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PÁGINA ATUALIZADA AOS DOMINGOS
LEONARDO
NOGUEIRA
'Fica
conflitante duas candidaturas
a deputado federal num mesmo grupo em Mossoró'
Por:
Regy Carte - Fotos: carlos costa
O deputado
estadual Leonardo Nogueira (DEM) defende, nesta entrevista, a candidatura
da senadora Rosalba Ciarlini (DEM) ao Governo do Estado nas eleições
de 2010 para atendimento de clamor das ruas. Porque, segundo ele,
o desejo da postulação a governador da ex-prefeita
vem das ruas, e que o DEM está unido e empenhado para a viabilização
desse projeto e para a reeleição do senador José
Agripino. Leonardo Nogueira também reitera que disputará
a reeleição em 2010, apesar de rumores de que disputaria
vaga na Câmara dos Deputados, fala da possibilidade da derrubada
de vetos do Governo do Estado na Assembleia Legislativa e da greve
de funcionários da Prefeitura de Mossoró, entre outros
assuntos.
JORNAL DE FATO - Líderes do DEM no RN dizem que têm ouvido
do povo, nas ruas, estímulos à postulação
da senadora Rosalba Ciarlini (DEM) ao Governo do Estado em 2010.
O senhor também tem essa impressão?
LEONARDO NOGUEIRA - De fato, isso é uma verdade. O que
estamos presenciando, sentindo, ouvindo é uma convocação
da população, do povo que conhece o trabalho da senadora
Rosalba Ciarlini. E digo mais: não só do povo, mas,
principalmente, das lideranças de todo o Estado, e não
só de Mossoró e da região Oeste. Sinto isso
aonde vou, nas conversas com colegas deputados estaduais, com pessoas
que caminham por todo o Estado, enfim, todos dizem que a convocação
é unânime das lideranças e do povo, que projetam
o nome da senadora Rosalba Ciarlini como possível candidata
ao Governo do Estado em 2010.
A QUE o senhor atribui essa convocação?
NÃO tenho dúvida de que começa pelo grande
governo que ela fez nas três administrações
em Mossoró, um governo futurista, dinâmico, que fez
a cidade se desenvolver e que a projetou para o Estado, ao ponto
de ter eleição consagradora ao Senado, em 2006, batendo
um adversário forte do ponto de vista político, o
ex-senador Fernando Bezerra. Essa projeção também
se deu pela maneira simples, humilde e com pé no chão
de fazer política.
APESAR desse "apelo popular", Rosalba Ciarlini pode ter
dificuldades no DEM para viabilizar a candidatura ao Governo, por
exemplo, ser sacrificada para facilitar a reeleição
do senador José Agripino?
ABSOLUTAMENTE. Não vejo nenhuma liderança do DEM,
na base e na cúpula do partido, pensar dessa maneira. Ora,
se temos uma candidata em potencial, um bom nome, escolhido pelo
povo, por que nós, do DEM, não façamos que
essa candidatura seja para valer? Inclusive, quero aproveitar para
dizer que Rosalba nunca disse que iria ser candidata. O que ela
está fazendo é ouvindo a convocação
do povo, escutando as bases, e, naturalmente, tem ficado satisfeita
pela lembrança do nome dela. Mas não está impondo
candidatura, não está sendo precipitada. Absolutamente.
E se nós, Democratas, temos nomes, quadros para compor a
chapa majoritária - não só para o Senado, com
o senador José Agripino, como para o Governo do Estado, com
a senadora Rosalba Ciarlini - por que não vamos fazer esse
trabalho? Vamos, sim. Acompanhando a voz do povo.
COMO o senhor avalia críticas de que a senadora Rosalba Ciarlini
nada ou pouco tem feito pelo Rio Grande do Norte no Senado Federal?
ISSO é uma inverdade. Diria até que já
é desespero daqueles que não acreditam na senadora
Rosalba. Isso é trabalho de adversário. A região
Oeste, principalmente, e o Estado sabem o que Rosalba fez e que
continua trabalhando no Senado para ajudar todas as lideranças
e todos os municípios que sufragaram seu nome ao Senado.
Agora, não é fácil. Antes, ela era executiva,
agora está no Legislativo, é diferente. E só
cumpriu apenas dois anos de mandato. As emendas dela nem saíram
ainda. Ela está começando o trabalho agora. Então,
não venham com essa história. Ela já provou
sua capacidade no Executivo e, no Senado, certamente fará
o que for de melhor para o Rio Grande do Norte.
O SENHOR falou que essas críticas são trabalho de
adversário. Isso tem o dedo do deputado estadual Robinson
Faria (PMN), pré-candidato ao Governo do Estado?
NÃO apontaria nomes. A propósito, em recente conversa
com o presidente da Assembleia Legislativa, Robinson Faria, ele
lamentou e disse que comentários de algumas lideranças,
de falar que Fernando Bezerra fez mais do que Rosalba, de "volta
Fernando", não fazem parte do tipo de política
que ele faz. Ouvi do próprio presidente que isso não
faz parte dele e não é verdade que ele está
por trás disso.
COMO o DEM está se preparando para a disputa de 2010?
