CAPA
» Teoria revolucionária
EDUCAÇÃO
» Infância no gibi
SAÚDE
» Efeitos do álcool

CRÕNICA/PEDRO FERNANDES
» Mídia e educação

GASTRONOMIA
» Bouillabaisse


CAPA
Teoria revolucionária
O que define que uma descoberta ou um pensamento causa verdadeira revolução na história e na forma de entendimento do mundo?
Entende-se do ponto de vista conceitual que uma revolução é toda e qualquer transformação radical que atinja drasticamente os mais variados aspectos da vida de uma sociedade. Essa transformação pode ser rápida ou lenta, porém a ponto de modificar e negar um modelo anterior.
Nesse sentido, a teoria da evolução das espécies publicada em um artigo em 1o de julho no ano 1858 certamente causou uma revolução.
Os cientistas naturalistas Charles Robert Darwin (inglês) e Alfred Russel Wallace (galês) apresentaram seu artigo nesta data junto ao grupo restrito de naturalistas da Sociedade Lineana de Londres e que foi lido sem que, à época, fosse dada a devida importância às conclusões expostas. No entanto, as conclusões iriam modificar – como fazem as revoluções – o modelo vigente de surgimento das espécies, até então com teor religioso forte. Uma conclusão que levaria, pelo menos, setenta anos para ser completamente aceita como fato e verdade pela sociedade e pela ciência.
Antes disso, uma trajetória explica o porquê dessa teoria não ter sido, de imediato, aceita, mas que depois de confirmada se tornaria fundamental para as principais descobertas da ciência na área biomédica que se conhece hoje.
Flávio José de Lima, doutor em psicobiologia e professor da disciplina ‘Evolução biológica’ do Departamento de Biologia na Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), ajuda a explicar o porquê que a teoria da evolução foi uma das mais importantes descobertas científicas.
Segundo ele, a idéia de uma evolução baseada no pensamento de que os organismos vivos sofrem alterações ao longo do tempo, retoma os pensadores mais antigos.
No entanto, essas idéias se davam muito mais no aspecto filosófico que científico, tendo em vista que não dispunham de mecanismos para um estudo dos seres.
Na concepção científica, o que primeiro discute a questão é Jean Baptiste Lamarck com a idéia de que ‘a matéria viva surge da matéria não viva’ e de que o uso de determinadas partes do corpo do organismo faz com que estas se desenvolvam (uso e desuso). Foi olhando para girafas que Lamarck chegou a defender que o pescoço longo destes animais se deu por causa do seu uso. A publicação de Lamarck sobre a evolução sistemática ficou conhecida em 1809, mesmo ano em que Darwin nasceu.

EDUCAÇÃO
Infância no gibi
Eles fizeram parte da infância de muitas crianças que hoje já são adultos. Os gibis, ou revistas em quadrinhos da Turma da Mônica são sucesso desde que teve seu primeiro exemplar lançado na década de 70. De lá para cá, várias gerações de crianças puderam acompanhar mensalmente nas bancas, histórias divertidas de uma turma cheia de personalidade.
A leitura dos quadrinhos que por muito tempo foi visto como um tipo inferior de leitura, em determinados momentos considerada nociva ao aprendizado das crianças, hoje já é percebida como um mecanismo de sedução para encaminhar as crianças no gosto pela leitura. Nessa nova fase dos gibis, o produto é alvo de muitos estudos acadêmicos de diversos aspectos, desde a linguagem utilizada, ao formato e designer gráficos que atraem o público pelo visual e os temas que aborda nos quadros, sendo um dos produtos que tem as crianças como maiores consumidoras.

Leitora de gibis, Marcília Gomes é jornalista e professora do Departamento de Comunicação Social da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (DECOM/UERN). Atenta a esse universo dos quadrinhos com um foco na infância. Marcília iniciou as pesquisas tomando como veículo os gibis da Turma da Mônica. No último dia 26 de junho, a professora teve sua tese aprovada dentro do programa de Pós-Graduação - Doutorado em Ciências Sociais, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), com tema “Crianças de Papel – A infância nos quadrinhos de Maurício de Souza”.
No seu trabalho de pesquisa, a professora analisa a infância retratada nos quadrinhos do desenhista com os cinco principais personagens que tem revistas próprias, num período de dez anos (1996 – 2006) – Mônica, Cebolinha, Cascão, Magali e Chico Bento - analisando três eixos temáticos: a família, a escola, brincadeiras e amizades destes personagens.
Marcília explica que neste aspecto não analisou a infância como fenômeno biológico, mas sim como construção social e fenômeno cultural. As conclusões do seu trabalho são interessantes e nem sempre percebidos pelos leitores.

