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PÁGINA ATUALIZADA AOS DOMINGOS
Robinson
Faria
O
destino me colocou
ao lado de Rosalba
Por:
Edilson Damasceno - Foto: Carlos Costa
Presente em missa de ação de graça pelo aniversário
da prefeita Fafá Rosado na sexta-feira passada, ao lado dos
senadores Rosalba Ciarlini, Garibaldi Filho e José Agripino,
o presidente da Assembleia Legislativa, Robinson Faria, complementou
a apresentação extra-oficial da chapa oposicionista
às eleições deste ano. As expectativas da apresentação,
segundo Robinson, foram boas. "Mossoró é uma
cidade que tem nível adiantado de conscientização,
com uma sociedade politizada e avançada. Mossoró é
vanguarda e o povo acompanha cada passo da classe política
do Estado. Mossoró estava com essa expectativa, dessa possível
união que está evidenciada, do deputado Robinson com
a senadora Rosalba Ciarlini", disse. Nesta entrevista, concedida
aos jornalistas Edilson Damasceno e Julierme Torres, sendo este
da TCM, o presidente da AL fala sobre o rompimento político
com a governadora Wilma de Faria e alega que o grupo governista
não teve interesse em suas ideias. Robinson afirma que Wilma
não agiu corretamente ao escolher um dos quatro nomes que
estavam se colocando como pré-candidatos ao Governo e também
critica a posição tomada pelo deputado federal João
Maia, com quem tinha um acordo para as eleições deste
ano. O deputado estadual fala ainda sobre a composição
política, de ter aceito ser o candidato a vice da senadora
Rosalba Ciarlini.
O SENHOR já está oficializado como membro do bloco da
oposição ao Governo do Estado. Em Mossoró o
PMN continua na oposição ao governo da prefeita Fafá
Rosado. Haverá mudança?
ACABEI de falar que o ex-deputado Francisco José retornará
à sua candidatura pelo PMN, engajado no projeto de Robinson
e de Rosalba. Consequentemente, seu filho (vereador Francisco José
Júnior) irá acompanhar esse bloco e fazer parte de
um só palanque. Se ele vai ajudar nessa nossa caminhada,
lógico que a partir de agora ele passa a se integrar totalmente
ao nosso sistema.
E QUANTO ao apoio ao governo da prefeita Fafá Rosado?
POLÍTICA não se faz pela metade. Sou sincero e
política se faz de corpo inteiro e alma. Não pode
casar pela metade. Ou casa ou não casa. Se temos uma família
que se uniu, lógico que não podemos ter um palanque
municipal de um jeito e o discurso fora de Mossoró de outra
maneira. É preciso um discurso de união.
NESSE acordo se conversou sobre as bases da vice-prefeita e ex-deputada
estadual Ruth Ciarlini passarem para Francisco José?
NÃO vim para negociar. Vim para dizer, como presidente
do PMN, que é uma grande alegria anunciar que o ex-deputado
Francisco José retornará à caminhada para voltar
à nossa Casa Legislativa.
O SENHOR estava no grupo governista e agora passou para a oposição.
O que mudou?
SOU UM Robinson mais experiente, amadurecido. A gente aprende
todo dia com a democracia e com a caminhada. Acho que a percepção
do político é justamente ter essa humildade de aprender
com as pessoas, ouvir críticas e sugestões. Considero-me
mais evoluído nesse quesito, da experiência do que
aprendi como presidente da AL por oito anos. Fui deputado três
mandatos ao lado de José Agripino e retorno para o grupo
político que nunca deixou de ser meu amigo, mesmo em eleições
e palanques diferentes. Política é afinidade, e essa
nossa união não aconteceu de forma verticalizada.
Isso é que é a parte boa e verdadeira. Essa junção
de Robinson com Rosalba partiu de uma torcida popular. Não
só aqui em Mossoró, como na minha região, na
Grande Natal e onde você chegar. Uma possível chapa
que será referendada que nasceu no meio da rua, e é
por isso que é verdadeira. Não nasceu em Brasília,
nos gabinetes, de cima para baixo e impor à população.
