

A humanidade do futuro
O planeta
tem gente de mais, atualmente 6,2 bilhões, e anuncia-se que
esse número vai subir em breve para 9,5 bilhões. Do
outro lado, como é bem de ver, sem ser preciso informação
oficial, vão se reduzindo, aos muitos, as fontes naturais
de alimento, o que vale dizer numa desproporção que
dá o que pensar. De resto, nem sei se há mesmo, da
parte dos governantes no geral qualquer preocupação
sobre como vai ser a coisa no futuro.
Dizendo melhor, não se trata de preocupação
só dos governantes, senão também daqueles que
representam a mentalidade dos povos e nações, a chamada
elite pensante. Não digo os homens do mundo dos negócios,
ou, talvez, dissesse melhor as elites do capital, porque eis que
estes não têm outra preocupação que não
seja com o lucro, custe o que custar, não sendo outra a razão
do capitalismo.
Todavia, não me proponho aqui, vou logo prevenindo, a tratar
do assunto sobre os fundamentos desta ou daquela sociologia, entre
tantas que se oferecem como únicas em face dos dinamismos
do mundo moderno, até porque se distanciam de longe do meu
alcance, mas a comentá-lo à distância dos teóricos.
Ou, antes, dos donos da bola, para utilizar o lugar-comum - mais
cômodo.
Quero dizer ou, antes, repetir o nosso mestre literário Jaime
Hipólito, quando disse que gente de mais é mais prejudicial
do que a saúva na lavoura, e é mesmo. O excesso de
gente, agora sou eu que digo, quanto mais não seja, acaba
por desumanizar o mundo. Explico-me: impõe a concorrência,
que, sobre favorecer o mais apto, ou o que valha, gera o desprezo
pelos que ficam socialmente atrás, sobre dessocializar o
ser humano pelo egoísmo.
Sim, positivamente semelhante circunstância, num mundo escasso
de alimentos naturais, pela destruição constante da
natureza no geral, não terá outra saída mais
que se agravar, o que significa dizer que os menos favorecidos pela
fortuna serão condenados a morrer de fome; não terão
como disputar preços. Concluindo: urge, urgência urgentíssima,
o poder e o cérebro repensarem o mundo que aguarda a humanidade
do futuro.
Terços
Segundo declaração de organismos internacionais, dois
terços da humanidade passa fome, hoje. E amanhã, com
a população do planeta subindo de 6,2 bilhões
para 9,5? Penso nos vindouros, que eu, por mim, já estou
sob a contagem regressiva.
Fome
Não se admite que, num país como o nosso, com abundância
de terras de agricultura, 80 por cento da população
não tenha que comer, ou se alimente precariamente. O presidente
Lula ainda sabe disso, ou esqueceu? Essas bolsas não resolvem.
Governo
A maior crise do Brasil, vê-se logo, é de governo.
LINGUAGEM
LIVRO CONTENDO DUZENTAS
PÁGINAS. Leitor do Jornal de Fato quer saber se está
certo o gerúndio, de vez que se trata de emprego condenado
pela gramática normativa. Se nos debruçarmos sobre
os textos clássicos, que são modelos da linguagem
culta, encontraremos abundantes exemplos do gerúndio com
função adjetiva. De modo que não se pode, absolutamente,
inquinar de incorreção gramatical a frase em questão.
Assim, tanto faz "livro contendo" como "livro que
contém".
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