Família e escola
Segundo a professora Marcília Gomes muito do que é mostrado nos quadrinhos, incluindo a criação de personagens, são inspirados em momentos da vida, da infância e das pessoas que fazem parte da história de Maurício de Souza.
“Muitas das coisas que ele vivenciou na sua infância repassa para os seus personagens”, afirma a pesquisadora.
Um dos aspectos que chamam a atenção diz respeito à imagem da família mostrada pelos personagens da revista.
“As crianças dos quadrinhos possuem famílias que seguem o modelo tradicionalista, nuclear e monogâmico – formada de pai, mãe e filhos. Os novos modelos de família que a sociedade brasileira apresenta hoje não são retratados nos quadrinhos de Maurício de Souza”, analisa a professora.
Na pesquisa dentro do eixo escola, uma curiosidade: a instituição só aparece de maneira efetiva com um personagem, o Chico Bento. Todos os outros personagens sabem ler e escrever, mas a escola não aparece. Chico Bento, por sua vez, vivencia uma escola à moda antiga: repressora e autoritária que não reconhece a sua vocação para o trabalho no campo, o que a professora Marcília chama de vocação geracional.
“Chico é tido como um aluno abaixo da média, que tira muitos zeros. A escola não respeita o repertório dele, que quer ficar no campo e não ser doutor”, analisa a professora.
Porque a escola então ganha essa visão tão antiquada nos gibis?
A professora afirma que esta foi a escola vivenciada pelo desenhista. “Há algum tempo Maurício de Souza promete colocar a turma da Mônica em sala de aula, mas ainda não o fez. Nos gibis da turma nos EUA a escola aparece por uma exigência do governo americano. Por lá, não se aceita criança fora da escola nem mesmo nos gibis”, completa ela.

Infância perfeita
O mundo dos personagens de Maurício de Souza, na avaliação de Marcília Gomes é a infância paradisíaca, perfeita, onde nada interfere na felicidade das crianças. Nela não há mortes, não há violência, não há conflitos como os da vida real. “É a infância que, de certa forma, ele vivenciou e que as crianças de hoje em sua maioria, já não vivem tão facilmente. As brincadeiras de rua, a vontade de fabricar seus brinquedos, a família que não se dissolve”, analisa.
Diante disto, a professora acredita que muito do sucesso dos gibis da Turma da Mônica pode ser compreendida. Afinal, há identificação com os personagens que, por um lado são iguais as crianças de verdade – que falam o que pensam, que trocam as palavras ou que em determinada fase não querem tomar banho – e por outro lado, se mostram tão interessantes - nas brincadeiras de ruas com os amigos, sem a violência, sem mortes. A infância das crianças de papel, dos gibis, tornou-se o modelo de ideal para muitas crianças do mundo real.
Errado? Para a pesquisadora o mundo dos quadrinhos não precisa obrigatoriamente tratar de temas reais. Por isso, os pais que tem receios porque os filhos gostam de ler quadrinhos, não precisam proibir.
A leitura de gibis não pode ser a única leitura da vida das crianças. No entanto, a professora Marcília defende que os pais estimulem a leitura dos gibis para que estas possam exercitar o gosto pela leitura de outras obras.
“Os gibis permitem não apenas as leituras dos textos, mas há muitas histórias em que a criança precisa fazer interpretações a partir das imagens, questionar, estimula a imaginação e a criatividade. Meus filhos foram leitores de gibis e por isso sou defensora dos quadrinhos porque ele é, antes de tudo, um ato prazeroso”, ressalta Marcília Gomes.

