..:: JORNAL DE FATO ::.. JORNALISMO DE VERDADE
MOSSORÓ (RN), SÁBADO, 14/03/2009 (ATUALIZADO: 00:42hs)
 
Untitled Document




PÁGINA ATUALIZADA AOS DOMINGOS

LEONARDO
NOGUEIRA

'Fica conflitante duas candidaturas
a deputado federal num mesmo grupo em Mossoró'

Por: Regy Carte - Fotos: carlos costa

O deputado estadual Leonardo Nogueira (DEM) defende, nesta entrevista, a candidatura da senadora Rosalba Ciarlini (DEM) ao Governo do Estado nas eleições de 2010 para atendimento de clamor das ruas. Porque, segundo ele, o desejo da postulação a governador da ex-prefeita vem das ruas, e que o DEM está unido e empenhado para a viabilização desse projeto e para a reeleição do senador José Agripino. Leonardo Nogueira também reitera que disputará a reeleição em 2010, apesar de rumores de que disputaria vaga na Câmara dos Deputados, fala da possibilidade da derrubada de vetos do Governo do Estado na Assembleia Legislativa e da greve de funcionários da Prefeitura de Mossoró, entre outros assuntos.

JORNAL DE FATO - Líderes do DEM no RN dizem que têm ouvido do povo, nas ruas, estímulos à postulação da senadora Rosalba Ciarlini (DEM) ao Governo do Estado em 2010. O senhor também tem essa impressão?
LEONARDO NOGUEIRA - De fato, isso é uma verdade. O que estamos presenciando, sentindo, ouvindo é uma convocação da população, do povo que conhece o trabalho da senadora Rosalba Ciarlini. E digo mais: não só do povo, mas, principalmente, das lideranças de todo o Estado, e não só de Mossoró e da região Oeste. Sinto isso aonde vou, nas conversas com colegas deputados estaduais, com pessoas que caminham por todo o Estado, enfim, todos dizem que a convocação é unânime das lideranças e do povo, que projetam o nome da senadora Rosalba Ciarlini como possível candidata ao Governo do Estado em 2010.

A QUE o senhor atribui essa convocação?
NÃO tenho dúvida de que começa pelo grande governo que ela fez nas três administrações em Mossoró, um governo futurista, dinâmico, que fez a cidade se desenvolver e que a projetou para o Estado, ao ponto de ter eleição consagradora ao Senado, em 2006, batendo um adversário forte do ponto de vista político, o ex-senador Fernando Bezerra. Essa projeção também se deu pela maneira simples, humilde e com pé no chão de fazer política.

APESAR desse "apelo popular", Rosalba Ciarlini pode ter dificuldades no DEM para viabilizar a candidatura ao Governo, por exemplo, ser sacrificada para facilitar a reeleição do senador José Agripino?
ABSOLUTAMENTE. Não vejo nenhuma liderança do DEM, na base e na cúpula do partido, pensar dessa maneira. Ora, se temos uma candidata em potencial, um bom nome, escolhido pelo povo, por que nós, do DEM, não façamos que essa candidatura seja para valer? Inclusive, quero aproveitar para dizer que Rosalba nunca disse que iria ser candidata. O que ela está fazendo é ouvindo a convocação do povo, escutando as bases, e, naturalmente, tem ficado satisfeita pela lembrança do nome dela. Mas não está impondo candidatura, não está sendo precipitada. Absolutamente. E se nós, Democratas, temos nomes, quadros para compor a chapa majoritária - não só para o Senado, com o senador José Agripino, como para o Governo do Estado, com a senadora Rosalba Ciarlini - por que não vamos fazer esse trabalho? Vamos, sim. Acompanhando a voz do povo.

COMO o senhor avalia críticas de que a senadora Rosalba Ciarlini nada ou pouco tem feito pelo Rio Grande do Norte no Senado Federal?
ISSO é uma inverdade. Diria até que já é desespero daqueles que não acreditam na senadora Rosalba. Isso é trabalho de adversário. A região Oeste, principalmente, e o Estado sabem o que Rosalba fez e que continua trabalhando no Senado para ajudar todas as lideranças e todos os municípios que sufragaram seu nome ao Senado. Agora, não é fácil. Antes, ela era executiva, agora está no Legislativo, é diferente. E só cumpriu apenas dois anos de mandato. As emendas dela nem saíram ainda. Ela está começando o trabalho agora. Então, não venham com essa história. Ela já provou sua capacidade no Executivo e, no Senado, certamente fará o que for de melhor para o Rio Grande do Norte.

O SENHOR falou que essas críticas são trabalho de adversário. Isso tem o dedo do deputado estadual Robinson Faria (PMN), pré-candidato ao Governo do Estado?
NÃO apontaria nomes. A propósito, em recente conversa com o presidente da Assembleia Legislativa, Robinson Faria, ele lamentou e disse que comentários de algumas lideranças, de falar que Fernando Bezerra fez mais do que Rosalba, de "volta Fernando", não fazem parte do tipo de política que ele faz. Ouvi do próprio presidente que isso não faz parte dele e não é verdade que ele está por trás disso.

