

CAPA
Teoria
revolucionária
O
que define que uma descoberta ou um pensamento causa verdadeira
revolução na história e na forma de entendimento
do mundo?
Entende-se do ponto de vista conceitual que uma revolução
é toda e qualquer transformação radical que
atinja drasticamente os mais variados aspectos da vida de uma sociedade.
Essa transformação pode ser rápida ou lenta,
porém a ponto de modificar e negar um modelo anterior.
Nesse sentido, a teoria da evolução das espécies
publicada em um artigo em 1o de julho no ano 1858 certamente causou
uma revolução.
Os cientistas naturalistas Charles Robert Darwin (inglês)
e Alfred Russel Wallace (galês) apresentaram seu artigo nesta
data junto ao grupo restrito de naturalistas da Sociedade Lineana
de Londres e que foi lido sem que, à época, fosse
dada a devida importância às conclusões expostas.
No entanto, as conclusões iriam modificar como fazem
as revoluções o modelo vigente de surgimento
das espécies, até então com teor religioso
forte. Uma conclusão que levaria, pelo menos, setenta anos
para ser completamente aceita como fato e verdade pela sociedade
e pela ciência.
Antes disso, uma trajetória explica o porquê dessa
teoria não ter sido, de imediato, aceita, mas que depois
de confirmada se tornaria fundamental para as principais descobertas
da ciência na área biomédica que se conhece
hoje.
Flávio José de Lima, doutor em psicobiologia e professor
da disciplina Evolução biológica
do Departamento de Biologia na Universidade do Estado do Rio Grande
do Norte (UERN), ajuda a explicar o porquê que a teoria da
evolução foi uma das mais importantes descobertas
científicas.
Segundo ele, a idéia de uma evolução baseada
no pensamento de que os organismos vivos sofrem alterações
ao longo do tempo, retoma os pensadores mais antigos.
No entanto, essas idéias se davam muito mais no aspecto filosófico
que científico, tendo em vista que não dispunham de
mecanismos para um estudo dos seres.
Na concepção científica, o que primeiro discute
a questão é Jean Baptiste Lamarck com a idéia
de que a matéria viva surge da matéria não
viva e de que o uso de determinadas partes do corpo do organismo
faz com que estas se desenvolvam (uso e desuso). Foi olhando para
girafas que Lamarck chegou a defender que o pescoço longo
destes animais se deu por causa do seu uso. A publicação
de Lamarck sobre a evolução sistemática ficou
conhecida em 1809, mesmo ano em que Darwin nasceu.
EDUCAÇÃO
Infância
no gibi
Eles fizeram parte da infância de muitas
crianças que hoje já são adultos. Os gibis,
ou revistas em quadrinhos da Turma da Mônica são sucesso
desde que teve seu primeiro exemplar lançado na década
de 70. De lá para cá, várias gerações
de crianças puderam acompanhar mensalmente nas bancas, histórias
divertidas de uma turma cheia de personalidade.
A leitura dos quadrinhos que por muito tempo foi visto como um tipo
inferior de leitura, em determinados momentos considerada nociva
ao aprendizado das crianças, hoje já é percebida
como um mecanismo de sedução para encaminhar as crianças
no gosto pela leitura. Nessa nova fase dos gibis, o produto é
alvo de muitos estudos acadêmicos de diversos aspectos, desde
a linguagem utilizada, ao formato e designer gráficos que
atraem o público pelo visual e os temas que aborda nos quadros,
sendo um dos produtos que tem as crianças como maiores consumidoras.
Leitora
de gibis, Marcília Gomes é jornalista e professora
do Departamento de Comunicação Social da Universidade
do Estado do Rio Grande do Norte (DECOM/UERN). Atenta a esse universo
dos quadrinhos com um foco na infância. Marcília iniciou
as pesquisas tomando como veículo os gibis da Turma da Mônica.
No último dia 26 de junho, a professora teve sua tese aprovada
dentro do programa de Pós-Graduação - Doutorado
em Ciências Sociais, da Universidade Federal do Rio Grande
do Norte (UFRN), com tema Crianças de Papel
A infância nos quadrinhos de Maurício de Souza.
No seu trabalho de pesquisa, a professora analisa a infância
retratada nos quadrinhos do desenhista com os cinco principais personagens
que tem revistas próprias, num período de dez anos
(1996 2006) Mônica, Cebolinha, Cascão,
Magali e Chico Bento - analisando três eixos temáticos:
a família, a escola, brincadeiras e amizades destes personagens.
