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MOSSORÓ (RN), QUARTA-FEIRA, 10/03/2010 (ATUALIZADO: 00:40hs)
 
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PÁGINA ATUALIZADA AOS DOMINGOS

Robinson
Faria

‘O destino me colocou
ao lado de Rosalba’

Por: Edilson Damasceno - Foto: Carlos Costa

Presente em missa de ação de graça pelo aniversário da prefeita Fafá Rosado na sexta-feira passada, ao lado dos senadores Rosalba Ciarlini, Garibaldi Filho e José Agripino, o presidente da Assembleia Legislativa, Robinson Faria, complementou a apresentação extra-oficial da chapa oposicionista às eleições deste ano. As expectativas da apresentação, segundo Robinson, foram boas. "Mossoró é uma cidade que tem nível adiantado de conscientização, com uma sociedade politizada e avançada. Mossoró é vanguarda e o povo acompanha cada passo da classe política do Estado. Mossoró estava com essa expectativa, dessa possível união que está evidenciada, do deputado Robinson com a senadora Rosalba Ciarlini", disse. Nesta entrevista, concedida aos jornalistas Edilson Damasceno e Julierme Torres, sendo este da TCM, o presidente da AL fala sobre o rompimento político com a governadora Wilma de Faria e alega que o grupo governista não teve interesse em suas ideias. Robinson afirma que Wilma não agiu corretamente ao escolher um dos quatro nomes que estavam se colocando como pré-candidatos ao Governo e também critica a posição tomada pelo deputado federal João Maia, com quem tinha um acordo para as eleições deste ano. O deputado estadual fala ainda sobre a composição política, de ter aceito ser o candidato a vice da senadora Rosalba Ciarlini.

O SENHOR já está oficializado como membro do bloco da oposição ao Governo do Estado. Em Mossoró o PMN continua na oposição ao governo da prefeita Fafá Rosado. Haverá mudança?
ACABEI de falar que o ex-deputado Francisco José retornará à sua candidatura pelo PMN, engajado no projeto de Robinson e de Rosalba. Consequentemente, seu filho (vereador Francisco José Júnior) irá acompanhar esse bloco e fazer parte de um só palanque. Se ele vai ajudar nessa nossa caminhada, lógico que a partir de agora ele passa a se integrar totalmente ao nosso sistema.

E QUANTO ao apoio ao governo da prefeita Fafá Rosado?
POLÍTICA não se faz pela metade. Sou sincero e política se faz de corpo inteiro e alma. Não pode casar pela metade. Ou casa ou não casa. Se temos uma família que se uniu, lógico que não podemos ter um palanque municipal de um jeito e o discurso fora de Mossoró de outra maneira. É preciso um discurso de união.

NESSE acordo se conversou sobre as bases da vice-prefeita e ex-deputada estadual Ruth Ciarlini passarem para Francisco José?
NÃO vim para negociar. Vim para dizer, como presidente do PMN, que é uma grande alegria anunciar que o ex-deputado Francisco José retornará à caminhada para voltar à nossa Casa Legislativa.

O SENHOR estava no grupo governista e agora passou para a oposição. O que mudou?
SOU UM Robinson mais experiente, amadurecido. A gente aprende todo dia com a democracia e com a caminhada. Acho que a percepção do político é justamente ter essa humildade de aprender com as pessoas, ouvir críticas e sugestões. Considero-me mais evoluído nesse quesito, da experiência do que aprendi como presidente da AL por oito anos. Fui deputado três mandatos ao lado de José Agripino e retorno para o grupo político que nunca deixou de ser meu amigo, mesmo em eleições e palanques diferentes. Política é afinidade, e essa nossa união não aconteceu de forma verticalizada. Isso é que é a parte boa e verdadeira. Essa junção de Robinson com Rosalba partiu de uma torcida popular. Não só aqui em Mossoró, como na minha região, na Grande Natal e onde você chegar. Uma possível chapa que será referendada que nasceu no meio da rua, e é por isso que é verdadeira. Não nasceu em Brasília, nos gabinetes, de cima para baixo e impor à população.