SAÚDE
Efeitos do álcool
Dezesseis dias de intolerância na abordagem a motoristas alcoolizados, que são flagrados ao volante e muitas polêmicas sobre a constitucionalidade, a rigidez das punições e as falhas na abordagem policial diante da Lei Seca em todo o país são notícias todos os dias.
Se por um lado há muita gente se sentindo prejudicada com o rigor da Lei Seca – que prevê punições severas para o motorista ou motociclista que consumir a partir de 2 dg/l de álcool – por outro, os profissionais que atuam com saúde pública apostam numa redução significativa de mortes e de acidentes por conta do consumo excessivo de álcool.
Uma prova de que direção e álcool não combinam são testemunhados com freqüência pelo médico neurologista Paiva Lopes. Segundo ele, 90% dos casos de pacientes que atende no Hospital Regional Tarcísio Maia (HRTM) são de traumatismos provocados por imprudência de motoristas e pilotos alcoolizados e sem capacetes.
“A Lei Seca, se cumprida, vai reduzir consideravelmente os acidentes. É uma questão de conscientização que pode demorar um pouco, mas será compreendida pela sociedade”, explica o médico.
A Lei especifica que quem registrar nível a partir de 2 decigramas de álcool por litro de sangue (dg/l) – que equivale a uma tulipa de cerveja – receberá multa de R$ 955,00, perderá a Carteira Nacional de Habilitação pelo período de um ano e terá retenção imediata do veículo. Se o nível for superior a 6 decigramas – equivalente a duas tulipas de cerveja – sofrerá todas essas penalidades e ainda pode ser preso por um período de 6 meses a um ano.
De acordo com o médico Paiva Lopes, um copo de cerveja já provoca reações no cérebro que retarda os reflexos imprescindíveis para quem está diante de um volante. “As reações bioquímicas do sistema nervoso central são afetadas pelo álcool já a partir de um copo. O que há, é que algumas pessoas são mais resistentes que outras, mas em geral os neurotransmissores diminuem sua produção e retardam os reflexos da pessoa”, completa Lopes.

Polêmica
A grande polêmica da Lei Seca não está no seu objetivo de reduzir a perigosa combinação ‘álcool + volante’, e sim na punição que nivela um consumidor de uma taça de vinho a um bebedor inconseqüente. No entanto, outros países já adotam a Lei Seca como Japão, Itália, China e Estados Unidos.

