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PÁGINA ATUALIZADA AOS DOMINGOS
Micarla
de Sousa
Estamos
buscando
potenciais candidatos
Por:
Edilson Damasceno - Fotos: Fred Veras
A prefeita
de Natal, Micarla de Sousa (PV), esquiva-se de comentar sobre os
caminhos que o seu partido seguirá para as eleições
de 2010 e fala que os critérios para aliança serão
norteados pela ética. Em visita a Mossoró no sábado,
20, quando foi recepcionada pela prefeita Fafá Rosado, Micarla
reuniu a executiva municipal do PV para cumprimentar os filiados
e se apresentar como presidente estadual da legenda. Nesta entrevista,
a prefeita afirma que a definição política
do PV será anunciada somente no próximo ano, pois
considera o momento inoportuno. Ela comenta sobre o caso dos R$
10 milhões investidos em medicamentos vencidos, caso ocorrido
no ano passado ao final da administração do então
prefeito Carlos Eduardo Alves (PDT).
JORNAL DE FATO - Como o PV se comportará para as eleições
de 2010?
MICARLA DE SOUSA - Acredito que o PV, até pelo próprio
crescimento que apresentou na última eleição,
elegeu não só a mim como a tantos vereadores, em Natal
e no interior do Estado - elegemos dois vice-prefeitos... É
inegável o avanço do PV no Rio Grande do Norte. O
partido encarna essa nova alternativa para a política do
Estado, uma política feita de forma mais moderna em cima
de outros parâmetros. Acho que a população do
Rio Grande do Norte tem entendido esse nosso trabalho e a forma
como estamos nos colocando. Agora, é óbvio que 2010
já está muito próximo, e a gente sabe desse
potencial eleitoral, do que hoje nós representamos. O que
estamos fazendo são várias frentes em todo o Estado,
buscando figuras representativas, sejam políticas ou não,
estejam envolvidas ou não em administrações
municipais, com mandato eletivo ou não. Estamos buscando
esses novos potenciais candidatos a deputado estadual e federal.
Agora, esse é o nosso foco. O partido está visitando
municípios e procurando aquela pessoa que seja representativa,
que seja excelente profissional, que exerça uma liderança
no seu segmento, seja líder sindical ou líder estudantil.
Enfim, o PV está buscando essas novas caras, e isso é
muito difícil, porque estamos no meio de um processo de ética,
de problemas de ética na política que acabam por afastar
os novos, os que querem entrar e poderiam estar ajudando, e que
muitas vezes encaram a política como uma atividade que não
pode ser exercida por quem é sério. O partido está
exatamente querendo mostrar o contrário: temos que buscar
essas pessoas novas, representativas, para que a gente possa, ainda
mais, mostrar que política deve, sim, ser feita por gente
séria, digna e ética. É esse o nosso trabalho
no momento.
A SENHORA citou problemas de ética na política. Isso
estaria ligado, especificamente, à administração
de Natal, ao caso dos R$ 10 milhões que foram investidos
em medicamentos vencidos. Como a senhora avalia a questão
da ética, ou a falta dela, na administração
pública?
AVALIO com muita tristeza, afinal de contas foram R$ 10 milhões
jogados, literalmente, no ralo, no lixo. Uma completa irresponsabilidade
com o público. Comprovadamente, percebemos que essa falta
de cuidado com a coisa pública terminou por gerar esse gasto,
não só em termo financeiro - um gasto alto - como
também, e principalmente, o problema que foi gerado. Quantas
pessoas ficaram sequeladas porque não receberam o medicamento
ou porque receberam o medicamento adulterado? Um medicamento que
não tinha condição de ser passado para a população.
Esse, a meu ver, foi o maior gasto, que foi o de ter feito que a
população ingerisse medicamentos adulterados, inadequado,
e medicamentos que, muitas vezes, não chegaram à população.
Então, isso não tem volta. A gente não vai
conseguir, jamais, voltar atrás no problema que aconteceu
no ano passado, em um ato de irresponsabilidade. Acredito que isso
é extremamente positivo, se é que podemos encarar
dessa forma... Devemos encarar como um alerta para os gestores atuais,
para todos enxergarem que, mais dia, menos dia, é preciso
transparência. Hoje, graças a Deus e cobrados pela
população, a transparência das administrações...
Hoje, temos a figura do Ministério Público, que desempenha
uma função fundamental... Que tudo seja visto como
um exemplo do que não pode acontecer.
A QUESTÃO ética norteará as conversas que o
PV manterá visando à composição de aliança?