O SENHOR guarda rancor da governadora Wilma de Faria?
POLÍTICO que guarda ódio e rancor deve se aposentar. A política é feita de luta, convergências, divergências, desafios, propostas, trabalho... Não tenho rancor. Você tem o direito de discordar, de romper, de buscar novo caminho, mas não guardo rancor e nem ressentimentos. Quem guarda esses sentimentos deveria ir para casa.

QUANDO da derrubada dos vetos da governadora ao OGE, a líder do Governo afirmou que a Assembleia havia politizado a discussão...
QUANTAS vezes a Assembleia derrubou vetos, mesmo durante a parceria que eu tinha, como presidente da Casa, com a governadora Wilma de Faria? Não houve essa colocação antes, da Casa ter politizado a votação. Discordo. É um direito democrático do deputado apresentar emendas ao orçamento e defender em plenário a manutenção da sua emenda. É um direito legítimo, um direito inerente à atividade parlamentar. Fui ligado à governadora Wilma de Faria e muitas vezes votei contra na Assembleia por convicção, sem ter politizado e apenas defendendo uma ideia. O plenário é o palco para o deputado defender suas ideias. Sou presidente da Casa e vou terminar meu mandato sem politizar o cargo de presidente. O que for bom para o Estado, para povo, colaborarei. Não sou contra o Governo. Sou contra, fora da Assembleia, na caminhada política de Robinson Faria. Dentro da Casa, também represento o Estado e o que for bom para a população e para o servidor público, estou pronto para aprovar. A derrubada de vetos é uma atividade de rotina. Não foi nada de extemporâneo, nada de revanche. Foi um ato normal.

DEPOIS de sete anos na base do Governo, o senhor terá dificuldades em criticar o governo no palanque da oposição?
SEMPRE fui muito transparente. A imprensa é a maior testemunha da minha conduta. O tempo inteiro fui aliado de Wilma, mas tive posição de independência sem perder de vista a lealdade. Divergi quando era para divergir e ajudei quando era para ajudar. Sempre presidi a Casa com respeito à oposição, que sempre chegou ao presidente Robinson, que sabia separar as águas e nunca levei para dentro da Casa uma imposição do Governo do Estado. Em primeiro lugar, defendi a Casa que presido, que não sucumbiu. Vou criticar o que sempre critiquei. Vou defender as minhas ideias. Não há nada estranho. Saio do Governo quando ninguém queria sair. É muito difícil e ocorre justamente o contrário do que fiz. Fiz sair do poder para ir para a oposição. O normal é sair da oposição para ir para o poder. Fiz atendendo um sentimento popular e minha consciência, pelo fato de me sentir injustiçado pelo papel que tive na vitória do Governo, pela lealdade ao Governo. Mas não quiseram dar ouvido às minhas propostas e à minha parceria. Preferiram outros caminhos e escolhi o meu, que é estar agora onde estou.
HAVIA um acordo do senhor com o deputado João Maia...
ISSO é uma cronologia dos fatos. Quando o deputado João Maia estabeleceu um pacto, uma parceria comigo, de uma terceira via, ele disse o tempo todo que seria candidato (ao Governo) aquele que estivesse melhor colocado nas pesquisas. Em todas as pesquisas feitas, até a semana passada, eu era o segundo colocado, mesmo já desistido de ser candidato a governador. Quando procurei João Maia para iniciarmos essa caminhada, oferecendo a proposta de uma terceira via, ele concordou, mas logo depois o Governo o procurou em Brasília. O deputado Henrique Eduardo Alves, a governadora Wilma de Faria e o seu vice-governador foram a João Maia e começaram a trabalhar para que ele desistisse de me acompanhar. E ele desistiu. Até então eu não era vice de Rosalba e não tinha a confirmação de aceitar o convite, que não havia acontecido. O deputado João Maia confundiu no tempo. Quando aceitei o convite de ser vice de Rosalba, não existia mais o João Maia parceiro na terceira via.