CRÕNICA/PEDRO FERNANDES
Mídia e educação
A idéia para a composição deste texto partiu quando de “zapping” parei num desenho animado que passava em determinado canal de televisão e que mostrava uma comunidade de formigas. Algo me chamou atenção. Foi justamente as feições humanas atribuídas aos insetos e isso me fez retomar outros desenhos animados. Por exemplo, lembrei-me bem dum episódio da Disney em que o pato Donald julgava-se dono do Pluto; de quando Bob Esponja não conseguia amarrar o cadarço do tênis; etc. A humanidade é mesmo prepotente, pensei comigo, é a única que sente necessidade de atribuir caracteres e modelos seus aos animais ou aos seres inanimados.
Mas o que me mais me interessou no desenho das formigas é que estas se apresentavam com problemas de convivência tais quais os nossos; isso a Biologia prova que não existe, aliás, as colônias do mundo animal são sempre modelos para uma sociedade a Thomas Morus. Outro detalhe que captei ainda desse episódio foi a pungência do general formiga em relação à princesa formiga de que ambos casariam e viveriam felizes para sempre. Detalhe: é sabido que o macho da formiga após o ato sexual com a “princesa” morre.
O que dizer dessas concepções apregoadas na mídia televisiva? Parece existir na sociedade contemporânea e a TV nossa de cada dia tem contribuído excessivamente para isto, uma necessidade de quebrar paradigmas, excluir o conhecimento científico da formação dos indivíduos. Isto é, quando a mídia televisiva deveria está preocupada em fazer uma aproximação do mundo científico ao mundo comum, esta contribui para que esse fosso entre ambos se acentue.
Não quero aqui tolher a imaginação criativa nossa, afinal de contas os animais falam e agem conforme humanos desde muito antes da TV seja nas clássicas fábulas. O que quero aqui é suscitar a discussão que, a televisão tem um papel primordial no espaço social atual que vai além do transmitir entretenimento. Conferida a ela o papel de sujeito único e exclusivo capaz de invadir o espaço familiar sem permissão, esta deveria centrar-se de que é também sua função a de educar ou, pelo menos, incutir caminhos à formação de indivíduos críticos o suficiente e não apenas isso, capazes de estar em constante contato com o novo, o inusitado conhecimento científico. Agindo ainda apenas no primeiro papel seu, o de entreter apenas, perde a contribuição social que dela se espera e transforma-se em vilã, desconstrutora do conhecimento.
A imagem de ciência que a mídia televisiva passa ao público é deformada. Aliás, tudo se deforma na TV, até o próprio homem quando se apresenta escravo do seu próprio corpo, por exemplo. A imagem que as crianças absorvem de cientista, outro exemplo que parafraseio de Carl Sagan em seu livro “O mundo assombrado pelos demônios”, é sempre a de um velho maluco, revoltado, descabelado, prestes a destruir o mundo com alguma de suas invenções. Por que não trabalhar com a imagem de cientista tal qual é, mostrando os avanços mais que benéficos, pelo menos em grande parte, que a ciência fez e faz para a humanidade? Isso soaria como um convite, um despertar para o interesse desde criança para a beleza da curiosidade, o que move a ciência e conseqüentemente o homem. No entanto, até mesmo as descobertas científicas são em grande parte mostradas de maneira deturpada, distorcida; ou se é uma idéia que põe o mundo em perigo ou a idéia descoberta é humanizada a título de embelezamento.
Os programas que se apresentam como educativos são mostrados às escondidas, numa madrugada e/ou ainda apresentados por velhos caquéticos à beira da morte usando novamente da fala de Carl Sagan a título de transformar o programa em algo enfadonho. Não existe sequer um programa jornalístico que se preocupe num debate, num posicionamento críticos de certas discussões. A notícia, nesse caso do jornal é jogada em manchetes e/ou reportagens soltas, secas; privilegiam uma falsa objetividade. Tudo, então, conspira para um deseducar do telespectador.
Tomemos com suporte a divulgação do relatório da ONU acerca do aquecimento global. Todos os jornais preocuparam-se em divulgar a notícia, narrando partes do texto sob o fundo de imagens impactantes, desastrosas, mas nenhum dos canais abertos preocupou-se em debater o documento, por exemplo.
Uma explicação para isso? A mídia muitas vezes tem se comportado no pretexto único de mantedora do discurso capitalista, de fazer com que os sujeitos que dela dependem única e exclusivamente sejam os últimos a saber de certas questões, sua preocupação tem sido a de vender imagens muitas vezes falsas e deturpadas afim de mantermos perdidos. Isso justifica o turbilhão de informações que nos chegam, muitas vezes que nem nos interessam, mas que estão lá figurando nas primeiras manchetes dos jornais a título de apenas nos entreter. Das cenas acerca o relatório da ONU lembro bem de um jornalista ao dar a notícia, incisivamente ele afirmava: “A temperatura no planeta está subindo e a culpa por isso é nossa”. Ora, de que a temperatura tem subido disso sabemos, mas nossa culpa? Sabe-se que os maiores responsáveis por esse superaquecimento são os grandes países capitalistas, mas a manchete é posta como sendo nós os grandes culpados.
O que mais preocupa é que o papel da TV poderia ser outro, ela tem consciência disso, mas em seu poderio silencioso prende-se ao ideal de fiel escrava das ideologias que regem o capital. Da forma como se apresenta, alimentamos um monstro que joga o homem contra o próprio homem e ainda subestima a capacidade que nos faz humanos, a faculdade de criticar e agir, transforma-nos escravos do capital.

Pedro Fernandes de Oliveira Neto é aluno do sétimo período do curso de Letras, língua portuguesa, (UERN).

GASTRONOMIA
Bouillabaisse

Ingredientes
1kg de peixe de carne firme, cação por exemplo
5 tomates ; 6 batatas ; 6 colheres de sopa de azeite de oliva
1 cebola grande ; cheiro verde ; funcho ( opcional )
2 folhas de louro ; 5 dentes de alho picado
2,5 litros de água fervente ; pimenta- do -reino a gosto
sal a gosto ; açafrão a gosto ( opcional ) ; 6 camarões para decorar

MODO DE PREPARO

Numa caçarola grande coloque o azeite e a cebola, doure levemente em fogo baixo. Junte os tomates cortados em pedaços, o louro, o alho, o cheiro verde, o funcho, o sal, a pimenta e o açafrão. Acrescente as batatas cortadas em fatias e o peixe em pedaços grandes. Em fogo baixo deixe cozinhar por alguns minutos. Coloque a água fervente. Mexa levemente para não desmanchar o peixe e deixe cozinhar em fogo baixo até que o caldo fique mais encorpado.
Numa frigideira doure os camarões para enfeitar o prato. Sirva acompanhado de pedaços de baguete ou pão francês.