Marcília explica que neste aspecto não analisou a
infância como fenômeno biológico, mas sim como
construção social e fenômeno cultural. As conclusões
do seu trabalho são interessantes e nem sempre percebidos
pelos leitores.
Família e escola
Segundo a professora Marcília Gomes muito do que é
mostrado nos quadrinhos, incluindo a criação de personagens,
são inspirados em momentos da vida, da infância e das
pessoas que fazem parte da história de Maurício de
Souza.
Muitas das coisas que ele vivenciou na sua infância
repassa para os seus personagens, afirma a pesquisadora.
Um dos aspectos que chamam a atenção diz respeito
à imagem da família mostrada pelos personagens da
revista.
As crianças dos quadrinhos possuem famílias
que seguem o modelo tradicionalista, nuclear e monogâmico
formada de pai, mãe e filhos. Os novos modelos de
família que a sociedade brasileira apresenta hoje não
são retratados nos quadrinhos de Maurício de Souza,
analisa a professora.
Na pesquisa dentro do eixo escola, uma curiosidade: a instituição
só aparece de maneira efetiva com um personagem, o Chico
Bento. Todos os outros personagens sabem ler e escrever, mas a escola
não aparece. Chico Bento, por sua vez, vivencia uma escola
à moda antiga: repressora e autoritária que não
reconhece a sua vocação para o trabalho no campo,
o que a professora Marcília chama de vocação
geracional.
Chico é tido como um aluno abaixo da média,
que tira muitos zeros. A escola não respeita o repertório
dele, que quer ficar no campo e não ser doutor, analisa
a professora.
Porque a escola então ganha essa visão tão
antiquada nos gibis?
A professora afirma que esta foi a escola vivenciada pelo desenhista.
Há algum tempo Maurício de Souza promete colocar
a turma da Mônica em sala de aula, mas ainda não o
fez. Nos gibis da turma nos EUA a escola aparece por uma exigência
do governo americano. Por lá, não se aceita criança
fora da escola nem mesmo nos gibis, completa ela.
Infância
perfeita
O mundo dos personagens de Maurício de Souza, na avaliação
de Marcília Gomes é a infância paradisíaca,
perfeita, onde nada interfere na felicidade das crianças.
Nela não há mortes, não há violência,
não há conflitos como os da vida real. É
a infância que, de certa forma, ele vivenciou e que as crianças
de hoje em sua maioria, já não vivem tão facilmente.
As brincadeiras de rua, a vontade de fabricar seus brinquedos, a
família que não se dissolve, analisa.
Diante disto, a professora acredita que muito do sucesso dos gibis
da Turma da Mônica pode ser compreendida. Afinal, há
identificação com os personagens que, por um lado
são iguais as crianças de verdade que falam
o que pensam, que trocam as palavras ou que em determinada fase
não querem tomar banho e por outro lado, se mostram
tão interessantes - nas brincadeiras de ruas com os amigos,
sem a violência, sem mortes. A infância das crianças
de papel, dos gibis, tornou-se o modelo de ideal para muitas crianças
do mundo real.
Errado? Para a pesquisadora o mundo dos quadrinhos não precisa
obrigatoriamente tratar de temas reais. Por isso, os pais que tem
receios porque os filhos gostam de ler quadrinhos, não precisam
proibir.
A leitura de gibis não pode ser a única leitura da
vida das crianças. No entanto, a professora Marcília
defende que os pais estimulem a leitura dos gibis para que estas
possam exercitar o gosto pela leitura de outras obras.
Os gibis permitem não apenas as leituras dos textos,
mas há muitas histórias em que a criança precisa
fazer interpretações a partir das imagens, questionar,
estimula a imaginação e a criatividade. Meus filhos
foram leitores de gibis e por isso sou defensora dos quadrinhos
porque ele é, antes de tudo, um ato prazeroso, ressalta
Marcília Gomes.

SAÚDE
Efeitos
do álcool
Dezesseis dias de intolerância na abordagem
a motoristas alcoolizados, que são flagrados ao volante e
muitas polêmicas sobre a constitucionalidade, a rigidez das
punições e as falhas na abordagem policial diante
da Lei Seca em todo o país são notícias todos
os dias.
Se por um lado há muita gente se sentindo prejudicada com
o rigor da Lei Seca que prevê punições
severas para o motorista ou motociclista que consumir a partir de
2 dg/l de álcool por outro, os profissionais que atuam
com saúde pública apostam numa redução
significativa de mortes e de acidentes por conta do consumo excessivo
de álcool.
