

Turismo é coisa séria
Alcyr Veras
Em 2008, as estatísticas revelaram que a receita do Turismo
mundial chegou a US$ 944 bilhões, tendo o Brasil uma magra
receita de apenas US$ 5,7 bilhões, ocupando a 41ª posição
no ranking internacional. Esta semana, o Brasil caiu para 45ª
colocação, enquanto que a Suíça, Áustria
e Alemanha ocupam as três primeiras posições
no ranking de 133 países.
O economista Wilson Abrahão Rabahy, mestre, doutor e professor
da Escola de Turismo e Comunicações da USP, realizou
um notável e minucioso estudo, no qual analisa, com muita
propriedade, os complexos problemas que envolvem o Turismo mundial.
Ele diz, por exemplo, que os principais emissores internacionais
do Turismo são a Europa, Ásia e América do
Norte que representam 80% do emissivo mundial (a Europa sozinha
responde por 55%). Acrescenta ainda que o crescimento do Turismo
no mundo se deve, sobretudo, aos seguintes aspectos: o avanço
tecnológico; a modernização dos meios de transporte
e das comunicações; o processo de globalização;
o aumento da renda real; mais tempo livre para o lazer; e mudanças
de comportamento de consumo dos indivíduos.
Em seu estudo, o pesquisador chama também atenção
para o fato de que ainda é baixo o Turismo receptivo de estrangeiros
em nosso país. Como se sabe, o Turismo é uma boa alternativa
econômica quanto à geração de emprego
e renda. Mas, no Brasil os dados mostram-se muito incipientes. A
renda gerada pela atividade turística representa, na média
brasileira, apenas 2.5% do PIB. No Sudeste, esse percentual cai
para 1.8%. Enquanto que no Nordeste a renda gerada pelo Turismo
sobe para 6.5% do PIB. Isso se explica porque no Centro-Sul há
uma grande diversificação das atividades produtivas
(industriais e comerciais). Por outro lado, a pesquisa revela uma
situação bastante curiosa e aparentemente paradoxal
quando diz que, dos 7 estados mais visitados pelos estrangeiros
(turismo receptivo), 6 ficam nas regiões Sul e Sudeste. Ou
seja, São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Paraná,
Rio Grande do Sul e Minas Gerais. No Nordeste, apenas a Bahia.
Em virtude de sua grande extensão territorial, o Brasil apresenta
uma forte tendência de ter como base de sustentação
turística o mercado interno. Os mega eventos previstos para
os próximos anos, como a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas
em 2016, contribuirão significativamente para a formação
de um considerável saldo positivo de divisas. Desde 2005,
com a nova e gradual valorização do real (em relação
ao dólar) e o próprio aumento da renda interna, as
despesas dos brasileiros no exterior voltaram a crescer, o que pode
gerar um déficit na conta-viagens próximo de 8 bilhões
de dólares em 2010. De fato, somente em 2009, os brasileiros
gastaram no exterior cerca de 6 bilhões a mais do que os
estrangeiros gastaram aqui. Trata-se de um surpreendente record.
É verdade que o nosso Rio Grande do Norte dispõe de
promissoras potencialidades para consolidar-se como um dinâmico
pólo turístico regional. Mas, falta-lhe o essencial,
ou seja, infraestrutura turística. Praias virgens, paradisíacas,
dunas brancas como fraldas de renda ou colar de espumas, e demais
belezas naturais são, por si só, meros cenários
contemplativos. Turistas das classes A e B, que têm dinheiro
para gastar, preferem resorts confortáveis com piscinas térmicas,
salões de festa e de jogos do pano verde, campos de golfe,
marinas para iates, haras com amplo espaço para equitação,
parques temáticos, gastronomia internacional e exótica,
aeroportos modernos, segurança, rodovias sinalizadas, instalações
físicas com elevado padrão de higiene e salubridade,
terminais eficientes de redes eletrônicas, meios de alta acessibilidade
aos mercados financeiros, etc. Além disso, eles detestam
moscas, mosquitos e muriçocas...
Alcyr
Veras
é economista e Professor Universitário.
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