

MAL-ESTAR
Wilma
e Garibaldi divergem em Mossoró
Julierme Torres
Da Redação
O fato de serem aliados em Natal e adversários em Mossoró
causou o primeiro mal-estar entre o senador Garibaldi Alves Filho
(PMDB) e a governadora Wilma Maria de Faria (PSB). O presidente
do Congresso foi repreendido publicamente pela governadora, durante
a solenidade de inauguração das praças temáticas
da Avenida Rio Branco, na noite de ontem, em Mossoró.
Garibaldi Filho tentou fazer um discurso que agradasse Wilma, sua
aliada de Natal, e os senadores José Agripino Maia (DEM)
e Rosalba Ciarlini (DEM), que são seus correligionários
em Mossoró. Ele elogiou os dois Democratas, enalteceu a parceria
administrativa entre a prefeita Fafá Rosado (DEM) e o Governo
do Estado e criticou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva
(PT) por escassez de investimentos federais.
"Aqui nesta obra tem a mão da prefeita Fafá.
Tem a mão da governadora Wilma. Mas está faltando
a mão do presidente Lula. Lula está devendo, e eu
vou dizer a ele que tem que ser feita uma grande obra no Rio Grande
do Norte. Assim como vou dizer que o Congresso é independente",
disparou Garibaldi.
A resposta ao presidente do Congresso veio logo que o cerimonial
anunciou o discurso de Wilma de Faria. A governadora foi apresentada
como "a maior liderança política do Rio Grande
do Norte". Logo que começou a falar, a socialista tratou
de dar uma repreensão pública em Garibaldi.
"Quero lembrar ao senador Garibaldi que o presidente Lula está
botando dinheiro nesta terra, sim", retrucou a governadora,
que na seqüência emendou que o Governo do Estado investiu
R$ 20 milhões em saneamento básico em Mossoró,
através de parceria com a União. Wilma foi mais além.
Lembrou a recente liberação de R$ 30 milhões
do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para
a Prefeitura de Mossoró fazer mais investimentos em saneamento
básico e provocou a prefeita Fafá, que acabou sendo
intimada a usar o microfone para confirmar os investimentos federais.
O mal-estar continuou quando Wilma de Faria resolveu comentar a
parceria que fez com a prefeita Fafá, que é sua adversária
política, para as obras da Avenida Rio Branco. O Governo
do Estado liberou R$ 7 milhões e a Prefeitura aplicou outros
R$ 3 milhões para construir as praças temáticas
de Esporte, Convivência, Eventos e o Parque da Criança.
"Eu estou marcando um novo tempo na política. Isso que
está acontecendo aqui não se via na política
do Rio Grande do Norte", disparou Wilma de Faria. Durante os
oito anos em que foi governador, Garibaldi Filho era cobrado pela
então prefeita Rosalba Ciarlini (DEM), na época sua
adversária, de não fazer parcerias administrativas
com a administração de Mossoró.
EXPLICAÇÕES
No final da solenidade, Garibaldi Filho evitou polemizar quando
foi questionado sobre a postura de Wilma de Faria. O senador afirmou
que não estava criticando o presidente Lula, mas apenas defendendo
um grande investimento da Petrobras no Estado.
Wilma de Faria disse que não houve nenhum mal-estar com Garibaldi.
A governadora disse que o presidente do Congresso cobrou investimentos,
e que ela apenas lembrou que o Governo Lula já tem uma presença
em Mossoró e no restante do Rio Grande do Norte.
Rosalba
se irrita por não ter direito a discurso
O clima de disputa eleitoral provocou situações de
tensão durante a programação para inaugurar
as obras da Avenida Rio Branco, ontem, em Mossoró. Uma dessas
situações foi quando a senadora Rosalba Ciarlini (DEM)
foi informada pelo cerimonial do Governo do Estado que não
teria direito a discursar durante a solenidade. A proibição
foi extensiva ao senador José Agripino Maia (DEM).
