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MOSSORÓ (RN), SÁBADO, 04/07/2009 (ATUALIZADO: 00:50hs)
 
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PÁGINA ATUALIZADA AOS DOMINGOS

Micarla
de Sousa

‘Estamos buscando
potenciais candidatos’

Por: Edilson Damasceno - Fotos: Fred Veras

A prefeita de Natal, Micarla de Sousa (PV), esquiva-se de comentar sobre os caminhos que o seu partido seguirá para as eleições de 2010 e fala que os critérios para aliança serão norteados pela ética. Em visita a Mossoró no sábado, 20, quando foi recepcionada pela prefeita Fafá Rosado, Micarla reuniu a executiva municipal do PV para cumprimentar os filiados e se apresentar como presidente estadual da legenda. Nesta entrevista, a prefeita afirma que a definição política do PV será anunciada somente no próximo ano, pois considera o momento inoportuno. Ela comenta sobre o caso dos R$ 10 milhões investidos em medicamentos vencidos, caso ocorrido no ano passado ao final da administração do então prefeito Carlos Eduardo Alves (PDT).

JORNAL DE FATO - Como o PV se comportará para as eleições de 2010?
MICARLA DE SOUSA - Acredito que o PV, até pelo próprio crescimento que apresentou na última eleição, elegeu não só a mim como a tantos vereadores, em Natal e no interior do Estado - elegemos dois vice-prefeitos... É inegável o avanço do PV no Rio Grande do Norte. O partido encarna essa nova alternativa para a política do Estado, uma política feita de forma mais moderna em cima de outros parâmetros. Acho que a população do Rio Grande do Norte tem entendido esse nosso trabalho e a forma como estamos nos colocando. Agora, é óbvio que 2010 já está muito próximo, e a gente sabe desse potencial eleitoral, do que hoje nós representamos. O que estamos fazendo são várias frentes em todo o Estado, buscando figuras representativas, sejam políticas ou não, estejam envolvidas ou não em administrações municipais, com mandato eletivo ou não. Estamos buscando esses novos potenciais candidatos a deputado estadual e federal. Agora, esse é o nosso foco. O partido está visitando municípios e procurando aquela pessoa que seja representativa, que seja excelente profissional, que exerça uma liderança no seu segmento, seja líder sindical ou líder estudantil. Enfim, o PV está buscando essas novas caras, e isso é muito difícil, porque estamos no meio de um processo de ética, de problemas de ética na política que acabam por afastar os novos, os que querem entrar e poderiam estar ajudando, e que muitas vezes encaram a política como uma atividade que não pode ser exercida por quem é sério. O partido está exatamente querendo mostrar o contrário: temos que buscar essas pessoas novas, representativas, para que a gente possa, ainda mais, mostrar que política deve, sim, ser feita por gente séria, digna e ética. É esse o nosso trabalho no momento.

A SENHORA citou problemas de ética na política. Isso estaria ligado, especificamente, à administração de Natal, ao caso dos R$ 10 milhões que foram investidos em medicamentos vencidos. Como a senhora avalia a questão da ética, ou a falta dela, na administração pública?
AVALIO com muita tristeza, afinal de contas foram R$ 10 milhões jogados, literalmente, no ralo, no lixo. Uma completa irresponsabilidade com o público. Comprovadamente, percebemos que essa falta de cuidado com a coisa pública terminou por gerar esse gasto, não só em termo financeiro - um gasto alto - como também, e principalmente, o problema que foi gerado. Quantas pessoas ficaram sequeladas porque não receberam o medicamento ou porque receberam o medicamento adulterado? Um medicamento que não tinha condição de ser passado para a população. Esse, a meu ver, foi o maior gasto, que foi o de ter feito que a população ingerisse medicamentos adulterados, inadequado, e medicamentos que, muitas vezes, não chegaram à população. Então, isso não tem volta. A gente não vai conseguir, jamais, voltar atrás no problema que aconteceu no ano passado, em um ato de irresponsabilidade. Acredito que isso é extremamente positivo, se é que podemos encarar dessa forma... Devemos encarar como um alerta para os gestores atuais, para todos enxergarem que, mais dia, menos dia, é preciso transparência. Hoje, graças a Deus e cobrados pela população, a transparência das administrações... Hoje, temos a figura do Ministério Público, que desempenha uma função fundamental... Que tudo seja visto como um exemplo do que não pode acontecer.