TEMOS bons quadros. O partido conseguiu, na última eleição,
fazer vários prefeitos, vereadores, participamos da vitória
dos prefeitos das maiores cidades do Estado, como Apodi, Pau dos
Ferros, Mossoró, Natal, Currais Novos, enfim, nos credenciamos
para ter na chapa majoritária os senadores José Agripino,
candidato à reeleição, e Rosalba Ciarlini,
candidata ao Governo do Estado.
O SENHOR acredita na manutenção da aliança
estadual entre DEM e PMDB, do senador Garibaldi Filho?
SIM, porque demonstram afinidade muito grande, continuam caminhando
lado a lado, onde se vê Rosalba, vê Garibaldi, onde
se vê Garibaldi, vê Rosalba. Também há
identificação muito grande de propósitos e
de sentimentos entre os senadores José Agripino e Garibaldi
Filho. E não só entre eles, mas entre outras lideranças,
os prefeitos, que são unânimes em dizer que o melhor
do caminho do PMDB em 2010 é estar ao lado do DEM.
O SENHOR será candidato a deputado federal em 2010?
EM 2010, a nossa pretensão é sermos candidato
à reeleição. Nossa pretensão é
ampliar nosso grupo político de Mossoró, que tem como
lança principal a senadora Rosalba Ciarlini, o deputado federal
Betinho Rosado, que deve permanecer no DEM e que vai buscar a reeleição.
E eu, com apoio dos nossos companheiros, quero ser candidato à
reeleição para mais uma vez servir ao povo da minha
cidade, Mossoró, e região Oeste.
CASO o deputado Betinho Rosado consiga desfiliação
do DEM, como ele tenta, o senhor aproveitará esse vácuo
no partido para disputar vaga na Câmara Federal?
NUNCA conversamos com as nossas lideranças estaduais
sobre essa possibilidade, porque todos, Carlos Augusto, Rosalba,
José Agripino, não acreditam que o deputado Betinho
Rosado deixe a legenda. Então, ainda não conversamos
sobre a necessidade de algum deputado estadual ocupar a vaga de
Betinho. Não é nosso projeto. Nosso projeto é
ser candidato à reeleição.
HÁ espaço para duas candidaturas a deputado federal
no grupo governista de Mossoró?
NÃO acredito nessa possibilidade. Ficaria uma coisa muito
difícil... Eu respondo em cima da possibilidade, levantada
por você, de Betinho Rosado deixar a legenda. Mas ele mesmo
diz que, saindo do DEM, não deixará de ter afinidade
política e de obedecer à liderança política
dos senadores José Agripino e Rosalba Ciarlini. Então,
realmente fica conflitante você ter em Mossoró dois
candidatos de um mesmo grupo a deputado federal.
QUAL o sentimento na Assembleia Legislativa em relação
à possível derrubada dos sete vetos do Governo do
Estado a projetos aprovados na Casa?
ATÉ ontem (quarta-feira), o sentimento, fruto de conversas
com os deputados, é pela manutenção de praticamente
tudo. Não tenho visto na Casa nenhum deputado pensando no
contrário. A perspectiva, portanto, é de manutenção
de tudo aquilo que se votou no ano passado.
QUAIS são os vetos mais significativos?
SÃO aqueles remanejamentos de rubricas em que o Governo
achou que estávamos prejudicando algumas obras que ele julga
prioritárias, mas que já mostramos que esses vetos
realmente não provocarão problemas. Em relação
ao remanejamento, o Governo do Estado não pode mexer naquilo.
Como foi feito até um levantamento pelo deputado estadual
Fernando Mineiro (PT), o Estado, em média, mexe entre 7%
e 9%. No ano passado, por exemplo, o remanejamento só chegou
a 7%, e o que conseguimos aprovar é que esse remanejamento
ficasse em torno de 5%, e não em torno de 25%, como queria
o Governo do Estado. Mas são assuntos que vão ainda
à discussão, às comissões, cujos componentes
ainda não foram escolhidos. Houve nesta semana o encontro
sobre o rio São Francisco, o que atrasou, mas que o faremos
para que os vetos percorram os prazos nas comissões.
A ADMINISTRAÇÃO municipal tem enfrentado greve de
servidores e, naturalmente, acumulado desgaste por isso. Como o
senhor avalia essa situação?
TEMOS acompanhado isso de perto, com contatos quase diários
com o secretário municipal da Cidadania, Francisco Carlos
Carvalho de Melo, bem como com a gerente executiva da Educação,
Ieda Chaves, e eles nos reportam que realmente Mossoró está
cumprindo o que determina o piso nacional, e que a greve de Mossoró
é diferente da greve do Estado. Nós estamos pagando
piso nacional. Os motivos da greve são outros. São
reivindicações dos servidores, justas, diria até
que o professor merecia receber muito mais pela importância
que tem na educação dos nossos jovens. Mas temos que
ter a responsabilidade, a honradez de fazer aquilo que é
certo, o correto, que é o que se pode pagar. O Governo de
Mossoró está cumprindo o que determina o piso nacional,
está fazendo a sua parte, e vamos, cada vez mais, intensificar
o diálogo e o entendimento com os servidores da educação
para mostrar isso. Mas, a motivação da greve, nos
parece que não diz respeito apenas ao piso nacional.
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