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MOSSORÓ (RN), DOMINGO, 05/02/2012 (ATUALIZADO: 23:49hs)
 
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PÁGINA ATUALIZADA AOS DOMINGOS

Rosalba
Ciarlini
‘A meta é trabalhar acima dos limites
das minhas forças’

Por: Edilson Damasceno Foto: Carlos Costa

Ao fazer um balanço do primeiro ano de administração no Governo do Rio Grande do Norte, a governadora Rosalba Ciarlini reconheceu que algumas metas não foram alcançadas. "Com certeza. Podemos dizer que, pelo nosso trabalho, pela credibilidade que o Estado está voltando a ter, como a garantia da Copa 2014, conseguimos cumprir mais da metade", disse. Nesta entrevista, a governadora afirmou que o maior desafio de 2011 foi equilibrar as finanças do Estado. Aliás, a questão orçamentária foi o assunto mais falado por Rosalba no primeiro semestre do ano passado. Para ela, todo o trabalho feito para equilibrar a economia poderia ter surtido maior efeito. "Na realidade, posso dizer que terminamos 2011 não como gostaríamos, pois ainda falta muita coisa a ser feita e até que se consertasse tudo em termos de organização, para que possamos investir mais nos programas sociais, na infraestrutura, educação e saúde. Esse foi o maior desafio: fazer que o Estado pudesse ter condições de governabilidade", disse. Com relação às possibilidades e metas para 2012, Rosalba Ciarlini listou a saúde e a educação como prioridades, além do saneamento básico. "Vamos ter a educação como prioridade e investiremos mais na saúde. 2011 foi um ano difícil, porque encontramos na área da saúde, e só com medicamentos, um débito de R$ 54 milhões. Se você está devendo, como as farmácias fornecem mais? Tem que colocar em dia e tem muitas dessas (dívidas) que precisamos equacionar, mas mesmo assim já temos algumas ações e positivas, como a interiorização do Samu", comentou. Leia a entrevista:

JORNAL DE FATO - Qual foi o seu maior desafio em 2011?
ROSALBA CIARLINI - Organizar e equilibrar as finanças do Estado, as quais encontrei realmente desorganizadas. Na realidade, posso dizer que terminamos 2011 não como gostaríamos, pois ainda falta muita coisa a ser feita e até que se consertasse tudo em termos de organização, para que possamos investir mais nos programas sociais, na infraestrutura, educação e saúde. Esse foi o maior desafio: fazer que o Estado pudesse ter condições de governabilidade.

ALGUMA meta deixou de ser alcançada?
COM certeza, sim. Podemos dizer que, pelo nosso trabalho, pela credibilidade que o Estado está voltando a ter, como a garantia da Copa 2014, a qual há um ano estava perdida e praticamente ninguém acreditava. A própria imprensa nacional, local e internacional fazia essa interrogação. O passado ficava anunciando licitação que foi dada vazia e foi necessário fazermos uma nova engenharia financeira para ter todo um convencimento. Conseguimos consolidar e garantir a Copa. Outra grande conquista foi a concessão do Aeroporto de São Gonçalo. Se não tivesse a Copa, com certeza a concessão não teria saído e ido para Rio ou São Paulo, que também querem uma concessão privada. Mas conseguimos. Com o aeroporto consolidado, teremos também não só para a copa, mas para desembarque de cargas, que é um instrumento importante para o nosso, com a vinda de novos investimentos.

COM relação ao ranking apontado pela revista Veja em que o Rio Grande do Norte aparece na quinta pior colocação para investimentos externos, como a senhora vê a questão da infraestrutura do RN?
NA REALIDADE, a revista mostrou e confirmou o que eu vinha dizendo. O caso da falta da infraestrutura e da falta da credibilidade, tudo isso foi uma "desconstrução" que foi feita nos últimos oito anos. Quando assumi, foi porque o povo me quis para governar o Rio Grande do Norte e combater os malefícios e promover as mudanças. Isso estamos fazendo, mas para atrair investimentos é necessário ter a infraestrutura.