COM CERTEZA. Esse ponto da ética... Se você for
olhar a missão da minha gestão, está lá:
nossa missão é servir com ética, que é
o primeiro ponto. Essa palavra não pode ser vista como algo
que está afastado do ser político, como algo que está
afastado daqueles que querem poder ajudar suas cidades, o Estado
e até mesmo o país. E é essa questão
da busca pela ética, da busca pela transparência, como
já disse anteriormente, é um dos focos do nosso partido.
NA ELEIÇÃO passada, a senhora enfrentou a governadora
Wilma de Faria, o senador Garibaldi Filho, a deputada Fátima
Bezerra e acabou sendo eleita prefeita de Natal ainda no primeiro
turno. Passada a eleição, a governadora já
afirmou que buscará o apoio do PV para concretizar o projeto
de chegar ao Senado. Há essa possibilidade de conversar com
o PSB?
ACHO muito cedo se falar em alianças. Tudo é achismo
e nada passa das conjecturas que são feitas e pensadas. Este
é o momento, diria, inadequado para se falar em questões
relacionadas a alianças. Isso será visto no momento
adequado. O nosso partido... Particularmente, estou envolvida nos
primeiros meses de gestão, e este ano é crucial. É
meu primeiro ano de mandato. Já tive a oportunidade de conversar
com a prefeita Fafá (Rosado), que é uma gestora que
admiro e me inspiro bastante, e ela me disse várias vezes
que o primeiro ano é o mais difícil, dos principais
problemas, de organizar a equipe e poder sentir que as pessoas estão
nos lugares certos. É um momento muito importante, e prefiro
me voltar integralmente para a minha administração,
enquanto que o PV está voltado para essa garimpagem de bons
nomes de pessoas boas para estarem no próximo ano se apresentando
à sociedade. Falar sobre aliança, realmente, é
um momento para o qual não paramos para pensar, e certamente
este não será o ano.
INEGAVELMENTE, a senhora é a menina dos olhos de muitos.
A governadora tem manifestado interesse em uma aproximação,
bem como o senador Garibaldi Filho, além do senador José
Agripino e da senadora Rosalba Ciarlini, que pode disputar o Governo
do Estado. Por afinidade, qual seria o caminho?
O PV é um partido independente, um partido que pode conversar
com qualquer partido de qualquer linha ideológica. A gente
não tem nada que possa afastar ou que diga que com esse ou
com aquele partido a gente não possa conversar. Como eu disse,
o próximo ano, certamente, a gente vai pensar nesse assunto.
JÁ QUE a senhora não quer falar sobre 2010, como a
senhora está trabalhando para efetivar o projeto pensado
para a Copa de 2014?
DIRIA que é o momento da virada da nossa cidade. Um momento
em que conseguimos desbancar cidades mais poderosas, econômica
e politicamente falando. Natal conseguiu chegar em uma prova inequívoca
de que temos condições de competir com qualquer cidade
do Brasil, e eu diria até do mundo. Mas, agora entra um momento
que, se foi para nós difícil ganhar e sermos escolhidos
como subsede da Copa, mais difícil ainda é conseguirmos
mostrar e provar que poderemos fazer uma copa diferenciada, uma
copa carbono zero. Natal terá uma copa com sustentabilidade,
o carbono será todo neutralizado. Não quero que Natal
seja apenas mais uma sede. Será a sede da Copa. Estamos envidando
todos os nossos esforços e estamos vendo agora, no próximo
ano, que todas as nossas escolas municipais terão língua
estrangeira. A população de Natal, do mais simples
ao mais novo, ao mais velho, as pessoas de qualquer região
de Natal terão acesso ao ensino de uma segunda língua.
Vamos trabalhar com a nossa Escola de Qualificação
do Turismo, qualificando taxistas, bugueiros, artesãos, para
que eles possam sentir e ser preparados para o momento da virada.
Nesse instante, especificamente falando, estamos mantendo uma conversa
harmoniosa e de alto nível com o Governo do Estado, para
saber qual será a modelagem da licitação a
ser feita com relação ao estádio, pois temos
prazos a cumprir. Os primeiros prazos da Fifa, que vencem em 31
de agosto, são relacionados ao estádio. Então,
temos que, em 31 de agosto, ter a licitação no Diário
Oficial, qual o tipo vai ser, se será na base da PPP (parceria
público-privada), como concessão ou obra pública,
como também todos os licenciamentos feitos devem estar prontos.
Conversei com a governadora e com o vice-governador a respeito desse
processo de uma forma de estarmos juntos em um consórcio
Prefeitura de Natal e Governo do Estado para, juntos, encontrarmos
as melhores saídas para a questão da copa.
