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MOSSORÓ (RN), SEXTA-FEIRA, 30/05/2008 (ATUALIZADO: 01:37hs)
 
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Ao mestre, com carinho
Gutemberg Natal Tinoco

Por volta de 1981, sugerido pela promotora Drª Célia D’Andréa, fui procurado para ser assistente de acusação num julgamento que mobilizou uma distante cidade do interior do Estado. Ainda era eu estudante do 3º ano do Curso de Direito. Terminado o júri, com a condenação do réu à pena máxima (e mais dois anos de medida de segurança), uma senhora com roupas simples se aproximou: - “Parabéns, você ainda vai ser um Ítalo Pinheiro”. Foi o maior elogio que encontrou para insuflar meu ego estudantil...
Ao voltar para as aulas relatei o fato ao tão benquisto professor citado, com cuja esposa Laura eu “pagava” algumas disciplinas. Ele deu uma grande gargalhada que ainda me faz rir quando lembro. A profecia não se realizou quanto a mim, mas Dr. Ítalo ainda foi muito além.
Noutra oportunidade, quando presidia o Tribunal de Justiça, procurei-o ao impetrar hábeas corpus na função de advogado de um réu cuja prisão fora decretada pelo juiz no momento em que eu o acompanhava para atender a intimação. Expliquei-lhe os pormenores processuais da injustificada prisão. Novamente, sem parecer ligar para as formalidades do cargo e da hora, olhou para mim e disse: - “Mas que descortesia com o advogado!”
Nestes dois fragmentos de memória extraio a marca de sua passagem pela vida profissional. Acredito que a imagem fixada em meus sentimentos retrata com fidelidade alguém que foi além das atividades exercidas com ética, competência e simplicidade. É exemplo.
O exercício da magistratura no quinto constitucional reservado aos advogados no Tribunal de Justiça não fez dele um representante da classe. Nem poderia ser, pois juiz não deve representar para o povo nada mais que a esperança de realização do ideal de justiça. Sem parecer ter pretendido, creio que foi um ícone do qual os advogados sempre poderão se orgulhar. Não se esqueceu das tantas dificuldades que o exercício da advocacia enfrenta, algumas vezes agravadas pela vaidade dos que, só por isso, deveriam julgar ninguém. A fidalguia com que tratava a todos era a prova.
Seu corpo recebe as homenagens solenes nas instalações do Tribunal do Júri, em cujo plenário ganhou a fama e o respeito merecidos, mas sua memória há de ser velada para sempre e como paradigma em cada escritório de advocacia de nosso Estado.

Gutemberg Natal Tinoco 
é Advogado.



       




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