..:: JORNAL DE FATO ::.. JORNALISMO DE VERDADE
MOSSORÓ (RN), SEXTA-FEIRA, 30/05/2008 (ATUALIZADO: 01:37hs)
 
Untitled Document




» Wilma e Garibaldi divergem em Mossoró

» Garotinho acusado de formar quadrilha
» Deputados põem a ideologia de lado na hora de mudar a LRF
» Senadores da base de Lula antecipam o voto contra nova CPMF


MAL-ESTAR
Wilma e Garibaldi divergem em Mossoró
Julierme Torres
Da Redação

O fato de serem aliados em Natal e adversários em Mossoró causou o primeiro mal-estar entre o senador Garibaldi Alves Filho (PMDB) e a governadora Wilma Maria de Faria (PSB). O presidente do Congresso foi repreendido publicamente pela governadora, durante a solenidade de inauguração das praças temáticas da Avenida Rio Branco, na noite de ontem, em Mossoró.
Garibaldi Filho tentou fazer um discurso que agradasse Wilma, sua aliada de Natal, e os senadores José Agripino Maia (DEM) e Rosalba Ciarlini (DEM), que são seus correligionários em Mossoró. Ele elogiou os dois Democratas, enalteceu a parceria administrativa entre a prefeita Fafá Rosado (DEM) e o Governo do Estado e criticou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por escassez de investimentos federais.
"Aqui nesta obra tem a mão da prefeita Fafá. Tem a mão da governadora Wilma. Mas está faltando a mão do presidente Lula. Lula está devendo, e eu vou dizer a ele que tem que ser feita uma grande obra no Rio Grande do Norte. Assim como vou dizer que o Congresso é independente", disparou Garibaldi.
A resposta ao presidente do Congresso veio logo que o cerimonial anunciou o discurso de Wilma de Faria. A governadora foi apresentada como "a maior liderança política do Rio Grande do Norte". Logo que começou a falar, a socialista tratou de dar uma repreensão pública em Garibaldi.
"Quero lembrar ao senador Garibaldi que o presidente Lula está botando dinheiro nesta terra, sim", retrucou a governadora, que na seqüência emendou que o Governo do Estado investiu R$ 20 milhões em saneamento básico em Mossoró, através de parceria com a União. Wilma foi mais além. Lembrou a recente liberação de R$ 30 milhões do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para a Prefeitura de Mossoró fazer mais investimentos em saneamento básico e provocou a prefeita Fafá, que acabou sendo intimada a usar o microfone para confirmar os investimentos federais.
O mal-estar continuou quando Wilma de Faria resolveu comentar a parceria que fez com a prefeita Fafá, que é sua adversária política, para as obras da Avenida Rio Branco. O Governo do Estado liberou R$ 7 milhões e a Prefeitura aplicou outros R$ 3 milhões para construir as praças temáticas de Esporte, Convivência, Eventos e o Parque da Criança.
"Eu estou marcando um novo tempo na política. Isso que está acontecendo aqui não se via na política do Rio Grande do Norte", disparou Wilma de Faria. Durante os oito anos em que foi governador, Garibaldi Filho era cobrado pela então prefeita Rosalba Ciarlini (DEM), na época sua adversária, de não fazer parcerias administrativas com a administração de Mossoró.

EXPLICAÇÕES
No final da solenidade, Garibaldi Filho evitou polemizar quando foi questionado sobre a postura de Wilma de Faria. O senador afirmou que não estava criticando o presidente Lula, mas apenas defendendo um grande investimento da Petrobras no Estado.
Wilma de Faria disse que não houve nenhum mal-estar com Garibaldi. A governadora disse que o presidente do Congresso cobrou investimentos, e que ela apenas lembrou que o Governo Lula já tem uma presença em Mossoró e no restante do Rio Grande do Norte.

