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PÁGINA ATUALIZADA AOS DOMINGOS
Rosalba
Ciarlini
A
meta é trabalhar acima dos limites
das minhas forças
Por:
Edilson Damasceno Foto: Carlos Costa
Ao
fazer um balanço do primeiro ano de administração
no Governo do Rio Grande do Norte, a governadora Rosalba Ciarlini
reconheceu que algumas metas não foram alcançadas.
"Com certeza. Podemos dizer que, pelo nosso trabalho, pela
credibilidade que o Estado está voltando a ter, como a garantia
da Copa 2014, conseguimos cumprir mais da metade", disse. Nesta
entrevista, a governadora afirmou que o maior desafio de 2011 foi
equilibrar as finanças do Estado. Aliás, a questão
orçamentária foi o assunto mais falado por Rosalba
no primeiro semestre do ano passado. Para ela, todo o trabalho feito
para equilibrar a economia poderia ter surtido maior efeito. "Na
realidade, posso dizer que terminamos 2011 não como gostaríamos,
pois ainda falta muita coisa a ser feita e até que se consertasse
tudo em termos de organização, para que possamos investir
mais nos programas sociais, na infraestrutura, educação
e saúde. Esse foi o maior desafio: fazer que o Estado pudesse
ter condições de governabilidade", disse. Com
relação às possibilidades e metas para 2012,
Rosalba Ciarlini listou a saúde e a educação
como prioridades, além do saneamento básico. "Vamos
ter a educação como prioridade e investiremos mais
na saúde. 2011 foi um ano difícil, porque encontramos
na área da saúde, e só com medicamentos, um
débito de R$ 54 milhões. Se você está
devendo, como as farmácias fornecem mais? Tem que colocar
em dia e tem muitas dessas (dívidas) que precisamos equacionar,
mas mesmo assim já temos algumas ações e positivas,
como a interiorização do Samu", comentou. Leia
a entrevista:
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JORNAL DE FATO - Qual foi o seu maior desafio em 2011?
ROSALBA CIARLINI - Organizar e equilibrar as finanças
do Estado, as quais encontrei realmente desorganizadas. Na realidade,
posso dizer que terminamos 2011 não como gostaríamos,
pois ainda falta muita coisa a ser feita e até que se consertasse
tudo em termos de organização, para que possamos investir
mais nos programas sociais, na infraestrutura, educação
e saúde. Esse foi o maior desafio: fazer que o Estado pudesse
ter condições de governabilidade.
ALGUMA meta deixou de ser alcançada?
COM certeza, sim. Podemos dizer que, pelo nosso trabalho, pela
credibilidade que o Estado está voltando a ter, como a garantia
da Copa 2014, a qual há um ano estava perdida e praticamente
ninguém acreditava. A própria imprensa nacional, local
e internacional fazia essa interrogação. O passado
ficava anunciando licitação que foi dada vazia e foi
necessário fazermos uma nova engenharia financeira para ter
todo um convencimento. Conseguimos consolidar e garantir a Copa.
Outra grande conquista foi a concessão do Aeroporto de São
Gonçalo. Se não tivesse a Copa, com certeza a concessão
não teria saído e ido para Rio ou São Paulo,
que também querem uma concessão privada. Mas conseguimos.
Com o aeroporto consolidado, teremos também não só
para a copa, mas para desembarque de cargas, que é um instrumento
importante para o nosso, com a vinda de novos investimentos.
COM relação ao ranking apontado pela revista Veja
em que o Rio Grande do Norte aparece na quinta pior colocação
para investimentos externos, como a senhora vê a questão
da infraestrutura do RN?
NA REALIDADE, a revista mostrou e confirmou o que eu vinha dizendo.
O caso da falta da infraestrutura e da falta da credibilidade, tudo
isso foi uma "desconstrução" que foi feita
nos últimos oito anos. Quando assumi, foi porque o povo me
quis para governar o Rio Grande do Norte e combater os malefícios
e promover as mudanças. Isso estamos fazendo, mas para atrair
investimentos é necessário ter a infraestrutura.
HAVIA essa insegurança com relação à
energia eólica?
SIM. Quando assumimos existia uma insegurança jurídica
com relação às questões ambientais,
das licenças. Criamos um núcleo de trabalho específico
para a (energia) eólica e soubemos aproveitar as potencialidades
do Rio Grande do Norte. Agora fizemos um investimento em leilão
de R$ 1,2 bilhão, somados aos R$ 10 bilhões que estavam
garantidos para o nosso Estado. Também estamos investindo
em estradas. Estamos investindo R$ 14 milhões e, apesar das
dificuldades, fomos atrás dos recursos. Precisamos de mais.
