MÃES
o sonho da maternidade
IZAÍRA THALITA
Da Redação
O desejo de ser mãe, de abdicar para cuidar exclusivamente dos filhos, no passado, se mostrava até como a única opção para as mulheres quando estas não podiam trabalhar ou conquistar os mesmos direitos que os homens. Mas os anos foram passando, os direitos sendo conquistados. Elas avançaram nos estudos, no mercado de trabalho, tornaram-se independentes e passaram a dominar também o aspecto financeiro e o interesse pela maternidade foi sendo adiado. A gravidez ficou em segundo plano.
Mas depois das conquistas, aos poucos, já é possível se perceber uma mudança quanto ao desejo de ser mãe. O sentimento materno está em alta, e agora, muitas fazem o caminho inverso. Depois de conquistar a independência financeira, muitas mulheres querem mesmo é ter filhos e para isso, abdicam da situação profissional ou investem alto, quando a gravidez naturalmente não é possível.
Segundo o psicólogo José Evangelista de Lima, o apelo ao sentido materno que as mulheres moder nas sentem é algo mais que positivo.
As mulheres modernas se realizam muito quando partem para um campo profissional promissor. Agora que elas perceberam que não precisa estar competindo com os homens, pois o feminismo avançou a seu favor, elas já podem pensar na maternidade, como uma realização própria, de toda a mulher, explica o especialista.
Ainda conforme Lima, esse desejo pela maternidade só trará benefícios para as próximas gerações.
Alguns estudos de comportamento afirmam que a presença materna na vida de crianças que se tornarão adultos mais tarde, é muito importante, pois só as mães têm algumas virtudes únicas. É possível até pensarmos numa geração menos violenta, mais tolerante, completa o psicólogo.
A comerciante Francisca Maria possui dois filhos adolescentes e sabe o que é isso. Junto com o marido, ela afirma que sempre trabalhou muito para dar o material para os filhos. Sobrava pouco tempo para os filhos. Depois descobriu que a sua presença deveria ser maior ao lado dos filhos adolescentes e por isso, deixou de trabalhar um expediente, só para ficar em casa.
Uma vez, ouvi alguém dizer que essa geração tão violenta, até de adolescentes de classe média alta, é o fruto dos pais que muito trabalharam, deram muito conforto e pouco carinho. Me toquei com isso. Na verdade, o que os filhos precisam mais é de carinho e não dos bens materiais, conta Francisca, que se diz uma mãe realizada.
A ciência das
mães religiosas
Mário Eugênio Saturno
Especial para o Jornal de Fato
Vimos que a prática religiosa de jovens faz com que eles tenham uma vida mais saudável do que aqueles que não têm uma crença e uma prática religiosas, são menos propensos a beber, dirigir perigosamente, fumar, consumir drogas, portar armas ou entrar em brigas. Também são mais dispostos a usar o cinto de segurança, comer saudavelmente, exercitar-se regularmente e dormir bem. Religião faz bem para a saúde!
Agora é a vez da religiosidade das mães ser analisada. Uma pesquisa mostrou que a religião tem grande influência no relacionamento mãe-filhos. Ou seja, as mães que fazem da religião uma parte importante de suas vidas têm um relacionamento melhor com seus filhos adultos.
Estes resultados surpreendentes foram verificados pelos pesquisadores da Universidade de Michigan durante os últimos 23 anos. Os pesquisadores viram também que as mães que participam razoavelmente de uma religião ou mesmo até não participem relatam ter um bom relacionamento com seus filhos, só que a recíproca não acontece, ou seja, seus filhos relatam ter um relacionamento fraco com suas mães.
Os filhos foram entrevistados duas vezes, quando completaram 18 anos e, depois, ao completarem 23. Todas a mães eram casadas quando iniciou a pesquisa. Dessas, 54% declararam ser Católicas, 30% Protestantes não-conservadoras, 11% Protestantes conservadoras, 5% de outras religiões.
A pesquisa avaliou uma série de fatores sobre a qualidade do relacionamento emocional. Entre eles, se a opinião da mãe era importante, se a mãe o aceitava e o compreendia, se havia liberdade para criticar, se faziam alguma coisa juntos.
