Gurgel, Alzineti de Oliveira,
Dayanne Nunes e Kekelly Lira. Muitíssimo obrigado, Katharina,
pela oferta.
Senado
Novidade nenhuma o pagamento indevido feito aos funcionários
do Senado, e que deu na televisão ainda agora. Coisinha de
menor importância no conjunto da esculhambação
nas casas do Congresso Nacional. Brasília é o eixo
dessa engrenagem velha que tritura o país.
Cópias
Câmaras municipais são cópias da bandalheira
que Brasília tem estabelecido.
LINGUAGEM
A CASA, AS PORTAS
SÃO DE FERRO. Leitor do Jornal de Fato quer saber se o correto
não é "as portas da casa são de ferro".
Ambas construções estão corretas. Na primeira,
o nome "casa" funciona como "tópico"que
absorve a função do ajunto adnominal. De muita importância
é estudar o tópico como organização
da frase em português. Nossa frase não assenta, e apenas,
nos constituintes básicos sujeito e predicado (sintagma oracional).
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