UM DOS problemas discutidos e postos pela mídia diz respeito
à periferia de Natal, como o Passo da Pátria, a zona
oeste de Natal, que compreende a Cidade da Esperança, Cidade
Nova, Felipe Camarão, a favela que se formou próximo
ao Detran. Como a senhora pensa nesses problemas da periferia?
VOCÊ falou agora sobre essa questão da habitação,
e na última terça-feira estive reunida com a nossa
secretária de Habitação e também com
uma missão que veio do Bird, do programa Habitar Brasil,
também junto com o representante do Ministério das
Cidades, do Gabinete Civil, do PAC. Essa missão veio com
o objetivo de ver as obras que estavam bastante atrasadas, como
é o caso do Passo da Pátria, e já deveria ter
sido entregue há pelo menos dois anos. Era o prazo máximo
dos prazos que foram dados e novamente retomados. Essa missão
veio para verificar se teriam como dar um outro prazo para a cidade
ou se daria por finalizado esse projeto, e a cidade teria que devolver
os recursos das obras que não conseguiu realizar. O fato
é que a missão veio e viu o nosso trabalho com relação
à questão da habitação popular e social
e ficou encantada com os nossos projetos. E, inclusive, agora estamos
recebendo quase R$ 2,5 milhões para que possamos terminar
as obras do Passo da Pátria. Estamos entregando, acredito
que até o final de julho, mais quase 400 unidades residenciais,
que são para a retirada da Via Sul, a Luiz Gonzaga e outras
favelas da periferia. Vamos já repassá-las para uma
área do Planalto, e tivemos a notícia de que a Cosern
já colocou a iluminação, e podemos enviar essas
pessoas. A nossa meta é poder, e acho que é um sonho
perfeitamente possível, acabar com todas as favelas de Natal
nesses quatro anos, relocando as pessoas para lugares dignos de
um ser humano poder viver. Porque hoje, infelizmente, muitas das
favelas que rodeiam a nossa cidade estão implantadas na periferia
em lugares onde não há como se falar em cidadania
e respeito ao próximo. Dentro desse nosso projeto está
a retirada da comunidade do Maruim, próxima ao Porto de Natal.
O nosso projeto de habitação é extremamente
viável, e é o primeiro passo. Sem habitação
não há dignidade, não há cidadania.
A QUESTÃO da saúde é um dos problemas nacionais
e todo e qualquer município sofre, e com Natal não
pode ser diferente. Os municípios de pequeno porte, devido
à sua situação financeira, enviam pacientes
para a capital e acabam superlotando o Hospital Walfredo Gurgel,
que é mantido pelo Estado. Como a senhora vê a questão
da saúde?
A SAÚDE é o nosso maior desafio, e por ser o maior,
é que hoje é o que faz que a nossa gestão possa
estar envidando maior esforço no setor. Como você bem
colocou, é um problema nacional. Não está localizado
em Natal, mas infelizmente Natal, pela falta de cuidado, de foco
e de uma política voltada para a saúde, de uma política
que pudesse estar trabalhando ainda mais a questão da saúde...
E você muito bem falou da questão dos medicamentos
e isso reflete como a saúde estava sendo tratada. Isso, associado
à total falta de estrutura nos nossos postos. Não
temos um só posto em Natal que possamos dizer que tenha infraestrutura
adequada. Nenhum posto tem. Temos uma carência de cerca de
500 profissionais da saúde, e destes, 200 são médicos.
Não encontramos esses médicos porque falta o Plano
de Cargos, Carreira e Salário que possa fazer que as pessoas
da carreira médica se interessem em ser tornar servidoras
públicas municipais. Se a gente for analisar, temos problemas
de infraestrutura, de recursos humanos e de armazenagem, de logística,
da questão do medicamento. Se você não tem o
começo bom... Estava começando ruim e terminando pior
ainda. Por isso, nesta última semana, assinamos um acordo
de cooperação técnica com a Fundação
Getúlio Vargas (FVG), que vai implantar um Núcleo
de Estudos Avançados em Saúde para que possamos, juntos
com os técnicos da Fundação, implantar, como
eu disse, o Plano de Cargos, a logística da distribuição
de medicamentos e também uma nova política de recursos
humanos e uma gestão de resultados. O que quero implantar
na saúde é uma gestão de resultados. Existe
essa meta. Se for cumprida, todos ganham. Se não for, todos
perdem. Prefiro ficar com a política do "ganha ganha"
do que com a do "perde perde". É difícil,
e não será da noite para o dia, e demanda tempo, mudança
de cultura. Sei que essa guerra a gente vai ganhar.
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