Para confirmar a influência da religião, os pesquisadores controlaram uma variedade de fatores sociais e demográficos, como idade, tamanho da família, educação e renda dos pais, qualidade do relaacionamento do casal. Independente desses fatores, a religião influencia a qualidade do relacionamento. E quanto maior a participação religiosa maior o relacionamento. E quanto antes começa, melhor! Na adolescência, haja oração!
Novamente, valem os conselhos do artigo anterior, pois só depende da ação da mãe. Quer ter um relacionamento cheio de amor e confiança? Basta participar da igreja! Rezar em família, reabilitar o velho Terço. Participar de um movimento...
É... Mais uma vez a ciência vem comprovar o que já sabíamos: se Deus é por vós, quem será contra (Rom 8,31)? E, ainda, o que o homem plantar, isso colherá (Gal 6,7). Parece incrível que só dependa de você, de suas ações no presente para ter um futuro melhor. Pode ser difícil na juventude mas fácil na velhice, pior é o contrário! Ou seja, se você se esforçar quando seus filhos são crianças, você descansará quando eles forem mais velhos; mas se você for preguiçoso na infância de seus filhos, com certeza, você terá decepções e muito trabalho o resto da vida quando eles ficarem mais velhos.
Estas são lições que podem ser resumidas em apenas um conselho: quanto mais religioso você for, maiores serão as suas bênçãos. Pois, Deus sabe olhar pelos seus. Se você ainda tem filhos pequenos, ainda é tempo de agir. Senão só lhe resta lamentar! De preferência na Igreja, quem sabe, pela sua fé, Deus se apiede de suas tristezas...
Mães ocupam
mercado de trabalho
Carlos Skarlack
Da Redação
Aumenta o índice de ocupação da população feminina em nível nacional. De acordo com dados oficiais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a despeito de uma retração em 1996, cresce a média da população feminina ocupada. O aumento foi de 38,8% para 40,7% de 1992 para 2001.
De acordo com resultados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, existe uma visão de aspectos importantes que caracterizam o crescimento da população feminina ocupada no Brasil entre 1992 e 2001. As parcelas populacionais distribuem-se de forma bastante distinta pelos segmentos da economia e nas formas de isenção no mercado de trabalho, ainda conforme o mesmo levantamento.
Mas o aumento da população feminina ocupada não significa que as mulheres estejam abdicando do dom maternal. Esse, segundo especialistas, é um instinto que mantém intocável.
Para o psicólogo Frederico de Souza Costa, a opção de grande parte das mulheres por ocupar mais espaços no mercado de trabalho faz parte de uma nova conscientização.
Em muitos casos, as mulheres tem que cumprir com suas obrigações de mãe e ao mesmo tempo de pai, assumindo o comando da casa e de todas as atividades e por isso precisa buscar sua sustentação, observou Fred.
Também tem existido uma maior conscientização das mulheres hodiernas de que é preciso oferecer uma melhor condição de vida para seus filhos.
Por isso, embora aumente o número de mulheres no mercado de trabalho e exista uma certa tendência de redução do número de filhos por família, em relação há décadas passadas, o que se tem buscado é a manutenção da base familiar, mas com boa qualidade de vida.
Contribuem também para o aumento do número de mulheres no mercado de trabalho e a redução do número de filhos, outros desejos.
As mulheres hoje querem ser mais desejadas e também passam a ter uma maior preocupação com sua aparência pessoal, citou o psicólogo.
Em mundo globalizado como o que vivemos, uma série de outros fatores contribuem, segundo Fred, para que se constate o aumento do número de mulheres no mercado de trabalho, enquanto se reduz o índice de filhos por família.
E a previsão, segundo o doutor Fred, é de que essa tendência de diminuição no número de crianças por família com as mães optando por buscar mais espaços no mercado se consolida cada vez mais.
É que o processo de politização acaba conscientizando cada mulher de que ela pode e deve ser não somente uma mãe dedicada. Mas, igualmente, pode buscar ocupar mais espaços em face das responsabilidades que lhes são impostas.