HAVIA essa insegurança com relação à energia eólica?
SIM. Quando assumimos existia uma insegurança jurídica com relação às questões ambientais, das licenças. Criamos um núcleo de trabalho específico para a (energia) eólica e soubemos aproveitar as potencialidades do Rio Grande do Norte. Agora fizemos um investimento em leilão de R$ 1,2 bilhão, somados aos R$ 10 bilhões que estavam garantidos para o nosso Estado. Também estamos investindo em estradas. Estamos investindo R$ 14 milhões e, apesar das dificuldades, fomos atrás dos recursos. Precisamos de mais. Tanto que reconheço que a cadeia produtiva do nosso Estado tem que ter uma melhor infraestrutura, para que nossos aeródromos e portos funcionem. Vamos lutar pela melhoria, a qual será iniciada em fevereiro, com a ampliação do Porto (de Natal). Conseguimos aprovar o Import/RN para dar segurança à importação, para que o porto possa receber mais navios e que possamos ter estaleiros. Precisamos também de incentivos nas ferrovias. Isso tudo é importante e estamos correndo atrás, apresentando propostas como a que fiz em 2011 em Nova York, no Banco Interamericano e no Bird, no BNDES. Onde posso, a gente apresenta projetos para trazer recursos para investir no desenvolvimento. Na criação da infraestrutura necessária para atrair mais fábricas, indústrias e possibilidade de emprego.

POR falar em oportunidade, a senhora sancionou a lei do projeto "Mão Amiga"...
POIS é. Dentro de 30 dias, vamos começar o trabalho de microcrédito e já com os recursos assegurados na ordem de R$ 10 milhões, para estimular os microempreendedores. Da mesma forma que estamos atendendo aos micros, estamos criando condições para atender ao médio e grande empreendedor. Só assim é que vamos ter desenvolvimento. Estamos fazendo renúncia fiscal, trocando imposto por empregos com os incentivos que estamos proporcionando. Ao mesmo tempo, teremos condições de crescer a base da arrecadação, porque teremos mais empregos e mais pessoas terão condições de consumir mais. A economia terá mais dinheiro em circulação e a base da arrecadação vai crescer, para que possamos investir mais em saúde, educação, segurança.

RECENTEMENTE, a senhora falou que o ensino médio potiguar passaria por uma transformação. Como se dará esse processo?
JÁ COMEÇAMOS, tanto em parceria com o Pronatec - do Governo Federal - e com recursos próprios do Governo e investidos em educação. Estamos com o ensino médio técnico - inclusive, Mossoró tem uma unidade - com dez escolas em todo o Estado. Vamos reformar mais 64 escolas do ensino técnico, dotando de laboratórios e toda a estrutura necessária. Vamos ter cursos técnicos e profissionalizantes e estamos em parceria com as universidades estadual, federal e particulares e IFRN, Sesi, Senai e Sebrae, para que esses cursos sejam de boa qualidade. Já estamos com oito mil alunos no ensino médio só neste segundo semestre passado, com o sistema S. Eles terminarão o ensino médio e terão condições, já qualificados, de se inserir no mercado de trabalho. Esses cursos têm de ser direcionados para as particularidades das regiões. Em Mossoró, por exemplo, tem que olhar para o petróleo, a fruticultura irrigada. Em Natal, é preciso se pensar no turismo. Em São Gonçalo, as atividades aeroportuárias. Pensar na mineração. Tudo para que possamos ter cada vez mais emprego e renda. Estamos trabalhando para gerar trabalho e fazer o Rio Grande do Norte maior.

QUAL a meta para 2012?
VAMOS ampliar o saneamento básico, o qual já começamos. Estamos com recursos assegurados - e de verba própria. Já recuperamos recursos que estavam perdidos por falta de operacionalização do governo passado, de ter ido atrás, apresentado projeto e licenças... Enfim, temos algo na ordem de R$ 750 milhões. Vamos ter a educação como prioridade e investiremos mais na saúde. 2011 foi um ano difícil, porque encontramos na área da saúde, e só com medicamentos, um débito de R$ 54 milhões. Se você está devendo, como as farmácias fornecem mais? Tem que colocar em dia e tem muitas dessas (dívidas) que precisamos equacionar, mas mesmo assim já temos algumas ações e positivas, como a interiorização do Samu. A telemedicina também, que está em todos os municípios; tem o Hospital de Assú, que voltou a funcionar, bem como o de Caraúbas, que estava deficitário. O Tarcísio Maia, apesar das dificuldades, ampliamos os leitos e acabou aquela fila de macas nos corredores. O hospital da zona norte de Natal é uma meta para 2012 e queremos começar (a construção) no segundo semestre. A meta é trabalhar acima dos limites das minhas forças.




       
 


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