POR QUE ser vice de Rosalba e não de Iberê?
CONVERGÊNCIA. Política é identidade e respeitar o sentimento popular. Sou uma pessoa que tem percepção. Aprendi a ter no meio da rua. Fui o deputado mais votado na história do Rio Grande do Norte porque sempre procurei ouvir o calor, o grito e o sentimento que vem da rua e com humildade. O Governo não enxergou a importância do deputado Robinson e de seu grupo no palanque. Meu povo sinalizou para que me unisse a Rosalba e não àquele que é um candidato que foi imposto pela governadora no meio de quatro nomes que foram importantes para a sua vitória. Ela escolheu apenas um. Não teve atitude de neutralidade, de magistrada. Um governador, na hora que tem quatro pré-candidatos em seu grupo, tem que respeitar todos e não colocar um debaixo do braço em detrimento dos outros três. E isso aconteceu, infelizmente. Mas faz parte das águas do passado. O passado ficou para trás sem revanchismo e sem rancor. O destino me colocou ao lado de Rosalba. Meu povo me incentivou e me encorajou. Ouvi de cada prefeito, cada ex-prefeito e vereador, andei na feira e fui a várias cidades. O povo disse que seria um bom momento para eu ser candidato a governador, mas se não deu, acho que o que fizeram comigo, diante do que o povo está querendo, o melhor seria eu me unir a Rosalba, que é uma liderança que surge espontaneamente no meio da rua. O povo está querendo que ela seja governadora do Estado e eu me identifiquei com ela. Ao seu lado está José Agripino, que é meu amigo. Não tive dificuldade. Foi fácil porque não encontrei uma voz que fosse contrária à minha posição.

AINDA é possível fazer com que o PP siga esse projeto?
O PP é uma história interessante. Há três anos fui procurado pelo PP nacional, em Natal, para ajudar o partido, com a morte do saudoso deputado federal Nélio Dias, a crescer no Estado. Não podia, na época, me filiar ao PP. Podia ajudar o partido a crescer. Colocamos meu grupo lá e filiei meus candidatos a prefeito no PP. O partido aumentou de tamanho em três vezes e hoje tem o vice-prefeito de Natal, vereadores da capital. Elegeu 19 prefeitos. Depois que o partido cresceu, querem tomar o PP em uma atitude antidemocrática que lembra a ditadura. Tomar um partido sem ter uma justa causa. Qual a causa? Tomar o partido para votar em Iberê? Que democracia é essa? É como se fosse uma atitude de ditadura, de uma canetada lá de Brasília tomar um partido que foi formado com meu grupo, com prefeitos que apoiei. Só porque o PP não vai votar em Iberê vão tomá-lo do meu grupo? Isso é uma atitude que lembra a ditadura e o povo vai repelir e não vai aceitar. Mas não considero essa parada encerrada e vou lutar até o fim, e se for preciso até na Justiça. Não vou aceitar passivamente tomarem o PP de um grupo que o ajudei a crescer no Rio Grande do Norte.

FOI dito pela imprensa que essa interferência no PP teria a participação de Henrique Alves. O senhor tomou conhecimento dessa participação?
O DEPUTADO Henrique, quando ajudou para que o PP ficasse comigo, era adversário do atual candidato que ele apoia, que é Iberê, e era adversário de Wilma de Faria. Então, não tem sentido o deputado Henrique cobrar o PP para Iberê. Quando ele me ajudou a fazer esse casamento meu com o PP, ele era adversário de Iberê e não tinha esse compromisso de fazer o PP presente no palanque de Iberê. O partido cresceu dentro de um grupo de Robinson Faria. Se está tentando tomar, a incoerência não é minha, pois quando isso aconteceu não havia compromisso meu.



       
 


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