Tanto que reconheço que a cadeia produtiva do nosso Estado
tem que ter uma melhor infraestrutura, para que nossos aeródromos
e portos funcionem. Vamos lutar pela melhoria, a qual será
iniciada em fevereiro, com a ampliação do Porto (de
Natal). Conseguimos aprovar o Import/RN para dar segurança
à importação, para que o porto possa receber
mais navios e que possamos ter estaleiros. Precisamos também
de incentivos nas ferrovias. Isso tudo é importante e estamos
correndo atrás, apresentando propostas como a que fiz em
2011 em Nova York, no Banco Interamericano e no Bird, no BNDES.
Onde posso, a gente apresenta projetos para trazer recursos para
investir no desenvolvimento. Na criação da infraestrutura
necessária para atrair mais fábricas, indústrias
e possibilidade de emprego.
POR falar em oportunidade, a senhora sancionou a lei do projeto
"Mão Amiga"...
POIS é. Dentro de 30 dias, vamos começar o trabalho
de microcrédito e já com os recursos assegurados na
ordem de R$ 10 milhões, para estimular os microempreendedores.
Da mesma forma que estamos atendendo aos micros, estamos criando
condições para atender ao médio e grande empreendedor.
Só assim é que vamos ter desenvolvimento. Estamos
fazendo renúncia fiscal, trocando imposto por empregos com
os incentivos que estamos proporcionando. Ao mesmo tempo, teremos
condições de crescer a base da arrecadação,
porque teremos mais empregos e mais pessoas terão condições
de consumir mais. A economia terá mais dinheiro em circulação
e a base da arrecadação vai crescer, para que possamos
investir mais em saúde, educação, segurança.
RECENTEMENTE, a senhora falou que o ensino médio potiguar
passaria por uma transformação. Como se dará
esse processo?
JÁ COMEÇAMOS, tanto em parceria com o Pronatec
- do Governo Federal - e com recursos próprios do Governo
e investidos em educação. Estamos com o ensino médio
técnico - inclusive, Mossoró tem uma unidade - com
dez escolas em todo o Estado. Vamos reformar mais 64 escolas do
ensino técnico, dotando de laboratórios e toda a estrutura
necessária. Vamos ter cursos técnicos e profissionalizantes
e estamos em parceria com as universidades estadual, federal e particulares
e IFRN, Sesi, Senai e Sebrae, para que esses cursos sejam de boa
qualidade. Já estamos com oito mil alunos no ensino médio
só neste segundo semestre passado, com o sistema S. Eles
terminarão o ensino médio e terão condições,
já qualificados, de se inserir no mercado de trabalho. Esses
cursos têm de ser direcionados para as particularidades das
regiões. Em Mossoró, por exemplo, tem que olhar para
o petróleo, a fruticultura irrigada. Em Natal, é preciso
se pensar no turismo. Em São Gonçalo, as atividades
aeroportuárias. Pensar na mineração. Tudo para
que possamos ter cada vez mais emprego e renda. Estamos trabalhando
para gerar trabalho e fazer o Rio Grande do Norte maior.
QUAL a meta para 2012?
VAMOS ampliar o saneamento básico, o qual já começamos.
Estamos com recursos assegurados - e de verba própria. Já
recuperamos recursos que estavam perdidos por falta de operacionalização
do governo passado, de ter ido atrás, apresentado projeto
e licenças... Enfim, temos algo na ordem de R$ 750 milhões.
Vamos ter a educação como prioridade e investiremos
mais na saúde. 2011 foi um ano difícil, porque encontramos
na área da saúde, e só com medicamentos, um
débito de R$ 54 milhões. Se você está
devendo, como as farmácias fornecem mais? Tem que colocar
em dia e tem muitas dessas (dívidas) que precisamos equacionar,
mas mesmo assim já temos algumas ações e positivas,
como a interiorização do Samu. A telemedicina também,
que está em todos os municípios; tem o Hospital de
Assú, que voltou a funcionar, bem como o de Caraúbas,
que estava deficitário. O Tarcísio Maia, apesar das
dificuldades, ampliamos os leitos e acabou aquela fila de macas
nos corredores. O hospital da zona norte de Natal é uma meta
para 2012 e queremos começar (a construção)
no segundo semestre. A meta é trabalhar acima dos limites
das minhas forças.
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