O SENHOR guarda rancor da governadora Wilma de Faria?
POLÍTICO que guarda ódio e rancor deve se aposentar.
A política é feita de luta, convergências, divergências,
desafios, propostas, trabalho... Não tenho rancor. Você
tem o direito de discordar, de romper, de buscar novo caminho, mas
não guardo rancor e nem ressentimentos. Quem guarda esses
sentimentos deveria ir para casa.
QUANDO da derrubada dos vetos da governadora ao OGE, a líder
do Governo afirmou que a Assembleia havia politizado a discussão...
QUANTAS vezes a Assembleia derrubou vetos, mesmo durante a parceria
que eu tinha, como presidente da Casa, com a governadora Wilma de
Faria? Não houve essa colocação antes, da Casa
ter politizado a votação. Discordo. É um direito
democrático do deputado apresentar emendas ao orçamento
e defender em plenário a manutenção da sua
emenda. É um direito legítimo, um direito inerente
à atividade parlamentar. Fui ligado à governadora
Wilma de Faria e muitas vezes votei contra na Assembleia por convicção,
sem ter politizado e apenas defendendo uma ideia. O plenário
é o palco para o deputado defender suas ideias. Sou presidente
da Casa e vou terminar meu mandato sem politizar o cargo de presidente.
O que for bom para o Estado, para povo, colaborarei. Não
sou contra o Governo. Sou contra, fora da Assembleia, na caminhada
política de Robinson Faria. Dentro da Casa, também
represento o Estado e o que for bom para a população
e para o servidor público, estou pronto para aprovar. A derrubada
de vetos é uma atividade de rotina. Não foi nada de
extemporâneo, nada de revanche. Foi um ato normal.
DEPOIS de sete anos na base do Governo, o senhor terá dificuldades
em criticar o governo no palanque da oposição?
SEMPRE fui muito transparente. A imprensa é a maior testemunha
da minha conduta. O tempo inteiro fui aliado de Wilma, mas tive
posição de independência sem perder de vista
a lealdade. Divergi quando era para divergir e ajudei quando era
para ajudar. Sempre presidi a Casa com respeito à oposição,
que sempre chegou ao presidente Robinson, que sabia separar as águas
e nunca levei para dentro da Casa uma imposição do
Governo do Estado. Em primeiro lugar, defendi a Casa que presido,
que não sucumbiu. Vou criticar o que sempre critiquei. Vou
defender as minhas ideias. Não há nada estranho. Saio
do Governo quando ninguém queria sair. É muito difícil
e ocorre justamente o contrário do que fiz. Fiz sair do poder
para ir para a oposição. O normal é sair da
oposição para ir para o poder. Fiz atendendo um sentimento
popular e minha consciência, pelo fato de me sentir injustiçado
pelo papel que tive na vitória do Governo, pela lealdade
ao Governo. Mas não quiseram dar ouvido às minhas
propostas e à minha parceria. Preferiram outros caminhos
e escolhi o meu, que é estar agora onde estou.
HAVIA um acordo do senhor com o deputado João Maia...
ISSO é uma cronologia dos fatos. Quando o deputado João
Maia estabeleceu um pacto, uma parceria comigo, de uma terceira
via, ele disse o tempo todo que seria candidato (ao Governo) aquele
que estivesse melhor colocado nas pesquisas. Em todas as pesquisas
feitas, até a semana passada, eu era o segundo colocado,
mesmo já desistido de ser candidato a governador. Quando
procurei João Maia para iniciarmos essa caminhada, oferecendo
a proposta de uma terceira via, ele concordou, mas logo depois o
Governo o procurou em Brasília. O deputado Henrique Eduardo
Alves, a governadora Wilma de Faria e o seu vice-governador foram
a João Maia e começaram a trabalhar para que ele desistisse
de me acompanhar. E ele desistiu. Até então eu não
era vice de Rosalba e não tinha a confirmação
de aceitar o convite, que não havia acontecido. O deputado
João Maia confundiu no tempo. Quando aceitei o convite de
ser vice de Rosalba, não existia mais o João Maia
parceiro na terceira via.
