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SEM EFEITO
Mesmo
com isenção, preço do pão não
cai
MAGNOS ALVES
Da Redação
Os efeitos da Medida Provisória 433, que entrou em vigor
na última quarta-feira (28) e concede isenção
do recolhimento do Programa de Integração Social e
da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social
(PIS/COFINS) para os produtores de trigo, não serão
sentidos tão cedo pelos consumidores de massas, especialmente
o pão. A expectativa é que o preço do pão
comece a cair apenas a partir do mês de setembro. "Isso
se o trigo também tiver redução de preço",
acrescentou o distribuidor de trigo Damásio Melo.
Motivo é o super abastecimento dos moinhos do Estado e da
região. "Todo mundo comprou trigo com medo de faltar",
justificou Damásio, acrescentando que somente de setembro
para outubro é que os estoques serão renovados, já
com o preço com isenção de impostos concedidos
pelo Governo Federal.
Para Damásio, o Governo Federal colocou os panificadores
numa saia justa. "O Governo tá divulgando que cortou
os impostos e que o preço do pão deve cair, mas esquece
que os panificadores estão sofrendo com aumento superior
a 100% no preço do trigo entre o final de dezembro e o mês
passado", justificou.
Segundo ele, é impossível o preço do pão
baixar com o atual custo do trigo. Hoje uma saca de 50 quilos de
trigo custa cem reais. Para distribuidores e panificadores somente
com a saca saindo a setenta reais é que fica possível
baixar o preço do pão.
Damásio destacou que o Governo do Estado também poderia
contribuir para amenizar a crise do setor, dispensando a cobrança
do Imposto Sobre Circulação de Mercadoria (ICMS) ou,
pelo menos, concedendo um desconto no índice atual que é
de 34%. "Se o Governo do Estado desse um desconto de 10% já
seria uma ajuda para o setor", reiterou o distribuidor.
Segundo ele, o ICMS cobrado no Estado é o mais caro do país.
"Do valor da saca de 50 quilos (R$ 105,00) R$ 35,70 vai para
o Estado", observou.
Damásio citou que o Governo do Estado de São Paulo
isentou os produtores de trigo do ICMS. "Assim eles evitaram
a crise que ocorreu aqui no RN, onde, no auge na crise, várias
panificadoras foram fechadas", salientou.
Panificadores
confirmam manutenção de preço
O presidente do Sindicato da Indústria da Panificação
de Mossoró e Região (SINDPAM), Gérson Nóbrega,
confirmou que o preço atual do pão será mantido
e que a queda não vai acontecer tão cedo. Ele disse
que só depois que a saca de trigo baixar de R$ 105,00 para
R$ 65,00 é que vai ser possível baixar o preço
do alimento.
Segundo Gérson, os consumidores, motivados pela divulgação
da isenção de impostos no trigo, estão cobrando
uma mudança no preço "que neste momento é
impossível de ser feita". "O panificador vai ter
o maior prazer de baixar o preço do pão, mas só
vai fazer isso quando o trigo baixar também".
Gérson lembrou que entre o final do ano passado e o mês
passado o preço do trigo subiu mais de 100%, enquanto que
os panificadores repassaram apenas 27% para os clientes. "Estamos
numa saia justa. O povo querendo que o preço baixe, mas nós
não temos condições nenhuma de atender",
afirmou.
RN
recebe 20 mil toneladas de milho para pequenos criadores
O Rio Grande do Norte está recebendo
20 mil toneladas de milho destinado a pequenos criadores de aves,
suínos e bovinos que compram milho em pequena escala para
uso na ração animal.
A distribuição está sendo feita pela Companhia
Nacional de Abastecimento (CONAB) e vai atender também os
Estados do Acre, Amazonas, Pará, Tocantins, Alagoas, Bahia,
Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí,
Espírito Santo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.
No total, a Conab está enviando 77.735 toneladas de milho
para abastecer suas unidades armazenadoras. O produto começou
a ser entregue na semana passada.
A quantidade é distribuída conforme a carência
de cada localidade. O Rio Grande do Norte ficou com o maior lote
devido os baixos níveis de estoque de milho. Na unidade da
Conab em Assu, por exemplo, há várias semanas que
os pequenos criadores não encontram o produto. A expectativa
da Conab é de que essa medida garanta o abastecimento nos
próximos meses.
Este é o primeiro carregamento do cereal neste ano destinado
a esse grupo de produtores. O milho está sendo transportado
dos armazéns da estatal no Paraná e Mato Grosso. De
acordo com o superintendente de Programas Institucionais e Sociais
de Abastecimento da Companhia, João Cláudio Dalla
Costa, a maior parte (68.800 t) está estocada no Estado de
Mato Grosso.
Para participar do programa, os interessados devem solicitar o cadastramento
junto à superintendência da Conab. Cada produtor tem
limite de compra de acordo com o consumo do seu plantel, limitado
no Norte e Nordeste a 14 t por mês, e no Sul e Sudeste, a
27 t por mês.
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