A alegação do cerimonial era de que seriam permitidos
apenas três discursos. O primeiro seria o da prefeita Fafá
Rosado (DEM). O senador Garibaldi Filho (PMDB) teria direito a fala,
na qualidade de presidente do Congresso e representando os dois
colegas de Senado. A governadora Wilma de Faria discursaria para
encerrar a solenidade.
Rosalba Ciarlini ficou irritada, ao saber que não teria direito
a discurso na solenidade em sua principal base eleitoral. Como o
cerimonial não cedeu à pressão, a senadora
deixou o palanque logo depois que começou a solenidade. José
Agripino a acompanhou, junto com os deputados federais Felipe Maia
(DEM), Betinho Rosado (DEM) e a vice-prefeita Cláudia Regina
(DEM).
Os incidentes se estenderam ao público. Grupos de pessoas
vestindo camisas de cores vermelha, que caracteriza as campanhas
de Wilma de Faria, e azul, adotada nas campanhas de Fafá
Rosado, se infiltraram na multidão. Eles duelavam em gritos,
vaias e xingamentos.
A baderna causada pelas duas claques chegou a irritar o senador
Garibaldi Filho. "Vocês fazem um barulho danado",
reclamou o presidente do Congresso, ao ter seu discurso atrapalhado
pelos militantes, que duelavam para gritar mais alto os nomes das
pré-candidatas Larissa Rosado (PSB) e Fafá Rosado
(DEM).
No final, Fafá Rosado disse que estava preparada para enfrentar
claques organizadas. A prefeita não citou nomes, mas afirmou
que os problemas foram "organizados por pessoas acostumadas
a esse tipo de postura". Ela disse ainda que considerou a gritaria
e vaias desrespeitosas e negou que seu grupo político tenha
enviado claque para a solenidade.
Do lado da pré-candidata Larissa, a deputada federal Sandra
Rosado também negou a organização de claque
e considerou as manifestações ocorridas durante a
solenidade como sendo normais.
Wilma
com Larissa; Gari com Fafá
O distanciamento político entre o senador Garibaldi Filho
(PMDB) e a governadora Wilma de Faria (PSB) em Mossoró ficou
evidente já no desembarque no Aeroporto Dix-sept Rosado.
A líder socialista chegou com assessores no avião
oficial do Estado. Foi recepcionada pela deputada federal Sandra
Rosado (PSB) e pela secretária de Agricultura, Larissa Rosado
(PSB), sua candidata a prefeito.
Garibaldi Filho chegou minutos depois. O presidente do Congresso
veio em um jatinho da Força Aérea Brasileira (FAB),
junto com os senadores José Agripino (DEM), Rosalba Ciarlini
(DEM) e os deputados federais Betinho Rosado (DEM) e Felipe Maia
(DEM). A comitiva foi recepcionada pela prefeita Fafá Rosado
(DEM), que vai disputar a reeleição com o apoio deles.
Na visita às praças que eram inauguradas, o distanciamento
era evidente. Wilma sempre seguia na frente, acompanhada de Larissa
e Sandra Rosado, além de lideranças do PT e do PR
de Mossoró. Garibaldi, em todos os momentos, caminhou ao
lado de Fafá, Rosalba e Agripino.
Os discursos também evidenciaram as posições
políticas. Garibaldi Filho rasgou elogio a José Agripino.
"É um bravo senador que não tem calado sua voz
na defesa do Rio Grande do Norte", afirmou. Também enalteceu
Rosalba, ao afirmar que "é uma senadora que está
dando nó em pingo d'água", e elogiou a administração
de Fafá Rosado.
Ao discursar, Wilma respondeu ao senador. "Também tenho
aliados importantes em Mossoró", disparou, para em seguida
citar Sandra Rosado e Larissa. A governadora foi mais além,
e afirmou que, antes de firmar o convênio com a Prefeitura
de Mossoró para as obras da Avenida Rio Branco, pediu a opinião
de Larissa e teria recebido o aval da pré-candidata do PSB.