Uma prova de que direção e álcool não
combinam são testemunhados com freqüência pelo
médico neurologista Paiva Lopes. Segundo ele, 90% dos casos
de pacientes que atende no Hospital Regional Tarcísio Maia
(HRTM) são de traumatismos provocados por imprudência
de motoristas e pilotos alcoolizados e sem capacetes.
A Lei Seca, se cumprida, vai reduzir consideravelmente os
acidentes. É uma questão de conscientização
que pode demorar um pouco, mas será compreendida pela sociedade,
explica o médico.
A Lei especifica que quem registrar nível a partir de 2 decigramas
de álcool por litro de sangue (dg/l) que equivale
a uma tulipa de cerveja receberá multa de R$ 955,00,
perderá a Carteira Nacional de Habilitação
pelo período de um ano e terá retenção
imediata do veículo. Se o nível for superior a 6 decigramas
equivalente a duas tulipas de cerveja sofrerá
todas essas penalidades e ainda pode ser preso por um período
de 6 meses a um ano.
De acordo com o médico Paiva Lopes, um copo de cerveja já
provoca reações no cérebro que retarda os reflexos
imprescindíveis para quem está diante de um volante.
As reações bioquímicas do sistema nervoso
central são afetadas pelo álcool já a partir
de um copo. O que há, é que algumas pessoas são
mais resistentes que outras, mas em geral os neurotransmissores
diminuem sua produção e retardam os reflexos da pessoa,
completa Lopes.
Polêmica
A grande polêmica da Lei Seca não está no seu
objetivo de reduzir a perigosa combinação álcool
+ volante, e sim na punição que nivela um consumidor
de uma taça de vinho a um bebedor inconseqüente. No
entanto, outros países já adotam a Lei Seca como Japão,
Itália, China e Estados Unidos.

CRÕNICA/PEDRO FERNANDES
Mídia
e educação
A idéia para a composição
deste texto partiu quando de zapping parei num desenho
animado que passava em determinado canal de televisão e que
mostrava uma comunidade de formigas. Algo me chamou atenção.
Foi justamente as feições humanas atribuídas
aos insetos e isso me fez retomar outros desenhos animados. Por
exemplo, lembrei-me bem dum episódio da Disney em que o pato
Donald julgava-se dono do Pluto; de quando Bob Esponja não
conseguia amarrar o cadarço do tênis; etc. A humanidade
é mesmo prepotente, pensei comigo, é a única
que sente necessidade de atribuir caracteres e modelos seus aos
animais ou aos seres inanimados.
Mas o que me mais me interessou no desenho das formigas é
que estas se apresentavam com problemas de convivência tais
quais os nossos; isso a Biologia prova que não existe, aliás,
as colônias do mundo animal são sempre modelos para
uma sociedade a Thomas Morus. Outro detalhe que captei ainda desse
episódio foi a pungência do general formiga em relação
à princesa formiga de que ambos casariam e viveriam felizes
para sempre. Detalhe: é sabido que o macho da formiga após
o ato sexual com a princesa morre.
O que dizer dessas concepções apregoadas na mídia
televisiva? Parece existir na sociedade contemporânea e a
TV nossa de cada dia tem contribuído excessivamente para
isto, uma necessidade de quebrar paradigmas, excluir o conhecimento
científico da formação dos indivíduos.
Isto é, quando a mídia televisiva deveria está
preocupada em fazer uma aproximação do mundo científico
ao mundo comum, esta contribui para que esse fosso entre ambos se
acentue.
Não quero aqui tolher a imaginação criativa
nossa, afinal de contas os animais falam e agem conforme humanos
desde muito antes da TV seja nas clássicas fábulas.
O que quero aqui é suscitar a discussão que, a televisão
tem um papel primordial no espaço social atual que vai além
do transmitir entretenimento. Conferida a ela o papel de sujeito
único e exclusivo capaz de invadir o espaço familiar
sem permissão, esta deveria centrar-se de que é também
sua função a de educar ou, pelo menos, incutir caminhos
à formação de indivíduos críticos
o suficiente e não apenas isso, capazes de estar em constante
contato com o novo, o inusitado conhecimento científico.
Agindo ainda apenas no primeiro papel seu, o de entreter apenas,
perde a contribuição social que dela se espera e transforma-se
em vilã, desconstrutora do conhecimento.