A QUESTÃO ética norteará as conversas que o PV manterá visando à composição de aliança?
COM CERTEZA. Esse ponto da ética... Se você for olhar a missão da minha gestão, está lá: nossa missão é servir com ética, que é o primeiro ponto. Essa palavra não pode ser vista como algo que está afastado do ser político, como algo que está afastado daqueles que querem poder ajudar suas cidades, o Estado e até mesmo o país. E é essa questão da busca pela ética, da busca pela transparência, como já disse anteriormente, é um dos focos do nosso partido.

NA ELEIÇÃO passada, a senhora enfrentou a governadora Wilma de Faria, o senador Garibaldi Filho, a deputada Fátima Bezerra e acabou sendo eleita prefeita de Natal ainda no primeiro turno. Passada a eleição, a governadora já afirmou que buscará o apoio do PV para concretizar o projeto de chegar ao Senado. Há essa possibilidade de conversar com o PSB?
ACHO muito cedo se falar em alianças. Tudo é achismo e nada passa das conjecturas que são feitas e pensadas. Este é o momento, diria, inadequado para se falar em questões relacionadas a alianças. Isso será visto no momento adequado. O nosso partido... Particularmente, estou envolvida nos primeiros meses de gestão, e este ano é crucial. É meu primeiro ano de mandato. Já tive a oportunidade de conversar com a prefeita Fafá (Rosado), que é uma gestora que admiro e me inspiro bastante, e ela me disse várias vezes que o primeiro ano é o mais difícil, dos principais problemas, de organizar a equipe e poder sentir que as pessoas estão nos lugares certos. É um momento muito importante, e prefiro me voltar integralmente para a minha administração, enquanto que o PV está voltado para essa garimpagem de bons nomes de pessoas boas para estarem no próximo ano se apresentando à sociedade. Falar sobre aliança, realmente, é um momento para o qual não paramos para pensar, e certamente este não será o ano.

INEGAVELMENTE, a senhora é a menina dos olhos de muitos. A governadora tem manifestado interesse em uma aproximação, bem como o senador Garibaldi Filho, além do senador José Agripino e da senadora Rosalba Ciarlini, que pode disputar o Governo do Estado. Por afinidade, qual seria o caminho?
O PV é um partido independente, um partido que pode conversar com qualquer partido de qualquer linha ideológica. A gente não tem nada que possa afastar ou que diga que com esse ou com aquele partido a gente não possa conversar. Como eu disse, o próximo ano, certamente, a gente vai pensar nesse assunto.

JÁ QUE a senhora não quer falar sobre 2010, como a senhora está trabalhando para efetivar o projeto pensado para a Copa de 2014?
DIRIA que é o momento da virada da nossa cidade. Um momento em que conseguimos desbancar cidades mais poderosas, econômica e politicamente falando. Natal conseguiu chegar em uma prova inequívoca de que temos condições de competir com qualquer cidade do Brasil, e eu diria até do mundo. Mas, agora entra um momento que, se foi para nós difícil ganhar e sermos escolhidos como subsede da Copa, mais difícil ainda é conseguirmos mostrar e provar que poderemos fazer uma copa diferenciada, uma copa carbono zero. Natal terá uma copa com sustentabilidade, o carbono será todo neutralizado. Não quero que Natal seja apenas mais uma sede. Será a sede da Copa. Estamos envidando todos os nossos esforços e estamos vendo agora, no próximo ano, que todas as nossas escolas municipais terão língua estrangeira. A população de Natal, do mais simples ao mais novo, ao mais velho, as pessoas de qualquer região de Natal terão acesso ao ensino de uma segunda língua. Vamos trabalhar com a nossa Escola de Qualificação do Turismo, qualificando taxistas, bugueiros, artesãos, para que eles possam sentir e ser preparados para o momento da virada. Nesse instante, especificamente falando, estamos mantendo uma conversa harmoniosa e de alto nível com o Governo do Estado, para saber qual será a modelagem da licitação a ser feita com relação ao estádio, pois temos prazos a cumprir. Os primeiros prazos da Fifa, que vencem em 31 de agosto, são relacionados ao estádio. Então, temos que, em 31 de agosto, ter a licitação no Diário Oficial, qual o tipo vai ser, se será na base da PPP (parceria público-privada), como concessão ou obra pública, como também todos os licenciamentos feitos devem estar prontos. Conversei com a governadora e com o vice-governador a respeito desse processo de uma forma de estarmos juntos em um consórcio Prefeitura de Natal e Governo do Estado para, juntos, encontrarmos as melhores saídas para a questão da copa.