Garotinho
acusado de formar quadrilha
Rio (AE) - Através da Operação
Segurança Pública S/A, a Polícia Federal e
a Procuradoria Regional da República do Rio prenderam ontem
o deputado estadual Álvaro Lins (PMDB), ex-chefe de Polícia
Civil dos governos de Anthony Garotinho e de sua mulher, Rosinha
Matheus. Álvaro Lins é apontado como chefe de uma
quadrilha que usava a Polícia Civil para receber favores.
O deputado, alguns familiares e sete policiais foram denunciados
pelos crimes de corrupção, facilitação
de descaminho (mercadorias importadas sem pagamento de impostos)
e contrabando, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha
armada. Na mesma denúncia, foi incluído o ex-governador
Anthony Garotinho pelo crime de formação de quadrilha
desarmada.
Segundo os procuradores regionais da República Maurício
da Rocha, Paulo Fernando Correa e Cristina Romano, Garotinho mantinha
Lins à frente da Polícia Civil, mesmo sabendo do seu
envolvimento em crimes. Os procuradores, porém, garantiram
não ter sido provado que o ex-governador tenha se beneficiado
da situação. Eles também entenderam "por
bem não incluir nessa grave acusação de organização
criminosa, porque não há nada contra ela no que foi
coletado até agora", a ex-governadora Rosinha Matheus.
Além de Lins e Garotinho, foram denunciadas 14 pessoas. Oito
são policiais ligados ao ex-chefe de Polícia, três
deles delegados de Polícia Civil - Ricardo Hallak, que o
substituiu Lins no cargo de chefia, Luiz Carlos Santos e Daniel
Goulart - e cinco inspetores e detetives.
Entre os parentes de Lins, foram denunciados sua mãe, Amélia,
a atual mulher, Sissy, o pai dela, Francis Bullos (vereador da cidade
de Barra Mansa), a mulher dele, Vanda de Oliveira Bullos, a avó
de Sissy, Maria Canali Bullus, e a ex-mulher do deputado Luciana
Gouveia dos Santos. Segundo os procuradores e a Polícia Federal,
todos serviram de laranja ao parlamentar na lavagem do dinheiro
que teria recebido através da corrupção. Ele
comprava imóveis e outros bens em nome desses parentes.
Lins foi preso no início da manhã em seu apartamento
em Copacabana, na zona sul. Policiais federais chegaram às
6h com mandado de busca e apreensão assinado pela juíza
do Tribunal Regional Federal Márcia Helena Nunes. Por ser
deputado, ele tem direito a foro especial. Os policiais recolheram
documentos e celulares na residência e saíram do prédio
às 9h, conduzindo-o no banco de trás de uma caminhonete
Nissan, entre dois agentes. Para evitar a imprensa, ele entrou no
carro na garagem do prédio.
Por ter mandato político, Lins só pode ser preso em
flagrante delito por crime inafiançável. A Polícia
o prendeu alegando que, por residir em um imóvel comprado
com recursos de que não dispunha por meios legais, ele estaria
praticando lavagem de dinheiro. O apartamento, adquirido em 2005
em nome de Maria Canali, custou R$ 1,392 milhão e Lins recebia
menos de R$ 8 mil como chefe de Polícia. A investigação
mostrou que a avó de Sissy, Maria Canali Bullus, desde 1998
era isenta na Receita Federal e, a partir de 2002, foi incluída
como dependente do filho.
A tese do crime permanente não é nova. Segundo delegados,
ela já foi admitida pelo Superior Tribunal de Justiça
(STJ). Também foram presos por lavagem de dinheiro o sogro
de Lins, Francis, e sua ex-mulher, Luciana. Mas hoje os procuradores
já manifestaram que não têm interesse em manter
tais prisões.