Em Mossoró, não existe um levantamento preciso a respeito do número de mães que têm passado a ocupar o mercado de trabalho. Os índices existentes são relativos aos dados levantados em nível nacional pelo IBGE em seus levantamentos como o da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios. Mas o mercado local segue a tendência registrada em todo Brasil.
Contemplando
dois modelos
Monsenhor Américo
Simonetti
Especial para o Jornal de Fato
Desde meu tempo de Seminário, seja como criança ou mais tarde, nos cursos superiores de Filosofia e Teologia, sempre senti dificuldade em escrever ou falar em público sobre MARIA, mãe de Jesus e nossa mãe. Ainda hoje sinto essa inibição. Fico encantado ao ouvir ou ler quem fala ou escreve sobre Ela. Consigo, apenas, em minhas limitações contemplá-la silenciosamente. Consigo contemplá-la e isso me enche a alma.
Contemplar Maria como exemplo de uma mulher judia, que vivia a piedade e a fidelidade à Lei do Senhor, seu Deus, com todo o seu coração e com toda a sua alma. Uma mulher frágil que aprendeu os ensinamentos dos Profetas de Israel: a prática da justiça, a bondade compreensiva e a humildade servidora.
Só alcanço contemplar Maria e seu exemplo de fé: fugindo para o Egito para salvar o Menino, seu filho, apoiada por José. Voltando para Terra de Israel quando tudo estava mais tranqüilo. Casada com José, na casa de Nazaré, percebendo claramente seu compromisso de ser mãe virginal do Messias, pela ação do Espírito Santo.
Sinto-me feliz na contemplação da maneira como ensinava Jesus menino a perceber suas relações com Deus e com o próximo. Dela Jesus ia aprendendo que não há separação entre o amor a Deus e o amor ao próximo; que piedade não está nos ritos, no oba-oba de certas celebrações, nos símbolos religiosos trazidos nos peito, nas orelhas, nos pulsos ou nos ombros mas no amor que os anima.
Contemplo Maria exemplo de filha de Deus Pai. Eis a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua vontade.
Escuto contemplativamente a sua voz cantando: A minha alma engrandece o Senhor e meu espírito se alegra em Deus, meu salvador, porque Ele olhou para humildade de sue serva (Lc. 1,47-48).
De contemplação em contemplação vejo Maria como 2 fundamentais modelos: 1o) Esposa: companheira fiel de José e esposa do Espírito Santo. Não abria mão do cumprimento abnegado e atento das tarefas de dona-de-casa e esposa. 2o) Mãe: mãe do Filho de Deus, mãe de Jesus, portanto mãe de Deus. No início, jovem muito jovem, quando conversou com o anjo Gabriel, Maria não entendeu nem penetrou tudo a respeito do mistério de sua vocação. Como acontecerá isso? Eu não conheço, eu não convivo com um homem!
Contemplando Maria, vejo a mãe puríssima de Jesus e a mãe de todas as mães.
Contemplar: olhar, observar atenta e embevecidamente; considerar com admiração e com amor.
Ver e admirar com o pensamento; meditar, refletir. Apreciar.
Mãe solteira, porém
feliz com a vida
MARCOS SANTOS
Da Redação
Se ser mãe é padecer no paraíso, ser mãe solteira é padecer duas vezes, uma vez que ela tem que arcar com as preocupações e alegrias da criação dos seus filhos. Torna-se mãe solteira, principalmente na adolescência, pode ser algo acidental ou opção consciente, mas acontece com mais freqüência no primeiro caso, segundo pesquisas.
A estudante Betiane Lourenço Lopes, de 19 anos, é uma das que engravidaram sem querer. Eu não pensava ser mãe quando tinha 16 anos, mas aconteceu. Não tive como evitar relata Betiane, mãe da pequena Ana Beatriz de 2 anos.
Sincera, ela afirmou que ser mãe solteira é um desafio diante das grandes dificuldades em manter a filha. Quando não se tem uma renda própria, é mais difícil para educar, dar de comer e de vestir, disse Betiane, que mantém a filha graça a ajuda dos pais.
Mesmo assim, ela se considera uma mãe completa em termos de atenção e responsabilidade com a filha. Não sou como muitas mães solteiras que têm por aí, que cuidam mal do filho e até o abandona. São mães apenas no papel, ao contrário de mim, ressalta. Procuro fazer o meu verdadeiro papel de mãe na prática.