Rosalba se irrita por não ter direito a discurso
O clima de disputa eleitoral provocou situações de tensão durante a programação para inaugurar as obras da Avenida Rio Branco, ontem, em Mossoró. Uma dessas situações foi quando a senadora Rosalba Ciarlini (DEM) foi informada pelo cerimonial do Governo do Estado que não teria direito a discursar durante a solenidade. A proibição foi extensiva ao senador José Agripino Maia (DEM).
A alegação do cerimonial era de que seriam permitidos apenas três discursos. O primeiro seria o da prefeita Fafá Rosado (DEM). O senador Garibaldi Filho (PMDB) teria direito a fala, na qualidade de presidente do Congresso e representando os dois colegas de Senado. A governadora Wilma de Faria discursaria para encerrar a solenidade.
Rosalba Ciarlini ficou irritada, ao saber que não teria direito a discurso na solenidade em sua principal base eleitoral. Como o cerimonial não cedeu à pressão, a senadora deixou o palanque logo depois que começou a solenidade. José Agripino a acompanhou, junto com os deputados federais Felipe Maia (DEM), Betinho Rosado (DEM) e a vice-prefeita Cláudia Regina (DEM).
Os incidentes se estenderam ao público. Grupos de pessoas vestindo camisas de cores vermelha, que caracteriza as campanhas de Wilma de Faria, e azul, adotada nas campanhas de Fafá Rosado, se infiltraram na multidão. Eles duelavam em gritos, vaias e xingamentos.
A baderna causada pelas duas claques chegou a irritar o senador Garibaldi Filho. "Vocês fazem um barulho danado", reclamou o presidente do Congresso, ao ter seu discurso atrapalhado pelos militantes, que duelavam para gritar mais alto os nomes das pré-candidatas Larissa Rosado (PSB) e Fafá Rosado (DEM).
No final, Fafá Rosado disse que estava preparada para enfrentar claques organizadas. A prefeita não citou nomes, mas afirmou que os problemas foram "organizados por pessoas acostumadas a esse tipo de postura". Ela disse ainda que considerou a gritaria e vaias desrespeitosas e negou que seu grupo político tenha enviado claque para a solenidade.
Do lado da pré-candidata Larissa, a deputada federal Sandra Rosado também negou a organização de claque e considerou as manifestações ocorridas durante a solenidade como sendo normais.

Wilma com Larissa; Gari com Fafá
O distanciamento político entre o senador Garibaldi Filho (PMDB) e a governadora Wilma de Faria (PSB) em Mossoró ficou evidente já no desembarque no Aeroporto Dix-sept Rosado. A líder socialista chegou com assessores no avião oficial do Estado. Foi recepcionada pela deputada federal Sandra Rosado (PSB) e pela secretária de Agricultura, Larissa Rosado (PSB), sua candidata a prefeito.
Garibaldi Filho chegou minutos depois. O presidente do Congresso veio em um jatinho da Força Aérea Brasileira (FAB), junto com os senadores José Agripino (DEM), Rosalba Ciarlini (DEM) e os deputados federais Betinho Rosado (DEM) e Felipe Maia (DEM). A comitiva foi recepcionada pela prefeita Fafá Rosado (DEM), que vai disputar a reeleição com o apoio deles.
Na visita às praças que eram inauguradas, o distanciamento era evidente. Wilma sempre seguia na frente, acompanhada de Larissa e Sandra Rosado, além de lideranças do PT e do PR de Mossoró. Garibaldi, em todos os momentos, caminhou ao lado de Fafá, Rosalba e Agripino.
Os discursos também evidenciaram as posições políticas. Garibaldi Filho rasgou elogio a José Agripino. "É um bravo senador que não tem calado sua voz na defesa do Rio Grande do Norte", afirmou. Também enalteceu Rosalba, ao afirmar que "é uma senadora que está dando nó em pingo d'água", e elogiou a administração de Fafá Rosado.
Ao discursar, Wilma respondeu ao senador. "Também tenho aliados importantes em Mossoró", disparou, para em seguida citar Sandra Rosado e Larissa. A governadora foi mais além, e afirmou que, antes de firmar o convênio com a Prefeitura de Mossoró para as obras da Avenida Rio Branco, pediu a opinião de Larissa e teria recebido o aval da pré-candidata do PSB.