Deputados
põem a ideologia de lado na hora de mudar a LRF
Brasília (AE) - O ataque à Lei
de Responsabilidade Fiscal (LRF) mostrou que, quando se trata de
defender o Estado, as diferenças partidárias são
postas de lado. Dois deputados gaúchos petistas, Henrique
Fontana e Pepe Vargas, foram os principais articuladores da aprovação
da proposta na Câmara dos Deputados, anteontem, 28, que terá
como beneficiário direto o governo tucano do Rio Grande do
Sul, comandado por Yêda Crusius (PSDB).
"Só porque somos do Estado, disseram que estávamos
trabalhando para favorecer o Rio Grande do Sul. Nós trabalhamos
para fazer uma coisa justa", disse o deputado Pepe Vargas,
relator do projeto, que atuou em dobradinha com Fontana.
Por convicção e postura próprias, coube ao
deputado tucano Arnaldo Madeira (SP) o único voto contrário
à emenda que Fontana apresentou ao projeto original do Executivo
que flexibilizou ainda mais a LRF. "A proposta sinaliza para
um caminho que pode levar a mudanças perigosas", avaliou
Madeira. "Eu votei contra para manifestar a preocupação
com a evolução futura da Lei de Responsabilidade Fiscal",
continuou.
Senadores
da base de Lula antecipam
o voto contra criação da nova CPMF
Christiane Samarco
Agência Estado
Brasília - Convencidos de que o governo ainda poderá
reunir a base aliada e derrotar a oposição na Câmara,
aprovando a Contribuição Social para a Saúde
(CSS), os senadores já se movimentam contra a recriação
da Contribuição Provisória sobre Movimentação
Financeira (CPMF), com o apoio de governistas que em dezembro votaram
para prorrogar a contribuição e agora antecipam o
voto contrário. "Não há possibilidade
de a CPMF ser aprovada por lei complementar no Senado", aposta
o senador Francisco Dornelles (PP-RJ), que foi favorável
à prorrogação da CPMF "por razões
orçamentárias", mas rejeitará a CSS.
O líder do PDT, senador Osmar Dias (PR), recorda que foi
obrigado a aprovar a prorrogação da CPMF porque seu
partido fechou questão. Ontem, no entanto, ele pediu ao presidente
do PDT e ministro do Trabalho, Carlos Lupi, que não interfira
na decisão da bancada. "Votarei contra, mesmo que o
PDT feche questão. Que me expulsem do partido."
As dissidências não param aí e sinalizam dificuldades
para os governistas. Em dezembro, na votação da CPMF,
o governo obteve o voto de 45 senadores dos 49 necessários
para prorrogar o imposto do cheque - o mínimo para aprovar
uma proposta de emenda à Constituição (PEC).
Para aprovar a CCS, serão necessários 41 votos no
Senado. Aparentemente, o quórum menor facilitaria a vida
do governo, mas o processo de desidratação da base
está acelerado.
"Meu voto para criar um novo imposto, quando o governo dispensou
R$ 3 bilhões da Cide (contribuição que incide
sobre o preço de combustíveis), o governo não
terá", afirma o senador Gerson Camata (PMDB-ES). "Se
há dinheiro para a gasolina, por que não para os doentes?"
Na mesma linha, o senador Pedro Simon (PMDB-RS) comentou com correligionários
que não votará "de jeito nenhum". Como o
governo apresentou uma proposta de reforma tributária, que
está tramitando no Congresso, Simon sugere que a nova CSS
seja incluída no texto.
Dornelles lembra que concordou em prorrogar a CPMF porque não
se podia tirar 6% da receita do governo nas vésperas do início
do ano fiscal e com o Orçamento de 2008 pronto. "Mas
agora, com a arrecadação batendo todos os recordes
e o governo com superávit para fazer fundo soberano, não
tem sentido", argumenta.
Ele admite que o governo pode instituir impostos por lei complementar,
mas diz que recriar a CPMF dessa forma é inconstitucional.
Dornelles cita o artigo 154 da Constituição, que veta
a criação de impostos cumulativos, como a CPMF, por
lei complementar. "Podem batizar a CPMF com qualquer outro
nome que não muda nada."
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