UM DOS problemas discutidos e postos pela mídia diz respeito à periferia de Natal, como o Passo da Pátria, a zona oeste de Natal, que compreende a Cidade da Esperança, Cidade Nova, Felipe Camarão, a favela que se formou próximo ao Detran. Como a senhora pensa nesses problemas da periferia?
VOCÊ falou agora sobre essa questão da habitação, e na última terça-feira estive reunida com a nossa secretária de Habitação e também com uma missão que veio do Bird, do programa Habitar Brasil, também junto com o representante do Ministério das Cidades, do Gabinete Civil, do PAC. Essa missão veio com o objetivo de ver as obras que estavam bastante atrasadas, como é o caso do Passo da Pátria, e já deveria ter sido entregue há pelo menos dois anos. Era o prazo máximo dos prazos que foram dados e novamente retomados. Essa missão veio para verificar se teriam como dar um outro prazo para a cidade ou se daria por finalizado esse projeto, e a cidade teria que devolver os recursos das obras que não conseguiu realizar. O fato é que a missão veio e viu o nosso trabalho com relação à questão da habitação popular e social e ficou encantada com os nossos projetos. E, inclusive, agora estamos recebendo quase R$ 2,5 milhões para que possamos terminar as obras do Passo da Pátria. Estamos entregando, acredito que até o final de julho, mais quase 400 unidades residenciais, que são para a retirada da Via Sul, a Luiz Gonzaga e outras favelas da periferia. Vamos já repassá-las para uma área do Planalto, e tivemos a notícia de que a Cosern já colocou a iluminação, e podemos enviar essas pessoas. A nossa meta é poder, e acho que é um sonho perfeitamente possível, acabar com todas as favelas de Natal nesses quatro anos, relocando as pessoas para lugares dignos de um ser humano poder viver. Porque hoje, infelizmente, muitas das favelas que rodeiam a nossa cidade estão implantadas na periferia em lugares onde não há como se falar em cidadania e respeito ao próximo. Dentro desse nosso projeto está a retirada da comunidade do Maruim, próxima ao Porto de Natal. O nosso projeto de habitação é extremamente viável, e é o primeiro passo. Sem habitação não há dignidade, não há cidadania.

A QUESTÃO da saúde é um dos problemas nacionais e todo e qualquer município sofre, e com Natal não pode ser diferente. Os municípios de pequeno porte, devido à sua situação financeira, enviam pacientes para a capital e acabam superlotando o Hospital Walfredo Gurgel, que é mantido pelo Estado. Como a senhora vê a questão da saúde?
A SAÚDE é o nosso maior desafio, e por ser o maior, é que hoje é o que faz que a nossa gestão possa estar envidando maior esforço no setor. Como você bem colocou, é um problema nacional. Não está localizado em Natal, mas infelizmente Natal, pela falta de cuidado, de foco e de uma política voltada para a saúde, de uma política que pudesse estar trabalhando ainda mais a questão da saúde... E você muito bem falou da questão dos medicamentos e isso reflete como a saúde estava sendo tratada. Isso, associado à total falta de estrutura nos nossos postos. Não temos um só posto em Natal que possamos dizer que tenha infraestrutura adequada. Nenhum posto tem. Temos uma carência de cerca de 500 profissionais da saúde, e destes, 200 são médicos. Não encontramos esses médicos porque falta o Plano de Cargos, Carreira e Salário que possa fazer que as pessoas da carreira médica se interessem em ser tornar servidoras públicas municipais. Se a gente for analisar, temos problemas de infraestrutura, de recursos humanos e de armazenagem, de logística, da questão do medicamento. Se você não tem o começo bom... Estava começando ruim e terminando pior ainda. Por isso, nesta última semana, assinamos um acordo de cooperação técnica com a Fundação Getúlio Vargas (FVG), que vai implantar um Núcleo de Estudos Avançados em Saúde para que possamos, juntos com os técnicos da Fundação, implantar, como eu disse, o Plano de Cargos, a logística da distribuição de medicamentos e também uma nova política de recursos humanos e uma gestão de resultados. O que quero implantar na saúde é uma gestão de resultados. Existe essa meta. Se for cumprida, todos ganham. Se não for, todos perdem. Prefiro ficar com a política do "ganha ganha" do que com a do "perde perde". É difícil, e não será da noite para o dia, e demanda tempo, mudança de cultura. Sei que essa guerra a gente vai ganhar.



       
 



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