COMO o DEM está se preparando para a disputa de 2010?
TEMOS bons quadros. O partido conseguiu, na última eleição, fazer vários prefeitos, vereadores, participamos da vitória dos prefeitos das maiores cidades do Estado, como Apodi, Pau dos Ferros, Mossoró, Natal, Currais Novos, enfim, nos credenciamos para ter na chapa majoritária os senadores José Agripino, candidato à reeleição, e Rosalba Ciarlini, candidata ao Governo do Estado.

O SENHOR acredita na manutenção da aliança estadual entre DEM e PMDB, do senador Garibaldi Filho?
SIM, porque demonstram afinidade muito grande, continuam caminhando lado a lado, onde se vê Rosalba, vê Garibaldi, onde se vê Garibaldi, vê Rosalba. Também há identificação muito grande de propósitos e de sentimentos entre os senadores José Agripino e Garibaldi Filho. E não só entre eles, mas entre outras lideranças, os prefeitos, que são unânimes em dizer que o melhor do caminho do PMDB em 2010 é estar ao lado do DEM.

O SENHOR será candidato a deputado federal em 2010?
EM 2010, a nossa pretensão é sermos candidato à reeleição. Nossa pretensão é ampliar nosso grupo político de Mossoró, que tem como lança principal a senadora Rosalba Ciarlini, o deputado federal Betinho Rosado, que deve permanecer no DEM e que vai buscar a reeleição. E eu, com apoio dos nossos companheiros, quero ser candidato à reeleição para mais uma vez servir ao povo da minha cidade, Mossoró, e região Oeste.

CASO o deputado Betinho Rosado consiga desfiliação do DEM, como ele tenta, o senhor aproveitará esse vácuo no partido para disputar vaga na Câmara Federal?
NUNCA conversamos com as nossas lideranças estaduais sobre essa possibilidade, porque todos, Carlos Augusto, Rosalba, José Agripino, não acreditam que o deputado Betinho Rosado deixe a legenda. Então, ainda não conversamos sobre a necessidade de algum deputado estadual ocupar a vaga de Betinho. Não é nosso projeto. Nosso projeto é ser candidato à reeleição.

HÁ espaço para duas candidaturas a deputado federal no grupo governista de Mossoró?
NÃO acredito nessa possibilidade. Ficaria uma coisa muito difícil... Eu respondo em cima da possibilidade, levantada por você, de Betinho Rosado deixar a legenda. Mas ele mesmo diz que, saindo do DEM, não deixará de ter afinidade política e de obedecer à liderança política dos senadores José Agripino e Rosalba Ciarlini. Então, realmente fica conflitante você ter em Mossoró dois candidatos de um mesmo grupo a deputado federal.

QUAL o sentimento na Assembleia Legislativa em relação à possível derrubada dos sete vetos do Governo do Estado a projetos aprovados na Casa?
ATÉ ontem (quarta-feira), o sentimento, fruto de conversas com os deputados, é pela manutenção de praticamente tudo. Não tenho visto na Casa nenhum deputado pensando no contrário. A perspectiva, portanto, é de manutenção de tudo aquilo que se votou no ano passado.

QUAIS são os vetos mais significativos?
SÃO aqueles remanejamentos de rubricas em que o Governo achou que estávamos prejudicando algumas obras que ele julga prioritárias, mas que já mostramos que esses vetos realmente não provocarão problemas. Em relação ao remanejamento, o Governo do Estado não pode mexer naquilo. Como foi feito até um levantamento pelo deputado estadual Fernando Mineiro (PT), o Estado, em média, mexe entre 7% e 9%. No ano passado, por exemplo, o remanejamento só chegou a 7%, e o que conseguimos aprovar é que esse remanejamento ficasse em torno de 5%, e não em torno de 25%, como queria o Governo do Estado. Mas são assuntos que vão ainda à discussão, às comissões, cujos componentes ainda não foram escolhidos. Houve nesta semana o encontro sobre o rio São Francisco, o que atrasou, mas que o faremos para que os vetos percorram os prazos nas comissões.

A ADMINISTRAÇÃO municipal tem enfrentado greve de servidores e, naturalmente, acumulado desgaste por isso. Como o senhor avalia essa situação?
TEMOS acompanhado isso de perto, com contatos quase diários com o secretário municipal da Cidadania, Francisco Carlos Carvalho de Melo, bem como com a gerente executiva da Educação, Ieda Chaves, e eles nos reportam que realmente Mossoró está cumprindo o que determina o piso nacional, e que a greve de Mossoró é diferente da greve do Estado. Nós estamos pagando piso nacional. Os motivos da greve são outros. São reivindicações dos servidores, justas, diria até que o professor merecia receber muito mais pela importância que tem na educação dos nossos jovens. Mas temos que ter a responsabilidade, a honradez de fazer aquilo que é certo, o correto, que é o que se pode pagar. O Governo de Mossoró está cumprindo o que determina o piso nacional, está fazendo a sua parte, e vamos, cada vez mais, intensificar o diálogo e o entendimento com os servidores da educação para mostrar isso. Mas, a motivação da greve, nos parece que não diz respeito apenas ao piso nacional.



       
 



Todos os direitos reservados à Santos Editora de Jornais Ltda.
É proibida a reprodução total ou parcial do conteúdo deste site para fins comerciais sem prévia autorização.