POR QUE ser vice de Rosalba e não de Iberê?
CONVERGÊNCIA. Política é identidade e respeitar
o sentimento popular. Sou uma pessoa que tem percepção.
Aprendi a ter no meio da rua. Fui o deputado mais votado na história
do Rio Grande do Norte porque sempre procurei ouvir o calor, o grito
e o sentimento que vem da rua e com humildade. O Governo não
enxergou a importância do deputado Robinson e de seu grupo
no palanque. Meu povo sinalizou para que me unisse a Rosalba e não
àquele que é um candidato que foi imposto pela governadora
no meio de quatro nomes que foram importantes para a sua vitória.
Ela escolheu apenas um. Não teve atitude de neutralidade,
de magistrada. Um governador, na hora que tem quatro pré-candidatos
em seu grupo, tem que respeitar todos e não colocar um debaixo
do braço em detrimento dos outros três. E isso aconteceu,
infelizmente. Mas faz parte das águas do passado. O passado
ficou para trás sem revanchismo e sem rancor. O destino me
colocou ao lado de Rosalba. Meu povo me incentivou e me encorajou.
Ouvi de cada prefeito, cada ex-prefeito e vereador, andei na feira
e fui a várias cidades. O povo disse que seria um bom momento
para eu ser candidato a governador, mas se não deu, acho
que o que fizeram comigo, diante do que o povo está querendo,
o melhor seria eu me unir a Rosalba, que é uma liderança
que surge espontaneamente no meio da rua. O povo está querendo
que ela seja governadora do Estado e eu me identifiquei com ela.
Ao seu lado está José Agripino, que é meu amigo.
Não tive dificuldade. Foi fácil porque não
encontrei uma voz que fosse contrária à minha posição.
AINDA é possível fazer com que o PP siga esse projeto?
O PP é uma história interessante. Há três
anos fui procurado pelo PP nacional, em Natal, para ajudar o partido,
com a morte do saudoso deputado federal Nélio Dias, a crescer
no Estado. Não podia, na época, me filiar ao PP. Podia
ajudar o partido a crescer. Colocamos meu grupo lá e filiei
meus candidatos a prefeito no PP. O partido aumentou de tamanho
em três vezes e hoje tem o vice-prefeito de Natal, vereadores
da capital. Elegeu 19 prefeitos. Depois que o partido cresceu, querem
tomar o PP em uma atitude antidemocrática que lembra a ditadura.
Tomar um partido sem ter uma justa causa. Qual a causa? Tomar o
partido para votar em Iberê? Que democracia é essa?
É como se fosse uma atitude de ditadura, de uma canetada
lá de Brasília tomar um partido que foi formado com
meu grupo, com prefeitos que apoiei. Só porque o PP não
vai votar em Iberê vão tomá-lo do meu grupo?
Isso é uma atitude que lembra a ditadura e o povo vai repelir
e não vai aceitar. Mas não considero essa parada encerrada
e vou lutar até o fim, e se for preciso até na Justiça.
Não vou aceitar passivamente tomarem o PP de um grupo que
o ajudei a crescer no Rio Grande do Norte.
FOI dito pela imprensa que essa interferência no PP teria
a participação de Henrique Alves. O senhor tomou conhecimento
dessa participação?
O DEPUTADO Henrique, quando ajudou para que o PP ficasse comigo,
era adversário do atual candidato que ele apoia, que é
Iberê, e era adversário de Wilma de Faria. Então,
não tem sentido o deputado Henrique cobrar o PP para Iberê.
Quando ele me ajudou a fazer esse casamento meu com o PP, ele era
adversário de Iberê e não tinha esse compromisso
de fazer o PP presente no palanque de Iberê. O partido cresceu
dentro de um grupo de Robinson Faria. Se está tentando tomar,
a incoerência não é minha, pois quando isso
aconteceu não havia compromisso meu.
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