

FEMINISMO
Bruno Peron Loureiro
O que faria uma mulher crescer acreditando que é inferior
ao homem ou que carece de virtudes que só este tem? É
justo que algumas diferenças anatômicas e hormonais
coloquem um dos sexos abaixo socialmente do outro? E se tudo o que
nos vêm contando fosse o contrário ou a mulher tivesse
sido essencialmente idêntica ao homem? Ficção?
Nem tanto. É só entender a lógica social do
que nos inculcaram abusando da credulidade da infância. Tentarei
desfiar algumas destas questões em saídas que têm
sido dadas pelo diálogo e ativismo. A questão de gênero
(ou sexo) é uma chama cuja intensidade oscila com qualquer
sopro. Costuma-se discuti-la a partir de posições
apaixonadas. O feminismo expande-se no mundo como movimento social
e proposta de reinserção das mulheres. Desde tempos
imemoráveis, a mulher ocupava posição subordinada
ao homem. Em algumas comunidades, ela ainda aceita o destino pré-natal
de cuidar da casa, receber salários inferiores para a mesma
função, ser vítima de abusos e violações,
ocupar funções e cargos de destaque somente em ocasiões
extraordinárias. As diferenças entre os sexos são
quase todas criadas socialmente. É o que explica que a mulher
tenha tratamentos diferenciados de acordo com os costumes de cada
país. Em alguns, ela não pode mostrar o rosto em lugares
públicos e deve usar véu para cobri-lo; noutros, ela
tem o clitóris extraído porque os costumes condenam
o prazer sexual. Quanto mais fechada for uma sociedade, mais a pessoa
cresce achando que é tudo normal e que, dependendo do país,
não há nada de errado em que um sexo se subordine
a outro. O Brasil é um país com resquícios
de machismo, embora a situação tenha mudado muito.
Desvelou-se a falsa justificação do domínio
do homem sobre a mulher. O movimento feminista pressiona a favor
da quebra destes usos, ainda que se critique que ele tem-se aproveitado
da situação para conquistar objetivos pessoais, como
cargos políticos e posições econômicas
faustosas. O feminismo não é uma luta unificada, visto
que há divergência de propostas e ideais entre seus
adeptos. Há mulheres que se dedicam a justificar a superioridade
ou a igualdade delas em relação aos homens, ou estudar
a origem do feminismo e seu impacto, ou mobilizar-se a favor de
melhores salários, ou candidatar-se a cargos de representação
política, ou formar organizações de proteção
dos direitos humanos. Cada adepta se organiza a sua maneira. A luta
da mulher por reconhecimento e igualdade de direitos é pertinente
e deveria ter surgido até mais cedo. É prometedor
junto de outras batalhas travadas por grupos minoritários,
que têm recebido cada vez maior atenção num
mundo amparado pelas diferenças. O risco, porém, é
o de a mulher achar-se melhor que o homem em vez de igualar-se.
Dizem que a mulher é mais sensível e que esta virtude
poderia combater grandes males da humanidade. Não se devem
esquecer, contudo, que homem também chora. Ou guarda as mágoas
para preservar a tradição machista.
Bruno
Peron Loureiro
é analista de desenvolvimento e relações internacionais.
|