Garotinho acusado de formar quadrilha
Rio (AE) - Através da Operação Segurança Pública S/A, a Polícia Federal e a Procuradoria Regional da República do Rio prenderam ontem o deputado estadual Álvaro Lins (PMDB), ex-chefe de Polícia Civil dos governos de Anthony Garotinho e de sua mulher, Rosinha Matheus. Álvaro Lins é apontado como chefe de uma quadrilha que usava a Polícia Civil para receber favores. O deputado, alguns familiares e sete policiais foram denunciados pelos crimes de corrupção, facilitação de descaminho (mercadorias importadas sem pagamento de impostos) e contrabando, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha armada. Na mesma denúncia, foi incluído o ex-governador Anthony Garotinho pelo crime de formação de quadrilha desarmada.
Segundo os procuradores regionais da República Maurício da Rocha, Paulo Fernando Correa e Cristina Romano, Garotinho mantinha Lins à frente da Polícia Civil, mesmo sabendo do seu envolvimento em crimes. Os procuradores, porém, garantiram não ter sido provado que o ex-governador tenha se beneficiado da situação. Eles também entenderam "por bem não incluir nessa grave acusação de organização criminosa, porque não há nada contra ela no que foi coletado até agora", a ex-governadora Rosinha Matheus.
Além de Lins e Garotinho, foram denunciadas 14 pessoas. Oito são policiais ligados ao ex-chefe de Polícia, três deles delegados de Polícia Civil - Ricardo Hallak, que o substituiu Lins no cargo de chefia, Luiz Carlos Santos e Daniel Goulart - e cinco inspetores e detetives.
Entre os parentes de Lins, foram denunciados sua mãe, Amélia, a atual mulher, Sissy, o pai dela, Francis Bullos (vereador da cidade de Barra Mansa), a mulher dele, Vanda de Oliveira Bullos, a avó de Sissy, Maria Canali Bullus, e a ex-mulher do deputado Luciana Gouveia dos Santos. Segundo os procuradores e a Polícia Federal, todos serviram de laranja ao parlamentar na lavagem do dinheiro que teria recebido através da corrupção. Ele comprava imóveis e outros bens em nome desses parentes.
Lins foi preso no início da manhã em seu apartamento em Copacabana, na zona sul. Policiais federais chegaram às 6h com mandado de busca e apreensão assinado pela juíza do Tribunal Regional Federal Márcia Helena Nunes. Por ser deputado, ele tem direito a foro especial. Os policiais recolheram documentos e celulares na residência e saíram do prédio às 9h, conduzindo-o no banco de trás de uma caminhonete Nissan, entre dois agentes. Para evitar a imprensa, ele entrou no carro na garagem do prédio.
Por ter mandato político, Lins só pode ser preso em flagrante delito por crime inafiançável. A Polícia o prendeu alegando que, por residir em um imóvel comprado com recursos de que não dispunha por meios legais, ele estaria praticando lavagem de dinheiro. O apartamento, adquirido em 2005 em nome de Maria Canali, custou R$ 1,392 milhão e Lins recebia menos de R$ 8 mil como chefe de Polícia. A investigação mostrou que a avó de Sissy, Maria Canali Bullus, desde 1998 era isenta na Receita Federal e, a partir de 2002, foi incluída como dependente do filho.
A tese do crime permanente não é nova. Segundo delegados, ela já foi admitida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Também foram presos por lavagem de dinheiro o sogro de Lins, Francis, e sua ex-mulher, Luciana. Mas hoje os procuradores já manifestaram que não têm interesse em manter tais prisões.