Apesar das dificuldades, Betiane diz ser uma mãe muito feliz. Me considero feliz, porque apesar de ter tido uma filha antes do previsto, era o meu sonho ser mãe, confidencia.
Antonieta de Aquino Campos, empregada doméstica, também foi mãe por descuido. Mãe de Diego Harrison, de 7 anos, Antonieta responsabilizou a gravidez prematura à inexperiência. Se na época em que tive o relacionamento, conhecesse um pouco a vida, não teria tido um filho, afirmou.
Ela admitiu passar por certas dificuldades para manter o filho, porquê ganho pouco e, praticamente, crio o meu filho sozinha, completou. Mesmo assim, ela se diz abençoada porque foi aceita pelos patrões para continuar exercendo a função depois de grávida. Geralmente, aqui em Mossoró, eles (os patrões) não aceitam e acabam mandando embora. No meu caso, os meus patrões me aceitaram e ainda hoje presto serviço a eles. Sou muito grata a eles, revelou Antonieta, admitindo ser feliz porque a alegria de ter um filho supera as dificuldades.
Mulheres já chefiam famílias
Carlos Skarlack
Da Redação
Os afazeres de casa, mais atividades diversas. É assim que muitas mães têm encarado o dia-a-dia com suas famílias.
Dessa forma, muitas mães são donas-de-casa e também quem respondem por ações antes somente reservadas aos homens.
De acordo com a assistente social Neuma Galdino, que trabalha no Hospital Regional Tarcísio Maia (HRTM), diariamente se pode constatar cada vez mais a mulher responsável por todas as atividades do lar.
Ela cita que quando uma criança ou mesmo um adulto tem que ser hospitalizado, quem assume a responsabilidade é sempre a dona-de-casa.
A mulher hoje tem um perfil de faz tudo, de genitora, de pai e tudo mesmo, citou a assistente social, considerando que essa é um prova de que as mulheres estão cada vez mais conscientes de sua importância.
Ele destaca que outro fenômeno que tem ocorrido diz respeito a mulheres que são mães solteiras. Hoje diante da posição de muitos pais que têm abandonado a família, suas responsabilidades sobram para a mulher.
E o que tem chamado a atenção é que a mulher não tem fugido dessas responsabilidades, encarando até com certa tranqüilidade suas tarefas.
A despeito de não existir nenhum levantamento oficial sobre o número de mães solteiras e o total de mulheres que vêm sendo as responsáveis pelo lar, o que se pode depreender e que é cada vez mais elevado esses índices.
Infelizmente, não temos dados oficiais sobre as mães que comandam suas casas e ao mesmo tempo assumem outras tarefas, mas podemos afirmar que é a grande maioria, disse Neuma Galdino, prevendo que a tendência é que cada vez mais ocorra a politização feminina nesse rumo.
Em outros setores da atividade, também se constata a atuação destaca de mulheres que comandam os destinos de famílias inteiras. No comércio, na indústria, na política e outros seguimentos, os homens vêm perdendo cada vez mais espaços em atividades que antes lhes eram particulares.
E essas atividades são aprovadas até mesmo por filhos que apóiam o comando feminino diante da omissão ou ausência total dos pais.
Em minha casa, mamãe é quem faz tudo e quem resolve todos os problemas, desde os de escola até o de fazer feira e manter a casa através de sua profissão que é a de comerciante, disse o estudante que preferiu se identificar somente como Jonas Bezerra Filho.
Algumas mulheres que assumiram o comando de suas famílias já começam a obter os frutos. Através do apoio de filhos já maiores, estas sentem que o esforço para controlar e comandar suas famílias está sendo recompensado.
E é inspirada em exemplos como estes e outros, que cada vez mais a mulher está se preparando e encarando essa realidade.
Na periferia,
dificuldades aumentam
MARCOS SANTOS
Da Redação
Ser mãe solteira vivendo na zona urbana já é difícil de enfrentar, imagine a da periferia. As dificuldades se redobram por uma série de fatores que vão da exclusão social à péssima qualidade de vida. Residente no conjunto Parque das Rosas, na periferia de Mossoró, Emiliana Carla, 21, é um exemplo fiel.
