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MOSSORÓ (RN), SEXTA-FEIRA, 30/05/2008 (ATUALIZADO: 01:37hs)
 
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» Mesmo com isenção, preço do pão não cai
» RN recebe 20 mil toneladas de milho para pequenos criadores


SEM EFEITO
Mesmo com isenção, preço do pão não cai
MAGNOS ALVES
Da Redação

Os efeitos da Medida Provisória 433, que entrou em vigor na última quarta-feira (28) e concede isenção do recolhimento do Programa de Integração Social e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (PIS/COFINS) para os produtores de trigo, não serão sentidos tão cedo pelos consumidores de massas, especialmente o pão. A expectativa é que o preço do pão comece a cair apenas a partir do mês de setembro. "Isso se o trigo também tiver redução de preço", acrescentou o distribuidor de trigo Damásio Melo.
Motivo é o super abastecimento dos moinhos do Estado e da região. "Todo mundo comprou trigo com medo de faltar", justificou Damásio, acrescentando que somente de setembro para outubro é que os estoques serão renovados, já com o preço com isenção de impostos concedidos pelo Governo Federal.
Para Damásio, o Governo Federal colocou os panificadores numa saia justa. "O Governo tá divulgando que cortou os impostos e que o preço do pão deve cair, mas esquece que os panificadores estão sofrendo com aumento superior a 100% no preço do trigo entre o final de dezembro e o mês passado", justificou.
Segundo ele, é impossível o preço do pão baixar com o atual custo do trigo. Hoje uma saca de 50 quilos de trigo custa cem reais. Para distribuidores e panificadores somente com a saca saindo a setenta reais é que fica possível baixar o preço do pão.
Damásio destacou que o Governo do Estado também poderia contribuir para amenizar a crise do setor, dispensando a cobrança do Imposto Sobre Circulação de Mercadoria (ICMS) ou, pelo menos, concedendo um desconto no índice atual que é de 34%. "Se o Governo do Estado desse um desconto de 10% já seria uma ajuda para o setor", reiterou o distribuidor.
Segundo ele, o ICMS cobrado no Estado é o mais caro do país. "Do valor da saca de 50 quilos (R$ 105,00) R$ 35,70 vai para o Estado", observou.
Damásio citou que o Governo do Estado de São Paulo isentou os produtores de trigo do ICMS. "Assim eles evitaram a crise que ocorreu aqui no RN, onde, no auge na crise, várias panificadoras foram fechadas", salientou.

Panificadores confirmam manutenção de preço
O presidente do Sindicato da Indústria da Panificação de Mossoró e Região (SINDPAM), Gérson Nóbrega, confirmou que o preço atual do pão será mantido e que a queda não vai acontecer tão cedo. Ele disse que só depois que a saca de trigo baixar de R$ 105,00 para R$ 65,00 é que vai ser possível baixar o preço do alimento.
Segundo Gérson, os consumidores, motivados pela divulgação da isenção de impostos no trigo, estão cobrando uma mudança no preço "que neste momento é impossível de ser feita". "O panificador vai ter o maior prazer de baixar o preço do pão, mas só vai fazer isso quando o trigo baixar também".
Gérson lembrou que entre o final do ano passado e o mês passado o preço do trigo subiu mais de 100%, enquanto que os panificadores repassaram apenas 27% para os clientes. "Estamos numa saia justa. O povo querendo que o preço baixe, mas nós não temos condições nenhuma de atender", afirmou.

RN recebe 20 mil toneladas de milho para pequenos criadores
O Rio Grande do Norte está recebendo 20 mil toneladas de milho destinado a pequenos criadores de aves, suínos e bovinos que compram milho em pequena escala para uso na ração animal.
A distribuição está sendo feita pela Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) e vai atender também os Estados do Acre, Amazonas, Pará, Tocantins, Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Espírito Santo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.
No total, a Conab está enviando 77.735 toneladas de milho para abastecer suas unidades armazenadoras. O produto começou a ser entregue na semana passada.
A quantidade é distribuída conforme a carência de cada localidade. O Rio Grande do Norte ficou com o maior lote devido os baixos níveis de estoque de milho. Na unidade da Conab em Assu, por exemplo, há várias semanas que os pequenos criadores não encontram o produto. A expectativa da Conab é de que essa medida garanta o abastecimento nos próximos meses.
Este é o primeiro carregamento do cereal neste ano destinado a esse grupo de produtores. O milho está sendo transportado dos armazéns da estatal no Paraná e Mato Grosso. De acordo com o superintendente de Programas Institucionais e Sociais de Abastecimento da Companhia, João Cláudio Dalla Costa, a maior parte (68.800 t) está estocada no Estado de Mato Grosso.
Para participar do programa, os interessados devem solicitar o cadastramento junto à superintendência da Conab. Cada produtor tem limite de compra de acordo com o consumo do seu plantel, limitado no Norte e Nordeste a 14 t por mês, e no Sul e Sudeste, a 27 t por mês.



       
 




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