Deputados põem a ideologia de lado na hora de mudar a LRF
Brasília (AE) - O ataque à Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) mostrou que, quando se trata de defender o Estado, as diferenças partidárias são postas de lado. Dois deputados gaúchos petistas, Henrique Fontana e Pepe Vargas, foram os principais articuladores da aprovação da proposta na Câmara dos Deputados, anteontem, 28, que terá como beneficiário direto o governo tucano do Rio Grande do Sul, comandado por Yêda Crusius (PSDB).
"Só porque somos do Estado, disseram que estávamos trabalhando para favorecer o Rio Grande do Sul. Nós trabalhamos para fazer uma coisa justa", disse o deputado Pepe Vargas, relator do projeto, que atuou em dobradinha com Fontana.
Por convicção e postura próprias, coube ao deputado tucano Arnaldo Madeira (SP) o único voto contrário à emenda que Fontana apresentou ao projeto original do Executivo que flexibilizou ainda mais a LRF. "A proposta sinaliza para um caminho que pode levar a mudanças perigosas", avaliou Madeira. "Eu votei contra para manifestar a preocupação com a evolução futura da Lei de Responsabilidade Fiscal", continuou.

Senadores da base de Lula antecipam
o voto contra criação da nova CPMF
Christiane Samarco
Agência Estado

Brasília - Convencidos de que o governo ainda poderá reunir a base aliada e derrotar a oposição na Câmara, aprovando a Contribuição Social para a Saúde (CSS), os senadores já se movimentam contra a recriação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), com o apoio de governistas que em dezembro votaram para prorrogar a contribuição e agora antecipam o voto contrário. "Não há possibilidade de a CPMF ser aprovada por lei complementar no Senado", aposta o senador Francisco Dornelles (PP-RJ), que foi favorável à prorrogação da CPMF "por razões orçamentárias", mas rejeitará a CSS.
O líder do PDT, senador Osmar Dias (PR), recorda que foi obrigado a aprovar a prorrogação da CPMF porque seu partido fechou questão. Ontem, no entanto, ele pediu ao presidente do PDT e ministro do Trabalho, Carlos Lupi, que não interfira na decisão da bancada. "Votarei contra, mesmo que o PDT feche questão. Que me expulsem do partido."
As dissidências não param aí e sinalizam dificuldades para os governistas. Em dezembro, na votação da CPMF, o governo obteve o voto de 45 senadores dos 49 necessários para prorrogar o imposto do cheque - o mínimo para aprovar uma proposta de emenda à Constituição (PEC). Para aprovar a CCS, serão necessários 41 votos no Senado. Aparentemente, o quórum menor facilitaria a vida do governo, mas o processo de desidratação da base está acelerado.
"Meu voto para criar um novo imposto, quando o governo dispensou R$ 3 bilhões da Cide (contribuição que incide sobre o preço de combustíveis), o governo não terá", afirma o senador Gerson Camata (PMDB-ES). "Se há dinheiro para a gasolina, por que não para os doentes?" Na mesma linha, o senador Pedro Simon (PMDB-RS) comentou com correligionários que não votará "de jeito nenhum". Como o governo apresentou uma proposta de reforma tributária, que está tramitando no Congresso, Simon sugere que a nova CSS seja incluída no texto.
Dornelles lembra que concordou em prorrogar a CPMF porque não se podia tirar 6% da receita do governo nas vésperas do início do ano fiscal e com o Orçamento de 2008 pronto. "Mas agora, com a arrecadação batendo todos os recordes e o governo com superávit para fazer fundo soberano, não tem sentido", argumenta.
Ele admite que o governo pode instituir impostos por lei complementar, mas diz que recriar a CPMF dessa forma é inconstitucional. Dornelles cita o artigo 154 da Constituição, que veta a criação de impostos cumulativos, como a CPMF, por lei complementar. "Podem batizar a CPMF com qualquer outro nome que não muda nada."




       




Todos os direitos reservados à Santos Editora de Jornais Ltda.
É proibida a reprodução total ou parcial do conteúdo deste site para fins comerciais sem prévia autorização.