Ela é mãe de Sara Kelli, de dois anos, não recebe a pensão do pai da criança, e a mantém a duras penas, à base do esforço dos seus pais. As dificuldades são grandes, mas com o esforço e a ajuda dos meus pais, estou conseguindo criar, diz Sara, que divide o seu tempo cuidando da filha e da casa.
Por conta da gravidez, ela deixou os estudos havia dois anos, quando cursava o primeiro ano do segundo grau. Tive que me dedicar a minha filha, conta ela, que mora com Sara junto com os pais, um irmão e uma sobrinha numa simples casa.
Além dos problemas naturais, Sara diz encontrar dificuldades em arranjar um emprego devido ao preconceito. Morar na periferia e ser mãe solteira fica difícil arranjar um emprego, comenta ela, que teve uma gravidez indesejada depois de uma farra durante o Carnaval.
A sua irmã, Elaine Clédina, 26, também foi mãe sem querer, e trabalha como empregada doméstica numa casa no bairro para sustentar o menino Matheus Melquias, de seis anos.
No mesmo bairro existem outras mães solteiras que engravidaram na adolescência por descuido e que vivem no limite, como é o caso de Antônia Edna da Costa, 20. Ela cria Jéssica Nicole da Costa, de três anos, com muita dificuldade e também depende dos pais.
Antônia Edna faz o supletivo para terminar o ensino fundamental e depois tentar um emprego, o qual ela considera ser um objetivo difícil, devido à falta de oferta.
NÚMEROS As irmãs Emiliana Carla e Elaine Clédina, junto com Antônio Edna, engrossam a lista de mães mossoroenses que engravidaram na adolescência. No mais recente levantamento feito pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), 502 meninas se tornaram mães cedo e apenas 0,6% tiveram acompanhamento médico durante a gestão, no caso o pré-natal.
Desinformação gera gravidez precoce
MARCOS SANTOS
Da Redação
A palavra adolescência é derivada da palavra adolescere, que significa crescer, desenvolver-se, torna-se jovem. É viver um período de transição entre criança e adulto, é vivenciar novas experiências, reformular a idéia que tem a respeito de si mesmo e transformar sua auto-estima infantil. É diante de tantas mudanças na sua vida que o adolescente começa a entrar em contato com a sexualidade.
Portanto, a gestação na adolescência ocorre, constantemente, por falta de informação e inexperiência, disse a psicóloga clínica Lenise Costa de Oliveira. A gestação acontece na maioria dos casos por falta de informação, por desconhecer os métodos anticoncepcionais, por não acreditar que realmente pode ficar grávida, por necessidade de agredir a família, por carência afetiva, por desejar ter algo somente seu, por achar que recebeu um castigo por ter tido relações sexuais, consideradas ainda proibidas na sua idade, analisou.
De um modo em geral, a gravidez, cedo demais, provoca muitas dificuldades para a adolescente. Há uma mudança rápida da situação de filha para mãe, do querer colo para dar colo. Nessa transição abrupta do seu papel de mulher ainda em formação para o de mulher-mãe, vive uma situação conflitante e, em grande parte dos casos, penosa., explicou.
Além das dificuldades, o estado emocional é fortemente abalado. A gravidez é vivida em um momento de muitas perdas. É um corte sem seu desenvolvimento, a perda da identidade, a interrupção nos estudos, a perda da confiabilidade da família, muitas vezes a perda do namorado que não quis assumir a gestação, perda da expectativa de futuro e, por fim, a perda de proteção familiar, ressaltou.
Para Lenise Costa, a adolescente para recomeçar a sua vida deve tentar planejar sua atividade sexual, repensar sua vida escolar e profissional e desenvolver sua auto-estima para poder viver plenamente, finalizou.
Pesquisa Pesquisa mais recente em nível nacional revela que os maiores riscos que as meninas enfrentam é a interrupção dos estudos e a dependência financeira da família. O estudo mostrou que as adolescentes muitas vezes deixam de estudar por vergonha de assumir publicamente uma vida sexual ativa ou a própria gravidez.
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