A imagem de ciência que a mídia televisiva passa ao
público é deformada. Aliás, tudo se deforma
na TV, até o próprio homem quando se apresenta escravo
do seu próprio corpo, por exemplo. A imagem que as crianças
absorvem de cientista, outro exemplo que parafraseio de Carl Sagan
em seu livro O mundo assombrado pelos demônios,
é sempre a de um velho maluco, revoltado, descabelado, prestes
a destruir o mundo com alguma de suas invenções. Por
que não trabalhar com a imagem de cientista tal qual é,
mostrando os avanços mais que benéficos, pelo menos
em grande parte, que a ciência fez e faz para a humanidade?
Isso soaria como um convite, um despertar para o interesse desde
criança para a beleza da curiosidade, o que move a ciência
e conseqüentemente o homem. No entanto, até mesmo as
descobertas científicas são em grande parte mostradas
de maneira deturpada, distorcida; ou se é uma idéia
que põe o mundo em perigo ou a idéia descoberta é
humanizada a título de embelezamento.
Os programas que se apresentam como educativos são mostrados
às escondidas, numa madrugada e/ou ainda apresentados por
velhos caquéticos à beira da morte usando novamente
da fala de Carl Sagan a título de transformar o programa
em algo enfadonho. Não existe sequer um programa jornalístico
que se preocupe num debate, num posicionamento críticos de
certas discussões. A notícia, nesse caso do jornal
é jogada em manchetes e/ou reportagens soltas, secas; privilegiam
uma falsa objetividade. Tudo, então, conspira para um deseducar
do telespectador.
Tomemos com suporte a divulgação do relatório
da ONU acerca do aquecimento global. Todos os jornais preocuparam-se
em divulgar a notícia, narrando partes do texto sob o fundo
de imagens impactantes, desastrosas, mas nenhum dos canais abertos
preocupou-se em debater o documento, por exemplo.
Uma explicação para isso? A mídia muitas vezes
tem se comportado no pretexto único de mantedora do discurso
capitalista, de fazer com que os sujeitos que dela dependem única
e exclusivamente sejam os últimos a saber de certas questões,
sua preocupação tem sido a de vender imagens muitas
vezes falsas e deturpadas afim de mantermos perdidos. Isso justifica
o turbilhão de informações que nos chegam,
muitas vezes que nem nos interessam, mas que estão lá
figurando nas primeiras manchetes dos jornais a título de
apenas nos entreter. Das cenas acerca o relatório da ONU
lembro bem de um jornalista ao dar a notícia, incisivamente
ele afirmava: A temperatura no planeta está subindo
e a culpa por isso é nossa. Ora, de que a temperatura
tem subido disso sabemos, mas nossa culpa? Sabe-se que os maiores
responsáveis por esse superaquecimento são os grandes
países capitalistas, mas a manchete é posta como sendo
nós os grandes culpados.
O que mais preocupa é que o papel da TV poderia ser outro,
ela tem consciência disso, mas em seu poderio silencioso prende-se
ao ideal de fiel escrava das ideologias que regem o capital. Da
forma como se apresenta, alimentamos um monstro que joga o homem
contra o próprio homem e ainda subestima a capacidade que
nos faz humanos, a faculdade de criticar e agir, transforma-nos
escravos do capital.
Pedro Fernandes de Oliveira Neto é aluno do sétimo
período do curso de Letras, língua portuguesa, (UERN).

GASTRONOMIA
Bouillabaisse
Ingredientes
1kg de peixe de carne firme, cação por exemplo
5 tomates ; 6 batatas ; 6 colheres de sopa de azeite de oliva
1 cebola grande ; cheiro verde ; funcho ( opcional )
2 folhas de louro ; 5 dentes de alho picado
2,5 litros de água fervente ; pimenta- do -reino a gosto
sal a gosto ; açafrão a gosto ( opcional ) ; 6 camarões
para decorar
MODO DE PREPARO
Numa caçarola grande coloque o azeite e a cebola, doure levemente
em fogo baixo. Junte os tomates cortados em pedaços, o louro,
o alho, o cheiro verde, o funcho, o sal, a pimenta e o açafrão.
Acrescente as batatas cortadas em fatias e o peixe em pedaços
grandes. Em fogo baixo deixe cozinhar por alguns minutos. Coloque
a água fervente. Mexa levemente para não desmanchar
o peixe e deixe cozinhar em fogo baixo até que o caldo fique
mais encorpado.
Numa frigideira doure os camarões para enfeitar o prato.
Sirva acompanhado de pedaços de baguete ou pão francês.

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